11 de novembro de 2014

Adrián López e o sistema alternativo


Adrián López não está com vida fácil no Dragão. Estamos quase a meio de Novembro e o avançado espanhol ainda mostrou muito pouco para merecer elogios. Para lá de parecer uma peça a tentar encaixar no puzzle errado, o ex-colchonero dá a ideia de parecer em baixo, desconfiado de si próprio, sem aquela garra e vontade que é tão característica das equipas de Diego Simeone.

Não sei o que vai sair do camisola 18 até ao fim da época, que ainda está bem longe, mas vou continuar a acreditar que Adrián ainda será útil à equipa. Fazendo fé no Tribunal do Dragão o clube salvaguardou minimamente os seus interesses aquando da aquisição do jogador.

O que, para já, me parece certo, é que Adrián não justifica a presença nas convocatórias, não só por aquilo que (não) tem feito, mas também porque há outros jogadores que já merecem oportunidades, com Ricardo Pereira à cabeça. Por outro lado, o espanhol não me parece que tenha na força mental uma virtude e um jogo no Dragão mal conseguido facilmente destruiria a pouca confiança que Adrián ainda terá.

O sistema alternativo



Ao contrário do que muitos disseram, não creio de maneira nenhuma que Lopetegui tenha invertido o sistema para o 4-2-4 só para encaixar Adrián. Um treinador que põe no banco quem tem de pôr e valoriza tanto o colectivo, não faz uma coisas dessas. Além disso, o ex-Atlético de Madrid já jogou em 4-3-3, nomeadamente frente a Paços de Ferreira e Moreirense.

Gosto que um treinador tenha um sistema alternativo. Aliás, é fundamental que haja um plano B e temos um plantel com condições para vários planos alternativos, felizmente. E o problema não está no sistema em si, mas antes no contexto em que é utilizado. Frente ao BATE Borisov resultou em cheio, frente ao Sporting e Estoril deu asneira e não é muito complicado perceber porquê, ainda que no jogo da Taça tenham jogado dois falsos extremos, mas que nem ocupavam o meio-campo da forma mais necessária, nem apoiavam eficazmente o ataque. Pelo menos, longe do melhor que poderíamos fazer.

É mais ou menos consensual que o meio-campo é o cérebro de qualquer equipa, o sector mais importante. Sem um meio-campo coeso e organizado, a defesa fica mais vulnerável e o ataque perde fluidez, por mais jogadores que estejam no último terço. Portanto, a meu ver, o 4-2-4 tem de ser utilizado quando o adversário está encostado às cordas e precisamos desesperadamente de um golo. Utilizar esta estratégia de início é aumentar o risco e compreende-se apenas se a valia do adversário o permitir.

Se isto for à melhor de três, Lopetegui terá definitivamente compreendido que o 4-2-4 só pode ser aplicado em situações muito específicas e que o sistema principal com intervenientes diferentes dos habituais é talvez preferível à mudança de táctica.

Se acredito que Lopetegui aprende com os erros? Não duvido. A rotatividade exagerada parou e o treinador fixou um núcleo e um sistema que se teria repetido no domingo se Quintero não tivesse passado mal a noite. A insistência na saída de bola em toque curto desde a nossa área terminou e, quando não há hipótese de sair a jogar dessa forma, não se sai, sendo que também o posicionamento dos jogadores nesse momento do jogo faz agora mais sentido. Em consequência de tudo isto, as perdas de bola infantis que tanto nos atormentaram diminuíram drasticamente. São exemplos dos maiores erros que eram apontados à equipa e que deixaram de acontecer. Lopetegui tem é de corrigir as falhas mais rapidamente.