18 de setembro de 2015

Um regulamento para o FC Porto e outro para os outros

O empate que o FC Porto conseguiu/consentiu na Ucrânia frente ao Dínamo de Kiev acaba por ser justo face ao que ambas as equipas jogara. Claro que depois de ter o pássaro na mão - e a possibilidade de conseguir uma reviravolta pela primeira vez com Lopetegui ao comando - é doloroso sofrer um golo, muito mais na altura em que foi. Apesar de ter existido a possibilidade de vencer, o empate é um resultado que em nada belisca a ambição portista de seguir em frente na prova.

Quando a equipa da casa chegou ao 2-2 da forma que chegou pensei, na minha inocência, que faria correr muita tinta em Portugal. Após ver as dores que a comunicação social sente a casa mau resultado de Benfica e Sporting, vendo penáltis por marcar a favor das equipas da capital em todo o lado e foras-de-jogo por assinalar aos ataques dos adversários em metade dos golo, assumi que o golo do Dínamo de Kiev ia dar, no mínimo, direito a algum debate. Obviamente que estava enganado, uma vez que pouco ou nada se falou sobre o jogador que, em posição irregular, influencia a acção da defesa do FC Porto.

Pedro Henriques, ex-árbitro, entende que o golo é legal apenas e só porque o jogador não toca na bola, acrescentando que mesmo que se tivesse tentado jogá-la que continuaria a ser legal desde que não conseguisse fazê-lo. No entanto não é nada disso que diz nas regras do jogo disponibilizadas no site da FIFA. Vejamos:
"Um jogador na posição de fora de jogo só deve ser penalizado se, no momento em que a bola toca ou é jogada por um colega de equipa, o jogador, na opinião do árbitro, toma parte ativa do jogo:• interferindo no jogo ou• influenciando um adversário ou• tirando vantagem dessa posição"
Bastava isto para que uma pessoa com conhecimentos mínimos da língua portuguesa e alguns de futebol perceber que o golo é irregular. Mas a FIFA até se dá ao trabalho de explicar alguns lances com recurso a imagens, para convencer os mais cépticos:

Um atacante que está em posição de fora de jogo (A) obstrui o campo de
visão do guarda-redes. O atacante deve ser sancionado porque impede
o adversário de jogar ou poder jogar a bola.
"No contexto da Lei 11 – fora de jogo, aplicam-se as seguintes definições:
(...)
- “influenciar um adversário” significa impedir um adversário de jogar ou de poder jogar a bola, obstruindo claramente a linha de visão do adversário ou, disputando a bola com o adversário.
(...)"
Se após isto tudo há ainda analistas empenhados em afirmar que o golo é legal, paciência. É só mais um acaso em que são usados dois pesos e duas medidas, sendo que o prejudicado nas avaliações é sempre o FC Porto.

P.S.: Por achar que o golo é irregular não significa que ache que a equipa não o podia ter evitado. O jogo só pára quando se ouve o apito, até lá ninguém pode desistir do lance. Fica a lição.