30 de março de 2015

A tentativa de ser diferente ou a vontade de ser parvo

Que sentimentos são provocados nos adeptos de um clube por um jogador que, chegando de um velho rival, em três épocas conquista três campeonatos, três supertaças, uma Taça de Portugal e uma Liga Europa, sendo depois vendido pelo valor de €25 milhões e que pelo meio até chegou a ser capitão de equipa? Eu diria orgulho e gratidão, mas a fazer fé no que diz o director do Maisfutebol, Nuno Madureira, estou completamente enganado. Segundo palavras do próprio publicadas hoje no site do jornal digital que dirige, João Moutinho é uma mal amado em Portugal, nomeadamente pelos adeptos dos três grandes. Na parte dos sportinguistas até se percebe, afinal de contas custa ver o melhor jogador sair para um rival; na dos benfiquistas é subjectiva mas também aceitável, facilmente se despreza um jogador que brilhou por dois rivais; mas dizer que os portistas não simpatizam com João Moutinho só porque este saiu do clube é completamente ridículo.

Nuno Madureira até pode perceber muito de futebol, mas certamente percebe pouco do que é Ser Porto. E basta passar os olhos pelo twitter pessoal para perceber o porquê. Todos os portistas sabem que Moutinho é um génio do futebol e que foi um jogador fundamental desde o dia 1 no Dragão. Até Miguel Sousa Tavares na forma muito particular como não percebe nada do futebol jogado chegou a essa conclusão. A custo, mas chegou. E se há coisa que o médio deixou nos portistas foi saudade. E não é pouca, até porque quase duas épocas depois ainda se fala no "substituto de Moutinho".

O director do Maisfutebol tentou ser diferente e, talvez levado pelo entusiasmo, achou por momentos ser o único adepto do futebol no mundo a considerar o antigo camisola 8 do FC Porto um jogador de classe mundial. Está completamente enganado. Todos os portistas tiveram oportunidade de perceber entre os Verões de 2010 e 2013 que, embora o futebol viva dos golo, é preciso alguém que tome sempre a opção correcta quando tem a bola nos pés e que João Moutinho fazia isso invariavelmente.

O algarvio foi um verdadeiro maestro de Dragão ao peito e garantia absoluta que mesmo num dia mau, na pior das hipóteses, jogava só bem. Não conheço nenhum portista que não gostasse de contar com ele no plantel, agora ou num futuro, e que tenha qualquer sentimento negativo em relação à forma como saiu, uma vez que foi um profissional exemplar do primeiro ao último dia e dos poucos que antes de o ser já era considerado por Pinto da Costa como "um jogador à Porto".

Como dezenas ou mesmo centenas de jogadores que saíram do FC Porto, Moutinho passou agora a ser admirado por quase todos, mesmo por aqueles que entre 2010/2011 e 2012/2013 o achavam apenas um jogador certinho e que pouco acrescentava ao jogo. Engraçado que alguém que chega a director de um órgão de comunicação com a dimensão do Maisfutebol só tenha percebido isso ontem porque o camisola 8 da selecção conseguiu ser um destaque pela positiva numa equipa portuguesa que jogou muito pouco. E isso diz muito da qualidade que o Maisfutebol (não) tem.