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18 de abril de 2015

Hernâni com cheirinho a Hulk

Num jogo que antecede os dois que prometem ser o mais difíceis da época até ao momento, o FC Porto venceu a Académica por apenas 1-0. Digo "apenas" porque houve ocasiões para um resultado bem mais dilatado e em quase todos eles o protagonista foi o mesmo: Hernâni. O extremo contratado ao Vitória de Guimarães em Janeiro foi uma ameaça constante para a baliza visitante e começou desde já a levantar o véu sobre o que poderá ser o futuro do FC Porto. Sem medo de enfrentar o marcador directo, com velocidade para deixar qualquer um para trás e com técnica para fazer a diferença, o novo camisola 17 fez por momentos lembrar o Incrível Hulk.

Quanto ao jogo propriamente dito, Lopetegui já o tinha ganho ainda antes de ter começado. A escolha arrojada de poupar a totalidade da equipa mais utilizada deve ser aplaudida  por todos os portistas, mesmo que isso significasse nova perda de pontos. Porquê? Porque terça-feira há jogo em Munique e havia o risco de perder jogadores fundamentais por lesão, porque os que jogassem iam estar com a cabeça nesse jogo e o desgaste físico continuaria a ser acumulado. Por tudo isto e porque este campeonato só será ganho pelo FC Porto por milagre. Não porque a equipa não tenha feito tudo para o vencer ou porque não o mereça, mas sim porque simplesmente não é suposto isso acontecer e os acontecimentos recentes, quando cruzados com tudo o que já aconteceu esta época, demonstram isso mesmo.

O FC Porto abordou a Académica no sentido de adiar este jogo para dia 29 deste mês, ou seja, três dias após a visita à Luz. Com isso o FC Porto ganharia apenas tempo para preparar a segunda mão da eliminatória com o Bayern de Munique, sendo que quatro dia depois desse jogo está marcado o embate com o Benfica. A Académica, em teoria, até lucraria com o adiamento, uma vez que apanharia os Dragões após dois jogos de intensidade máxima. Mas como o FC Porto não deve ter o contacto das pessoas certas, que conseguiram em menos de 24 horas alterar a data de uma final, viu-se forçado a disputar este jogo entre os embates com o campeão alemão. A decisão da LPFP em não aceitar o pedido foi vergonhosa e merecia uma reacção bem mais forte do que apenas as palavras de Lopetegui.

Hoje o FC Porto foi colocado perante dois cenários: jogar com os habituais titulares e prejudicando assim a capacidade de luta que será precisa para concretizar uma eventual passagem às meias-finais da Champions; ou jogar com uma equipa de reservas, como foi o caso, sob pena de poder sofrer um mau resultado que, felizmente, não se verificou. Lopetegui teve a coragem de escolher a segunda e a sorte de ser feliz com ela.

A Académica saiu do Dragão derrotada por apenas 1-0 quando em condições normais teria sofrido uma goleada, veremos se esta tão magra vitória portista não terá influência nas contas futuras deste campeonato.

1 de dezembro de 2013

«Estavas a cinco, Fonseca, a cinco!»

A derrota em Coimbra não me surpreendeu nada, só me espantou que tenha demorado tanto a chegar. Jogar contra o FC Porto de Paulo Fonseca é tão fácil como seria adivinhar em qual copo se encontra a bola sendo estes transparentes. Os jogadores não jogam o que sabem, nem sabem o que jogam. Ao fim de 19 jogos, não há ainda fio de jogo e a jogada-tipo é um passe longo da defesa para o Jackson. A segurança defensiva é um mito e a equipa faz tudo em esforço. Qualquer equipa treinada por um Sérgio Conceição qualquer consegue anular um FC Porto que joga em 5-0-5, com Fernando como quinto defesa e Lucho como quinto avançado.

Sendo eu ainda jovem, estou pela segunda vez a pedir a demissão de um treinador. Até à data de hoje, apenas Octávio Machado mereceu esse desejo por minha parte. A SAD equivocou-se ao escolher Paulo Fonseca, ao escolher alguém que tinha como sistema de jogo preferido algo muito diferente do 4-3-3 que fez do FC Porto aquilo que é hoje e que não teve a inteligência de aproveitar o trabalho do antecessor. Pior, no jogo frente à Académica vimos a equipa iniciar o jogo em 4-2-3-1, com a entrada do Licá tentou jogar em 4-4-2 - que na realidade foi o tal 5-0-5 que já falei - e terminou em 3-3-4. Parece que todos os sistemas são válidos, a única excepção será mesmo o 4-3-3.

Neste momento manter Paulo Fonseca não será um sinal de estabilidade, mas sim de teimosia por parte da SAD. A diferença de cinco pontos para o(s) segundo(s) classificado(s) foi anulada em três jornadas consecutivas e o Estádio do Dragão viu a sua pior fase de grupos da Liga dos Campeões. Seria difícil para qualquer treinador que entrasse agora fazer pior. Para mim o cenário é fácil: ou a SAD corrige o erro inicial e demite Paulo Fonseca, ou os portistas devem considerar deixar de lado a contestação ao treinador e apontar para quem insiste em mantê-lo no comando da equipa.

Neste momento só me vem à cabeça a imagem daquele benfiquista que na época 2011/2012 gritava desesperado para Jorge Jesus: "Estavas a cinco, a cinco!".