28 de setembro de 2013

Carta aberta a Paulo Fonseca


Estimado Paulo,

como estão as coisas? A pergunta não é de circunstância, é mesmo sincera porque, neste momento, estás numa espécie de limbo. Não, nada disso, não acho que o teu lugar esteja em risco, estás num limbo porque, por um lado, tens um "score" positivo - apenas um empate - mas, por outro, as exibições do FCP têm deixado algo a desejar.

1 - "Vencer não é importante, é a única coisa que importa", lá dizia Giampiero Boniperti. Não te fies nisso. Ganhar aqui é uma filosofia de vida, mas não chega. E no final do jogo de ontem tiveste a primeira demonstração dessa maneira de ver as coisas. Quiseste focar os bons primeiros 45 minutos, mas os penosos segundos é que pairam na cabeça de toda a gente. O problema, no fundo, é que não foi caso isolado.

2 - Tens as tuas ideias e queres triunfá-las. Absolutamente nada contra, mas, por favor, não tenhas problemas ou complexos em mudá-las em benefício da equipa, porque, isso sim, é o mais importante. Isto é, se teimamos em não saber construir o jogo a partir dos passes longos dos centrais, que se pare com isso. Se os três do meio-campo teimam em não conseguir domar o jogo - a nível defensivo e ofensivo - então ajusta as peças. Se o Fernando tiver que ficar sozinho...que fique.

3 - Com sensivelmente um mês e meio de competição, ainda não tens um 11 base. Ou não? Ora jogam dois extremos "puros"* ora joga um e outro falso. Mas nada de anormal nisto, há coisas que se demoram a perceber, ou que precisam de tempo (e jogos) para se perceberem e também depende das ideias que queres implementar.

4 - Não leves a mal mas...a roda viva das convocatórias está a pôr o pessoal a pensar. No entanto, só tu sabes porque motivo o Herrera vai rodando pela B até aparecer em Viena a bom nível para sair outra vez do mapa. Só tu sabes porque motivo o Ghilas tem tão pouco tempo de jogo. Se Vítor Pereira tinha um plantel curtinho, curtinho, tu tens um conjunto de jogadores que te permite fazer esta rodagem.

5 - Ainda é cedo, claro. E a equipa já mostrou coisas boas, sim, mas nos últimos três jogos foram apenas boas...fases. Como o início da 2ª parte em Viena ou a primeira parte do jogo de ontem. Da partida com o Estoril, sinceramente, não consigo ir buscar nada de bom a não ser os golos. Por que motivo essas fases não se perpetuam em jogos? Por que motivo a equipa perde o controlo quando chega à vantagem? Por que motivo se instala uma rebaldaria táctica que se traduz em passes errados, perdas de bola e ocupação de espaços sem grande critério?

A exigência aqui é grande, muito grande mas infelizmente a paciência não. Estás a iniciar um novo ciclo, com tudo o que isso implica - e estes jogos menos conseguidos fazem parte - mas não há muito espaço para erros. A tabela classificativa diz que temos errado pouco mas só há um caminho: melhorar. Não é preciso nota artística, apenas segurança atrás, controlo no meio e eficácia na frente.

* PS: Extremos "puros" porque nos falta isso, verdadeiramente. Varela e Licá são esforçados mas são poucas as vezes em que pegam na bola, encaram o adversário, tiram-no da frente e metem a bola na área. Um extremo que dê largura e consiga criar desequilíbrios, como Hulk ou Quaresma tão bem faziam.

Bem, Paulo. Na terça vais ter o jogo mais complicado até ao momento. Esperamos e acreditamos que a bola vai ser bem tratada pelos homens da casa por mais do que 30 ou 45 minutos.

Desculpa lá qualquer coisa, mas sempre é melhor apontar o dedo quando se ganha do que quando se tropeça. Acreditamos em ti e nos jogadores que comandas. Força nisso, homem.