6 de novembro de 2014

Não há coincidências


Há algum tempo a esta parte que vinha alertando que Casemiro, ao contrário do que os comentadores diziam, vinha sendo um jogador importante no FC Porto. A preponderância do brasileiro aumenta na mesma escala que a tendência deste para recorrer à falta quando Quintero está no onze inicial como terceiro elemento do meio-campo e, à imagem do sucedido frente ao Nacional da Madeira, a situação agrava-se se Herrera for retirado da equação. O que vimos ontem em Bilbau de Casemiro é aquilo que podemos esperar dele quando a equipa joga unida e todo o meio-campo trabalha. Para a melhor exibição do camisola 6 até ao momento como jogador do FC Porto em muito contribuíram os cerca de 12km corridos por Herrera em todo o jogo e os 11km que Óliver completou nos 80 minutos que esteve em campo.

Não há a mínima dúvida que Casemiro é um jogador duro e que joga muitas vezes no limite, mas repito a afirmação que fiz há dias: não me parece que use essa agressividade de forma desleal e com o intuito de magoar o adversário. Quanto ao excesso de faltas, é uma apreciação subjectiva. Por vezes o recurso à falta é a melhor forma de parar uma jogada perigosa do adversário e alguém tem de a fazer. O jogo de ontem, para mim, foi um exemplo perfeito de como deve trabalhar um meio-campo e demonstrou que o Casemiro quando bem apoiado pelos colegas também sabe jogar sem estar a pensar constantemente nas canelas dos adversários.

Com isto não quero dizer que deva jogar sempre o trio composto por Casemiro, Herrera e Óliver. O Quintero é um óptimo jogador e tem de ser sempre levado em conta tanto para o onze como para entrar durante o jogo, seja o adversário muito forte ou muito fraco. Cabe a Lopetegui estudar o adversário e perceber quando a presença do colombiano não será um problema para a linha defensiva portista, porque só dessa maneira poderá ser aproveitado aquele fantástico pé esquerdo, capaz de semear o pânico na equipa adversária. Nos jogos como o de ontem, frente a um adversário extremamente lutador como é o Bilbau e/ou com um relvado em mau estado, Óliver dá outras garantias à equipa mesmo não deixando de ser um bom elemento a construir jogo.

O melhor de tudo isto é perceber que pouco a pouco as peças começam a encaixar-se e que, neste momento, o FC Porto é já uma equipa extremamente competitiva mesmo havendo a certeza que ainda há bastante onde melhorar e muitas hipóteses a explorar. Mérito total de Lopetegui e de toda a equipa.