9 de março de 2015

Terá Vítor Baía caído na realidade?

Após as polémicas declarações da semana passada, Vítor Baía aparece agora a exigir respeito. Segundo o próprio, as afirmações foram feitas de forma genérica e não dirigidas a alguém em concreto, tendo apenas como objectivo proteger o futebol. A primeira pergunta que me ocorre é: haverá alguém ingénuo ao ponto de, após afirmar que as arbitragens não são mais do que desculpas para o insucesso, achar que a equipa que tem sido verdadeiramente patrocinada em pontos pelos erros dos árbitros não iria usar isso como argumento de defesa? Eu acho que não. Não consigo acreditar que haja alguém que consiga falar deste assunto no abstracto quando o tema tem sido demasiado concreto. Mas há mais. Como é possível que o Vítor Baía ache que assobiar para o lado, ignorando os benefícios evidentes que o Benfica tem recebido quase em todas as jornadas, é o melhor caminho para fazer o futebol melhor e mais honesto? O caminho para tornar o futebol mais transparente não se faz ignorando a realidade. Ou está tudo bem desde que ninguém comente? As equipas podem abdicar de jogar na máxima força só porque sim contra quem lhes interessa que o problema não está no acto, está em quem aponta o dedo. Os árbitros e respectivos assistentes podem continuar a favorecer sempre a mesma equipa que estão desculpados, vergonhoso é falar no assunto. A realidade é que o Vítor Baía, com ou sem intenção, deu uma arma de defesa àqueles que obtiveram a liderança com a ajuda de terceiros e é graças a esses factores externos que por lá se vão mantendo. Que curiosamente são os mesmos que, com ou sem razão, montam o maior espectáculo do mundo quando não ganham.

Vítor Baía foi muito infeliz nas declarações ou, no mínimo, na altura que escolheu para as prestar. Com o campeonato já completamente enterrado em casos de favorecimento óbvios e quase sempre no mesmo sentido, não tem qualquer cabimento adoptar um discurso dito neutro mas que na realidade encaixou bem como defesa daqueles que têm colhido o fruto dado pelos erros. Talvez numa fase mais embrionária da época pudesse fazer o mínimo sentido, assim foi uma tentativa de negar a realidade. É caso para dizer que faltou alguma visão periférica a Baía.