2 de outubro de 2013

FC Porto - "Dr. Jekyll and Mr Hyde" em potência


Para quem não conhece, e de forma muito genérica sem entrar em grandes pormenores, "O Estranho Caso de Dr.Jekyll and Mr. Hyde" retrata a história de um médico com um "caso" severo de dupla personalidade.

Quando o jogo terminou estava conformada. E estar conformada com derrotas é tudo menos normal em mim, não é bom sinal. Estar conformada com uma derrota onde os dois golos sofridos nascem de paragens cerebrais começa a ser caso para alarme.

Não estava confiante, confesso. E acabou por se confirmar tudo aquilo que temia. Calculava que íamos entrar com força e garra mas temia que a equipa não soubesse gerir uma eventual vantagem e tivesse problemas nas bolas paradas dos "Colchoneros" - o ponto mais forte desta equipa, a meu ver. O que me espantou aqui foi também nós termos marcado de bola parada, já que não tem sido muito habitual esta época.

O FC Porto de Paulo Fonseca começa a denotar sérios traços de dupla personalidade. Tem duas caras, duas formas de pensar e ver o jogo em função do golo marcado. Se, no passado, houve alturas em que a equipa só acordava quando sofria um golo, actualmente adormecemos quando marcamos.

Há um Porto com sede de ter a bola, ágil nas movimentações, concentrado a defender, inteligente na pressão e antecipação. Foi este o Porto que tivemos na 1.ª parte do jogo, pelo menos durante os primeiros 30/35 minutos.

Depois, temos um Porto que parece, desculpem-me a expressão, burro que nem uma porta. Não sabe quando pressionar, não sabe segurar a bola, acumula paragens cerebrais e erros infantis. Usa e abusa do passe longo e complica o que é simples. Foi este o Porto que jogou nos segundos 45 minutos, principalmente depois do empate.

Dá-me a sensação que, infelizmente, está incutida uma certa mentalidade de equipa pequena. "Estamos em vantagem? É melhor gerir". E não é de agora. A diferença é que desta vez enfrentámos uma equipa que soube bater realmente o pé, à semelhança do Estoril. Eu não gosto dessa atitude, mas conformava-me se soubéssemos, de facto, gerir o jogo. Quando se quer gerir o jogo, gere-se a bola, não a despachamos sem critério.

Com certeza que não poderíamos jogar todo ao jogo ao ritmo em que começamos, daí que seja tão importante saber segurar a bola e circulá-la. Não sabemos fazer isso. Pelo menos quando o adversário sobe as linhas e aperta um bocadinho, entramos em curto circuito e começa o carrossel de disparates.

Disparates que começaram em Helton, passaram por Josué e Mangala nas faltas ridículas que fizeram e acabaram em Paulo Fonseca quando decidiu tirar Lucho do campo e manter aquele rapaz com a camisola do Varela em campo.

Toda a gente que acompanhava minimamente a equipa espanhola sabia que era muito perigosa nas bolas paradas. Pois o Atlético de Madrid conseguiu cheirar o perigo em todos estes lances e, pior do que isso, fazer dois golos. Nós não sabíamos ou foi mesmo inépcia?

Obviamente que não é a mesma coisa jogar uma equipa recuada e com uma que quer chegar à baliza, mas é inadmissível que o Porto perca completamente o controlo do jogo e acumule erros atrás de erros. Vai ser sempre assim? Se sim, um golo marcado vai-se transformar num motivo de preocupação. É melhor fazê-lo só lá para os descontos, então.