17 de maio de 2015

Seja campeão você, se faz favor

Nota introdutória: por mais deprimente que tivesse sido o final de época do FC Porto, cheio de jogos sem chama desde a eliminação da Liga dos Campeões, nada muda o facto de que o 34.º campeonato ganho pelo Benfica tenha sido fruto de um trabalho dedicado das equipas de arbitragem em grande maioria dos jogos vencidos pelos encarnados e também em muitos dos que o FC Porto perdeu pontos. Ser campeão assim está ao alcance de uma qualquer Sporting, seja ele de Braga ou até Clube de Portugal. Mérito do Benfica? Pouco ou nenhum.

O primeiro grande derrotado da época é Rui Cerqueira. Durante a primeira volta, enquanto que ia sofrendo na Liga dos Campeões, o Benfica foi sendo empurrado à força toda pelas equipas de arbitragem enquanto o FC Porto ia sofrendo uma força no sentido inverso, que redondou em resultados como o 1-1 em Guimarães. O que fez o FC Porto? Rigorosamente nada. O único que ia tocando no assunto das arbitragens era Lopetegui que, sem qualquer manto protector, está neste momento completamente desgastado e exposto perante uma comunicação social mais que tendenciosa e quase na totalidade pró-vermelho. O director de comunicação do FC Porto não pode ser uma figura decorativa e há que assumir que a estratégia de comunicação do clube falhou redondamente como vem, de resto, falhando há anos. Rui Cerqueira tem de assumir a mudança ou deixar o lugar. Tão simples quanto isto.

A SAD também tem de assumir culpas, até porque também eles são responsáveis pela estratégia de não-comunicação que o clube vive de momento. Parece que todos os responsáveis portistas vivem numa gruta da qual não saem em circunstância alguma. Mas, no caso dos dirigentes, o que menos importa é o que dizem, o problema encontra-se no que fazem. O plantel do FC Porto para esta época era bom? Sem dúvida, o melhor em Portugal. E o que ganhou? Nada, rigorosamente nada. Não acredito que haja titulares por decreto da SAD, mas é evidente que é aconselhado aos treinadores a olhar com outros olhos para determinados jogadores mediante o que o clube investiu neles. Adrián López foi sendo titular aqui e ali mesmo sem fazer nada que o justificasse; Herrera continua a ser dos mais utilizados mesmo não tendo qualidade ou características para jogar da forma como o FC Porto joga; ou mesmo Brahimi continuar como titular mesmo sem ter uma exibição positiva desde a vista ao terreno da Académica. Esta politica de tentar forçar valorizações de jogadores tem de acabar imediatamente. Têm de ser os titulos conquistados o principal foco do clube e o grande factor de valorização de activos.

Lopetegui começou mal e abusou nas trocas constantes no onze. Aqui e ali podem ser atribuídas responsabilidades a isso nas mas exibições e/ou maus resultados, mas há que manter presente que se trata(va) de uma treinador com pouca experiência e com conhecimento deficiente do campeonato português, sendo prova disso mesmo a decisão de rodar a equipa no jogo da Taça de Portugal contra o Sporting ou no jogo do campeonato na visita ao Estoril. Falhou a tão celebre estrutura que deveria ter aconselhado, preparado e protegido melhor o treinador em diversas situações. Apesar da parte dele de responsabilidade numa época em branco, convém relembrar que foi o único que deu a cara pelo clube durante todo ano sendo agora ele quase o único alvo de chacota por parte do universo benfiquista e bombo da festa do campeonato.

Os jogadores fizeram o que sabiam e, como todos, tiveram falhas mas fizeram mais do que o suficiente para vencer o campeonato. Também eles foram vítimas das arbitragens vergonhosas que levaram o Benfica ao colo o ano inteiro e também da falta de reacção do clube que representam e cujos responsáveis passaram o ano inteiro preocupados com as eleições na LPFP e com o que a FPF fazia ou deixava de fazer em vez de se preocuparem com o roubo de que o FC Porto sofreu. É muito fácil exigir brio aos jogadores e agora vir dizer que faltou mística e mais não sei quê nesta recta final, mas a realidade é que nada foi feito em tempo útil por quem de direito para evitar este desfecho.

O FC Porto tem agora um par de meses para começar a resolver os problemas internos que resultaram na disfuncionalidade de vários sectores nos últimos anos. A reconstrução do plantel passa a ser secundária quando o clube deixou de ter vontade de vencer desde que inaugurou o museu. Há quem afirme que o acordo de cavalheiros proposto por Luís Filipe Vieira a Bruno de Carvalho para a divisão de campenatos entre leões e águias foi rejeitado pelo Sporting mas aceite pelo FC Porto em termos semelhantes. Perante tanta passividade, já não sei em que acreditar.