15 de maio de 2012

Carta Aberta a Vítor Pereira

Quando recebi a notícia que André Villas-Boas aceitou a proposta do Chelsea, o meu primeiro pensamento foi que toda a equipa técnica seguiria viagem para Londres. Então fiquei preocupado porque não estava a ver onde seria possível arranjar um treinador tão perto de começar a época. Foi então que surgiu a notícia que seria você o novo treinador.

No começo sentiu-se alguma falta de experiência em lidar com a imprensa, o que fez com que muita gente ficasse com uma imagem errada de si. Felizmente essa lacuna foi sendo preenchida ao longo da época e nota-se que a mensagem agora saí com mais fluidez quando comparado com o início da temporada.

A herança de André Villas-Boas era pesada e com a saída de Falcao mais pesada ficou. A equipa começou com exibições algo cinzentas frente ao Vitória de Guimarães, na Supertaça e no campeonato, e frente ao Gil Vicente para o campeonato. Com a primeira boa exibição chegou a primeira derrota, 0-2 frente ao poderoso Barcelona na Supertaça Europeia, mas depois desse jogo a equipa teve alguns jogos a jogar bom futebol, mesmo no empate a zero frente ao Feirense.

A primeira desilusão chegou na recepção ao Benfica. Os adeptos não gostaram nada de ver a vantagem de um golo desaparecer por duas vezes, ainda para mais depois de uma primeira parte de luxo onde o Benfica nem sabia o que fazer. A partir daqui a equipa começou a ficar instável e com isso acabou por ser eliminada da Liga dos Campeões e da Taça de Portugal.

Foi precisamente depois do jogo de Coimbra, que você tão bem referiu, que se viu uma nova atitude em grande parte dos jogadores. Só assim foi possível chegar ao mercado de Janeiro com as aspirações na liga intactas. E foi precisamente em Janeiro que chegaram Danilo, Janko e Lucho. Se o primeiro não contribuiu muito por causa da lesão, já os dois últimos foram fundamentais pois trouxeram a experiência que faltava aquele que era o grupo com a média de idades mais baixa da Primeira Liga. Já para não falar das saídas de Fucile, Guarín, Souza, Walter e Belluschi que trouxeram um pouco mais de paz ao balneário. As lesões é que nunca deixaram o grupo em paz e estiveram bem presentes durante toda a época. Este ano até o Hulk se lesionou!

Admiro a sua coragem por nunca ter fugido às balas. Houve uma altura - depois da derrota em Barcelos e da eliminação na Liga Europa - em que o caminho mais fácil para si teria sido a demissão, mas a sua persistência valeu-lhe o título de campeão. A si e a todos nós, pois duvido que o plantel resistisse a uma troca de treinador nessa altura. Durante a época tive oportunidade de o defender aqui no meu blogue e hoje estou contente por o ter feito.

Na altura, apesar de não conhecer com pormenor o seu percurso no futebol, fiquei contente com a aposta em si pois, além de ser portista, já conhecia o clube e o plantel. Neste momento, e apesar das palavras de Pinto da Costa serem no sentido da sua permanência, há muita especulação em torno do seu lugar como treinador do nosso FC Porto. Uma vez mais espero que lhe seja dada uma nova oportunidade.

Caso continue como treinador do FC Porto na próxima temporada, a pressão sobre si será maior. Não se preocupe, a experiência de uma época como a que agora terminou ajudá-lo-á a resolver os problemas à medida que forem aparecendo. E, pela primeira vez desde que está no FC Porto, terá a oportunidade de treinar um grupo escolhido por si.

E lembre-se, enquanto houver portistas como você o FC Porto não morrerá.