22 de setembro de 2014

Tolerância Zero

Desde que começou o campeonato versão 2014/2015 que tem havido sinais claros de que, para ser campeão, não basta ao FC Porto formar um plantel recheado de alternativas de qualidade para todos os sectores.

Frente ao Boavista, Maicon viu vermelho directo - que me pareceu justo - após uma entrada imprudente sobre o adversário. Naquele momento, quase que inédito em Portugal, esta falta foi contemplada com o cartão que lhe está previsto nas leis do jogo. O problema está nas vezes que o mesmo cartão fica no bolso do árbitro quando são os adversários do FC Porto a infringir as leis de forma semelhante.

Em apenas cinco jornadas já se percebeu que a tendência deste campeonato passa por tomar as decisões sobre cada lance tendo em conta não as regras mas sim a cor das camisolas dos jogadores. Enquanto que um a jogador que esteja a defrontar o FC Porto quase tudo lhe é permitido, noutros campos sai um cartão amarelo a cada duas faltas sendo que a tendência aumenta caso uma certa equipa, que por coincidência é a outra grande candidata ao titulo de campeão, se encontra em desvantagem. Nos jogos dessa equipa, quando um adversário está em linha com o penúltimo defensor significa que está em fora-de-jogo que é prontamente assinalado pelo árbitro auxiliar. O mesmo se passa nos jogos do FC Porto, estando a única diferença no prejudicado. O Brahimi que o diga... Nos lances de grande penalidade é mais do mesmo: enquanto que uns têm de sofrer três faltas para ver uma ser assinalada, a outros basta tropeçar nas próprias pernas para ter direito a converter um castigo máximo. Tem valido um pouco de tudo para manter certas equipas na luta pelo primeiro lugar.

Engane-se quem pensa que atribuo apenas aos árbitros a perda da liderança no campeonato. O FC Porto ainda tem muito por onde melhorar e crescer como equipa. Falta a Lopetegui estabilizar uma espinha dorsal da equipa e um sistema de jogo. As constantes alterações no onze até podem ser boas para que o plantel perceba que ninguém é indiscutível e que não é por ficar de fora de uma convocatória que não pode ser titular no jogo seguinte, mas, no outro lado da moeda, as constantes trocas têm atrasado a evolução natural da equipa e, por arrasto, dando origem a largos períodos de mau futebol. Concordo que o plantel deve ser todo ele aproveitado e que para isso ser possível tem de haver rotação entre os jogadores na convocatória e no onze inicial, apenas discordo na forma exagerada como essa rotação tem sido feita.

O próximo jogo é em Alvalade e a ausência de Maicon não pode servir de desculpa para não pensar em outro resultado que não seja a vitória. Indi deve voltar à equipa e formar a dupla de centrais com Marcano ou Reyes e qualquer um dos dois é melhor do que Maurício. Essa dupla terá de anular uma dos bons avançados deste campeonato, Slimani, mas com a certeza que na outra ponta do campo têm Jackson a ser marcado, não só mas também, por esse mesmo Maurício. Estou farto de ver o FC Porto, mesmo tendo quase sempre uma equipa superior, perder pontos frente ao Sporting. Desta vez não me lixem.