23 de fevereiro de 2016

No bom caminho


Nas ultimas semanas tenho lido e ouvido várias coisas sobre o FC Porto e sobre José Peseiro. Entre verdades absolutas, teorias e mentiras, a ideia que mais sobressai é de que José Peseiro não sabe, ou não quer saber, como construir uma equipa capaz de defender bem. Isto vai sendo dito em doses diárias, uma e outra vez, aqui e ali, dando quase a entender que o novo treinador portistas além de cego é estúpido. Mas vamos por partes.

Em primeiro lugar em preciso avaliar em que condições Lopetegui deixou a equipa. Feita essa avaliação percebe-se que o plantel se encontrava frágil psicologicamente e preso do ponto de vista táctico. O futebol praticado sob o comando do espanhol era demasiado previsível e não evoluiu nada desde o Lille - FC Porto. De resto, tantas foram as vezes que isso aconteceu, que a equipa bloqueava automaticamente quando sofria o 1-0, ao ponto se ser quase derrota garantida.

Depois é preciso fazer a seguinte pergunta: o plantel é equilibrado? A resposta é não, não é. Falta um extremo capaz de furar em velocidade, faltam alternativas para as laterais, falta um médio criativo e falta um defesa-central capaz de comandar o sector mais recuado. Não foi José Peseiro o responsável por este plantel, por isso não é justo que seja criticado por ter de recorrer a Varela para jogar a defesa-lateral, por exemplo.

Por último, devemos perguntar se já houve tempo para implementar um estilo de jogo diferente. E aqui, apesar de algumas melhorias principalmente no ataque, a resposta volta a ser não. Desde a saída de Lopetegui que o FC Porto tem tido jogo atrás de jogo e problema atrás de problema, o que dificulta a consolidação de um onze estável e a optimização do mesmo. Tomando como exemplo a última semana, após a vitória na Luz mal houve tempo para treinar para a deslocação a Dortmund e após esse jogo o cenário repetiu-se para a recepção ao Moreirense.

Olhando a todos estes factores (mudança de treinador, trocas constantes no onze, plantel desequilibrado e falta de tempo) é natural que a equipa esteja a passar por algumas dificuldades a jogar contra adversários com estruturas bem definidas. No entanto, importa salientar a diferença no lado psicológico do grupo que já se faz sentir. Agora o FC Porto não cai quando sofre o 1-0 e isso é muito importante para o que aí bem.

O discurso do treinador tem um efeito positivo sobre o grupo, uma vez que mesmo após a derrota por 2-0 em Dortmund não se ouviu ninguém a atirar a toalha ao chão. Porque a equipa foi trabalhada mentalmente para perceber que as condicionantes eram muitas e que o mais certo seria perder, mas que na segunda mão, com outras opções disponíveis, se faria o tudo por tudo para passar.

Peseiro não recorre ao discurso do medo em todos os jogos ao estilo Lopetegui. "Vamos jogar contra uma das melhores equipas", dizia o basco semana após semana enquanto preparava a equipa para não sofrer golos, o que em muito explica a incapacidade da equipa reagir às adversidade. Agora os jogadores vêem o comandante dizer que a única preocupação que tem é marcar mais golos que o adversário.

Ainda é cedo para avaliar o trabalho de um treinador. Para mim, José Peseiro só tem obrigação de vencer a Taça de Portugal, o que vier a mais que isso será uma surpresa devido a tudo o que mencionei neste texto. A verdadeira avaliação começará em Agosto próximo quando arrancarem os jogos de um plantel escolhido (ou validado) por ele. Até lá, é avaliar quem cá está (seja na equipa principal ou na B), quem está emprestado e possíveis reforços para que o próximo grupo seja mais competitivo e equilibrado, como o FC Porto nos habituou num passado não muito distante.