18 de fevereiro de 2015

Geração de Ouro?

A últimas épocas têm sido de mudança no que à formação do FC Porto diz respeito. Com o reaparecimento da equipa B ficou mais simplificada a integração dos jovens oriundos das camadas jovens no futebol sénior sem que para isso tenham necessariamente de andar de empréstimo em empréstimo, num processo que por vezes envolve mais sorte com o clube e treinador de destino do que outra coisa. Até então houve o projecto Visão 611 - considerado um fracasso por muitos - que, segundo Antero Henrique, se revelou fundamental para reorganizar a estrutura e para perceber que ter uma equipa B é indispensável.

Graças à aquisição do Porto Canal, hoje em dia a maioria dos portistas está familiarizada com nomes como Gonçalo Paciência, Ivo Rodrigues, ou mesmo André Silva. A estes três podemos juntar Tomás Podstawski, Tozé, Leandro, Rafa, Sérgio Oliveira, Frédéric Maciel e Francisco Ramos que estão ou passaram pela formação secundária do FC Porto e caminham a passos largos para se afirmarem como jogadores de primeira liga e, em alguns casos, no próprio FC Porto e na Selecção de Portugal. Enquanto isso começam a surgir nomes, como Rui Pedro (16 anos) e Rúben Macedo (18 anos), prontos a liderar a próxima geração de Dragões a tentar seguir os passos de Rúben Neves.

Até agora mencionei propositadamente apenas jogadores portugueses para desmitificar um pouco a ideia de que o FC Porto não valoriza os jogadores nacionais mas, no entanto, há também uma lista de jogadores de outros países que têm boas hipóteses de se afirmar de azul e branco. Mikel foi traído por uma grave lesão que o impediu de jogar até agora naquela que deveria ser a época de estreia na equipa principal; Kayembe chegou por empréstimo e entretanto foi adquirido em definitivo e emprestado ao Arouca; Victor Garcia demonstra um potencial enorme e, no meu entender, deve receber o mesmo tratamento de Kayembe: aquisição e empréstimo de uma época na primeira liga; e até Gudiño, que ainda com idade de júnior tem brilhado na equipa B e parece já ter forçado a SAD a decidir exercer a cláusula de aquisição definitiva do passe prevista no actual contrato de empréstimo. Aqui o padrão tem sido esse: um empréstimo inicial com opção de compra que pode ou não ser exercida. Anderson e Sebá, que alinharam pela equipa B no ano de estreia da mesma na II Liga, não tiveram a sorte de serem adquiridos em definitivo, por exemplo. Assim como Pavlovski que está agora no segundo empréstimo e, apesar do talento demonstrado, continua a ter a continuidade no clube em causa.

Todos os mencionados até agora e muitos outros começaram a ter níveis de competição mais altos bastante mais cedo do que muitos que passaram pelo clube no período em que a equipa B estava inactiva. A competição na segunda liga ajuda na adaptação ao futebol sénior, mas há muito mais a explorar para que a evolução dos jovens jogadores seja feita rápida e eficazmente. Falo da UEFA Youth League (a Liga dos Campeões em sub-19) e da Premier League International (competição de reservas organizada pela FA e que decorre em Inglaterra), que oferecem aos jogadores a possibilidade de defrontar equipas mais competitivas e de realidades diferentes, mas também de competições como a Taça de Portugal ou a Taça da Liga que podem e devem ser utilizadas sempre que possível para dar minutos aos mais jovens na equipa principal.

As dificuldades económicas têm sido notadas em todos os sectores, não sendo excepções o futebol em geral e o FC Porto em particular. Não aproveitar todo o trabalho desenvolvido nos últimos anos seria um acto de estupidez sem precedentes. Com todas as ferramentas adquiridas no último par de anos, o FC Porto está agora em posição de começar a colher os frutos que vem cultivando. Haverá coragem para isso?