6 de novembro de 2013

Ainda dá para admirar?


A bola entra na área portista e Helton avança...e hesita o suficiente para que Hulk ultrapasse o guardião e Alex Sandro (também ele incapaz de recuperar a bola) empatando o jogo. No segundo tempo, adivinhou que Hulk não ia rematar para onde remata sempre a partir dos 11 metros e segura o empate. Ainda ficou o registo de outra excelente defesa, minutos mais tarde.

Varela. Puxa para o pé esquerdo e atira com selo de golo para uma grande defesa de Lodygin. No último suspiro do jogo, com vários jogadores à espera do cruzamento, Silvestre escorrega e perde a bola.

Estes são dois exemplos que servem para fazer a analogia perfeita à equipa. Não só neste jogo como noutros tantos esta época.

Entrada forte, com atitude, vontade e determinação. O domínio de jogo também era, em parte, consentido pelo "italiano" Zenit que apostava no contra-ataque para chegar à área portista. Mas isso não era problema do Porto, que aproveitava para jogar com relativa dinâmica no ataque e chegar ao golo numa jogada rara nesta equipa: cruzamento e cabeceamento certeiro.

Iria o Porto perder o controlo do jogo? Não deu para perceber porque decidimos dar nova prenda de Natal antecipada. O Hulk até merece as prendas, mas não uma destas.

A primeira parte acabou com Jackson perto do golo mas na segunda vimos um filme, naturalmente, diferente. Spalleti corrigiu o que era necessário e o Zenit jogou mais subido.

Voltamos aos "Classic Porto 2013/14". O jogo era muito disputado, sempre em alto ritmo e os Dragões iam perdendo gás e intensidade.

O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
Spalleti mexeu primeiro.
Josué e Lucho estavam cada vez mais desgastados.
O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
O equipa continua com a máxima entrega, mas já não tinha pernas para segurar a bola e o jogo.
O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
Até ao minuto 75. Licá rendeu Josué.
E o Ghilas? Que pergunta essa, é óbvio que entrou aos 86', deve ser uma cláusula no contrato.

Neste período de letargia, Helton evitou o golo dos russos por duas vezes, enquanto do outro lado só os remates de fora da área de Jackson e Varela criaram perigo.

Este Porto é capaz do melhor e do pior. De dominar o meio-campo e de o perder totalmente. De anular as armas do adversário e de se expor de forma absurda. De ser competente e maduro como um colectivo e de oferecer golos de mão beijada aos adversários com uma paragem cerebral de algum jogador. De fazer tudo para ganhar um jogo, ou jogar sem a mínima garra.

Se a Champions passar à história, é inteiramente por culpa própria. Falhas clamorosas nos golos do Atlético, ficar com 10 a partir dos 6' frente ao Zenit e oferecer o empate na "segunda mão". Um empate que não seria mau de todo, não fossem as duas derrotas anteriores.
Muitos erros demasiadamente infantis e inadmissíveis para qualquer equipa a jogar ao mais alto nível e ainda mais para uma equipa com a experiência do FC Porto.

Posto isto, não resisto em lançar a pergunta: uma equipa que colecciona tantos erros amadores merece mesmo continuar na mais exigente prova de futebol?