12 de janeiro de 2014

A trigésima segunda decisão de Pinto da Costa

No Portistas Anónimos nunca fomos totalmente convencidos pelo trabalho do Paulo Fonseca e, por isso mesmo, decidimos fazer uma pausa no blog durante o mês de Dezembro enquanto que o FC Porto, pela mão do mesmo Paulo Fonseca, fazia uma espécie de segunda pré-época ao testar novos jogadores e "novas nuances" para um sistema que destruiu completamente aquilo que fez desta equipa uma equipa praticamente imbatível em três campeonatos (apenas uma derrota em Barcelos em condições que todos nós conhecemos). Não queríamos continuar a bater na mesma tecla porque torna-se cansativo escrever sempre a mesma coisa.

A verdade é que durante toda a primeira volta - que hoje terminou -, Paulo Fonseca testou Defour, Herrera, Josué e Lucho ao lado de Fernando e nenhum deles conseguiu ter um rendimento satisfatório. Onde estará o mal, nos jogadores ou no sistema? O mesmo para a posição 10, por onde já passaram Lucho, Quintero, Josué e Carlos Eduardo. Todos conseguiram fazer boas exibições num jogo ou outro, mas faltou sempre aquilo que houve sempre até agora no meio-campo portistas: estabilidade.

Foi à procura da mesma estabilidade que Pinto da Costa recusou o pedido de demissão de Paulo Fonseca após a derrota em Coimbra, mas a verdade nua e crua é que isso se tem revelado um erro enorme e que pode custar um campeonato que em condições normais seria fácil face à quantidade de pontos já perdidos pelos adversários directos. Assim temos o FC Porto em terceiro e sem qualquer principio de jogo. Não seria preferível arriscar na mudança do que dar estabilidade à mediocridade e à falta de ambição?

O que me incomoda mais não foi a derrota de hoje - essa já estava anunciada tendo em conta o futebol miserável do FC Porto - mas sim o facto de olhar para o banco e ver um treinador que não faz a mínima ideia do que tem de fazer para inverter ou, no mínimo, controlar a situação ao ponto de nem esgotar as substituições.

Em relação ao jogo propriamente dito foi o esperado: um Benfica e um FC porto que fazem os verdadeiros adeptos do bom futebol sentirem vergonha. Paulo Fonseca teve igual a si próprio ao decidir trocar no onze inicial Maicon por Otamendi logo contra um adversário que faz do jogo directo e das bolas paradas a sua maior arma e tem nas bolas paradas defensivas uma das suas maiores lacunas. Uma decisão incompreensível e suicida. Um jogo fraquinho onde bastava ao FC Porto não entrar no jogo do chuto para o ar - foi talvez este o factor que mais pesou na escolha de Otamendi, o argentino chuta mais longe que Maicon... - e que até foi mesmo a causa da perda de bola que deu o 1-0. Antes do jogo o responsável pelos gráficos da BenficaTv deu o onze do FC Porto em 4-3-3 clássico. É triste que até ele conheça melhor o plantel do que o próprio treinador.

Paulo Fonseca diz que o campeonato não está perdido. É uma verdade, mas não é mesmo verdade afirmar que já podia estar praticamente ganho depois de ter estado em primeiro com cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado. Isto tem um nome: incompetência.

Cabe agora a Pinto da Costa tomar uma decisão: demitir ou segurar Paulo Fonseca. Pode estar aqui a diferença entre perder ou ganhar o campeonato.