17 de abril de 2014

Descansa em paz, época 2013/2014

O FC Porto que se apresentou no Estádio da Luz foi um exemplo claro do que foi esta época. Uma equipa que não toma a iniciativa de jogo muito dificilmente consegue ganhar alguma coisa, por isso não me espanta nada que a Supertaça seja o único troféu a entrar no Dragão esta temporada. Felizmente que na altura em que esta foi disputada ainda a moral estava em alta e o adversário ainda não sabia que o FC Porto de Paulo Fonseca não metia medo a ninguém a não ser aos portistas, de outra forma era capaz de ser uma época à Sporting...

Não vou criticar o Luís Castro pelas derrotas - mesmo achando que neste jogo deveria ter tomado a iniciativa e mexido na equipa ao intervalo - porque recebeu uma equipa estourada fisica e psicologicamente pelo antecessor e numa altura em que não havia tempo para nada. Com jogos de três em três dias e entre castigos e lesões descobriu que havia no clube jogadores como Ricardo, Reyes, Quintero e Ghilas.

Paulo Fonseca foi/é incompetente e foi claramente um erro de casting. Mas o erro não foi a sua contratação, foi a sua manutenção à frente da equipa depois do pedido de demissão aquando da derrota em Coimbra. Os elementos da SAD, com Pinto da Costa à cabeça, passaram a imagem que não viam os mesmos jogos que os adeptos. Os erros de Paulo Fonseca eram demasiado evidentes, no dia que se demitiu, à primeira derrota no campeonato, provou ainda que era também frágil emocionalmente. Mantê-lo foi um sinal de teimosia que, por sinal, saiu muito cara.

Não sou dos que acha que o plantel precisa de uma revolução. Acredito no valor da grande maioria dos jogadores que o compõem e não vou crucificar já os que chegaram apenas este ano. Existem lacunas que podem ser resolvidas, mas também um treinador não pode esperar que os jogadores caiam do céu. A titulo de exemplo: desde o afastamento do Fucile que saltou à vista de todos que faltava uma alternativa para o Danilo e para o Alex Sandro, no entanto só após a mudança de treinador é que Ricardo teve oportunidade de mostrar que era uma opção válida para a defesa. O mesmo Ricardo que já tinha mostrado um ar da sua graça quando entrou para as alas no ataque, que por acaso até era outro sector com carência de qualidade. Por mim, há muito tempo que o lugar cativo do Varela lhe tinha sido entregue.

Esta derrota contra o Benfica teve o dom de adiantar uma semana o final da época e de atrasar também em uma semana o inicio da próxima. São assim mais quinze dias para limparem a merda toda que andaram a fazer no último ano. Pode ser finalmente se decidam em trazer um concorrente para o Alex Sandro e um extremo que consiga passar pelos adversários em velocidade. De resto, é contratar jogadores de qualidade inegável para colmatar as possíveis saídas jogadores como Mangala, Fernando ou Jackson. Se isto é uma revolução...

2013/2014 fica marcada pela perda da vantagem psicológica que os jogadores do FC Porto tinham sobre os do Benfica e é aqui que reside a maior derrota da época. Jorge Jesus esteve por um fio no final da última temporada e logo no arranque desta depois de estar a cinco pontos do primeiro lugar. A incompetência do Paulo Fonseca (e de quem lhe deu tanto tempo à frente do clube, é importante sublinhar isto) permitiu-lhe recuperar o estatuto de herói nacional. O primeiro desafio de quem for treinador do FC Porto na próxima temporada é recuperar essa vantagem psicológica como fez Villas-Boas e que foi mantida pelo Vítor Pereira.