10 de março de 2016

Inovar para voltar a reinar


Quando se olha em retrospectiva para esta época e para as duas anteriores, há uma coisa além dos campos inclinados a favorecer as equipas da capital que salta à vista: os jogadores do FC Porto parecem mal preparados física e psicologicamente para enfrentar aquilo que é um ano normal no Dragão. São lesões atrás de lesões, baixas de forma incompreensíveis e a incapacidade de alguns jogadores em fazerem dois jogos por semana. Tudo isto tem implicações directas no desfecho de cada partida e tem prejudicado em larga escala as pretensões azuis e brancas.

O que me leva a perguntar: o FC Porto confia aos treinadores a escolha da equipa médica? Então qual é o motivo para lhes confiarem cegamente a preparação física da equipa? É neste ponto que a administração do clube deve inovar. A tão famosa estrutura portista deixou-se apanhar, ou até mesmo ficar para trás, quando comparada com a dos rivais, mas tem de estar à frente de um clube com condições e argumentos para atrair os melhores profissionais nas mais diversas áreas.

Dito isto, proponho à SAD do FC Porto a criação de um departamento de apoio ao treinador. Além da habitual equipa médica, o clube deve contratar também nutricionistas e psicólogos a tempo inteiro, um preparador físico, um recuperador físico, um treinador de guarda-redes e um director desportivo. Este departamento seria responsável por auxiliar directamente o treinador em tudo o que rodeia a equipa para que este tivesse quase como única preocupação a vertente táctica do jogo.

A parte financeira deste projecto não me parece um problema quando se olha à quantidade de administradores e outros corpos que gravitam em torno da SAD, bem como a quantidade de dinheiro que é esbanjado anualmente em contratações duvidosas e mediação das mesmas. O único entrave seria mesmo o facto de a maioria dos técnicos já terem na equipa pelo menos o responsável pela parte física dos treinos. Mas mesmo este problema seria resolvido com a integração dos elementos da confiança do treinador na equipa técnica residente.

Este departamento facilitaria a integração dos novos treinadores, assim como o período de transição quando por qualquer motivo haja uma substituição no comando técnico da equipa. A preparação e recuperação física e psicológica dos jogadores seria inerente ao clube, deixando assim de ser aleatória tendo apenas em conta a competência ou incompetência do treinador ou a resistência natural de cada jogador. Por último, a presença de um director desportivo serviria os interesses do clube para o planeamento dos plantéis a logo prazo sem que com isso deixassem de ser satisfeitas as necessidades dos treinadores no imediato face à forma como idealizam o jogo. Além disso, serviria como uma voz de defesa do clube nas mais diversas situações, algo que é considerado por muitos uma lacuna no presente e num passado recente onde tal responsabilidade coube quase em exclusivo aos treinadores.

A grandeza do FC Porto não garante vitórias por si só, é preciso juntar-lhe muito trabalho. E se os pilares do clube são a ambição, o rigor, a paixão e a competência, há que lhes fazer manutenção constante porque têm sofrido muita degradação nos últimos anos, sendo que neste momento apenas o da paixão se mantém intacto.