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5 de junho de 2016

"Não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação"

Tal como o próprio FC Porto, o Portistas Anónimos vive um período de hibernação, estando num estado de serviços mínimos. Apesar disso, há sempre espaço para partilhar uma ou outra ideia que, à primeira vista, mereça interromper este período de silêncio.

Neste caso iremos para recuar a 21 de Outubro de 2013, quando Antero Henrique em entrevista ao jornal O Jogo disse, entre outras coisas, "não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação". Desde esse dia até ao presente o FC Porto venceu três competições minimamente relevantes em futebol: o campeonato nacional de sub-19 por duas vezes e a II Liga por uma. Enquanto isso, a equipa principal continua em branco. Era interessante que alguém conseguisse explicar o que aconteceu entretanto para que em pouco tempo acontecesse precisamente o oposto do que foi prometido.

A expressão "pela boca morre o peixe" foi, durante alguns minutos, uma forte possibilidade para dar título a este texto.

6 de julho de 2015

Sobre a Mística (ou a falta dela)

As notícias sobre ou em torno do FC Porto não param de surgir: Maxi Pereira pode trocar o Seixal pelo Olival; Imbula foi contratado por €20 milhões; Antero Henrique é suspeito de vários crimes; Casillas é apontado como reforço; e ainda não está fora de hipótese Óliver fazer o caminho inverso de Jackson, nem que seja apenas mais um empréstimo de um ano. No meio disto tudo, Quaresma decidiu dar uma entrevista ao Expresso onde, entre outras coisas, afirma que falta Mística no clube porque os mais novos não sabem o que é o FC Porto.

Quaresma tem razão num ponto, foi notório que em certos momentos na última época faltou ali uma pontinha de atitude. No entanto, acaba por denunciar que não está a 100% por dentro do assunto quando se assume como um dos portadores da tão badalada Mística. Mas vamos por partes.

Em primeiro lugar, importa referir que foi evidente durante quase toda a época que o Mustang merecia ser titular. Até Dezembro Tello foi um jogador que nada acrescentou à equipa e quando este subiu de forma, foi Brahimi quem desapareceu. Quaresma foi ficando com as sobras e foram raras as vezes em que não mostrou serviço. No entanto, Lopetegui deu sempre preferência ao espanhol e ao argelino, situação que incomodava visivelmente Quaresma, ao ponto de não conseguir disfarçar o mau humor quando estava no banco ou no momento em que era substituído.

A sensação que fica é que o actual número 7 portista é um óptimo jogador para ter em campo, mas que se torna um fardo em todos os outros momentos. Pior do que os elogios para o actual treinador do Sporting ou auto-proclamação como um dos portadores da Mística portista, foi o facto de ter assumido que não tem perfil para treinador por não ter paciência para aturar os diferentes feitios dos jogadores. Como é possível alguém querer ser um exemplo no balneário se lhe falta a capacidade para compreender o que se passa com as outras pessoas?

Esta entrevista foi dada numa altura em que 2014/2015 já tinha ficado para trás e, ainda que possa ter sido involuntariamente, Quaresma volta a meter o dedo na ferida. São recorrentes os episódios em que o Harry Potter fala demais e, de certa forma, estas situações acabam por resumir a carreira atribulada que teve. É o que acontece quando a cabeça não acompanha o talento dos pés.

É verdade que tem faltado Mística no FC Porto, mas isso não se conquista necessariamente com os anos de casa, é uma coisa que nasce com as pessoas e/ou uma questão de atitude. Não deixa de ser curioso que, numa época como a última, tenham sido jogadores como Óliver, Casemiro ou Tello daqueles que mais lutaram pelo clube. E neste momento o FC Porto precisa mais de atitudes do que de conversa. A Mística virá por acréscimo.

23 de maio de 2015

A história repete-se

sensivelmente um ano, após o FC Porto perder tudo o que havia para perder, muitos portistas acharam por bem humilhar os jogadores do plantel, como se bater em que já está no chão ajudasse em alguma coisa. Ontem, no último jogo da época, ambos os grupos de apoio ao FC Porto decidiram dar extensão ao protesto que ocorreu a meio da semana às portas do Olival aproveitando para deixar algumas mensagens que não servem para mais nada além de dar aos rivais mais qualquer coisinha com o que gozar. Ainda bem que o ridículo não mata, porque se o fizesse por estes dias o FC Porto teria perdido milhares de adeptos prematuramente.

Os portistas estão para o plantel como aqueles pais que passam o ano todo a dar palmadinhas nas costas dos filhos quando estes voltam da escola com teste negativo atrás de teste negativo, permitindo-lhe ainda que usem todo tempo livre todo para brincar negligenciando dessa forma o estudo, mas que no fim do ano lectivo, ao verem que os filhos terão de repetir o ano, decidem castigá-los durante todas as férias do Verão.

 Não sou contra os protestos e há mensagens que têm de ser passadas de fora para dentro, embora seja apregoado aos sete ventos que o clube é comandado de dentro para fora. O problema aqui é que o tempo útil destas mensagens passou há imenso tempo, tendo sido o empate na Madeira contra o Nacional a última oportunidade para a deixar.

Durante toda a época os grupos de apoio organizados, assim como muitos outros adeptos, preferiram andar aqui e ali em manifestações de apoio, fazendo juras de amor e de apoio incondicional, tornando o gesto ineficaz devido à utilização em excesso. De todas elas, só a realizada espontaneamente após o roubo colossal em Braga se justificou em pleno. Todas as outras tiveram o seu pedaço de exagero.

No entanto, não deixa de ser positivo que, após vários anos em que pareciam domesticadas pela SAD, as claques voltem a ser uma voz de protesto. Só lamento que o alvo escolhido não tenha sido o mais correcto, mas também não se pode exigir tudo de uma vez. Que 2014/2015 tenha servido de lição para todos, uma vez que, aparentemente, não foi o caso de 2013/2014.

20 de maio de 2015

Mitos contemporâneos

Boavista 0-2 FC Porto
Quando uma equipa como o FC Porto não vence o campeonato existem, praticamente, apenas duas opções para o justificar: ou foi porque falhou redondamente, como foi o caso de 2013/2014 com Paulo Fonseca; ou então porque falhou num qualquer momento que, a posteriori, vai-se a ver era um momento-chave. Embora seja uma conclusão básica, não deixa de ser engraçado que haja pessoas a serem pagas para dizer isto semanalmente um pouco por todos os meios de comunicação. E fazem-no com o orgulho próprio de quem acabou de descobrir a roda ou mesmo o fogo.

FC Porto 3-0 Sporting
Como o FC Porto perdeu o campeonato a uns abismais três pontos do melhor Benfica de todos os tempo torna-se difícil incluir o campeonato na categoria dos catastróficos, há que vender a ideia de que os comandados por Lopetegui falharam em todos os momentos-chave da época. Não foi em um nem em dois, foi em todos. Quem o diz são os especialistas e grande parte dos portistas vão na onda, alinhando muitas vezes chorrilho de críticas à equipa que tem tanto de injusto como de injustificado.

SC Braga 0-1 FC Porto
Desde a derrota na Madeira frente ao Marítimo que para o FC Porto todos os momentos passaram a ser momentos-chave. Nessa jornada o Benfica ficou com a possibilidade de aumentar a diferença pontual para nove pontos em caso de vitória mas, curiosamente, os comandados por Jorge Jesus, aqueles que não vacilaram nos momentos-chave, acabaram por sair derrotados de Paços de Ferreira. Depois disso, o FC Porto venceu nas oito jornadas seguintes, mas tratavam-se apenas de momentos banais, presumo.

FC Porto 1-0 Arouca
Se o FC Porto tivesse sido campeão, vitórias como o 0-2 no Bessa mesmo sem Casemiro, Alex Sandro e Danilo convenientemente castigados em simultâneo; o 3-0 ao Sporting com um exibição de encher o olho; o 0-1 em Braga - campo onde a equipa que não vacila em momentos-chave perdeu - mesmo tendo perdido Jackson por lesão com o jogo em 0-0; ou até o suado 1-0 na recepção ao Arouca tendo de jogar 80 minutos em inferioridade numérica tendo jogado a meio dessa semana para a Liga dos Campeões, todos eles levariam o rótulo de momento-chave.

É fácil comprovar que é uma absoluta mentira dizer que o FC Porto não venceu nenhum dos jogos que não podia admitir outro resultado que não fosse a vitória. Por isso é que, para tentar justificar algumas posições, existe a tendência de reanimar velhas tretas como a falta de mística, a teoria que certos jogadores só correm para a Liga dos Campeões, ou dizer que é inadmissível uma equipa que quer ganhar o campeonato ter já empatado por sete vezes.

A diferença entre FC Porto e Benfica desta época reside precisamente aqui. Enquanto que os agora bicampeões viram as equipas de arbitragem ajudar a transformar empates em vitórias (por exemplo na Madeira frente ao Nacional ao anular um golo por fora-de-jogo à equipa da casa quando Marco Matias estava um metro em linha, ou na deslocação ao Estoril em que Enzo Pérez transformou uma simulação grosseira, que deveria ter valido o segundo amarelo ao próprio, numa expulsão para a equipa anfitriã), o FC Porto foi impedido de chegar à vitória pelos mesmos protagonistas (como por exemplo em Alvalade ou em Guimarães).

Não me revejo nas manifestações contra a equipa que, pelo segundo ano consecutivo, alguns adeptos tiveram a infeliz ideia de fazer contra a equipa depois de estar consumada a perda do campeonato. Primeiro, porque o tempo útil de qualquer tipo de pressão psicológica já havia ido há muito tempo, depois porque não partilho da ideia de que houve falta de empenho por parte dos jogadores. O que aconteceu após o empate a zero na Luz deixou a equipa abalada psicologicamente porque toda a gente ficou com a noção de que o campeonato estava perdido. E mesmo o 0-0 frente ao Benfica se deve em grande parte ao desgaste físico e psicológico que antecedeu o clássico. Acreditam que o resultado teria sido o mesmo naquele período de maior fulgor portistas, antes das lesões de Tello e Jackson? Por aqui se percebe a urgência que o Benfica sentiu em adiar a final da Taça da Liga contra o Marítimo para que o FC Porto não tivesse tempo para se recompor.

Em relação ao campeonato em geral, o segundo lugar deve-se em grande parte à inexperiência do treinador e do plantel. Por isso mesmo é fundamental manter o maior número de elementos do grupo actual, treinador incluído, para que não seja preciso recomeçar uma vez mais o processo de maturação. Principalmente porque, apesar da inexperiência, não havia muito o que fazer perante um cenário tão inclinado como foi esta Liga NOS. Bastava tirar as arbitragens da equação que o resultado tinha sido outro e de forma bastante clara. Toda a gente sabe isto, por isso não entendo a tendência de apontar noutras direcções.

17 de maio de 2015

Seja campeão você, se faz favor

Nota introdutória: por mais deprimente que tivesse sido o final de época do FC Porto, cheio de jogos sem chama desde a eliminação da Liga dos Campeões, nada muda o facto de que o 34.º campeonato ganho pelo Benfica tenha sido fruto de um trabalho dedicado das equipas de arbitragem em grande maioria dos jogos vencidos pelos encarnados e também em muitos dos que o FC Porto perdeu pontos. Ser campeão assim está ao alcance de uma qualquer Sporting, seja ele de Braga ou até Clube de Portugal. Mérito do Benfica? Pouco ou nenhum.

O primeiro grande derrotado da época é Rui Cerqueira. Durante a primeira volta, enquanto que ia sofrendo na Liga dos Campeões, o Benfica foi sendo empurrado à força toda pelas equipas de arbitragem enquanto o FC Porto ia sofrendo uma força no sentido inverso, que redondou em resultados como o 1-1 em Guimarães. O que fez o FC Porto? Rigorosamente nada. O único que ia tocando no assunto das arbitragens era Lopetegui que, sem qualquer manto protector, está neste momento completamente desgastado e exposto perante uma comunicação social mais que tendenciosa e quase na totalidade pró-vermelho. O director de comunicação do FC Porto não pode ser uma figura decorativa e há que assumir que a estratégia de comunicação do clube falhou redondamente como vem, de resto, falhando há anos. Rui Cerqueira tem de assumir a mudança ou deixar o lugar. Tão simples quanto isto.

A SAD também tem de assumir culpas, até porque também eles são responsáveis pela estratégia de não-comunicação que o clube vive de momento. Parece que todos os responsáveis portistas vivem numa gruta da qual não saem em circunstância alguma. Mas, no caso dos dirigentes, o que menos importa é o que dizem, o problema encontra-se no que fazem. O plantel do FC Porto para esta época era bom? Sem dúvida, o melhor em Portugal. E o que ganhou? Nada, rigorosamente nada. Não acredito que haja titulares por decreto da SAD, mas é evidente que é aconselhado aos treinadores a olhar com outros olhos para determinados jogadores mediante o que o clube investiu neles. Adrián López foi sendo titular aqui e ali mesmo sem fazer nada que o justificasse; Herrera continua a ser dos mais utilizados mesmo não tendo qualidade ou características para jogar da forma como o FC Porto joga; ou mesmo Brahimi continuar como titular mesmo sem ter uma exibição positiva desde a vista ao terreno da Académica. Esta politica de tentar forçar valorizações de jogadores tem de acabar imediatamente. Têm de ser os titulos conquistados o principal foco do clube e o grande factor de valorização de activos.

Lopetegui começou mal e abusou nas trocas constantes no onze. Aqui e ali podem ser atribuídas responsabilidades a isso nas mas exibições e/ou maus resultados, mas há que manter presente que se trata(va) de uma treinador com pouca experiência e com conhecimento deficiente do campeonato português, sendo prova disso mesmo a decisão de rodar a equipa no jogo da Taça de Portugal contra o Sporting ou no jogo do campeonato na visita ao Estoril. Falhou a tão celebre estrutura que deveria ter aconselhado, preparado e protegido melhor o treinador em diversas situações. Apesar da parte dele de responsabilidade numa época em branco, convém relembrar que foi o único que deu a cara pelo clube durante todo ano sendo agora ele quase o único alvo de chacota por parte do universo benfiquista e bombo da festa do campeonato.

Os jogadores fizeram o que sabiam e, como todos, tiveram falhas mas fizeram mais do que o suficiente para vencer o campeonato. Também eles foram vítimas das arbitragens vergonhosas que levaram o Benfica ao colo o ano inteiro e também da falta de reacção do clube que representam e cujos responsáveis passaram o ano inteiro preocupados com as eleições na LPFP e com o que a FPF fazia ou deixava de fazer em vez de se preocuparem com o roubo de que o FC Porto sofreu. É muito fácil exigir brio aos jogadores e agora vir dizer que faltou mística e mais não sei quê nesta recta final, mas a realidade é que nada foi feito em tempo útil por quem de direito para evitar este desfecho.

O FC Porto tem agora um par de meses para começar a resolver os problemas internos que resultaram na disfuncionalidade de vários sectores nos últimos anos. A reconstrução do plantel passa a ser secundária quando o clube deixou de ter vontade de vencer desde que inaugurou o museu. Há quem afirme que o acordo de cavalheiros proposto por Luís Filipe Vieira a Bruno de Carvalho para a divisão de campenatos entre leões e águias foi rejeitado pelo Sporting mas aceite pelo FC Porto em termos semelhantes. Perante tanta passividade, já não sei em que acreditar.

11 de maio de 2015

É por isto que eles te querem ver pelas costas...

«Esse tipo de declarações não me surpreende. O que se passa é que o treinador do Benfica fala muito, fala muita vezes, fala o que quer e sobre todos. Tenho o máximo respeito por todos os meus companheiros de profissão, todos, e tinha também por ele. Mas perdi esse respeito quando ele foi contradizer-se em declarações a um jornal, contando de forma errada o que eu lhe tinha dito, quando ele tinha dito que eram coisas de futebol. Parece-me, para alguém com a experiência que tem e com esta profissão, que revelou uma enorme falta de categoria. Ele costuma falar de todos, de como as equipas jogam ou devem jogar... Mas fala debaixo de um manto protetor, mas no dia em que deixar esse manto protector conhecerá a realidade. Atenção, o Benfica é uma excelente equipa, tem excelentes jogadores, mas sem esse manto protector não passou a fase de grupos da Liga dos Campeões. É verdade que perdemos aqui e empatámos em Lisboa, mas até acho que fomos superiores nos dois jogos. O mundo é mais bonito quando tens um manto protector. Mas todos são mais bonitos quando têm um manto protector ou têm 90 por cento do eco social a favor, vendo só uma cor. Estarei sempre aqui para defender o meu clube daquilo que tiver de defender, por vezes de forma mais desagradável. Mas será sempre dizendo a verdade. Por vezes, posso estar enganado, mas será sempre acreditando que digo a verdade»

...e é por isso que tens de ficar.

Há verdades inconvenientes.

26 de abril de 2015

Táctica a mais para vontade a menos

E assim se perde um campeonato que devia ter sido ganho facilmente.

25 de abril de 2015

O hora da verdade

Toda a gente sabe o que o clássico desta jornada implica para o FC Porto e por isso não vou perder muito tempo a escrever sobre ele a não ser para dizer o normal - não espero nada mais do que uma equipa portista na máxima força e uma vitória para alcançar o Benfica em número de pontos e, se possível, com diferença de dois golos. O que me parece mais tema de conversa é esta necessidade que a generalidade da comunicação social - não toda, apenas a maioria - sentiu em associar este jogo à continuidade de Lopetegui como treinador do FC Porto. Parece que de um dia para o outro se passou a decidir a competência de um treinador em 90 minutos...

Antes de qualquer outra teoria elaborada por mim, parece-me óbvio que Lopetegui só não continuará se assim o entender. A razão disto é muito simples: o FC Porto não pode estar sistematicamente a começar o processo de adaptação e/ou aprendizagem do treinador e plantel se quer voltar a dominar o futebol em Portugal. É evidente para qualquer um que o basco não teve uma arranque muito feliz, com constantes invenções onde demonstrou uma clara falta de conhecimento da realidade portuguesa, mas a verdade é que sem campos inclinados a situação já estaria resolvida e o campeonato controlado. Desde que acabaram as experiências que o FC Porto tem feito uma campanha de bom nível e que em nada justificaria a saída de Lopetegui do comando da equipa a não ser, claro está, pela ideia parva pré-concebida de que treinador que não é campeão tem de sair.

A receita é simples e há muitos anos que vai resultado: a comunicação social lança o isco e logo se vê o que acontece. Lamentavelmente, alguns portistas continuam a morder o anzol e assim começa a desestabilização quando nada o justifica e, em semana de clássico, não há "melhor" do que isso. Acredito que não é difícil perceber que existam forças a querer o espanhol bem longe, até porque ele faz questão de meter o dedo nas feridas, mas ver portistas a desejar o mesmo só porque sim é ridículo. Lopetegui está para ficar e quanto mais rápido as pessoas aceitarem isso melhor será.

22 de abril de 2015

Eutanásia

Competência, Paixão, Ambição e Rigor. Segundo Pinto da Costa são estes os pilares que suportam o sucesso do FC Porto. Apenas estando os quatro bem fortes é possível contrariar quando outros factores fundamentais falham. Esses factores são a sorte e a experiência. O facto de o Bayern de Munique ter passado a eliminatória com um total de 7-4 quando no final do primeiro jogo perdia por 1-3 deve-se em grande parte a sortes distintas para as duas equipas e numa falta gritante de experiência no grupo portista, mas primeiro quero focar-me nos factores que o FC Porto pode controlar.

A ausência de Alex Sandro e de Danilo em simultâneo eram evitáveis e não há como contornar essa questão. Neste caso faltou rigor a Lopetegui que, como tive oportunidade de aqui alertar no passado 19 de Novembro, não geriu a questão disciplinar do plantel e, como tal, teve que se sujeitar ao factor sorte que, como já sabemos, não quis nada com o FC Porto neste caso. O que me deixa frustrado não é o facto da situação ter sido mal gerida, mas sim o facto de não ter sido gerida de todo. O assunto foi sendo varrido para debaixo do tapete e terminou com Reyes, que nem inscrito foi na fase de grupos tal é a confiança que o treinador deposita nele, a jogar como lateral direito no jogo mais difícil de toda a época. Talvez aqui tenha havido alguma falta de competência, porque com dois jogadores rotinados na linha como estão Maicon e Ricardo, não havia necessidade de inventar um lateral em quatro ou cinco treinos. As bolas paradas defensivas sempre foram um ponto fraco deste FC Porto e um golo em cada mão na sequência de um canto em muito ajudaram neste desfecho.

A ambição, bem presente durante a primeira mão, parece que não foi incluída na bagagem para a Alemanha. Uma entrada a medo e com pouca personalidade por parte dos Dragões permitiu ao Bayern de Munique dominar por completo e marcar golo atrás de golo. E aqui é que fazia falta muita paixão mas também muita calma e experiência. Após o 2-0 era fundamental que os jogadores do FC Porto percebessem que, de forma a poder continuar a lutar pela eliminatória, tinham de conseguir cortar o ritmo ao jogo para chegarem vivos ao intervalo. Não foi o que aconteceu e com 5-0 no marcador só um milagre tirava o Bayern das meias-finais. Olhando friamente a tudo o que não foi apresentado pelo treinador e pela equipa, quase se pode dizer que o FC Porto se entregou voluntariamente para morrer.

O factor Sorte

Mesmo dentro da sorte há várias variantes. Por exemplo, o golo de Müller que bate no defesa portista e trai Fabiano em contraste com o remate de Boateng para a própria baliza ainda na primeira mão que acabou com uma enorme defesa de Neuer. Mas não foi só por aqui que o FC Porto teve azar. Faltou um árbitro que tivesse tomates para expulsar o guarda-redes do campeão alemão ainda no primeiro minuto de jogo, ou que tivesse tomates para expulsar o lateral-esquerdo da mesma entidade logo no arranque do segundo tempo do jogo no Dragão, ou que mais tarde fizesse o que a lei manda e mostrasse o amarelo a Boateng que o impediria de jogar na segunda mão. Não é o caso de qualquer uma destas decisões não poder ser aceite de forma isolada, mas quando se comparam com os lances que tiraram Danilo e Alex Sandro do jogo na Alemanha percebe-se aqui um padrão. Padrão esse que foi mantido pelo árbitro inglês em Munique. Jackson vê cartão amarelo por alegada simulação quando sofre falta clara, mas Götze passou o jogo a mergulhar sem consequências e Badstuber foi o único jogador da casa a ver cartão amarelo e para isso teve de fazer uma falta para vermelho directo. Mas o melhor ainda estava para vir. Bastou o FC Porto marcar um golo, o 6-4 na eliminatória naquele momento, e logo depois ameaçar o 6-5 para que o árbitro assumisse o papel de defensor da equipa da casa para no espaço de 10 minutos perdoar nova expulsão a Badstuber, inventar duas faltas ofensivas ao ataque portista e à primeira oportunidade expulsar um jogador do FC Porto.

O FC Porto não morreu aqui, longe disso. Mas o meu maior lamento vai para o facto de a experiência acumulada nesta eliminatória por treinador e jogadores em pouco ou nada vá ser aproveitada pelo FC Porto. Isto porque na próxima época voltaremos a ter meia equipa nova e aqueles que muito cresceram nestes jogos estarão a jogar por aqueles que têm todos os anos €500 milhões para gastar e que quando confrontados com a perda de jogadores fundamentais têm um qualquer Carballo ou Atkinson a repor a ordem natural das coisas. E quando assim é nem toda a competência, toda a paixão, toda a ambição e todo o rigor do mundo são suficientes. Quanto mais sem nada disto.

20 de abril de 2015

Que defesa esperar em Munique?

"Logicamente que temos de fazer alterações, amanhã verei", foi assim que Lopetegui respondeu à pergunta sobre os substitutos dos castigados Alex Sandro e Danilo. Embora não queira abrir o jogo, é fácil prever que o treinador espanhol fará alinhar Indi como defesa-esquerdo, ficando apenas a questão de quem, juntamente com Maicon e Marcano, completará a defesa azul-e-branca - Reyes ou Ricardo? A resposta não é fácil e neste momento apenas Lopetegui a poderá dar. Certo será apenas que, seja qual for o escolhido, o FC Porto terá uma linha defensiva inédita frente ao Bayern de Munique.

Caso não queira desfazer a dupla que mais garantias tem dado - Maicon/Marcano -, o treinador portista deverá apostar em Ricardo como lateral-direito. Essa possibilidade é mesmo a mais provável segundo os especialistas, mas o jogo frente à Académica trouxe um dado novo: Lopetegui levou Marcano para o banco e decidiu dar-lhe cerca de meia hora de jogo ao lado de Reyes. Poderá significar isso que poderá ser essa a dupla de centrais para a segunda mão dos quartos-de-final? Se for esse o caso, Maicon será deslocado para a direita da defesa. Embora o brasileiro já tenha desempenhado a tarefa por várias vezes com Vítor Pereira no comando, seria a primeira vez sob as ordens de Lopetegui. E não foi por falta de oportunidades para o fazer, uma vez que contra o Basileia e o Sporting Maicon estava em campo quando Danilo foi substituído por lesão e as escolhas para fechar à direita recaíram sobre Alex Sandro e Indi, respectivamente.

A hipótese Herrera

Embora menos provável, há quem avance com a hipótese de ser o médio mexicano a fazer de Danilo. Não sendo um cenário descartar por completo, este afigura-se como uma solução mais remota. A derivação de Herrera para a defesa implicaria mexer num segundo sector da equipa, o meio-campo, que teve um papel fundamental na vitória por 3-1 no jogo da primeira mão. Lopetegui não deverá querer desfazer o trio que o camisola 16 forma habitualmente com Casemiro e Óliver, mas caso decida fazê-lo surgirá nova dúvida: quem jogará a meio-campo? Rúben Neves? Evandro?

Todas estas perguntas serão respondidas apenas quando faltar cerca de uma hora para o início do jogo, até lá todos os cenários serão possíveis. Casemiro no centro da defesa passando Maicon para a direita, Indi à direita com Reyes à esquerda ou vice-versa, uma defesa com três centrais reforçando o meio-campo com mais um elemento, ou até jogar com apenas dois avançados para colocar mais um médio no auxilio a Ricardo caso este jogue como titular na lateral direita. São estes alguns dos cenários avançados até ao momento por portistas e/ou opinadores. Haja imaginação!

18 de abril de 2015

Hernâni com cheirinho a Hulk

Num jogo que antecede os dois que prometem ser o mais difíceis da época até ao momento, o FC Porto venceu a Académica por apenas 1-0. Digo "apenas" porque houve ocasiões para um resultado bem mais dilatado e em quase todos eles o protagonista foi o mesmo: Hernâni. O extremo contratado ao Vitória de Guimarães em Janeiro foi uma ameaça constante para a baliza visitante e começou desde já a levantar o véu sobre o que poderá ser o futuro do FC Porto. Sem medo de enfrentar o marcador directo, com velocidade para deixar qualquer um para trás e com técnica para fazer a diferença, o novo camisola 17 fez por momentos lembrar o Incrível Hulk.

Quanto ao jogo propriamente dito, Lopetegui já o tinha ganho ainda antes de ter começado. A escolha arrojada de poupar a totalidade da equipa mais utilizada deve ser aplaudida  por todos os portistas, mesmo que isso significasse nova perda de pontos. Porquê? Porque terça-feira há jogo em Munique e havia o risco de perder jogadores fundamentais por lesão, porque os que jogassem iam estar com a cabeça nesse jogo e o desgaste físico continuaria a ser acumulado. Por tudo isto e porque este campeonato só será ganho pelo FC Porto por milagre. Não porque a equipa não tenha feito tudo para o vencer ou porque não o mereça, mas sim porque simplesmente não é suposto isso acontecer e os acontecimentos recentes, quando cruzados com tudo o que já aconteceu esta época, demonstram isso mesmo.

O FC Porto abordou a Académica no sentido de adiar este jogo para dia 29 deste mês, ou seja, três dias após a visita à Luz. Com isso o FC Porto ganharia apenas tempo para preparar a segunda mão da eliminatória com o Bayern de Munique, sendo que quatro dia depois desse jogo está marcado o embate com o Benfica. A Académica, em teoria, até lucraria com o adiamento, uma vez que apanharia os Dragões após dois jogos de intensidade máxima. Mas como o FC Porto não deve ter o contacto das pessoas certas, que conseguiram em menos de 24 horas alterar a data de uma final, viu-se forçado a disputar este jogo entre os embates com o campeão alemão. A decisão da LPFP em não aceitar o pedido foi vergonhosa e merecia uma reacção bem mais forte do que apenas as palavras de Lopetegui.

Hoje o FC Porto foi colocado perante dois cenários: jogar com os habituais titulares e prejudicando assim a capacidade de luta que será precisa para concretizar uma eventual passagem às meias-finais da Champions; ou jogar com uma equipa de reservas, como foi o caso, sob pena de poder sofrer um mau resultado que, felizmente, não se verificou. Lopetegui teve a coragem de escolher a segunda e a sorte de ser feliz com ela.

A Académica saiu do Dragão derrotada por apenas 1-0 quando em condições normais teria sofrido uma goleada, veremos se esta tão magra vitória portista não terá influência nas contas futuras deste campeonato.

16 de abril de 2015

É triste ser bipolar é maravilhoso

Penso não exagerar quando digo que este resultado supera as expectativas da maioria dos adeptos mais optimistas. E olhando ao que foi o jogo, a haver mais golos o normal seria que estes fossem para o FC Porto. O Bayern não contava com um adversário tão bom na pressão alta e tão solidário a defender e acabou por sofrer dois golos nos minutos iniciais na sequência dessa tal pressão alta. Talvez os alemães se tivessem deixado enganar pela classificação na liga portuguesa, mas por cá todos sabem que isso é uma história muito mal contada e o FC Porto tem aproveitado a Liga dos Campeões para o gritar ao mundo.

Quaresma marcou os dois primeiros e, aliando isso à grande exibição conseguida, é justo que receba o prémio de homem do jogo. No entanto, para mim o jogador-chave deste FC Porto é Jackson Martínez. Vindo de uma lesão muscular, o colombiano fez tudo aquilo que já nos habituou: correu, lutou, defendeu, construiu jogo e marcou. O capitão dos Dragões é um verdadeiro one man show e com esta exibição acabou de assegurar a próxima venda milionária para o FC Porto. Se é que ainda restassem dúvidas a alguém, claro.

Aceito com facilidade que Neuer tenha visto apenas o cartão amarelo no lance do penálti, mas custa-me que tenha sido poupado o segundo amarelo a Bernat quando agarrou Quaresma ou o amarelo a Boateng - que falharia o jogo da segunda mão - com a mesma facilidade com que não poupou Danilo. Mais do que influenciar este jogo, o árbitro espanhol já conseguiu influenciar toda a eliminatória. Mas até para isto o FC Porto tem sido bem trabalhado nas competições domésticas e por isso há que agradecer a Cosme Machado e companhia.

E com uma vitória por 3-1 contra o todo poderoso Bayern de Munique voltou a euforia em torno da equipa. Bastou consultar as redes sociais por cinco minutos para perceber que Lopetegui voltou a ser o maior, que afinal os emprestados são mais-valias para a equipa e que quando chove é porque não está sol. Lamento que as pessoas se esqueçam que o FC Porto que segue invicto na Liga dos Campeões é o mesmo que passa por dificuldades a nível interno e que muitas delas não podem ser controladas nem pelo clube, nem pelo treinador, nem pela equipa.

11 de abril de 2015

O parente pobre

As vozes que se levantam contra Tozé são cada vez mais. Ou porque não devia ter feito isto, ou porque devia ter feito aquilo, ou porque não sabe o que é ser Porto, ou porque é uma pessoa de estatura baixa, ou porque não é digno de representar o FC Porto. É um mau portista porque na primeira volta jogo bem contra a equipa onde foi formado e, como tal, é bem que não volte ao Dragão. Grande portista é, por exemplo, o André Simões que partilhou uma foto dele próprio no meio dos portistas no Bessa. Claro que dias antes foi expulso por estupidez e com isso entregou de bandeja uma vitória ao Benfica. Mas isso não interessa, é grande portista e acabou. Esse é que é o exemplo a seguir. Adiante...

Quem acompanhava a equipa B do FC Porto enquanto o Tozé lá jogou sabe muito bem que o então número 70 era com alguma distância o melhor jogador mas que mesmo assim nunca foi muito levado a sério pelo clube. Mesmo na selecção de sub-21, onde joga sempre a bom nível, as preferências do seleccionador vão para outros jogadores, mas quando é chamado a jogar nota-se nele aquela sensação de achar ser o parente pobre que raramente convivia com a família mais abastada. Mesmo sendo formado no FC Porto, joga no modesto Estoril quando vê colegas, alguns deles com bem menos talento, a jogar em clubes da primeira divisão de Espanha ou França, ou até em clubes portugueses como o Sp. Braga ou o Sporting.

Tozé joga neste momento no Estoril com um sentimento de revolta, de querer mostrar a toda a gente que merece mais e melhor. Que melhor oportunidade para o fazer do que contra a equipa que o emprestou? Eu continuo a achar que o FC Porto fez bem em colocá-lo a ganhar ritmo de jogo numa equipa que até disputou a Liga Europa, mas não critico o jogador por achar que tinha lugar numa equipa melhor ou até quem sabe no plantel portista.

Repito o que já afirmei no passado: espero que a SAD não decida queimar este jogador só para agradar aos adeptos. Jogadores com a fibra do Tozé são difíceis de arranjar e, como o próprio já mostrou, movido pelo combustível certo é um jogador que faz a diferença. Desde quando é que os portistas deixaram de apreciar quem deixa tudo em campo?

9 de abril de 2015

O casamento perfeito

A eliminação do FC Porto na Taça da Liga teve o condão de revelar duas coisas: a incompetência da LPFP e o romance vivido há vários anos entre Benfica e Marítimo. Qualquer um dos casos não será novidade para ninguém, mas não deixa de ser curioso que não se desperdice uma oportunidade para o comprovar.

Como é sabido por todos, a Taça da Liga tinha a final marcada para o fim-de-semana onde o FC Porto vai à Luz para defrontar o Benfica em jogo do campeonato. Como já disse aqui, os portistas acabariam por beneficiar com esse afastamento da prova, uma vez que ganhavam vários dias de descanso após o jogos da segunda mão da Liga dos Campeões. Claro que isso não podia ser e toca lá a adiar, de forma inédita, a final para depois de terminado o campeonato. Não sei que "caso fortuito ou de força maior" (é nestes moldes que no regulamento se fala na possibilidade de adiar um jogo na Taça da Liga) foi invocado pelos clubes para pedir a alteração da data, mas o que é certo é que foi prontamente aceite pela LPFP e, em menos de 24 horas após ser conhecido o segundo finalista, era anunciada a alteração do dia da final. Recordo que o dia 25 de Abril estava escolhido desde o inicio e, diga-se o que se disser, toda a gente sabia que nesse fim-se-semana havia o Benfica-FC Porto. Não é difícil de concluir que o motivo de força maior neste caso seria mesmo dar três dias de descanso ao FC Porto e tirar outros tantos ao Benfica.

A posição do Marítimo no meio disto tudo então é mesmo a mais ridícula de todas - porque os encarnados limitam-se a defender os respectivos interesses -, mas vinda de um clube cujo presidente já afirmou no passado que não tinha qualquer intenção de prejudicar o Benfica na luta pelo primeiro lugar nem surpreende. O que é certo é que os madeirenses perderam a oportunidade de defrontar um adversário com a cabeça no jogo do titulo, que teriam daí a uns dias, a troco de nada. De nada digo eu, mas o futuro tratará de comprovar que estou redondamente enganado.

8 de abril de 2015

Regressos importantes


Alguém que já tenha perdido mais do que cinco minutos a tentar assimilar tudo o que tem acontecido esta época certamente terá chegado à conclusão que o mais certo é que todos os acontecimentos estranhos tenham uma justificação paranormal. De que outra forma se pode explicar tantos infortúnios nas decisões da arbitragem que não com o alinhamento dos astros? Há alguma base científica que suporte uma qualquer teoria sobre a permanente ausência por lesão de um dos jogadores fundamentais? Alex Sandro foi o primeiro, depois Casemiro, Óliver já passou pela enfermaria por duas vezes, Danilo levou com o Fabiano em cima e acabou inconsciente no relvado, Jackson lesionou-se (!) sozinho, Maicon anda se entorse em entorse e agora foi Tello. E nem falo do Adrián López ou do Quintero. A verdade é que Lopetegui teve quase sempre alguém indisponível e a sorte nunca protegeu o FC Porto em momentos de desinspiração. Alguém se lembra de uma qualquer vitória portista sem saber ler nem escrever? E de um pontinho que fosse obtido com um erro da equipa de arbitragem? A concorrência certamente que não terá queixa de nenhuma das situações...

O que é certo é que, apesar de tudo isso, o FC Porto ainda está na luta e apareceu novo desafio: é preciso alguém substituir Tello. O espanhol lesionou-se na altura em que assumiu o estatuto de indiscutível e ainda não é sabido o tempo de paragem. Quintero e Adrián eram as hipóteses mais remotas ao lugar, Hernâni e Quaresma as mais prováveis. Frente ao Estoril a escolha de Lopetegui foi precisamente o camisola 7 e os resultados foram esclarecedores: dois golos, duas assistências e o prémio de MVP.

O Harry Potter passou com distinção no primeiro teste e agarrou o titularidade para a fase mais importante da época, provando o treinador, aos adeptos e, acima de tudo, a ele próprio que ainda é capaz de levantar o estádio com uma jogada de mestre ou com um cruzamento milimétrico. A dias de poder voltar a contar com Jackson, quem agradece é Lopetegui e o próprio FC Porto. Veremos se nesta recta final regressa também a pontinha de sorte que em 2014/2015 ainda não deu sinais de vida.

4 de abril de 2015

Imagine

Imagine uma equipa do FC Porto que pudesse contar com a garra e o portismo de jogadores experientes como Vítor Baía, Jorge Costa, Secretário, Rui Barros, Domingos, Capucho e Folha. Imagine que a esses jogadores se acrescentavam jovens oriundos das camadas jovens com vontade de se afirmar, como por exemplo aconteceu com Ricardo Carvalho, Ricardo Costa e Hélder Postiga, assim como jogadores portugueses que muito prometeram em outros clubes, tais como Ricardo Silva, Cândido Costa e Jorge Andrade. Para terminar, imagine que a todos estes se acrescentavam estrangeiros de valor inquestionável como Jardel, Drulovic, Aloísio, Alenitchev e Deco. Quanta mística não estaria presente naquele balneário, o portismo seria vivido por todos no dia-a-dia do clube, toda a gente entraria em campo com vontade de dar o máximo e a falta de atitude nunca seria um problema.

Não precisa de imaginar mais, porque estes jogadores representaram mesmo o FC Porto algures entre 1999/2000 e 2001/2002, tendo conseguido perder os três campeonatos para Sporting, Boavista e novamente Sporting. Pelo meio, ganharam duas Taças de Portugal e uma Supertaça.

Por isso, da próxima vez que o FC Porto não vencer, é desnecessário voltar à cassete da mística e da falta de amor à camisola, porque muitos daqueles que agora são a bandeira dos valores portistas estiveram presentes na maior seca do clube desde que Pinto da Costa assumiu a presidência.

Curiosamente, muitos deles estavam ainda no clube e foram pedras-chave nas conquistas europeias de 2003 e 2004, servindo de prova que por vezes só é preciso dar tempo ao tempo. E este FC Porto precisa de tempo, não precisa de conversas da treta em volta dele.

3 de abril de 2015

Aproveitando o mau momento

Após o apuramento para os quarto-de-final da Liga dos Campeões, altura em que FC Porto vivia uma série fantástica de bons resultados e bom futebol, tendo somado oito vitórias e um empate (1-1 em Basileia) nos nove jogos após a derrota frente ao Marítimo, teria sido demasiado fácil dizer isto: ainda que seja uma época sem qualquer conquista no Dragão, não ficarei revoltado com nenhum dos jogadores nem com Lopetegui. Mesmo à SAD, que fez um bom trabalho ao formar um plantel com muito talento, só lhe aponto a passividade com que (não) se manifestou contra os factores externos que impediram a equipa de estar agora melhor classificada.

Por isso prefiro dizê-lo agora, para não passar a ideia de que avalio as competências de quem representa o meu clube ao sabor do vento. Hoje seria bem mais fácil, como se pode ver por qualquer outro blog portista, apontar o dedo a tudo e todos.

Sejamos sinceros, o que aconteceu ontem na Madeira foi muito mau e vem no seguimento de outros dois jogos que deixaram muito a desejar - a vitória por 1-0 frente ao Arouca e o empate 1-1 contra o Nacional -, mas também só com muita qualidade, empenho e também bastante sorte foi possível chegar lá. Era suposto o FC Porto ficar pelo caminho mais cedo e a armadilha montada em Braga tinha essa finalidade.

A eliminação na Taça de Portugal também teve dedo externo, mas como nesse jogo Lopetegui decidiu recorrer à famosa rotatividade, a comunicação social aproveitou isso para justificar a vitória do Sporting. Ainda não percebi porquê, mas para avaliar os jogos do FC Porto impera a regra que diz que caso exista um erro de um ou mais jogadores e/ou do treinador, os erros da arbitragem passam para segundo plano por mais graves que sejam.

No campeonato é que não vale mesmo a pena enumerar erros porque está à vista de todos. Só com muitos pontos oferecido por terceiros é que o Benfica se pode dar ao luxo de ser líder mesmo jogando da forma que joga em muitos dos jogos. O FC Porto, como qualquer equipa formada praticamente do zero, vai tendo altos e baixos - e está a passar neste momento um desses baixos - mas em condições normais estaria neste momento a gerir a vantagem para o segundo classificado.

Dito isto, importa também deixar algumas ideias sobre o que foi 2014/2015 e o que tem de ser 2015/2016. Especialmente para Lopetegui.

A última equipa campeã do FC Porto é um perfeito contraste da actual. Se em 2012/2013 víamos um colectivo forte, em que toda a gente sabia o que fazer e quando o fazer, um equipa de acção em vez de reacção e onde faltava alguma espontaneidade no ataque, este ano temos uma equipa que parece viver em demasia das individualidades. Não é coincidência o facto de os melhores períodos desta época tenham coincidido com os picos de forma de Brahimi e mais tarde de Tello. Não é menos coincidência que a ausência de Jackson esteja a coincidir com um período em que os Dragões estão com muitas dificuldades para conseguir bons resultados.

Assim sendo, torna-se prioritário que Lopetegui assuma isto e que na próxima temporada comece cedo a trabalhar a equipa para que esteja menos dependente das individualidades. Até porque Danilo já se foi e Jackson deve ir pelo mesmo caminho. Se este ano houve uma tolerância maior pelo facto de Paulo Fonseca ter desfeito por completo o plantel e porque houve menos pré-época em virtude da participação na pré-eliminatória da Champions, a partir do próximo defeso a exigência em cima do treinador basco será maior.

Lopetegui mostrou nos primeiros meses algum desconhecimento da realidade portuguesa e isso atrasou a evolução da equipa. Os excessos cometidos nas trocas no onze titular foram o principal erro que entretanto parece já ter sido corrigido, apesar do próprio continuar a negá-lo. Falta agora solucionar o jogo colectivo sofrível e a forma deficiente como a equipa gere as bolas paradas ofensivas e defensivas. Trabalho que deve começar a ser feito imediatamente, para que 2015/2016 comece e termine da melhor forma possível.

Esta época deve ser encardo por todos os portistas como sendo o Ano Zero e que só não tem tido melhores resultados porque a equipa tem jogado em terreno minado. A grande maioria dos jogadores mostraram ter grande talento e serem excelentes profissionais, enquanto o treinador mostrou competência e capacidade de evolução, confirmando assim a confiança de Pinto da Costa e garantindo pelo menos mais uma época no comando do FC Porto. A única coisa que vai mudar mal termine a presente temporada será os níveis de exigência, acabe ela como acabar.

2 de abril de 2015

Não foi só a Taça da Liga que o FC Porto perdeu na Madeira

A derrota por 2-1 frente ao Marítimo não foi o único acontecimento negativo de hoje. Aliás, fazendo fé na mensagem que o clube faz questão de passar aos adeptos, esta competição é indiferente ao FC Porto, tornando esta eliminação tão grave como uma derrota num qualquer jogo amigável.

Assim sendo, há coisas que deviam ser justificadas e clarificadas por parte do treinador e dos responsáveis e azuis-e-brancos. Se a Taça da Liga não é prioritária, porque motivo alinharam tantos habituais titulares? Se era para passear, porque razão não jogaram os menos utilizados? Que justificação existe para ter rodado a equipa completamente em Braga e apenas parcialmente na Madeira? Será o Marítimo assim tão mais forte que o Sp.Braga? O que aconteceu ao FC Porto no pós-Basileia? A equipa só pensa agora na Liga dos Campeões?

Este jogo, assim como esta competição, devia ter servido para utilizar os mais jovens e os menos utilizados. "A Taça da Liga será na próxima época uma competição de enquadramento de formação e experimentação, associando a formação ao futebol profissional. Para o ano não será objectivo a nível de conquista", disse André Villas-Boas em 2011 antes de sair do clube. E é assim, de forma planeada e organizada, que o FC Porto deve agir. Andar a alterar os planos todas as épocas, ao sabor do vento ou da vontade de quem calhar, às vezes já com a temporada a meio, não tem sido definitivamente a melhor solução.

Prestes a iniciar um ciclo de exigência máxima, esta derrota, além de ter oferecido de mão beijada mais um troféu ao Benfica, serviu ainda para desmotivar o plantel e começar já o desgaste de jogadores importantes. Maicon, Marcano, Casemiro, Óliver e Aboubakar foram à Madeira "perder" 90 minutos. Não tão grave foi a utilização de Tello e Brahimi, que se ficaram pelos 33 e 24 minutos respectivamente.

Continuam os problemas nas bolas paradas defensivas e, uma vez mais, ficaram expostas a debilidades da marcação homem-a-homem. Lopetegui tem de repensar estas situações o quanto antes.

Para terminar, fica um aviso. Com a Taça da Liga marcada para dia 25 de Abril desde o início da competição, data que a LPFP sabia coincidir com a da 30.ª jornada do campeonato, o FC Porto ficou agora com o fim-de-semana livre após a eliminatória com o Bayern de Munique. Até agora ninguém ouviu falar da possibilidade de adiar a final e que, caso os Dragões tivessem eliminado o Marítimo, haveria um Benfica-FC Porto a 25 de Abril a contar para a Taça da Liga, seguido de novo Benfica-FC Porto para o campeonato no dia 29 do mesmo mês. Agora que o FC Porto tem a clara possibilidade de tirar proveito desta situação, uma vez que ganha vários dias de descanso antes do clássico que pode decidir o campeonato, não demorará muito até que se comece a falar no possível adiamento da final da Taça da Liga. Aguardem.

1 de abril de 2015

A venda de Danilo

O comunicado à CMVM deixou imediatamente de lado qualquer hipótese de se tratar de uma brincadeira tradicional de dia 1 de Abril. Danilo será mesmo jogador do Real Madrid em 2015/2016, uma vez que os espanhóis se chegaram à frente com uma proposta praticamente irrecusável: €31,5 milhões. Mas já aqui voltamos, primeiro gostaria de deixar algumas palavras sobre o ainda número 2 do FC Porto.

Contratado ao Santos em Junho de 2011, Danilo demorou ainda cerca de meio ano até chegar ao Dragão uma vez que o Peixe conseguiu convencer a SAD portista a adiar-lhe a vinda para Portugal até Janeiro de 2012, contando assim com o lateral para o Mundial de Clubes. Uma vez ao serviço do FC Porto, começaram os problemas. Uma lesão frente ao Manchester City obrigou o lateral a uma paragem algo longa e atrasou-lhe a adaptação ao futebol europeu. Regressado à competição, demorou algum tempo até chegar a um nível considerado aceitável pelos portistas que, prontamente e com a ajuda da comunicação social, lhe colocaram o rótulo de "Senhor 18 Milhões".

Nunca antes em Portugal se tinha feito e não mais se voltou a fazer esse exercício com qualquer jogador. Danilo é mesmo o único até à data de hoje que teve a honra de ver os valores absurdos pagos pela intermediação do negócio e o prémio de assinatura somados ao valor do passe. E, fruto dos valores pornográficos para um clube português que a SAD decidiu oferecer por ele, quem sofreu a exigência absurda dos adeptos foi o jogador.

Claro que agora toda a gente fala no Super-Danilo que desde a época passada voa pelo lado direito do FC Porto, mas poucos são aqueles que podem dizer que viram nele um grande jogador desde o início. E duvido que alguém admita já ter afirmado com todas as letras que o valor investido no passe era irrecuperável. Quem o disse - estamos a falar de milhares de pessoas - enganou-se por completo e Danilo não só deu retorno financeiro, como também desportivo e humano. É fácil concluir que foi uma aposta ganha pela SAD.

Dito isto, não há como fugir à questão. Deve o FC Porto voltar a insistir em negócios desta escala? A resposta é óbvia: não. Não é por uma ou outra vez uma situação de risco ter corrido bem que se pode tornar num hábito. A realidade portuguesa não permite que um clube tenha tanto dinheiro em jogo com um único jogador. As hipóteses de correr mal são tantas que aconselham à prudência.

Para terminar deixo um aspecto importantíssimo. Recentemente tive conhecimento através do Tribunal do Dragão que a partir de hoje, dia 1 de Abril, ficaria imposto um tecto máximo de 3% sobre o valor da transferência para o valor a ser recebido pelo(s) intermediário(s). Danilo foi vendido ontem e não me parece que a data do fecho do negócio tenha sido inocente. A confirmar no próximo Relatório & Contas...

31 de março de 2015

O presidente da APAF está vivo!

José Fontelas Gomes, estimado presidente da tão nobre instituição APAF, encontra-se vivo, aparentemente bem de saúde e, ao que tudo indica, não tem problemas em ver o canal que este ano parece ser o da concorrência da entidade que preside, uma vez que foi dos primeiros a reagir à entrevista concedida por Lopetegui ao Porto Canal. E o que terá dito de tão grave o treinador do FC Porto de tão grave para ter motivado Fontelas Gomes a exigir à Comissão de Inquérito e ao Conselho de disciplina uma sanção pesada, de forma a evitar que estas situações se repitam? Para quem ainda não leu ou ouviu, aqui ficam as palavras de Lopetegui:

«Tento ser rigoroso com o meu trabalho e respeitador com os outros. Árbitro é uma profissão de risco. Respeito o trabalho deles. É difícil mas acredito na competência. E temos de exigir competência, é isso que preserva a justiça da competição. Os árbitros não vão ganhar ou perder campeonatos, e não o devem fazer, porque isso têm de fazer as equipas. Mas, naturalmente, vão acontecer erros, como os cometem treinadores e jogadores. Num campeonato, os erros devem equilibrar-se, por lógica. Só respondi a perguntas sobre erros que estavam tremendamente desproporcionados. Não de forma voluntária, mas estavam. E só respondi a perguntas que são factos, nada mais.

Há árbitros muito bons em Portugal, é óbvio. Proença é dos melhores da historia do futebol mundial. Repito: só respondi a perguntas dos jornalistas. Nunca disse que nos quiseram prejudicar. Se acreditasse nisso, ia-me embora amanhã.»

O presidente da APAF acha que enfiando a cabeça na areia, calando que tem sido prejudicado de forma sistematiza, se termina com este tipo de situações. Além disso, ainda se permitiu ao luxo de afirmar que "não vale a pena estar a atirar pedras e não se olhar para a própria casa primeiro", deixando assim o recadinho ao treinador do FC Porto. Se calhar se o próprio Fontelas Gomes seguisse o conselho que deu a Lopetegui, as criticas às arbitragens fossem em menor número. Como? Com punições pesadas, não para quem é vítima e se queixa, mas sim para quem erra. Fica a ideia.

José Fontelas Gomes veio defender a sua dama, como diria Jorge Jesus. Só não sei se a dama APAF ou a dama Benfica. Talvez ambas.