16 de março de 2014

Uma questão miníma


«Às vezes acontece a uns, às vezes a outros» e «é uma questão mínima» são as frases do momento. Para Pedro Henriques, Luís Freitas Lobo, Adrien Silva e Leonardo Jardim o que interessa mesmo é a qualidade apresentada pelo Sporting e, para os dois primeiros, acima de qualquer penalti por assinalar ou golo em fora-de-jogo - decidido sempre em favor dos mesmo, entenda-se - está a lesão do Helton. Louvo-lhes a preocupação. A conveniente preocupação.

Luís Castro referiu - e bem - que houve dois erros que prejudicaram e muito o FC Porto. O fora-de-jogo nem merece discussão, mas quando fala do lance de Cedric sobre Jackson, Luís Castro erra por duas vezes: nem Cedric tinha ainda cartão amarelo, nem uma falta daquelas justificava cartão amarelo. Uma carga sobre um avançado que se prepara para cabecear sozinho, quase dentro da baliza e sem guarda-redes por perto, é sempre para cartão vermelho.

Face a isto, exige-se uma mudança de posição por parte da SAD. O FC Porto não se pode dar ao luxo de estar a ser atacado por todos os lados e não agir. O campeonato está perdido e, a continuar assim, o segundo lugar também. O Sporting, pela boca de Bruno de Cravalho, sabe vender bem o seu peixe e o resultado está à vista. Hoje recuperam três pontos, que por ser frente a um concorrente directo valem por seis, dos sete que alegam terem sido retirados - verbo escolhido por eles nos múltiplos comunicados sobre esta temática - na presente temporada.

Voltando ao jogo, o FC Porto entrou forte e dispôs das melhores oportunidades. Quaresma mandou à barra, Varela obrigou Rui Patrício a defesa apertada e mesmo em cima do intervalo Cedric impede em falta que Jackson faça o 1-0. Na segunda parte o jogo foi mais dividido, com alguma ascendência para o Sporting, e acabou decidido com um golo irregular.

A equipa do FC Porto continua algo inconstante na defesa e hoje teve para isso a ajuda de um meio-campo - Fernando foi a excepção - desinspirado. A lesão de Maicon obrigou a uma nova mexida no sector mais recuado que tem sido vítima das constantes alterações no onze. Quinta-feira haverá novo jogo frente ao Nápoles e já é certa a ausência de Alex Sandro (castigado) e há ainda Maicon em dúvida (lesão), para o próximo jogo do campeonato estarão castigados Fernando, Danilo e Quaresma. Várias trocas que impedem a maturação de um onze base numa equipa que já passou por todo o tipo de problemas esta época. E nem falo no final de época prematuro para Helton... Que recupere bem, porque rápido, infelizmente, já sabemos que não será.

Neste momento não se pode pedir muito mais a Luís Castro e à equipa. Existem demasiados fantasmas que têm de ser combatidos pouco a pouco com a compreensão e apoio de todos. As melhorias estão à vista mas não existem milagres, não é em duas semanas que se passa do zero - ou menos - para uma equipa avassaladora.

Será importante a partir de hoje que toda a gente perceba que o campeonato passou à história e que talvez o melhor seja uma aposta total nas restantes competições. Com isto não quero dizer que se deva atirar a toalha ao chão - até porque o Estoril está logo ali a quatro pontos -, mas seria inteligente usar o campeonato para fazer um ou outro teste e uma ou outra poupança pontual para que a equipa chegue nas melhores condições possíveis aos jogos que ainda faltam nas restantes competições.

O FC Porto não pode ficar uma época sem ganhar nada, não somos o Sporting ou o Benfica.