10 de novembro de 2014

O profissional Tozé


Há certas coisas que me tiram do sério e a perseguição que muitos portistas estão a fazer neste momento a Tozé é uma delas. Tudo isto, imagine-se, porque o rapaz teve o descaramento de ser derrubado por Fabiano na área do FC Porto e, não bastando, ainda se deu ao luxo de converter com sucesso o penálti que daí resultou. Por isso, porque se ficou a queixar no chão após um choque com Indi e porque saiu a passo quando foi substituído, há neste momento um grupo de génios que tratam Tozé por benfiquista de Esposende.

"O Porto é o clube do meu coração", disse o próprio na flash interview no final do encontro, palavras das quais não encontro motivo nenhum para duvidar. Admiro-lhe a coragem e espero que continue a jogar e evoluir no Estoril para que um dia possa regressar ao FC Porto. Espero que os dirigentes portistas não sejam estúpidos ao ponto de lhe fecharem as portas só porque ontem fez o que sabe, que é jogar bem. O Tozé é um jogador de equipa grande e com um enorme talento, que se não for aproveitado aqui será aproveitado noutro lado. Que não haja enganos: Tozé é um jogador à Porto.

Desde que a equipa B regressou que têm surgido bons valores oriundos da formação. Recentemente falei de André Silva, Gonçalo e Ivo como sendo o futuro do FC Porto, mas também Tozé tem obrigatoriamente de ser levado em conta. A situação que o jovem médio viveu ontem é extremamente injusta e foi-lhe colocada uma pressão e uma responsabilidade enormes sobre os ombros. Tozé conseguiu manter a calma, fez um bom jogo e ainda marcou de penálti. Certamente que amadureceu psicologicamente neste jogo mais do que nos dois anos que passou na formação secundária do FC Porto.

O papel da Liga no meio disto tudo


Ontem o Tozé não devia ter jogado. Não digo isto por causa da grande exibição que fez ou pelo golo que marcou, mas sim pelo simples facto de se tratar de um jogador do FC Porto que, como outro qualquer, está sujeito a falhar. Alguém consegue imaginar o que se diria caso o penálti saísse à figura de Fabiano? Muito mais do que o fora-de-jogo milimétrico - por um escasso metro que o atacante do Nacional estava em jogo - que valeu a um adversário do Benfica mais um golo (mal) anulado, com certeza.

A Liga devia proibir que um jogador emprestado defrontasse a equipa emprestadora. Isto e não só, o número de jogadores no plantel devia também ser limitado, principalmente a jogadores provenientes do mesmo clube. Assim evitavam-se situações pouco claras como a admitida publicamente na época passada pelo treinador do Belenenses que afirmou que Miguel Rosa não estava lesionado mas que também não ficou de fora para a recepção ao Benfica por opção técnica.

É assim que se defende a verdade desportiva, não com reuniões mais ou menos duvidosas entre o recém-eleito presidente da LPFP e o presidente da equipa que tem sido beneficiada descaradamente e de forma sistemática.