18 de dezembro de 2014

Brahimi


Yacine Brahimi precisou de pouco tempo para começar a maravilhar os portistas. A maneira como serpenteava pelos adversários com uma velocidade e técnicas deliciosas levavam muitos a pensar como seria possível que o argelino andasse meio desconhecido em terras andaluzas. Para ajudar à festa, sabe bater livres directos, coisa que há muito não se via por aqui.

Com o sucesso, veio o reconhecimento, as nomeações e os prémios, os elogios, as manchetes, as entrevistas. E Brahimi acusou isso. Não só porque não é fácil lidar com uma mediatização tão grande e tão rápida, mas também porque, naturalmente, os adversários começaram a cair-lhe em cima com muito mais cuidado. Com desgaste à mistura, o argelino tem perdido muito fulgor nos últimos jogos. Está mais complicativo, perde cada vez mais bolas sem que os lances que ganha consigam trazer algo de útil para a equipa.

Para mim, não acho anormal. É difícil para qualquer jogador manter um nível alto durante toda a época e Brahimi subiu imenso a fasquia a si próprio. Nem o extremo era a oitava maravilha do mundo quando estava no topo de forma, nem agora é um cepo. Não espero que Yacine seja transcendente em todos os jogos, nem isso é possível, mas o ex-Granada tem de voltar a encontrar-se e tirar o peso de cima dos ombros ou a obrigação de ser decisivo em todos as partidas para que possa voltar a ajudar a equipa. Brahimi tem de perceber que se tem três ou quatro jogadores em cima dele, algum colega deve andar sem marcação nas redondezas, aguentar a bola e soltá-la para um colega no momento certo pode ser tão importante como um drible que deixa dois adversários para trás.

A CAN aproxima-se e, dependendo do que do que faça a Argélia na Guiné Equatorial, podemos ter Brahimi de volta apenas no final da primeira semana de Fevereiro. Espero que o camisola oito volte rejuvenescido. Por cá, Ricardo Pereira e Kelvin farão pela vida.