8 de março de 2016

Todo o ladrão tem direito a um advogado

Carlos Xistra prejudicou o FC Porto em campo e passou impune no grande tribunal que é a comunicação social. Isto só é possível porque a grande maioria acordam e adormecem a pensar em tons de verde e/ou vermelho - logo por aqui já não estava à espera de uma capa d'A Bola a dizer "Xistra decidiu o que já estava decidido" - e também porque órgãos como O Jogo, muitas vezes acusados de favorecerem os dragões, estão presos a uma regra estúpida: só trazer para a capa as jogadas em que José Leirós, Pedro Henriques e Jorge Coroado estejam de acordo. Como já referi por aqui, o jornal, nestes casos, é refém da opinião de três indivíduos de seriedade bastante discutível, como se pode ver mais uma vez na análise ao Braga - FC Porto.


Desta vez coube a Pedro Henriques fazer de advogado do diabo e negar as evidências. José Leirós e Jorge Coroado mais não fizeram do que admitir o óbvio: Ricardo Ferreira cometeu duas faltas para grande penalidade e escapou em ambas. Recordo que em qualquer das situações o jogo estava ainda empatado a zero e que, em abono da verdade a segunda seria já impossível de acontecer porque o jogador teria sido expulso ainda antes da meia hora de jogo caso a primeira fosse assinalada. 

Eficácia e classe muito
características no líder do campeonato
Curiosamente foi dada nota 7 (de 1 a 10) a um jogador que cometeu duas infracções na própria área e que na melhor das hipóteses, uma vez que aos 21 minutos de jogo levou cartão amarelo, jogaria apenas até ao minuto 56 imaginando que seria castigado com um cartão apenas em cada um dos penáltis. Aparentemente, infringir as regras e escapar com a conivência do árbitro é agora sinal de eficácia e classe...

José Leirós também merece destaque porque insiste em dar-me razão quando digo que o painel do Tribunal O Jogo muda de opinião quase ao mesmo ritmo que os árbitros vão empurrando as equipas da segunda circular para o topo da tabela. No jogo FC Porto - Moreirense, o ex-árbitro em questão recusou-se a aceitar como justificação para a grande penalidade assinalada a favor dos azuis e brancos um toque na perna de Maxi simultâneo ao toque na bola por parte do defensor cónego; no Braga - FC Porto, Indi não foi abençoado com a mesma benevolência e viu José Leirós validar a decisão de Carlos Xistra em exibir-lhe o segundo amarelo.

Carlos Xistra não só prejudicou o FC Porto em Braga como ainda tirou Indi e Danilo do próximo jogo. Se compararmos as situações em que viram os respectivos cartões com as várias semelhantes protagonizadas pelos da casa somos forçados a perguntar se tudo isto não foi premeditado. Fica ao critério de cada um, não façam é como a tripla Leirós, Henriques e Coroado.