20 de setembro de 2013

Os erros de Paulo Fonseca

É difícil ser treinador do FC Porto. Além da má-imprensa, é preciso também lidar com adeptos elitistas que por vezes fazem um esforço para complicar pequenas situações. Mais difícil fica quando se decide complicar, e foi o que Paulo Fonseca fez.

Quando assumiu o comando da equipa, fê-lo sob o fantasma da perda de Fernando, o melhor trinco a jogar em Portugal, o que aliado ao facto de ter o 4-2-3-1 como sistema preferido fez a ideia de esquecer o 4-3-3 ganhar força. A pré-época começou bem e depois foi abrandando criando junto dos portistas a dúvida se a equipa estaria mesmo preparada ou se os indicadores iniciais seriam fruto das expulsões sofridas pelos adversários. A Supertaça trouxe uma boa exibição e as preocupações foram-se embora... voltando na semana seguinte após o mau desempenho em Setúbal.

Os números dizem que o FC Porto está forte. Seis vitórias em seis jogos oficiais com apenas um golo sofrido não deviam deixar dúvidas. Mas elas existem. As exibições fora de portas têm sido péssimas e muito sofridas, o rigor defensivo a que fomos habituados nas épocas de Vítor Pereira desapareceu juntamente com a posse de bola segura e a capacidade de a recuperar pouco após a sua perda. Os erros individuais sucedem-se, o recurso à falta para parar o adversário quase dobrou e, por vezes, a equipa parece perdida em campo. O jogo colectivo foi substituído pelas inspirações momentâneas dos jogadores para chegar ao golo. A largura e verticalidade que Paulo Fonseca tentou dar ao futebol praticado não estão a compensar minimamente a perda da segurança defensiva que os Dragões apresentavam em 2012/2013.

Olhando a estes factos, acho que chegou a altura do treinador ponderar regressar ao 4-3-3. As movimentações estavam assimiladas e a dupla Quintero-Licá oferece mais velocidade e imprevisibilidade à equipa do que James e Varela ofereciam. Devia ter sido este o caminho seguido desde o principio: aproveitar a base feita em três épocas com apenas uma derrota para o Liga - e nas condições conhecidas por todos - fazendo apenas pequenos ajustes tendo em conta a ideologia de jogo que defende. Não diria que foi um erro tentar o 4-2-3-1 e muito menos que seja uma estratégia inviável, simplesmente acredito que o modelo apresentado na última época oferece outras garantias. Erro foi tentar mudar tudo de uma vez e de forma precipitada.

Se Paulo Fonseca for capaz de recuar e depois, dando tempo ao tempo, começar a trabalhar a equipa para jogar em 4-2-3-1, estará a facilitar a sua própria tarefa porque, durante esse período, terá em campo uma equipa capaz de jogar quase de olhos fechados. Precisamente o contrário do que sucede agora.