«Como outros antes dele, Paulo Fonseca atravessa um ano zero especialmente doloroso. A herança era menos pesada do que as de outros tempos e o início até sugeriu exactamente o contrário: 6 vitórias seguidas, com uma Supertaça, liderança isolada da liga e estreia forasteira a ganhar na Europa. É verdade que o futebol não correspondia aos números cor-de-rosa, mas contra factos não há argumentos e esperou-se, no fundo, que os fins potenciassem os meios. Os pontos não eram consequência do jogo capaz, mas podiam vir a ser a sua causa. O encantamento durou até onde pôde, isto é, até à relva onde toda a gente está condenada a cair na realidade: a dos Campeões.
Foi a partir do jogo com o Atlético que tudo pareceu cru: o constrangimento da defesa, o dilema existencial no miolo, a falta de talento nas alas, a crise de Jackson, a incapacidade de impelir a equipa a partir do balneário, a letargia no banco, o discurso pobre do treinador. Os portistas acordaram do coma induzido em que se tinham deixado levar com aquela sensação de quem está a cair no vazio e, desde aí, não mais pararam de esbracejar. Numa equipa bamboleante, esses embalos foram as asas de borboleta que precipitaram o resto do furacão. Nos últimos 7 jogos, o campeão só ganhou 2. A vantagem na liga caiu para 1 ponto e, com toda a gente a ver, veio a maior de todas as lesa-majestades: a pior campanha caseira da História do clube na Liga dos Campeões, que torna a qualificação em não mais do que um rabisco teórico, dependente, quanto muito, de dois milagres.
Mas o que é, afinal, a crise do Porto? É só o treinador? Dificilmente costuma ser assim tão simples. A verdade é que, em Portugal, paciência é a antítese de qualquer idiossincrasia futebolística. Paulo Fonseca continua a ser o treinador que cometeu o estapafúrdio de levar o Paços de Ferreira a uma Liga dos Campeões e essas são coisas que raramente acontecem por acaso. Tem mais trabalho feito, por exemplo, do que Mourinho ou Villas-Boas quando assumiram a cadeira. Contudo, o que pareceu aos portistas uma ideia simpática de Verão, tornou-se numa bandeira revolucionária nos idos do Outono, quando, mesmo com a afectação europeia, não estamos perante nenhum escândalo. Vítor Pereira passou exactamente pelo mesmo e entregou um bicampeonato, ao ponto de hoje andar a ouvir o "volta que estás perdoado". Paulo Fonseca pode não ser o melhor treinador do mundo, mas não há tempo, nem acidentes suficientes, para dizer que é o pior.
Depois, há um facto de que só se fala de um jeito envergonhado, mas que tem tanta raridade, quanto peso: o departamento de futebol falhou de forma indiscutível na preparação do plantel. O Porto perdeu o jogador mais "insubstituível" da equipa e o seu único desequilibrador de classe mundial; para os seus lugares, apostou em dois mexicanos mais caros do que era suposto e em sete jovens da Liga. Não é propriamente a mesma coisa. Que a capacidade de investimento não seja a de outros tempos, toda a gente compreende. Que o scouting se permita a um ou dois equívocos, é o mínimo para quem tem acertado tantas vezes. Que se encare uma época de transição a substituir Moutinho e James por rapaziada do Paços e do Estoril, não.
Dito isto, acho que Paulo Fonseca não tem estado à altura. Desde logo, tem falhado no discurso e na maneira de estar. Em todas as oportunidades, foi provinciano na questão das arbitragens e, quanto à capacidade de contagiar a equipa, nunca chegou a ser mais do que opaco, da sala de imprensa ao banco. Jesualdo, mesmo que não fosse de topo, parecia sempre falar a sério. Villas-Boas era um treinador-modelo que dispensa apresentações. Vítor Pereira, mesmo com todas as aflições, parecia ao menos sentir sempre alguma coisa. Paulo Fonseca limita-se a parecer estremunhado... e a equipa joga como ele. Para além disso, é hoje evidente que a sua refundação táctica foi um fracasso.
O Porto jogava com o mesmo desenho desde que me lembro. Fonseca chegou e assumidamente mudou. Mexeu no miolo, na saída de bola, passou a pedir mais construção atrás, aproximou um médio do ataque. Como num semestre mau, porém, ninguém percebeu muito bem o que o professor queria. E quem percebeu, não sabe fazer. O Porto, de tractor que enchia cada molécula do campo, num futebol quase científico, passou a ser um grupo de bons rapazes no recreio, a tentar resolver os seus problemas ad hoc, com o que estiver mais à mão, à espera de um 'eureka!' qualquer que lhes redescubra a pólvora de todas as vezes. Diz-se que um treinador deve ganhar ou perder com as suas ideias; ter querido reinventar o Porto, no entanto, é em si mesma a razão porque não se estava preparado para o cargo.
A História diz que a estrutura do clube aguenta quase tudo, e ninguém ficará muito surpreendido se Paulo Fonseca acabar campeão. Resta saber se ele também aguenta e, mais importante, se vale sempre a pena arriscar até ao dia.»
Texto copiado na integra do blog Tu Não Lideras Bem com o Sono
Embora não concorde com todas as ideias, pareceu-me oportuno partilhar esta análise feita por alguém que, não sendo portista, está a analisar as coisas de forma mais fria. O texto fala por si.

Há uns dias defendi o Paulo Fonseca quando todos diziam mal dele mas algumas coisas são más demais para acontecerem e um pouco incompreensíveis. Acho que a primeira parte do último jogo foi uma das piores primeiras partes que eu vi provavelmente nos últimos 10 anos. Como equipa não jogaram nada. O Defour e o Fernando recuados confundiam-se um ao outro. Não há rotina de movimentos no meio campo. Na defesa também não havia rotina entre os dois centrais mas notou-se menos. Acho que o Mangala e o Maicon ainda não tinham jogado juntos nenhum jogo. Na segunda parte o Fernando jogou mais atrás e um bocadinho à frente do Fernando jogou o Josué e um bocadinho mais à frente jogou o Lucho. Jogaram melhor assim mas não fizeram uma grande segunda parte.
ResponderEliminarGostei de dois jogadores, do Lucho e do Alex Sandro. Os dois não mereciam serem afastados da Champios, os outros mereciam. O adversário era claramente fraco.
É dificil dizer qual o melhor onze. O Paulo tem mudado constantemente. Acho que esse é o principal problema. Mais ainda do que jogar com dois médicos recuados ou só com um. Se o Paulo tivesse jogado sempre com o onze dos primeiros jogos, os jogadores tinham ganho rotina e estariam a jogar melhor, ou se tivesse continuado com o onze que ganhou ao Sporting. Mas o Paulo às vezes coloca o Defour, outras vezes o Herrera, e o meio campo está sempre a mudar e não há nenhuma rotina de movimentos entre os jogadores. O meio campo está a jogar bastante mal.
Depois desde jogo eu até acho que quem devia jogar era o Josué a 8.
Quando o Moutinho saiu, ele disse que deviam dar uma oportunidade ao André Castro mas não deram. Nem estão a dar uma oportunidade ao Kelvin e no último jogo vejo a jogar o Ricardo sem acrescentar nada à equipa. Será o Defour melhor que o André Castro? Será o Ricardo melhor que o Kelvin? Não mostram isso em campo.
É raro o Porto comprar jogadores em Janeiro mas acho que com o Anderson e o Quaresma, talvez a equipa jogasse melhor independentemente da tática ou talvez o Villas Boas volte.
Estou cansado de ver o Paulo a dar justificações pela derrota ou pelo empate.
Em cima, onde lê-se médicos, deve ler-se médios. :-)
ResponderEliminarAcrescento um ponto sobre o Varela. Não jogou na primeira parte e já não é a primeira vez que o Paulo não o coloca de inicio na Champions e as coisas não correm bem.
Não digo que o Varela seja um jogador brilhante, mas com ele de inicio já ganhamos uma liga europa, já ganhamos 5-0 no Dragão ao Benfica, e já fomos campeões na Luz. O Varela é o extremo com mais experiência que temos e parece-me ser atualmente o melhor que temos. Acrescenta-se que ele joga melhor nos jogos grandes do que nos pequenos, como exemplo foi considerado o melhor jogador pela liga no último Porto x Sporting, e está no Top 5 dos goleadores no Estádio do Dragão. Por isto, seria lógico que ele jogasse de inicio.
No fundo, o Paulo no último jogo alterou o ataque, o meio campo e a defesa, e fez isso para um jogo importante onde teria de ganhar. E foi o que se viu.
Top5 dos marcadores no Estádio do Dragão
1.º Hulk – 46 golos
2.º Falcao – 40 golos
3.º Lisandro López – 38 golos
4.º Lucho González – 32 golos
5.º Varela – 24 golos