21 de agosto de 2012

Falsa Partida


Depois da derrota na época passada, desta vez o FC Porto foi empatar com o Gil Vicente em Barcelos. Vítor Pereira escolheu para equipa titular Helton, Miguel Lopes, Maicon, Otamendi, Mangala, Fernado, Lucho, Moutinho, James, Hulk e Jackson. No banco de suplentes ficaram Fabiano, Danilo, Alex Sandro, Defour, Varela, Atsu e Kléber. É sempre complicado criticar as opções para o onze inicial seja de qual treinador for sem saber quais foram os motivos que levaram a essas escolhas. Por isso, apesar de não concordar com a equipa que Vítor Pereira apresentou, aceito-a sem qualquer problema.

O que não aceitei foi a maneira como as substituições foram feitas. Cedo se percebeu que o Gil Vicente se ia limitar a defender, como o Hulk e o James têm tendência a procurar os espaços interiores era importante que os defesas-laterais dessem largura ao ataque portista. Embora ambos o estivessem a tentar, foi notório que Mangala não tem a qualidade técnica para o fazer. Errou Vítor Pereira ao não fazer entrar Alex Sandro logo ao intervalo para o lugar de Otamendi, passando Mangala para a posição de defesa-central. Isto porque Mangala é muito mais perigoso nos lances de bola parada que o Otamendi e porque o Gil Vicente jogava em contra-ataque e a velocidade do francês poderia ser importante para fazer frente a essas situações. No entanto Vítor Pereira decidiu mandar o mesmo onze para a segunda parte a apenas aos 57 minutos de jogo lança Alex Sandro para o lugar do amarelado Mangala e troca Fernando por Kléber passando a jogar num 4-2-4 suicida. Ao minuto 71 sai o apagado James e entra Atsu.

As substituições não tiveram o efeito desejado e, além de terem matado o jogo colectivo dos azuis-e-brancos, serviram também para expor a equipa ao perigo devido à ausência de meio-campo defensivo. Vítor Pereira depois de ter demorado a fazer a primeira substituição decidiu arriscar tudo aos 57 minutos de jogo. É incompreensível para mim que depois de entrar em jogo sem um defesa-esquerdo capaz de criar perigo no ataque e com um extremo-esquerdo que passa o jogo a fugir para o centro do terreno, o treinador do FC Porto queira jogar com um defesa a subir livremente, neste caso Alex Sandro, sem a cobertura de Fernando, e com Atsu, um extremo puro.

É notório que falta muitas vezes apoio ao ponta-de-lança neste 4-3-3. Como já referi, a minha primeira substituição neste jogo teria sido para fazer entrar Alex Sandro. Caso não houvesse pelo menos um golo até ao minuto 60 a segunda seria substituir o Lucho pelo Atsu e passar o James para o centro dando apoio directo a Jackson. Apesar do jovem colombiano não estar em grande momento de forma dava-lhe essa oportunidade durante 15 ou 20 minutos. Se não resultasse até aos 75 ou 80 minutos, aí sim, arriscava tudo. Kléber para o lugar de James e uma aposta clara em meter a bola rapidamente na área do Gil Vicente.

Em defesa de Vítor Pereira convém referir que primeiro de qualquer opção táctica errada que este possa ter tomado esteve a falta de atitude e vontade de ganhar da equipa. Foi deprimente ver a primeira parte e os primeiro vinte minutos da segunda. As substituições apesar de não terem sido, a meu ver, as melhores pelo menos fizeram ver aos jogadores que era preciso fazer alguma coisa. Para o confirmar basta comparar o número de cantos ganhos e as ocasiões de perigo nos último quinze minutos com os restantes setenta e cinco. Nem vou comentar o desempenho do árbitro, acho que houve lances que só não foram óbvios para ele.

Espero que algumas destas situações sejam corrigidas rapidamente. O tricampeonato depende muito da capacidade da equipa conseguir derrotar equipas como o Gil Vicente, que têm como único objectivo não sofrer golos. O Vitória de Guimarães é já a próxima.