25 de outubro de 2015

Irresponsabilidade

Irresponsável. Não encontro melhor melhor adjectivo para descrever Lopetegui. Poucos foram os treinadores que tiveram oportunidade de começar uma segunda época no clube após não terem ganho nada na primeira, mas o espanhol teve-a. E bem, digo. Isto porque a forma como o Benfica foi empurrado para o título na época passada - e agora confirmada pelo ex-árbitro Marco Ferreira - foi demasiado evidente e dificilmente haveria treinador a conseguir combater isso. Mas, no entanto, seria de esperar que os erros que o próprio FC Porto cometeu tivessem sido assimilados pelo treinador de forma a evitar que se repetissem durante 2015/2016. Estava enganado.

A forma inglória como o os azuis-e-brancos foram eliminados pelo Bayern de Munique deveu-se em muito aos castigos de Danilo e Alex Sandro, mas isso não serviu de lição para Lopetegui que continua a gerir os cartões não gerindo. Maxi Pereira falhou a recepção ao Braga porque não houve engenho para forçar o cartão vermelho por acumulação de amarelos na jornada anterior e, dessa forma, ficar indisponível no jogo da Taça de Portugal frente ao Varzim mas poder ser utilizado nesta jornada contra o Braga. Era uma decisão óbvia tendo em conta a lesão de Maicon durante esse mesmo joga e ainda pelo facto de ser uma jornada importantíssima porque Benfica e Sporting jogavam entre si.

O treinador do FC Porto assim não o entendeu e achou que não haveria grandes problemas em ter duas alterações em simultâneo na linha defensiva contra um dos adversários mais difíceis em Portugal e, sem que eu consiga perceber porque, decidiu acrescentar-lhes, por opção, uma alteração a meio-campo e outra no ataque. Foi assim que Tello jogou em vez de Corona e Rúben Neves ficou no banco para que Danilo regressasse ao onze.

Não seria por uma simples troca de extremos que a equipa se ressentiria, mas decidir deixar o melhor médio no banco é um no mínimo arrojado. Sim, porque o Rúben Neves, neste momento, é o melhor médio do plantel. Lopetegui fartou-se de avisar nas últimas semanas para que o jovem capitão dos dragões não se deixasse levar pelos acontecimentos mais recentes, mas parece que foi o próprio a meter os pés pelas mãos ao não lhe dar o voto de confiança para ver como este respondia perante a enorme responsabilidade que é comandar a equipa do FC Porto.

Que fique bem claro: o plantel portista é o melhor em Portugal e com uma margem confortável. As opções que Benfica e Sporting têm não chegam nem perto das que Lopetegui tem ao dispor. No entanto, é importante que o basco se mentalize que não dá para brincar com a sorte e que tem de ser ele próprio a garantir que o FC Porto chega aos jogos mais importantes nas melhores condições possíveis.

Não foi isso que aconteceu nas últimas semanas e, por coincidência ou não, ficaram dois pontos enterrados em pleno Dragão.

P.S.: As tácticas preparam-se durante a semana nos vários treinos da equipa, não é quando o jogo está parado a meio da primeira parte.