11 de abril de 2015

O parente pobre

As vozes que se levantam contra Tozé são cada vez mais. Ou porque não devia ter feito isto, ou porque devia ter feito aquilo, ou porque não sabe o que é ser Porto, ou porque é uma pessoa de estatura baixa, ou porque não é digno de representar o FC Porto. É um mau portista porque na primeira volta jogo bem contra a equipa onde foi formado e, como tal, é bem que não volte ao Dragão. Grande portista é, por exemplo, o André Simões que partilhou uma foto dele próprio no meio dos portistas no Bessa. Claro que dias antes foi expulso por estupidez e com isso entregou de bandeja uma vitória ao Benfica. Mas isso não interessa, é grande portista e acabou. Esse é que é o exemplo a seguir. Adiante...

Quem acompanhava a equipa B do FC Porto enquanto o Tozé lá jogou sabe muito bem que o então número 70 era com alguma distância o melhor jogador mas que mesmo assim nunca foi muito levado a sério pelo clube. Mesmo na selecção de sub-21, onde joga sempre a bom nível, as preferências do seleccionador vão para outros jogadores, mas quando é chamado a jogar nota-se nele aquela sensação de achar ser o parente pobre que raramente convivia com a família mais abastada. Mesmo sendo formado no FC Porto, joga no modesto Estoril quando vê colegas, alguns deles com bem menos talento, a jogar em clubes da primeira divisão de Espanha ou França, ou até em clubes portugueses como o Sp. Braga ou o Sporting.

Tozé joga neste momento no Estoril com um sentimento de revolta, de querer mostrar a toda a gente que merece mais e melhor. Que melhor oportunidade para o fazer do que contra a equipa que o emprestou? Eu continuo a achar que o FC Porto fez bem em colocá-lo a ganhar ritmo de jogo numa equipa que até disputou a Liga Europa, mas não critico o jogador por achar que tinha lugar numa equipa melhor ou até quem sabe no plantel portista.

Repito o que já afirmei no passado: espero que a SAD não decida queimar este jogador só para agradar aos adeptos. Jogadores com a fibra do Tozé são difíceis de arranjar e, como o próprio já mostrou, movido pelo combustível certo é um jogador que faz a diferença. Desde quando é que os portistas deixaram de apreciar quem deixa tudo em campo?