28 de fevereiro de 2016

Já estamos a ganhar... E agora!?

Depois de ver a equipa do FC Porto entrar com uma jogada ensaiada, como já não me lembrava de ver, e ganhar um canto logo nos primeiros segundos fiquei convencido que os jogadores estavam empenhados em tornar o jogo fácil. Os minutos seguintes confirmaram isso e cedo apareceu o 0-1 e ainda com muito para jogar na primeira parte o 0-2. Depois disso, nada.

Deu a sensação de que, depois de vários jogos a entrar a perder, o FC Porto se esqueceu de como segurar uma vantagem de forma segura. Como é possível uma equipa que ainda até há bem pouco tempo perdia minutos a trocar a bola sem grande objectivo não conseguir agora fazer quatro passes seguidos, não sei, mas aconteceu. Felizmente a entrada de Evandro trouxe alguma serenidade e capacidade de circulação, porque as coisas estavam a encaminhar-se a bom ritmo para este texto ser sobre um empate.

Suk não esteve brilhante, mas a forma como pressiona o adversário e luta por cada bola é um exemplo prático do que deve ser um jogador à Porto. Embora tivesse ficado em branco, foi fundamental a entrega que colocou no lance que dá o 0-1. Tem conquistado o lugar a pulso com as oportunidades que lhe foram sendo dadas para poupar Aboubakar. O camaronês tem agora que trabalhar muito mais se quiser recuperar o lugar. Quem fica a ganhar com isso é o FC Porto.

A entrada de Evandro mostrou a principal razão pela qual Herrera não pode ser o 10 nesta equipa. A entrega com que o mexicano joga merece louvor e deve ser aproveitada pelo treinador, mas a incapacidade de decidir rápido fazem dele um mau criador de jogo quando o adversário é mais pressionante. A solução? Jogar mais recuado, próximo de Danilo, como fez nos minutos finais. Aí ganha preponderância na recuperação de bola e espaço para usar a mobilidade que lhe é reconhecida.

Já todos sabemos que Marega não faz da técnica livro de visita e que tem muito por onde evoluir nesse aspecto. No entanto, consegue criar mais oportunidades com todas essas limitações do que Corona com dois pés capazes de fazer a diferença. Desde a troca de treinador que o camisola 17 tem estado irreconhecível. O FC Porto precisa de todos os jogadores a jogar de forma consistente se ainda quiser ter uma palavra a dizer na luta pelo título, sendo Corona um dos mais talentosos era importantíssimo que colocasse uma pedra sobre as exibições cinzentas. Ainda mais agora com a eventual lesão de Brahimi.

A eliminação das competições europeias foi dolorosa mas também trouxe vantagens. O jogo da próxima quarta-feira frente ao Gil Vicente será o último realizado a meio da semana. Depois disso, até ao fim do campeonato José Peseiro terá finalmente tempo entre os encontros para recuperar a equipa fisicamente e trabalhar de forma mais eficaz a vertente táctica. O que olhando aos últimos jogos só pode ser encarado como uma óptima notícia.