30 de outubro de 2014

As principais diferenças entre FC Porto, Benfica e Sporting

Este ano a luta pelo titulo de Campeão de Portugal promete ser quente. Decorridas que estão oito jornadas, os três grandes, como tantas vezes já aconteceu no passado, encontram-se em boa posição para conquistar o campeonato e certo é apenas que só um o poderá fazer. O que pretendo neste post é analisar a equipa-base e o plantel de FC Porto, Benfica e Sporting sem entrar em grandes comparações de qualidade. O objectivo é tentar perceber o que cada um pode dar à respectiva equipa e não se, por exemplo, o Eliseu é melhor que o Jonathan ou vice-versa.

Lopetegui, Jorge Jesus e Marco Silva têm formas muito diferentes de pensar o jogo, mas, curiosamente, todos montam a equipa tendo por base jogadores com características ou princípios de jogo semelhantes. Uma defesa a quatro com laterais capazes de apoiar o ataque; um médio-defensivo forte fisicamente, com capacidade para ser o quinto defesa mas também com técnica suficiente para iniciar a construção de jogo; dois médios mais adiantados em que um deles tenta ser o cérebro da equipa enquanto o outro funciona como uma espécie de quarto avançado sempre que tem oportunidade; um extremo rapidíssimo; um avançado capaz de marcar golos e de servir de ligação entre o meio-campo e o ataque; e um extremo capaz de jogar também pelo centro e que quando tudo falha ser ele a decidir o jogo numa jogada de inspiração. Na baliza e no centro da defesa não há nada de relevante a apontar, quase todas as equipas do mundo procuram o mesmo tipo de jogadores: certinhos e que não comprometam muito.


As principais diferenças prendem-se ao que cada treinador pede aos jogadores. Marco Silva, talvez motivado por uma defesa algo débil, é aquele que aborda o jogo de forma mais cautelosa. Não tem problemas em recuar as linhas e jogar de forma mais feia para o espetáculo, privilegiando o contra-ataque e recorrendo à falta frequentemente para parar as iniciativas adversárias. Jorge Jesus, por sua vez, é dos três o que pensa de forma mais atacante - a notícia Record é a prova disso mesmo. Combinações rápidas e muita gente próxima à área adversária é a forma como o treinador encarnado idealizada o futebol. Quando a equipa perde a bola tem ordem (e impunidade) para recorrer à falta e reagrupar em zonas recuadas. No entanto, é também Jorge Jesus aquele que mais se acobarda quando tem de defrontar adversários de valia igual ou superior, tendo já recebido por diversas vezes criticas dos próprios benfiquistas em virtude disso mesmo. Lopetegui é, talvez, o mais equilibrado. O espanhol já mostrou que pretende que a equipa assuma o jogo e procuro ter a bola sempre que possível sem que sinta uma necessidade irracional de procurar a baliza.

A forma como se comportam os laterais e o meio-campo é onde se nota mais as disparidades entre as equipas. Olhando aos habituais titulares, tanto como no FC Porto como em Benfica e Sporting, os laterais costuma ter liberdade para explorarem os corredores. Apesar disso, a forma como o fazem é um reflexo do já falado em cada treinador: mais cautelosos os do Sporting, mais ousados os do Benfica e mais equilibrados os FC Porto. Na minha opinião, quem apresenta mais dificuldades em desempenhar o papel que a estratégia exige é Cédric do Sporting, o que pode significar que perca o lugar para Miguel Lopes - ou para o próprio Esgaio que esteve muito bem no Clássico no Estádio da Luz - a médio prazo, à imagem do que aconteceu com Jefferson e Jonathan. No meio-campo uma pequena curiosidade: enquanto no Benfica e no Sporting são Adrien e Enzo, respectivamente, os chamados box-to-box deixando mais soltos João Mário e Talisca para distribuírem jogo ou funcionarem como segundo ponta-de-lança, no FC Porto é Herrera quem joga mais adiantado deixando Quintero a construir é zonas mais recuadas. As três equipas têm definidos um 6, um 8 e um 10, variando apenas os papeis que lhes são atribuídos.

Chegando ao ataque encontramos os jogadores-chave de cada equipa. Toda a gente sabe da valia que Jackson tem para o FC Porto, assim como Slimani para o Sporting e menos um bocado Lima para o Benfica (veremos o que pode trazer Jonas), assim como as dificuldades que a velocidade de Tello, Carrillo e Salvio trazem para as defesas contrárias, mas é em Brahimi, Nani e Gaitán que habita a capacidade de fazer verdadeiramente a diferença. A qualidade individual destes três pode ser confundida com a dos companheiros de equipa que jogam no flanco oposto, mas as soluções que cada um deles oferece são muito diferentes. O jogo de Tello, Carrillo e Salvio torna-se previsível e mais fácil de anular quando encontram adversários tão bem preparados fisicamente como eles, uma vez que procuram quase sempre o mesmo tipo de jogada. Brahimi, Nani e Gaitán são diferentes, são jogadores capazes de levantar a cabeça e decidir. O sucesso de cada equipa passa muito por eles e é natural que num dia menos bom de um deles a equipa acuse isso.

A forma como os planteis são formados é também muito semelhante (uma vez mais sublinho que não estou a comparar a qualidade mas sim o tipo de jogador que cada equipa procura), até no detalhe de contar com um jogador capaz de desempenhar várias posições de forma competente. Os Dragões têm Ricardo, os Leões contam com Esgaio e as Águias com André Almeida. Assim sendo, onde poderá ser feita a diferença?

Na minha opinião será campeã a equipa que conseguir manter em forma o seu melhor onze durante mais tempo. O FC Porto parece ser a equipa que tem mais profundidade de plantel e maior equilíbrio entre titulares e suplentes. Lopetegui tem tentado fazer uma utilização ampla dos recursos que tem ao seu dispor, talvez até um pouco cedo demais. No entanto, poderá colher frutos na segunda metade da época pois contará com um maior número de jogadores em boa forma e familiarizados com os processos da equipa. Ainda mais importância ganha se um ou ambos os adversários directos forem eliminados das provas europeias (não apenas da Liga dos Campeões) como parece estar destinado a acontecer. Marco Silva conta com boas alternativas para o ataque mas estas parecem escassear na defesa e no meio-campo. Veremos como a equipa responde quando lhe faltar dois ou três dos habituais titulares. A não ser, claro, que o Sporting consiga um par de boas contratações em Janeiro que dêem mais alternativas ao treinador. O mesmo quase que poderia ser dito sobre o Benfica. Tanto que tem sido notícia que Jorge Jesus não confia no Banco fruto de ter feito apenas uma substituição nos jogos frente ao Sporting e ao Sporting de Braga onde, curiosamente, não venceu nenhum deles. Além disso, tem sido comum o Benfica de Jorge Jesus quebrar fisicamente no último terço do campeonato.

Veremos como cada equipa reage aos imponderáveis - alguns deles, como por exemplo a arbitragem, não têm sido assim tão difíceis de prever - e a forma como respondem às adversidades. Todos os pontos contam e cada um que seja perdido é um passo atrás na corrida pelo primeiro lugar.