28 de fevereiro de 2013

A renovação de Vítor Pereira


Faltando agora poucos meses para terminar o contrato de Vítor Pereira como treinador do FC Porto, começam a levantar-se dúvidas sobre a sua continuidade. Aquilo que na época passada parecia impossível é agora uma realidade: Vítor Pereira não só foi campeão como se manteve à frente da equipa por mais uma época e tem agora a real possibilidade de ver o clube prolongar-lhe o contrato.

Exibicionalmente falando, o FC Porto desta época está muito melhor e mais constante do que na época passada. O plantel parece agora unido e o discurso do seu treinador tem sido sempre bastante assertivo. Se no ano passado tínhamos um futebol sofrível, este ano parece que a equipa percebeu finalmente o que lhe era pedido. Enquanto a maioria dos treinadores, nas primeiras semanas à frente de um clube, diz que os jogadores ainda estão a ganhar mecanismos, o Vítor Pereira sempre disse que a equipa estava a assimilar processos. A verdade é que ao ver o Porto jogar facilmente se percebe que todos sabem o que a equipa tem a fazer, enquanto a grande parte dos jogadores adversários apenas sabe o que ele próprio tem a fazer. É a tal diferença entre assimilar processos e criar mecanismos.

Neste momento o Porto é uma máquina de pressionar que, na maioria das vezes, obriga os adversários a usar o passe directo porque é a única alternativa segura que lhes resta. O nosso sistema de jogo é muito complexo e, na minha opinião, é o ideal face às limitações do plantel. A ausência de médios com capacidade de drible e de extremos que combinem uma forte aceleração com boa capacidade de cruzar, aconselham a procura de espaços interiores por parte destes mesmo extremos, enquanto a largura de jogo é dada à equipa pelos defesas-laterais que contam com o apoio e/ou cobertura dos médios-centro quando se aventuram no ataque. Não é qualquer equipa que consegue fazer o que nós fazemos. Na nossa equipa todos têm liberdade para atacar e todos têm obrigação de defender, e isto é mérito total do treinador.

Não fosse aquele disparate da rotatividade do plantel em Braga no jogo da Taça, e estaria 100% satisfeito com o trabalho do Vítor Pereira no que a esta época diz respeito. Aliás, estou convencido que irá renovar mas, caso não o faça, não sei se vamos mudar para melhor.