31 de outubro de 2014

Como continuar a vencer sem gastar tanto?


É do conhecimento público que a SAD do FC Porto apresentou um resultado negativo de €40,7 milhões durante o exercício da época passada. Dadas as circunstâncias, ainda mais tendo sido uma ano em que não houve sucesso desportivo, não seria grave caso se tratasse de uma excepção à regra e não da própria regra. É comum ouvir que o FC Porto faz uma gestão de risco, coisa a que não me oponho desde que os riscos sejam controlados e caso algo corra mal não seja preciso medidas drásticas. No entanto, penso que neste momento a SAD se encontra no limite do risco e, como o próprio Fernando Gomes admitiu, é preciso recuar um bocado. Mais ainda se tivermos em conta as regras da UEFA em relação ao fair-play financeiro que, caso não sejam cumpridas, podem inclusivamente levar o FC Porto a ser excluído das competições europeias. Além de (mais) um golpe nas finanças, seria desprestigiante para o clube. Felizmente, é um cenário que ainda não se prevê.

Assim sendo, existem algumas medidas que gostaria de ver implementadas pela SAD e que, a meu ver, ajudariam o clube a obter melhores resultados financeiros:

Planear os plantéis para períodos de três épocas - Este é precisamente a duração de cada ciclo do fair-play financeiro da UEFA. Esta medida exigiria um trabalho a longo prazo, onde o plantel seria reestruturado mais a fundo no primeiro ano enquanto que nos dois seguintes receberia apenas alterações pontuais. A principal vantagem seria manter a mesma equipa por um período grande, o que lhe traria uma maior consistência e melhores  resultados desportivos. No plano financeiro, será sempre mais fácil vender jogadores por valores astronómicos no inicio de cada período de três anos porque será quando os clubes ricos poderão fazer um maior investimento sem temerem sanções do organismo que rege o futebol europeu.

Definir novos gastos máximos com o pessoal - É sabido que o FC Porto paga bem aos seus melhores jogadores. Seria importante que a SAD reduzisse o tecto máximo para salários e que não o ultrapassasse de forma alguma. Não estou a pedir que se faça como o Sporting e se tente à força toda vender ou rescindir unilateralmente com quem ganha acima disso. Basta que se comece a implementar esse novo tecto nas novas contratações e renovações. Outra situação que causou algum mal-estar entre os portistas foi o facto das remunerações dos Administradores terem aumentado na última época, em virtude dos resultados desportivos de 2012/2013 terem sido positivos. A minha proposta seria que fosse definida também uma percentagem para estas baixassem também após uma má época como foi a última. Percentagem essa que aumentaria conforme a distância (em lugares e não em pontos) para o primeiro lugar do campeonato.

Definir um tecto máximo para custos de intermediação e prémios de assinatura - Este é um dos assuntos que mais inquieta os portistas, pois as chamadas comissões custam ao clube muitos milhões de euros em cada época. A solução passa por baixar a percentagem atribuída ao intermediário - 5% do valor total da transferência, a meu ver, seria justo - e, mesmo assim, definir-lhe um limite monetário máximo. Os prémios de assinatura têm de ser mais adaptados à realidade do futebol português e também eles têm de ter um valor máximo. Situações como as do "negócio Danilo" não se podem repetir.

Apostar na prata da casa - Gonçalo Paciência, André Silva, Rafa, Ivo e Tomás Podstawski são jogadores formados no clube e que têm qualidade para seguirem os passos de Rúben Neves que, ironicamente, é mais novo que todos eles. Victor Garcia, Lichnovsky e Kayembe também têm mostrado potencial, mas casos como os deles têm de ser muito bem ponderados. A equipa B não pode funcionar como mais uma fonte de despesa mas sim de rendimento, independentemente da qualidade do jogador - que a tem -, os valores pagos por Kayembe não podem ser repetidos em outras contratações que depois, à imagem do belga, ficam a treinar e jogar pela formação secundária.

Acabar de uma vez por todas com os excedentários -  Rolando está afastado do grupo; Tiago Rodrigues na equipa B; Carlos Eduardo, Pedro Moreira, Stefanovic, Kléber, Izmaylov, Djalma, Caballero, Abdoulaye, Licá, Josué, Bolat, Quiño, Júnior Pius, Rúben Alves, Tozé, Sami, Varela e Ghilas estão emprestados; e a SAD mantém percentagens dos passes de Walter, Prediguer, Souza e Soares. Tendo eu a noção que é sempre mais fácil idealizar do que por em prática, a política de empréstimos tem de servir para dar minutos de jogo aos mais jovens e não para despachar temporariamente quem o treinador acha que não serve para o plantel. Para mim é simples: não serve para o treinador e não tem margem de progressão significativa, vende-se. Porém, o mais grave é o que aconteceu com Fucile na época passada e está a acontecer com Rolando nesta. A SAD não pode permitir que um jogador entre no último ano de contrato e caso isso aconteça não pode simplesmente colocá-lo de parte. Alguma solução tem de se arranjar, uma vez que não é só o jogador a perder com a situação.

Algumas medidas são mais simples, outras mais complicadas, mas creio que com algum esforço todas elas seriam possíveis. O permanente recurso à ajuda dos fundos de investimento, ao financiamento através da banca e aos empréstimos obrigacionistas tem de ser reduzido gradualmente até, eventualmente, ser extinto ou fique lá próximo. Tenho a perfeita noção que não será fácil, mas creio que não seja impossível.