12 de março de 2015

Um 11 a rentabilizar

Quando muito se fala na possibilidade de o FC Porto tentar a contratação definitiva de Tello, Casemiro e Óliver, mas sem que se possa esquecer da necessidade imediata de equilibrar as contas, importa pensar sobre o que fazer aos jogadores que estão contratualmente ligados ao clube mas que estão emprestados em outros emblemas e que poderão, num futuro próximo, transformar-se em mais-valias para as finanças ou para o plantel.

Vender ou reintegrar?
Começando pela baliza, muito dificilmente Bolat poderá aspirar a um lugar no plantel portista. Chegado ao FC Porto após terminar contrato com o Standard Liége no Verão de 2013, mas nunca foi aposta na equipa principal, limitando-se a alinha por quatro vezes na equipa B. Em Janeiro foi emprestado ao Kayserispor onde ficou até ao final da época. Na presente temporada, novo empréstimo, mas desta vez ao Galatasaray, onde tem jogado muito pouco. Adivinha-se uma passagem sem glória por Portugal.

Daniel Opare tem um trajecto semelhante: chegou depois de ter terminado contrato com o Standard Liége, passou o arranque desta época lesionado e apenas fez dois jogos pela equipa B antes de sair em Janeiro por empréstimo para o Besiktas. A principal diferença entre Opare e Bolat reside no facto de o ganês ainda poder ter uma palavra a dizer em relação à permanência no plantel na próxima temporada. Com a provável saída de Danilo, o FC Porto terá de ir ao mercado ou então dar a oportunidade a Ricardo, Víctor García e Opare de lutarem pelo lugar durante a pré-época.

Rolando é uma carta do baralho e só por milagre voltará a jogar com a camisola do FC Porto. O cabo-verdiano internacional por Portugal anda a forçar a saída do clube desde o final da época 2010/2011 e deverá ser vendido mal algum clube apresente uma proposta considerada justa pela SAD dos Dragões. A situação de Abdoulaye Ba é uma grande incógnita. Com uma capacidade física óptima para a posição de defesa-central, o senegalês já mostrou no passado que pode vir a tornar-se num óptimo jogador. No entanto, demora a consolidar a forma como joga e isso tem-no prejudicado. Tudo dependerá de Lopetegui e da existência ou não de propostas para a compra do passe. Abdoulaye tem o estatuto de jogador formado no clube aos olhos da UEFA e isso poderá ser um trunfo para o jogador que poderá facilmente assumir o papel de última opção para a defesa, à imagem do que tem feito Diego Reyes.

Quiño, que chegou ao clube em 2012/2013, tem sido, na minha opinião, vítima de uma má gestão por parte do FC Porto. Depois de se estrear pela equipa principal contra o Santa Eulália em jogo da Taça de Portugal, o colombiano teve apenas mais uma oportunidade num jogo frente ao Rio Ave para o campeonato. Mesmo tendo deixado boas indicações, acabou por nunca mais ser opção e ficar duas épocas na equipa B, atrasando-se assim na evolução como jogador. Esta época foi emprestado ao Penafiel onde tem jogado quase sempre como extremo, diminuindo assim as hipóteses de um dia regressar ao FC Porto.

Carlos Eduardo e Josué foram duas vítimas da época desastrosa que o FC Porto teve sob o comando de Paulo Fonseca, tornando assim difícil analisar com clareza as potencialidades de cada um deles. Certo só o facto de ambos estarem a dar-se bem nos respectivos empréstimos - o brasileiro no Nice e o português no Bursaspor - e estarem a despertar a atenção de vários emblemas. Caso Lopetegui não conte com qualquer um deles na próxima época, a SAD terá aqui boas oportunidades de negócio.

Varela vive uma situação muito semelhante à de Rolando e por isso não merece grandes comentários a não ser um lamento por serem os portugueses a serem os primeiros a querer desertar. Depois vão dar entrevistas para dizer que em Portugal não se aposta nos portugueses. Porque será?

Quem ainda partilhou o balneário com Varela foi Izmaylov. Chegado do Sporting em condições muito especiais, acabou por ter um impacto positivo na equipa, principalmente durante a ausência por lesão de James. No final da época começaram a aparecer os problemas de cariz psicológico e o FC Porto autorizou o jogador primeiro a uma ausência prolongada e depois a jogar por meio ano no Azerbaijão. Já esta época, foi emprestado ao FK Krasnodar da Rússia. Com 32 anos, não se adivinha um possível regresso ao clube. Izmaylov parece condenado a andar de empréstimo em empréstimo até terminar o contrato com o FC Porto, uma vez que a venda definitiva não deverá ser opção devido ao facto de o Sporting ter direito a 50% de uma eventual venda.

Ninguém esconde que esta época deve ser a última de Jackson Martínez como Dragão. Aboubakar tem deixado boas indicações, enquanto emerge Gonçalo Paciência que parece ser do agrado de Lopetegui. No entanto, se o treinador assim o entender, há outros dois que podem ter uma palavra a dizer. Falo de Kléber e Ghilas. O brasileiro encontra-se a realizar uma boa época no Estoril e a mostrar uma vez mais as qualidades que levaram o FC Porto a contratá-lo. Se conseguir ultrapassar o bloqueio psicológico que parece ter adquirido de Dragão ao peito, poderá ser uma séria opção para atacar as redes adversárias em 2015/2016. O argelino também deve ter oportunidade de se mostrar na pré-época e entrar na luta por um lugar no plantel, depois de terminada esta época ao serviço do Córdoba onde esteve a recuperar de uma temporada em que foi praticamente ignorado por Paulo Fonseca. Tal como Josué e Carlos Eduardo, também Kléber e Ghilas têm mercado e poderão ser vendidos caso Lopetegui não conte com eles.

Escolhi estes 11 mas também podia ter escolhido Licá e Sami, que muito dificilmente voltarão a ter nova oportunidade de se mostrarem no FC Porto, ou até Kelvin, também ele vítima de uma má gestão portista após o famoso golo ao Benfica que valeu a reviravolta no campeonato. O importante aqui foi demonstrar que, caso assim o queira, a SAD tem boas oportunidades de se financiar com a venda dos excedentários ou até de reforçar o próximo plantel sem custos extra, abrindo assim a porta à manutenção de uma das pérolas ou à compra definitiva de um dos emprestados.