19 de março de 2015

Fabiano tem de fazer parte da solução e não do problema

Fabiano tem estado sob fogo depois de, em jogos consecutivos, ter lesionado Danilo e ter sido expulso quando, em ambas as situações, teve de sair da grande área para travar um ataque adversário. Foi notório para toda a gente que assistiu aos últimos jogos que Lopetegui vinha pedindo ao número 12 do FC Porto para actuar como uma espécie de líbero, compensando assim o espaço que a defesa deixa nas costas para que a equipa possa pressionar mais próximo da baliza adversária. Contra o Basileia a primeira saída da baliza acabou com o Danilo inconsciente no relvado e a ir para o hospital de ambulância, mas, durante o resto do jogo, Fabiano foi chamado a intervir dessa forma pelo menos por mais um punhado de vezes e correu tudo bem. Frente ao Arouca, foi expulso à primeira tentativa deixando a equipa em inferioridade numérica durante 80 minutos.

Não será segredo para ninguém que de todos os guarda-redes que o FC Porto tem - e não são tão poucos! - Helton é sem dúvida o que melhor se adapta ao papel de guarda-redes líbero e que ainda acrescenta uma óptima comunicação com a equipa e um jogo de pés de fazer inveja a muitos jogadores de campo. Mesmo sem os recentes erros de Fabiano, Helton já era o guardião ideal para o estilo de jogo de Lopetegui. O técnico basco, acima de tudo, tem tentado ser justo com todos os jogadores do plantel. Entre Tello, Brahimi e Quaresma já todos tiveram o estatuto de suplentes devido aos concorrentes atravessarem melhor momento, e o mesmo se passou com Marcano, Indi e Maicon. Por isso, se o treinador decidir que Fabiano deve regressar à baliza após castigo é porque entende que Helton está menos preparado para ser o titular e não apenas por capricho.

Dito isto, é importante relembrar algumas coisas. Toda a gente se lembra do que era Fabiano quando chegou ao FC Porto: um óptimo shot stopper, franco a jogar com os pés e incapaz de sair da baliza, tanto para agarrar um cruzamento fora da pequena área como para cortar uma bola metida nas costas da defesa. Era o típico guarda-redes de equipa pequena mas que o FC Porto quer transformar num guarda-redes de equipa grande.

Depois de um ano e meio a melhorar na sombra, o camisola 12 aproveitou a grave lesão de Helton para assumir a titularidade que dura até hoje. Desde o primeiro jogo como titular "absoluto" que se nota que Fabiano está diferente. Muito mais fiável e seguro a jogar com os pés e mais corajoso e eficaz a sair aos cruzamentos. Embora não seja ainda um expert em nenhum desses campos, agora a defesa já pode contar com ele de forma relativamente tranquila. Falta agora o último passo para que Fabiano se possa tornar um guarda-redes de topo: dominar o espaço atrás da linha defensiva.

O FC Porto precisa de um guarda-redes que saiba organizar a defesa e seja ele próprio um defesa quando necessário. O que falta a Fabiano para assumir esse papel é uma coisa que faz falta a qualquer jogador: confiança. E a confiança só se pode ganhar a jogar e a melhorar cada vez mais. Com cerca de 2 metros de altura, Fabiano tem de ter a confiança necessária para jogar uns metros mais à frente, para sair a um cruzamento e saber que se o adversário saltar com ele vai aguentar a carga, ou mesmo para ter a convicção que se lhe tentarem fazer um chapéu de longe que tem velocidade suficiente para evitar o golo.

Os dois erros dos dois últimos jogos eram evitados se Fabiano tivesse a coragem suficiente para estar colocado à entrada da grande área enquanto o FC Porto estava no ataque. Se lá estivesse, teria tido mais tempo para decidir se havia necessidade ou não de abandonar a baliza para interceptar o lance, pois já estaria a meio caminho de o fazer. A falta de confiança leva-o a colocar-se muito atrás e é isto que Lopetegui tem de trabalhar com o camisola 12.

O FC Porto não pode desistir de Fabiano por causa de dois erros. Não agora que a evolução do jogador tem sido positiva em todos os aspectos. Falta um pequeno "click" para que estejamos perante um guarda-redes de topo. O caminho é insistir no treino destas situações para que sejam resolvidas cada vez com mais naturalidade. Caso não evolua de forma positiva, então Fabiano nunca poderá ser guarda-redes do FC Porto.