10 de novembro de 2014

Lopetegui

O empate de ontem deve-se em muito às opções tomadas por Lopetegui antes e durante o jogo. Pelas palavras do próprio, no final do encontro ficámos a saber que Óliver passou a semana a treinar condicionado e que por isso não aguentaria os 90 minutos e que Quintero só não foi titular porque sofria ainda dos efeitos de uma gastrointerite que o afectou durante a noite. Devido a estas limitações, o técnico espanhol optou por alterar o esquema habitual da equipa - deixando de lado o 4-3-3 - e fazer alinhar Adrián numa zona próxima de Jackson. O meio-campo ficou entregue apenas a Casemiro e Herrera, quando no banco estavam mais quatro médios(!): Óliver, Quintero, Rúben Neves e Evandro, que entrou na convocatória porque também Tello estava com problemas físicos. Adrián voltou a não mostrar nível para ser titular no FC Porto e Lopetegui voltou a inventar. Pior ainda: entendeu que seria melhor alterar o esquema da equipa para meter um segundo avançado (que ainda não justificou nenhuma das oportunidades que teve) em vez de dar continuidade ao 4-3-3 jogando com o Evandro ou o Rúben Neves no onze inicial.

Muita gente pensará que é fácil apontar o dedo quando não se ganha, mas também não é menos verdade que nos últimos jogos não havia grandes apontamentos a fazer. Lopetegui escolheu um núcleo de 18 jogadores, durante quatro jogos procedeu apenas a alterações pontuais dentro do mesmo e, após três jogos em clara evolução, o FC Porto fez em Bilbau o que para muitos foi a melhor exibição da época. Se as lesões podem justificar as alterações no onze inicial, não há nada que justifique a decisão de alterar um sistema de jogo que estava a dar cada vez mais frutos. Mesmo a forma como mexeu na equipa durante este jogo deixou muito a desejar. Ao bom estilo de Jorge Jesus, foi tirando elementos defensivos (primeiro Casemiro e depois Maicon) para lançar jogadores mais virados para o ataque (Quintero e Óliver), mostrando assim pouco engenho, dando a sensação de que não sabia bem o que fazer e que o melhor seria mesmo jogar mais com o coração e menos com a cabeça.

Lopetegui já fez muitas coisas boas neste arranque de temporada: Danilo está um jogador exuberante, um jogador à Porto e um lateral como há muito não se via por cá; Quintero é agora capaz de jogar vários jogos consecutivos; Herrera está cada vez mais parecido com o Herrera que se vê nos jogos da selecção mexicana; Quaresma é agora um jogador de equipa; Casemiro tem mostrado uma clara evolução na posição 6; e a equipa consegue agora criar oportunidades para que Brahimi rentabilize todo o futebol que tem nos pés. Isto para não falar do mais óbvio, como foi por exemplo a vitória sem espinhas no play-off de acesso à Liga dos Campeões e, uma vez na fase de grupos, a limpeza com que apurou o FC Porto para os oitavos-de-final com ainda duas jornadas por disputar.

Tudo isto são coisas bastante positivas e que merecem ser destacadas, mas por trás delas há uma série de erros, alguns deles crassos, que ditaram a perda de pontos preciosos no campeonato e a eliminação na Taça de Portugal em pleno Dragão. Muita das vezes - como ontem, por exemplo - o treinador portista demonstra falta de conhecimento sobre adversário que o FC Porto tem pela frente e, não menos grave, da realidade do campeonato português. Ninguém no seu perfeito juízo vai alterar a equipa (para pior) numa deslocação à Amoreira sabendo de antemão que o FC Porto tem tido sempre imensas dificuldades quando defronta o Estoril e que, já esta época, o Benfica só lá ganhou porque jogou em superioridade numérica metade da segunda parte.

O FC Porto já mostrou bom futebol esta época e que possui muitas e boas soluções no plantel. Infelizmente, e por irónico que seja, Lopetegui consegue fazer das diversas opções um problema e não uma vantagem. A única coisa que peço é que tenha aprendido com os erros e que não os volte a repetir. Além disso, seria agradável que também fosse capaz de antecipar alguns. Se calhar tinha-se evitado este empate e até a derrota na Taça frente ao Sporting.