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18 de abril de 2016

Visão 1620 - Sócios e adeptos

Com três épocas de maus resultados é natural que muitos adeptos andem de costas voltadas com o clube. É assim em todos os clubes quando se passa de vencedor frequente a perdedor crónico. Mas o facto de o FC Porto tratar os sócios e adeptos como clientes não ajuda nada nestes momentos.

Dito isto, gostaria de propor uma série de medidas que têm em vista reaproximar os adeptos do clube, fazendo ou refazendo deles parte de um clube que amam e não clientes de uma SAD que serve futebol como prato principal.

Tem sido recorrente na televisão uma publicidade onde o Sporting tenta convencer ex-sócios a voltarem a sê-lo. E não se limitam a dizer "hey, precisamos do teu dinheiro", em vez disso apresentam vários cenários que vão desde a possibilidade de pagar as quotas em dívida de forma faseada, o perdão de metade da dívida e até o congelamento da mesma até que o sócio em questão tenha possibilidade de a pagar. O que impede o FC Porto de fazer uma campanha semelhante?

Portugal atravessa momentos complicados e existem milhares de pessoas que não tiveram outra hipótese que não fosse deixar alguns luxos de lado para que o básico não faltasse. Quando isso acontece as idas a estádios de futebol aparece imediatamente nos primeiros lugares da lista das coisas dispensáveis. E aqui é que devia entrar a SAD em acção. De forma a manter os associados e também muitos detentores de lugares anuais, o clube tem de proteger aqueles que estiveram sempre ao lado do clube enquanto lhes foi financeiramente possível. Seria de bom tom o FC Porto atribuir descontos a essas pessoas, que poderiam ir dos 50% aos 100% mediante o número de anos de cada um como sócio/detentor de lugar anual, caso estes ficassem desempregados.

Além dos sócios, também as claques são importantes e devem ser apoiadas pelo clube. No entanto, tal não deve ser feito a todo o custo e prejudicando muitas vezes outros portistas. A SAD tem de parar de dar bilhetes às claques para estes serem vendidos livremente e sem qualquer controlo. Para isso há que tornar obrigatório o registo como sócio do FC Porto para poder pertencer a um claque do clube. As quotas pagas ao FC Porto até podiam incluir um desconto igual ao valor pago para ser associado da respectiva claque, mas os bilhetes dos Super Dragões e Colectivo passariam a ser adquiridos nas bilheteiras normais. Para ter o desconto de membro da claque bastaria apresentar o cartão de sócio da mesma. É assim tão complicado?

O clube dispõe de meios de comunicação com o exterior que há alguns anos atrás seriam impensáveis. Porto Canal, Revista Dragões, todas as redes sociais da moda, um website, uma newsletter e ainda a possibilidade de passar a mensagem através de qualquer canal de televisão, rádio ou jornal. Apesar disto tudo, os portistas continuam mal informados e o FC Porto mal defendido na praça publica. Que tal começar a aproveitar ao máximo estes meios?

Embora não pareça. o clube precisa tanto dos adeptos como os adeptos precisam do clube. E os portistas têm muito para dar ao FC Porto, basta para isso o FC Porto querer.

31 de março de 2016

Máquina de Rube Goldberg

Sou uma pessoa simples. E como pessoa simples, imagino sempre as coisas com uma certa simplicidade. Por exemplo, a contratação de jogadores por parte de um clube, achava eu, seria algo muito linear: o departamento de scouting identificava um atleta com talento e observava-o o suficiente até elaborar um relatório a recomendar a contratação, relatório esse que seria analisado mais tarde pelo treinador e pela direcção do clube e, havendo interesse de ambas as partes, alguém com poder para isso contactava o empresário do jogador em questão para que este iniciasse as negociações entre os dois emblemas tendo em vista a transferência. Afinal não é nada disto.

Não sei como funciona nos outros clubes - e sinceramente não me importa -, mas no FC Porto, pelo menos olhando às cada vez mais notícias de negociatas entre SAD e empresários e/ou fundos de investimento, a coisa é muito mais elaborada. Primeiro aparece uma empresa qualquer que recomenda um jogador ao clube que, por sua parte, paga prontamente alguns milhares de euros por essa acção. Depois o clube vende uma percentagem do passe a um fundo que entretanto regista o atleta num clube "fantasma". Aí o FC Porto compra o jogador a esse novo clube e com isso gasta um valor infinitamente superior ao que gastaria caso tivesse ido directamente à fonte, mas depois de garantida a transferência há que vender nova percentagem do passe a um grupo de empresários que pode ou não ser o mesmo. Em ambas estas operações são pagos custos de intermediação a uma ou várias empresas sem que se saiba bem qual foi o papel delas no negócio ou quem são ao certo. E quem fica com esses encargos? O FC Porto. Mais tarde, com o jogador já no clube, vão sendo recuperadas pouco a pouco parcelas do passe anteriormente vendido. Parece-lhe complicado? A mim também.

No meio disto tudo, qual é o papel do scouting do clube? Fica difícil de perceber. Quase tão difícil como perceber como foi possível alguém ir cedendo pouco a pouco até chegar a este ponto. Certo é que actualmente é cada vez mais raro ver o FC Porto comprar bom e barato, como acontecia no passado.

Merece a SAD ser fortemente criticada por ter chegado a este ponto? Claro que sim! Toda a gente o sabe, mesmo aqueles que vão apregoando o contrário e tentando defender o indefensável. Há quem. talvez por não ser livre de dizer o que verdadeiramente pensa, diga que se vai afastar porque não se revê nesta forma de estar de quem dirige o clube. Mas aí daquele que ouse levantar uma dúvida que seja, porque se lhe perguntarem o FC Porto é um exemplo a ser seguido por todos no que à gestão desportiva e financeira diz respeito. Uma idiossincrasia muito em voga nesta altura.

Há uns dias perguntei o que mudou em tão pouco tempo, numa alusão à mentalidade ganhadora e inconformada que me habituei a ver na comunidade portista e que se tem perdido pouco a pouco. Nesse dia dei dois exemplos dessa forma de estar, hoje deixo outro. Encontre as diferenças.

26 de março de 2016

Que futuro esperar?

Diz o ditado que em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Se considerarmos que o pão de um clube são os títulos então está explicada a constante troca de galhardetes entre os portistas mais inconformados, que não admitem uma época má que seja, e aqueles defendem cegamente a estrutura muitos deles apoiados na ideia que o clube já viveu momentos piores e que se quem lá está agora foi capaz de ganhar no passado então também será no futuro.

Qualquer uma das facções tem razão em muitos pontos, mas ao fim de três épocas de sportinguizaçao do meu clube vejo-me forçado a pender para o lado dos inconformados. Em causa não está o valor de quem no passado fez o FC Porto chegar ao topo ou se conseguirão ganhar no futuro, o ponto aqui é perceber se o título de campeão voltará à Invicta como regra ou como excepção.

Já tive oportunidade de dizer que a mim não me incomodam que se façam transferências com valores altos, sejam eles o valor do passe, comissões, ou essa treta toda que tomou conta do futebol contemporâneo, desde que sejam contratados jogadores de qualidade e que isso não ponha em causa o futuro do clube. Não me incomodou o valor de Hulk, nem de Danilo, nem de Alex Sandro e por aí fora. Mas nos últimos três anos a conversa tem sido outra: o plantel está cada vez mais fraco mas, ao contrário do que seria de esperar, está cada vez mais caro.

É lógico que quem gasta o que a SAD do FC Porto gastou para (não) ganhar o que o FC Porto (não) ganhou tem de ser contestado. Seja ele quem for. A administração é paga a peso de ouro - basta consultar os documentos enviados à CMVM para ver os valores astronómicos - mas tem feito um trabalho miserável, sendo que na presente temporada roça mesmo o amadorismo.

O rumo tomado desde a saída de André Villas-Boas tem enfraquecido a posição do clube no panorama do futebol nacional e europeu. As parcerias com os fundos e grupos de empresários deixaram de resultar tornando os plantéis cada vez mais dispendiosos e desequilibrados, sendo ainda entregues a treinadores quase sem experiência. Se assim voltaremos a ganhar? Isso de certeza que sim, só não sei dizer é daqui a quanto tempo e com que frequência.

Mas não peço a cabeça de ninguém, só peço que acordem de uma vez por todas.

24 de março de 2016

Números inéditos e a defesa do FC Porto

Enquanto o campeonato está parado é preciso fazer qualquer coisa para entreter o pessoal, pelo menos é o que terá pensado a malta que manda e desmanda no que se passa no clube. E talvez movidos por essa ideia decidiram, via Dragões Diário, apontar a tudo o que mexe. Primeiro Vítor Baía, agora o Tribunal do Dragão. Já não é a primeira vez que um assalariado do FC Porto "decide" que é boa ideia atacar publicamente, cada um dentro dos seus níveis de literacia, quem crítica qualquer coisa no clube, como aconteceu por exemplo com o rapidamente abafado Tactical Porto ou com o Mística do Dragão. Todos eles se queixaram de ter sido insultados - seja em forma de comentários nos respectivos espaços ou pelas redes sociais - após esses eventos, depois ainda têm a lata de criticar quem prefere manter o anonimato... Recentemente Augusto Inácio falava em cães de fila a defender os interesses do Benfica, no FC Porto parece haver um Inquisição que visa tratar daqueles que são incapazes de comer tudo sem questionar.

Mas como a pausa da Páscoa ainda está para durar, deixo aqui uma sugestão aos assalariados do FC Porto bastante simples e - embora não tenha dados concretos para o afirmar fá-lo-ei na mesma - popular entre os portistas: pegar em meia dúzia de lances dos jogos do Benfica e perguntar a quem de direito, até pode ser via Dragões Diário, como é que nessas jogadas não foi expulso o jogador da equipa em questão ou por que motivo o árbitro entendeu que não era falta para grande penalidade contra o actual líder do campeonato. Não é necessário ter uma imaginação muito fértil para imaginar uma classificação com os três da frente bem juntinho, talvez até por outra ordem, caso os números na imagem à direita (ou em cima se estiver a ler no telemóvel) fossem mais homogéneos. O desempenho de Xistra no Braga - FC Porto é um exemplo claro daquilo que Benfica e Sporting nunca enfrentaram na presente temporada e que tem afectado o FC Porto com demasiada frequência e que continuará enquanto nada for feito para o evitar. E para começar a compilação deixo aqui dois lances que passaram por entre os pingos da chuva que é a análise da comunicação social:

Lindelöf faz falta na área do Benfica e vê
o árbitro marcar livre contra o Tondela.
Resultado na altura: 1-0; Resultado final: 4-1
Eliseu faz falta para amarelo, que seria o segundo, no início da segunda parte
do Boavista- Benfica mas o árbitro faz vista grossa.
Resultado na altura: 0-0; Resultado final: 0-1
Vamos lá então fazer a defesa do FC Porto...

22 de março de 2016

Eu, javardo, rafeiro, escroque da pior espécie, gente desprezível, frustrado, traumatizado da vida, sem coragem e sem carácter me confesso

Faz parte da minha rotina ler a maioria dos blogs portistas que existem e, quando o assunto me chama a atenção, dou também uma vista de olhos nas respectivas caixas de comentários. Assim sendo, foi num misto de espanto e de satisfação que vi alguém dar eco ao post anterior a este em vários outros espaços onde se vive o FC Porto, situação que foi aceite com naturalidade pela maioria dos respectivos autores. Muito provavelmente estará nesta altura a perguntar-se o motivo desta conversa toda, mas já lá chegamos. É claro que no meio de tanto blog houve alguém a sentir-se incomodado e a partir para o insulto que, já agora aproveito para esclarecer, não é a primeira vez que tal sucede .

Isto fez pensar no seguinte: em que momento uma pessoa deixa de ser portista e passa a ser seguidista? Para mim, ser portista é ser alguém que apoia o FC Porto nos bons e nos maus momentos, não é alguém que defende incondicionalmente quem está no clube, seja ele um jogador, um speaker, um treinador ou até mesmo um presidente. Por muito que essas pessoas possam ter feito pelo clube no passado, não são o FC Porto. Apoiar qualquer coisa que nos metem à frente, apenas porque há anos e anos de bom trabalho para trás, é seguidismo puro.

E nos últimos dias parece que decidiram sair todos da toca. Pior! Preferem defender quem não precisa de defesa, porque além de ter o futuro garantido no clube e tem um passado que fala por si, em vez de defenderem aquilo que precisa ser defendido, que é o Futebol Clube do Porto. De um dia para o outro fiquei com a sensação que Pinto da Costa precisa de freteiros ou lambe-cús para continuar como presidente do clube, tal foram as declarações do género "sempre Pinto da Costa na primeira ou na segunda divisão", dor assumida também pelo Dragões Diário que esfregava na cara daqueles que preferiam ver um rosto novo a liderar o clube que o actual presidente tem o apoio das casas e delegações do FC Porto, quase em simultâneo em que no facebook de alguém que tem um cargo com um nome chique no clube se comentava que os 26% que não apoiam a actual administração são 30 ou 40 ranhosos.

Não se enganem. Apesar de estar completamente saturado pelos erros grosseiros da SAD nos últimos anos, considero que Pinto da Costa merece nova oportunidade para sair pela porta grande e que tem todas as capacidades para o fazer. Depois disso é dar oportunidade a gente nova, porque a grande maioria dos actuais dirigentes portistas já conseguiu provar ser incompetente mesmo tendo a supervisão do melhor presidente da história do futebol mundial.

Isto só será possível se toda a gente, ou pelo menos a maioria, perceber que é impossível defender bem o FC Porto quando se apoia alguém, seja ele quem for, incondicionalmente. E podem contar comigo para defender o clube, dentro dos meus meios, entenda eu que o inimigo está dentro ou fora de portas, e nem que para isso tenha de suportar as investidas de meia dúzia de personagens de ideologia duvidosa. Pelo FC Porto vale a pena.

20 de março de 2016

A democratização da estupidez

Se há coisa que a Internet nos trouxe foi a possibilidade de qualquer um, por mais estúpido, desinformado ou mal-intencionado que seja, poder transmitir para todo mundo uma opinião. A prova disso mesmo é você estar a ler isto nesse momento. A estupidez tornou-se acessível a todos, enquanto antigamente era a comunicação social e quem tinha acesso à mesma a ter o monopólio dessa forma de pensar. Hoje em dia não é preciso ir para a televisão para tentar fazer valer uma ideia estúpida, basta criar um blog, ou uma conta em qualquer rede social, e com relativa facilidade se cria uma audiência.

Serve isto para dizer que tenho lido muita merda sobre o que levou o FC Porto a chegar a este ponto e que, apesar de haver muitos pontos de vista válidos, há um que me choca particularmente, que é dizer com desdém que afinal a troca de treinador não resolveu nada e que mais valia Lopetegui não ter saído.

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer duas coisas: que fui a favor da manutenção do basco no comando da equipa para esta segunda época porque acreditei nele quando disse que aprendeu com os erros do ano que na altura havia terminado, mas também cedo percebi que afinal, como diz a música, era só jajão e que com ele como treinador seria mais um ano seco para o clube. Quanto a José Peseiro, foi obviamente uma solução de recurso que pode ou não ficar para a próxima época, mas que está automaticamente ilibado de qualquer culpa na maioria das coisas que possam ainda correr mal. E é isto que passo a explicar.

Uma das coisas que li num outro blog portista - que não vou mencionar mas qualquer um chega lá se reflectir um bocadinho - e me fez rir foi uma comparação entre os recursos disponíveis entre Benfica e FC Porto. Chegando ao ponto de comparar Gudiño, de 18 anos, a Ederson, de 22 e com experiência de primeira liga e Liga Europa, ou então Chidozie, também ele de 18 anos e ainda nem há um ano médio-defensivo, com Lindelöf, jogador com vários anos de segunda liga e já com 21 anos sendo ainda campeão da Europa desse escalão. Depois talvez movidos pela ideia estúpida de que um jogador não se desenvolve a partir de uma certa idade, dizem que como o Jardel tem o FC Porto no plantel, ignorando que o brasileiro é facilmente o melhor defesa-central do Benfica graças à enorme evolução registada nos últimos anos.

Só uma pessoa com muito má-vontade pode comparar o plantel à disposição dos dois treinadores. Enquanto para as laterais Rui Vitória tem Nélson Semedo, André Almeida, Eliseu, Sílvio e ainda foi buscar Grimaldo em Janeiro, José Peseiro tem Maxi, Layún e foi obrigado a recorrer a Ángel, uma das cartas fora do baralho até para Lopetegui. Até se pode argumentar que o André Almeida só defensa e se comporta quase como um defesa-central que actua na linha e é quase verdade, mas que necessidade tem o Benfica de contar com os laterais se tem um ataque tão poderoso por si só? E aqui se encontra a maior lacuna deste FC Porto: o poderio ofensivo.

Se gozar com as opções dos encarnados para a defesa, dizendo por exemplo que o Eliseu é gordo e mais não sei o quê, pode parecer pertinente para alguns, o que dizer das opções azuis e brancas para o ataque? Aboubakar e Corona parecem viver num mundo à parte, Varela está farto de ser jogador de futebol e tanto Suk como Marega parecem condenados ao estigma social de jogador útil, que aos olhos da maioria dos portistas mais não significa do que alguém que só serve para jogar quando não há mais ninguém. Do outro lado - leia-se no Benfica - Há Jonas, Mitroglu, Jiménez, Salvio, Pizzi, Carcela, Gaitán, Talisca e por aí fora. Pode-se alegar o que quiser, afirmar que um só marca golos a equipas pequenas e outro nem no Canelas 2010 tinha lugar, mas ninguém pode negar o óbvio: há opções para o treinador explorar e ninguém pode dormir à sombra da bananeira porque a qualquer momento perde o lugar. E quando lhe falta essa diversidade nas escolhas, as dificuldades para ganhar jogos são evidentes, apesar do sistema montado para bater nos clubes pequenos desde há seis anos para cá.

É aqui que reside o grande problema de José Peseiro e que já se notava em vários antecessores: a falta de pressão sobre os titulares vinda do banco. Aboubakar pode continuar a fazer o favor de jogar pelo FC Porto que acabará sempre por voltar à titularidade porque há muito se tornou óbvio que a SAD pressiona as equipas técnicas para que "protejam" o investimento.

Olhando a todas as condicionantes (falta de opções para a defesa, falta de opções para o ataque, favorecimentos aos rivais e arbitragens habilidosas em momentos chave com prejuízo claro para o FC Porto), só se pode concluir que o trabalho de José Peseiro tem de ser considerado, no mínimo dos mínimos, aceitável. Não só porque a equipa é agora capaz de marcar golos, mas principalmente porque não cede à primeira adversidade.

Não sei se o ribatejano continuará no clube em 2016/2017, mas se isso se verificar merece que a SAD lhe dê um plantel com condições para lutar pelos títulos que o clube ambiciona e que os adeptos parem de procurar incessantemente e em todo lado coisas para implicar. Se ninguém no clube quer ou consegue lutar contra o que se passa fora do campo e que favorece em muito Benfica e Sporting, que pelo menos se dê à equipa condições para lutarem dentro das quatro linhas.

16 de março de 2016

Baader-Meinhof Phenomenon ou Síndrome de Peseiro?


Sabe aquela sensação de ver em todo lado uma coisa que só recentemente descobriu? Se é portista, é provável que neste momento sofra essa perturbação. E não, não falo da palavra nepotismo que passou a ser comum quando se fala da SAD do FC Porto depois de Carlos Abreu Amorim a celebrizar. O acontecimento que desencadeou o Baader-Meinhof Phenomenon na comunidade portista foi a chegada de José Peseiro ao Dragão fazendo-se acompanhar das já centenas de notícias e artigos de opinião que dão conta das dificuldades na transição defensiva visíveis em todas as equipas por onde passou.

O Marcano falou o corte e deu golo do Braga? "Só fica espantado quem quer, tal é a dificuldade que o Peseiro tem em montar uma boa transição defensiva." O plantel não tem defesas-centrais disponíveis, Layún e Chidozie terão de ser opções de recurso. "Tudo bem que havia vários jogadores castigados na defesa e meio-campo, mas aquela transição defensiva deixa muito a desejar!" O Maicon tenta fintar na defesa e oferece um golo a um adversário já depois deste ter marcado um golo na primeira jogada do encontro: "tudo isto era evitável com uma transição defensiva mais forte." E o penálti do Jonas em Paços de Ferreira? "Pouco me importa, enquanto o Porto não conseguir reagir rapidamente à perda de bola, com uma transição defensiva digna desse nome, não adianta pensar nisso." Aboubakar falha um golo de baliza aberta: "com a transição defensiva deficiente que esta equipa apresenta desde a chegada do Peseiro, sorte tivemos nós de o contra-ataque não ter dado golo." Os torniquetes da Porta 12 estão avariados outra vez? "Maldita transição defensiva, vai ser a ruína deste clube."

Transição defensiva. Transição defensiva. Transição defensiva. Parece que é esta a causa de todos os problemas do FC Porto. Pelo menos é uma coisa de aparente fácil resolução, o que indicia que o futuro será risonho mesmo que o sistema continue a favorecer descaradamente os grandes da capital e a SAD continue a fazer plantéis desequilibrados e com lacunas óbvias em alguns sectores. Basta resolver a maldita transição defensiva e tudo vai ao sítio.

14 de março de 2016

É assim tão difícil de perceber?


O recente movimento "volta Lopetegui" tem-me feito alguma confusão. Desde logo porque o basco não fez nada que mereça esse tipo de saudosismo, se ainda fosse "volta Jesualdo" ou "volta Vítor Pereira" ainda percebi, porque esses apesar de mal-amados por grande parte das massa adepta lá conseguiram ganhar qualquer coisita. Chorar por um treinador que desfilou incompetência e teimosia não me parece um caminho muito bom para se seguir.

Assumo desde já que quem diz uma coisa dessas é porque ainda não parou para pensar e se o fez é porque se esforçou para não perceber. Duvido que seja assim tão difícil chegar à conclusão de que o Chidozie foi chamado à titularidade porque não havia mais ninguém, que o Layún só joga como defesa-central porque não há mais ninguém e que a equipa está uma lástima do ponto de vista físico porque foi mal preparada nesse sentido desde o dia um desta época. E de quem é a culpa disto? Até posso dar uma pista: não é de José Peseiro.

A realidade é que o FC Porto está nesta situação por culpa da SAD e de Lopetegui e seus adjuntos. A administração não conseguiu formar um plantel equilibrado - ou permitiu que o anterior treinador o quisesse assim - e a equipa técnica que começou a actual temporada não soube dar aos jogadores o que eles precisavam para um ano desgastante.

Não sei se José Peseiro teria feito melhor, mas criticar duramente alguém que entrou a meio e que tenta juntar os cacos é tudo menos inteligente. Dizer ou escrever "volta Lopetegui" em qualquer lugar, olhando a tudo isto, é digno de uma criança mimada que não sabe o que quer ou de alguém que começou a ver futebol há duas semanas.

23 de maio de 2015

A história repete-se

sensivelmente um ano, após o FC Porto perder tudo o que havia para perder, muitos portistas acharam por bem humilhar os jogadores do plantel, como se bater em que já está no chão ajudasse em alguma coisa. Ontem, no último jogo da época, ambos os grupos de apoio ao FC Porto decidiram dar extensão ao protesto que ocorreu a meio da semana às portas do Olival aproveitando para deixar algumas mensagens que não servem para mais nada além de dar aos rivais mais qualquer coisinha com o que gozar. Ainda bem que o ridículo não mata, porque se o fizesse por estes dias o FC Porto teria perdido milhares de adeptos prematuramente.

Os portistas estão para o plantel como aqueles pais que passam o ano todo a dar palmadinhas nas costas dos filhos quando estes voltam da escola com teste negativo atrás de teste negativo, permitindo-lhe ainda que usem todo tempo livre todo para brincar negligenciando dessa forma o estudo, mas que no fim do ano lectivo, ao verem que os filhos terão de repetir o ano, decidem castigá-los durante todas as férias do Verão.

 Não sou contra os protestos e há mensagens que têm de ser passadas de fora para dentro, embora seja apregoado aos sete ventos que o clube é comandado de dentro para fora. O problema aqui é que o tempo útil destas mensagens passou há imenso tempo, tendo sido o empate na Madeira contra o Nacional a última oportunidade para a deixar.

Durante toda a época os grupos de apoio organizados, assim como muitos outros adeptos, preferiram andar aqui e ali em manifestações de apoio, fazendo juras de amor e de apoio incondicional, tornando o gesto ineficaz devido à utilização em excesso. De todas elas, só a realizada espontaneamente após o roubo colossal em Braga se justificou em pleno. Todas as outras tiveram o seu pedaço de exagero.

No entanto, não deixa de ser positivo que, após vários anos em que pareciam domesticadas pela SAD, as claques voltem a ser uma voz de protesto. Só lamento que o alvo escolhido não tenha sido o mais correcto, mas também não se pode exigir tudo de uma vez. Que 2014/2015 tenha servido de lição para todos, uma vez que, aparentemente, não foi o caso de 2013/2014.

20 de maio de 2015

Mitos contemporâneos

Boavista 0-2 FC Porto
Quando uma equipa como o FC Porto não vence o campeonato existem, praticamente, apenas duas opções para o justificar: ou foi porque falhou redondamente, como foi o caso de 2013/2014 com Paulo Fonseca; ou então porque falhou num qualquer momento que, a posteriori, vai-se a ver era um momento-chave. Embora seja uma conclusão básica, não deixa de ser engraçado que haja pessoas a serem pagas para dizer isto semanalmente um pouco por todos os meios de comunicação. E fazem-no com o orgulho próprio de quem acabou de descobrir a roda ou mesmo o fogo.

FC Porto 3-0 Sporting
Como o FC Porto perdeu o campeonato a uns abismais três pontos do melhor Benfica de todos os tempo torna-se difícil incluir o campeonato na categoria dos catastróficos, há que vender a ideia de que os comandados por Lopetegui falharam em todos os momentos-chave da época. Não foi em um nem em dois, foi em todos. Quem o diz são os especialistas e grande parte dos portistas vão na onda, alinhando muitas vezes chorrilho de críticas à equipa que tem tanto de injusto como de injustificado.

SC Braga 0-1 FC Porto
Desde a derrota na Madeira frente ao Marítimo que para o FC Porto todos os momentos passaram a ser momentos-chave. Nessa jornada o Benfica ficou com a possibilidade de aumentar a diferença pontual para nove pontos em caso de vitória mas, curiosamente, os comandados por Jorge Jesus, aqueles que não vacilaram nos momentos-chave, acabaram por sair derrotados de Paços de Ferreira. Depois disso, o FC Porto venceu nas oito jornadas seguintes, mas tratavam-se apenas de momentos banais, presumo.

FC Porto 1-0 Arouca
Se o FC Porto tivesse sido campeão, vitórias como o 0-2 no Bessa mesmo sem Casemiro, Alex Sandro e Danilo convenientemente castigados em simultâneo; o 3-0 ao Sporting com um exibição de encher o olho; o 0-1 em Braga - campo onde a equipa que não vacila em momentos-chave perdeu - mesmo tendo perdido Jackson por lesão com o jogo em 0-0; ou até o suado 1-0 na recepção ao Arouca tendo de jogar 80 minutos em inferioridade numérica tendo jogado a meio dessa semana para a Liga dos Campeões, todos eles levariam o rótulo de momento-chave.

É fácil comprovar que é uma absoluta mentira dizer que o FC Porto não venceu nenhum dos jogos que não podia admitir outro resultado que não fosse a vitória. Por isso é que, para tentar justificar algumas posições, existe a tendência de reanimar velhas tretas como a falta de mística, a teoria que certos jogadores só correm para a Liga dos Campeões, ou dizer que é inadmissível uma equipa que quer ganhar o campeonato ter já empatado por sete vezes.

A diferença entre FC Porto e Benfica desta época reside precisamente aqui. Enquanto que os agora bicampeões viram as equipas de arbitragem ajudar a transformar empates em vitórias (por exemplo na Madeira frente ao Nacional ao anular um golo por fora-de-jogo à equipa da casa quando Marco Matias estava um metro em linha, ou na deslocação ao Estoril em que Enzo Pérez transformou uma simulação grosseira, que deveria ter valido o segundo amarelo ao próprio, numa expulsão para a equipa anfitriã), o FC Porto foi impedido de chegar à vitória pelos mesmos protagonistas (como por exemplo em Alvalade ou em Guimarães).

Não me revejo nas manifestações contra a equipa que, pelo segundo ano consecutivo, alguns adeptos tiveram a infeliz ideia de fazer contra a equipa depois de estar consumada a perda do campeonato. Primeiro, porque o tempo útil de qualquer tipo de pressão psicológica já havia ido há muito tempo, depois porque não partilho da ideia de que houve falta de empenho por parte dos jogadores. O que aconteceu após o empate a zero na Luz deixou a equipa abalada psicologicamente porque toda a gente ficou com a noção de que o campeonato estava perdido. E mesmo o 0-0 frente ao Benfica se deve em grande parte ao desgaste físico e psicológico que antecedeu o clássico. Acreditam que o resultado teria sido o mesmo naquele período de maior fulgor portistas, antes das lesões de Tello e Jackson? Por aqui se percebe a urgência que o Benfica sentiu em adiar a final da Taça da Liga contra o Marítimo para que o FC Porto não tivesse tempo para se recompor.

Em relação ao campeonato em geral, o segundo lugar deve-se em grande parte à inexperiência do treinador e do plantel. Por isso mesmo é fundamental manter o maior número de elementos do grupo actual, treinador incluído, para que não seja preciso recomeçar uma vez mais o processo de maturação. Principalmente porque, apesar da inexperiência, não havia muito o que fazer perante um cenário tão inclinado como foi esta Liga NOS. Bastava tirar as arbitragens da equação que o resultado tinha sido outro e de forma bastante clara. Toda a gente sabe isto, por isso não entendo a tendência de apontar noutras direcções.

11 de abril de 2015

O parente pobre

As vozes que se levantam contra Tozé são cada vez mais. Ou porque não devia ter feito isto, ou porque devia ter feito aquilo, ou porque não sabe o que é ser Porto, ou porque é uma pessoa de estatura baixa, ou porque não é digno de representar o FC Porto. É um mau portista porque na primeira volta jogo bem contra a equipa onde foi formado e, como tal, é bem que não volte ao Dragão. Grande portista é, por exemplo, o André Simões que partilhou uma foto dele próprio no meio dos portistas no Bessa. Claro que dias antes foi expulso por estupidez e com isso entregou de bandeja uma vitória ao Benfica. Mas isso não interessa, é grande portista e acabou. Esse é que é o exemplo a seguir. Adiante...

Quem acompanhava a equipa B do FC Porto enquanto o Tozé lá jogou sabe muito bem que o então número 70 era com alguma distância o melhor jogador mas que mesmo assim nunca foi muito levado a sério pelo clube. Mesmo na selecção de sub-21, onde joga sempre a bom nível, as preferências do seleccionador vão para outros jogadores, mas quando é chamado a jogar nota-se nele aquela sensação de achar ser o parente pobre que raramente convivia com a família mais abastada. Mesmo sendo formado no FC Porto, joga no modesto Estoril quando vê colegas, alguns deles com bem menos talento, a jogar em clubes da primeira divisão de Espanha ou França, ou até em clubes portugueses como o Sp. Braga ou o Sporting.

Tozé joga neste momento no Estoril com um sentimento de revolta, de querer mostrar a toda a gente que merece mais e melhor. Que melhor oportunidade para o fazer do que contra a equipa que o emprestou? Eu continuo a achar que o FC Porto fez bem em colocá-lo a ganhar ritmo de jogo numa equipa que até disputou a Liga Europa, mas não critico o jogador por achar que tinha lugar numa equipa melhor ou até quem sabe no plantel portista.

Repito o que já afirmei no passado: espero que a SAD não decida queimar este jogador só para agradar aos adeptos. Jogadores com a fibra do Tozé são difíceis de arranjar e, como o próprio já mostrou, movido pelo combustível certo é um jogador que faz a diferença. Desde quando é que os portistas deixaram de apreciar quem deixa tudo em campo?

4 de abril de 2015

Imagine

Imagine uma equipa do FC Porto que pudesse contar com a garra e o portismo de jogadores experientes como Vítor Baía, Jorge Costa, Secretário, Rui Barros, Domingos, Capucho e Folha. Imagine que a esses jogadores se acrescentavam jovens oriundos das camadas jovens com vontade de se afirmar, como por exemplo aconteceu com Ricardo Carvalho, Ricardo Costa e Hélder Postiga, assim como jogadores portugueses que muito prometeram em outros clubes, tais como Ricardo Silva, Cândido Costa e Jorge Andrade. Para terminar, imagine que a todos estes se acrescentavam estrangeiros de valor inquestionável como Jardel, Drulovic, Aloísio, Alenitchev e Deco. Quanta mística não estaria presente naquele balneário, o portismo seria vivido por todos no dia-a-dia do clube, toda a gente entraria em campo com vontade de dar o máximo e a falta de atitude nunca seria um problema.

Não precisa de imaginar mais, porque estes jogadores representaram mesmo o FC Porto algures entre 1999/2000 e 2001/2002, tendo conseguido perder os três campeonatos para Sporting, Boavista e novamente Sporting. Pelo meio, ganharam duas Taças de Portugal e uma Supertaça.

Por isso, da próxima vez que o FC Porto não vencer, é desnecessário voltar à cassete da mística e da falta de amor à camisola, porque muitos daqueles que agora são a bandeira dos valores portistas estiveram presentes na maior seca do clube desde que Pinto da Costa assumiu a presidência.

Curiosamente, muitos deles estavam ainda no clube e foram pedras-chave nas conquistas europeias de 2003 e 2004, servindo de prova que por vezes só é preciso dar tempo ao tempo. E este FC Porto precisa de tempo, não precisa de conversas da treta em volta dele.

3 de abril de 2015

Aproveitando o mau momento

Após o apuramento para os quarto-de-final da Liga dos Campeões, altura em que FC Porto vivia uma série fantástica de bons resultados e bom futebol, tendo somado oito vitórias e um empate (1-1 em Basileia) nos nove jogos após a derrota frente ao Marítimo, teria sido demasiado fácil dizer isto: ainda que seja uma época sem qualquer conquista no Dragão, não ficarei revoltado com nenhum dos jogadores nem com Lopetegui. Mesmo à SAD, que fez um bom trabalho ao formar um plantel com muito talento, só lhe aponto a passividade com que (não) se manifestou contra os factores externos que impediram a equipa de estar agora melhor classificada.

Por isso prefiro dizê-lo agora, para não passar a ideia de que avalio as competências de quem representa o meu clube ao sabor do vento. Hoje seria bem mais fácil, como se pode ver por qualquer outro blog portista, apontar o dedo a tudo e todos.

Sejamos sinceros, o que aconteceu ontem na Madeira foi muito mau e vem no seguimento de outros dois jogos que deixaram muito a desejar - a vitória por 1-0 frente ao Arouca e o empate 1-1 contra o Nacional -, mas também só com muita qualidade, empenho e também bastante sorte foi possível chegar lá. Era suposto o FC Porto ficar pelo caminho mais cedo e a armadilha montada em Braga tinha essa finalidade.

A eliminação na Taça de Portugal também teve dedo externo, mas como nesse jogo Lopetegui decidiu recorrer à famosa rotatividade, a comunicação social aproveitou isso para justificar a vitória do Sporting. Ainda não percebi porquê, mas para avaliar os jogos do FC Porto impera a regra que diz que caso exista um erro de um ou mais jogadores e/ou do treinador, os erros da arbitragem passam para segundo plano por mais graves que sejam.

No campeonato é que não vale mesmo a pena enumerar erros porque está à vista de todos. Só com muitos pontos oferecido por terceiros é que o Benfica se pode dar ao luxo de ser líder mesmo jogando da forma que joga em muitos dos jogos. O FC Porto, como qualquer equipa formada praticamente do zero, vai tendo altos e baixos - e está a passar neste momento um desses baixos - mas em condições normais estaria neste momento a gerir a vantagem para o segundo classificado.

Dito isto, importa também deixar algumas ideias sobre o que foi 2014/2015 e o que tem de ser 2015/2016. Especialmente para Lopetegui.

A última equipa campeã do FC Porto é um perfeito contraste da actual. Se em 2012/2013 víamos um colectivo forte, em que toda a gente sabia o que fazer e quando o fazer, um equipa de acção em vez de reacção e onde faltava alguma espontaneidade no ataque, este ano temos uma equipa que parece viver em demasia das individualidades. Não é coincidência o facto de os melhores períodos desta época tenham coincidido com os picos de forma de Brahimi e mais tarde de Tello. Não é menos coincidência que a ausência de Jackson esteja a coincidir com um período em que os Dragões estão com muitas dificuldades para conseguir bons resultados.

Assim sendo, torna-se prioritário que Lopetegui assuma isto e que na próxima temporada comece cedo a trabalhar a equipa para que esteja menos dependente das individualidades. Até porque Danilo já se foi e Jackson deve ir pelo mesmo caminho. Se este ano houve uma tolerância maior pelo facto de Paulo Fonseca ter desfeito por completo o plantel e porque houve menos pré-época em virtude da participação na pré-eliminatória da Champions, a partir do próximo defeso a exigência em cima do treinador basco será maior.

Lopetegui mostrou nos primeiros meses algum desconhecimento da realidade portuguesa e isso atrasou a evolução da equipa. Os excessos cometidos nas trocas no onze titular foram o principal erro que entretanto parece já ter sido corrigido, apesar do próprio continuar a negá-lo. Falta agora solucionar o jogo colectivo sofrível e a forma deficiente como a equipa gere as bolas paradas ofensivas e defensivas. Trabalho que deve começar a ser feito imediatamente, para que 2015/2016 comece e termine da melhor forma possível.

Esta época deve ser encardo por todos os portistas como sendo o Ano Zero e que só não tem tido melhores resultados porque a equipa tem jogado em terreno minado. A grande maioria dos jogadores mostraram ter grande talento e serem excelentes profissionais, enquanto o treinador mostrou competência e capacidade de evolução, confirmando assim a confiança de Pinto da Costa e garantindo pelo menos mais uma época no comando do FC Porto. A única coisa que vai mudar mal termine a presente temporada será os níveis de exigência, acabe ela como acabar.

28 de março de 2015

No rumo certo

A Assembleia Geral Extraordinária do FC Porto realizada no passado dia 25 com vista à alteração de alguns pontos nos estatutos foi, na minha opinião, um passo seguro para o clube. Acho curioso que o ponto que mais polémica tenha gerado tenha sido o que diz respeito aos equipamentos. Deixou agora de ser obrigatório que as colunas azuis e brancas tenham de ter 8cm cada, o que na prática não altera nada, deixando apenas que as diversas equipas do FC Porto se equipem à vontade sem estarem ano após ano a violar os estatutos como acontecia até agora. No fundo tratou-se apenas de formalizar a liberdade na elaboração das camisolas que já se vivia há uma série de anos.

As grandes e importantes alterações estavam guardadas para o que à Direcção do clube diz respeito. De agora em diante, os mandatos passam a ser de quatro e não de três anos, os candidatos à presidência terão de ser sócios há 10 anos seguidos em vez de cinco, que é exactamente o número de anos necessários para poder pertencer a um órgão social quando até agora bastava apenas um. Para poder votar exige-se agora que o sócio já o seja há 12 meses, quando anteriormente bastavam apenas três.

Estas alterações têm dois propósitos: dar estabilidade ao futuro presidente e excluir pára-quedistas de última hora para a sucessão a Pinto da Costa. Até agora "qualquer um" podia aspirar aos órgãos sociais do FC Porto e para poder votar ainda era mais fácil, mas com as alterações mencionadas o filtro passou a ser mais fino. Como o pós-Pinto da Costa não se adivinha fácil para quem assumir a cadeira de presidente, fica apenas a certeza que o sucessor terá um ano extra para poder mostrar serviço.

Para último ficou outro ponto polémico: a possibilidade de grupos organizado terem uma quota mensal mais baixa em relação aos associados normais. Esta medida tem tudo para dar certo se forem cumpridos alguns requisitos. A começar já na próxima época o clube tem de exigir a quem queira pertencer aos grupos organizados (actualmente Colectivo e Super Dragões) tenha obrigatoriamente de ser sócio do FC Porto. Como toda a gente sabe, hoje em dia isso não é necessário e não é impedimento para que lhes sejam dados privilégios quer a nível de preços como ainda na prioridade no acesso aos bilhetes para as diversas modalidades. A importâncias dos grupos organizados é reconhecida por todos e é justo que o clube lhes atribua certos benefícios, mas nos moldes actuais é mais vantajoso ser sócio de uma das claques do que do próprio clube e é isso que tem de deixar de acontecer.

12 de novembro de 2014

Lista de coisas inúteis com as quais os portistas perdem tempo desnecessariamente

Nesta lista estão presentes alguns dos assuntos que têm sido fonte de debates entre portistas - desde o Presidente ao mais comum dos adeptos - e que, no fundo, não passam de temas insignificantes mas que, mesmo assim, são tratados com a mesma ou mais importância do que os que realmente importam.

O que os canais de televisão colocam em rodapé - Pela segunda vez esta época o FC Porto arrancou um empate ao cair do pano. Frente a Estoril e Shakhtar, em ambas as ocasiões a jogar fora de casa, a equipa portista chegou ao empate em tempo de compensação. Infelizmente o foco dos portistas não passou muito por elogiar a atitude da equipa que, mesmo estando a perder e/ou a jogar mal, não baixou os braços e conseguiu chegar ao golo evitando assim a derrota, mas sim ao facto de alguém, talvez com a pressão que existe no meio para ser o primeiro a dar as notícias, ter escrito derrota em vez de empate no texto que aparece no fundo das nossas televisões. A SIC Notícias até teve honras oficiais no facebook do clube. Mas e o penálti que ficou marcar sobre o Danilo, algum responsável  portista comentou?

A tatuagem de Tello - Há algumas semanas o jogador espanhol que está emprestado pelo Barcelona ao FC Porto decidiu fazer uma tatuagem num dos braços. Por ter nascido a 11 de Agosto decidiu pintar um leão por se tratar do seu signo do Zodíaco. Orgulhoso com a nova tatuagem , Tello colocou uma foto da mesma no facebook mas viu-se forçado a eliminá-la porque um grupo (grande) de infelizes decidiu insultá-lo talvez por achar que o jogador nascido em Espanha estava a prestar tributo ao Sporting.

O que se escreve nos blogs - No final se Setembro rebentou uma polémica em torno do blog Tactical Porto. A situação foi despoletada por um funcionário com bastantes responsabilidades dentro do clube e gerou uma onda de indignação um pouco por toda a Bluegosfera. Uma vez mais via facebook, o responsável pelo blog foi insultado, ameaçado e acusado de estar ao serviço dos adversários do FC Porto. O que ganhou o clube com isso? O mesmo que estava a perder: nada.

A marcação dos livres - Lopetegui disse uma vez que não dá à equipa indicações sobre quem deve bater os penáltis, ficando ao critério de quem está em campo decidir quem se sente com mais confiança para ser o cobrador. Em relação aos livres não encontrei nem uma palavra mas, face aos acontecimentos, deduzo que seja o mesmo principio. No jogo do passado Domingo existiu uma situação que causou revolta em muitos portistas ao ponto de dar uma avaliação negativa a um dos jogadores que mais se empenhou e melhor jogou: Quaresma impôs-se perante Brahimi assumindo ele a marcação de um livre que o argelino se preparava para cobrar. Também não gostei da atitude do internacional português mas, partindo do principio que não existe uma lista de marcadores oficiais escolhidos pelo treinador, o facto de Herrera ter pegado na bola e a entregado a Brahimi não lhe dá automaticamente o direito de ser ele a cobrar a falta. Faltou bom senso a Quaresma, mas nada mais que isso. Caso a lista exista todo o meu raciocínio perde o valor, mas Lopetegui com certeza que chamará a atenção ao camisola 7 como já fez por outros motivos. De qualquer das formas o assunto ficará resolvido.

O jogo de Tozé - Não é segredo para ninguém que o jovem médio além de formado no FC Porto ainda está sob contrato com o clube. A decisão de emprestar Tozé ao Estoril foi tomada pelos responsáveis portistas e ao fazê-lo deviam ter pensado que, tratando-se de um jogador talentoso, havia o risco de jogar contra o FC Porto e, como se verificou, fazê-lo bem. Tozé está no primeiro de dois anos de empréstimo na Amoreira e está a fazer pela vida, se demora mais ou menos a sair de campo não é problema nosso. A pressão que se está a fazer sobre o rapaz é vergonhosa e cobarde, principalmente pelo facto de se pôr em causa as palavras do próprio quando afirma ser portista. Até Pinto da Costa já seguiu por esse caminho, situação que me entristece ainda mais. O que ganha o clube em ajudar a queimar um dos jogadores mais talentosos que saiu da formação nos últimos anos?

No meio destas parvoíces todas vamos perdendo tempo que podia ser aproveitado de forma mais útil, como por exemplo a denunciar as arbitragens que nos têm prejudicado e tanto têm ajudado o Benfica; a debater o futuro do FC Porto tendo em conta a situação financeira da SAD; a tentar perceber os motivos que levaram Pinto da Costa a dar o apoio do FC Porto a Luís Duque; ou a combater os constantes ataques de Bruno de Carvalho a Pinto da Costa e ao FC Porto. Qualquer umas destas opções é sem dúvida muito melhor do que andar a discutir a forma caricata como o Quaresma se veste ou se o Casemiro é um 6 ou um 8.


3 de novembro de 2014

O novo patinho feio


"Casemiro não é 6". Luís Freitas Lobo deu a sentença e os portistas vão atrás. Logo no primeiro jogo que comentou do FC Porto esta época colocou um rótulo no internacional brasileiro que está a ser difícil de arrancar. Jogue Casemiro bem ou mal, a avaliação que grande parte dos portistas faz à prestação do camisola 6 é sempre a mesma: jogou mal e faz faltas em excesso. Exemplos não faltam por essa Bluegosfera fora.

Tomando o jogo mais recente como exemplo, o do passado sábado frente ao Nacional, em que apesar de lhe ter sido (mal) exibido um cartão amarelo aos 19 minutos de jogo, Casemiro conseguiu ser dos jogadores que mais bolas recuperou durante todo o jogo e foi importantíssimo após o 2-0 com intercepções corajosas e que impediram o visitante de reduzir a desvantagem no marcador. Após isto, um pouco por todo lado, fiquei com a sensação que quase toda a gente achava que o brasileiro tinha estado mal, que não é o tipo de jogador que a equipa precisa e que não foi expulso porque teve sorte. Como já referi, é esta a avaliação que lhe é feita jogue bem ou jogue mal, como se de uma coisa predefinida se tratasse. Lopetegui lançou uma meio-campo mais ofensivo que o habitual talvez com o intuito de resolver o jogo mais cedo e puder gerir alguns esforços para o jogo frente ao Bilbao. O 1-0 chegou cedo, mas o 2-0 demorou a chegar e pelo meio Quintero teve de sair para entrar Herrera equilibrar defensivamente o meio-campo. Até aí coube praticamente ao Casemiro parar sozinho as investidas dos madeirenses. Mesmo sabendo que já tinha cartão amarelo que lhe havia sido exibido numa falta cavada pelo jogador do Nacional e enquanto tentava emendar um erro do Maicon.

Casemiro é um jogador duro? É. Pode corrigir isso? Claro que sim. E se não o fizer? Paciência, temos de nos adaptar à ideia de ter um Javi García na nossa equipa. Mas, sinceramente, não me parece que seja esse o caso. Simplesmente não podemos olhar para um jogador e procurar apenas os defeitos. Casemiro é bom no jogo aéreo, é seguro no passe, fiável na saída de bola e forte no desarme. Por vezes faz uso excessivo da força, mas nunca fiquei com a sensação de que o fez com o único objectivo de aleijar o adversário. Numa equipa "macia" como é a generalidade da equipa portista, um jogador como o Casemiro pode ser fundamental.

Nos últimos anos os portistas têm procurado de forma incessante a presença de um patinho feio no plantel. Espero que Casemiro não seja o próximo a ocupar esse lugar que até há bem pouco tempo era, ou ainda é, de Herrera.

1 de novembro de 2014

Que Porto esperar?


Hoje o FC Porto recebe o Nacional da Madeira e nada menos que a vitória interessa. Para a garantir, Lopetegui convocou os mesmos 18 que venceram o Bilbau e o Arouca, dando assim sinais que a rotatividade desmedida, pelo menos por agora, acabou. Mas tendo em conta a importância do jogo da próxima quarta-feira frente ao Bilbau - onde uma vitória aliada à previsível vitória do Shakhtar sobre o BATE Borisov coloca imediatamente o FC Porto nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões - irá o treinador espanhol repetir também o onze?

Há três jogos atrás a resposta seria óbvia: não. Indi esteve condicionado durante a semana, Herrera tem jogado sempre, Óliver e Quaresma tem mais que qualidade para serem titulares, Rúben Neves tem entrado bem nos jogos e Jackson tem apresentado há várias semanas queixas no joelho. Tudo isto seriam motivos para ponderar alterações, mas o "novo" Lopetegui tem andado mais conservador em relação à equipa titular e, uma vez que isso lhe trouxe resultados positivos, torna-se difícil prever o que lhe vai na cabeça. A minha aposta vai para a entrada de Maicon como titular no lugar que foi ocupado no último jogo pelo Indi e talvez mais uma alteração. Estando o jogo decidido, aí sim, será de pensar em poupar alguns minutos de jogo a um ou outro jogador.

Enquanto se canta, não se assobia.


A mensagem é clara e foi colocada estrategicamente junto a Lopetegui para a conferência de imprensa de antevisão a este jogo. Durante a mesma o técnico portista afirmou que "a História e a mística dizem que o FC Porto se une em todas as situações" para acrescentar que o objectivo é ser campeão e que "estamos juntos, contra tudo e contra todos", deixando também ele o apelo à união entre adeptos e equipa. Foi esta a forma oficial do clube reagir aos últimos episódios no Dragão e que em nada ajudam o FC Porto. Mais logo veremos como a mensagem foi recebida pelos visados.

Há uma linha que separa o primeiro do segundo lugar


Ontem o Benfica bateu o Rio Ave por 1-0 num jogo que ficou marcado por mais um golo mal anulado a um adversário dos encarnados e também pela constatação que a BenficaTv tem uma certa dificuldade em traçar linhas paralelas. Esta época a arbitragem tem estado terrível - para nós portistas, claro, porque há quem não tenha razões de queixa; bem pelo contrário - e neste momento é a única coisa que segura o Benfica na frente do campeonato. Este fora-de-jogo adiou a queda por pelo menos mais uma jornada, até quando mais durará a mentira? Curiosamente, as arbitragens têm dado a ambas as equipas aquilo que elas neste momento mais precisam: ao FC Porto motivos para que consiga unir os adeptos com a equipa e ao Benfica pontos. Lopetegui diz que os Dragões não precisam de motivação externa, mas o ideal seria mesmo que os encarnados parassem de ter ajuda externa.

28 de outubro de 2014

O que é Ser Porto?

Jackson e Danilo foram dois dos galardoados ontem pelo FC Porto com um Dragão de Ouro, sendo que o colombiano é já repetente depois de também ter recebido um em 2013. Nenhum deles é português e os anos de serviço no clube podem ser contados pelos dedos de uma mão e ainda sobram dedos. No entanto, Jackson é um dos capitães de equipa e Danilo também está na hierarquia da braçadeira, como se pode comprovar no jogo de sábado em Arouca. Saberão eles o que é Ser Porto? Quando é que alguém pode dizer "eu Sou Porto"? E afinal o que quer isso dizer?

Estas perguntas e todas as que se podem fazer sobre este tema são de difícil resposta. Mas, como disse o Hélton, há uma diferença entre torcer pelo Porto e Ser Porto. Como não consigo descrever as diferenças, decidi trazer alguns exemplos do que não é Ser Porto.

23 de outubro de 2014

A importância da comunicação

"Vivemos na Era da Informação", é uma das frases que mais se ouve e lê por aí. Vivemos na Era da Contra-Informação, acrescento eu. Nós, portistas, estamos habituados a ler no inicio de todas as épocas que alguém ligado ao FC Porto afirma que o clube é candidato a vencer tudo, Liga dos Campeões incluída. No fundo, a grande maioria sabe que isto são palavras de ocasião e que poucos são aqueles que se podem dar ao luxo de assumir uma candidatura à mais difícil prova de clubes do mundo. Internamente, é normal que uma equipa como o FC Porto seja candidata a vencer todas as provas, mas de candidato a vencedor há um longo caminho a percorrer. Não podemos esquecer nunca que também Benfica e Sporting têm as mesmas ambições e que, fruto de anos e anos de seca, têm agora adeptos muito mais compreensivos e fáceis de agradar. Além disso, têm o apoio da esmagadora maioria da comunicação social, algo que o FC Porto nem sonha.

Nas últimas semanas não faltaram exemplos que comprovam tudo aquilo que escrevi. Jorge Jesus, em entrevista ao Record, afirmou não acreditar que uma vitória do Benfica numa final da Liga dos Campeões levasse tantos benfiquistas ao Marquês como quando os encarnados vencem o campeonato; antes da viagem à Covilhã para o jogo da Taça de Portugal, Jonas junta-se a Jorge jesus na campanha de desvalorização e de desculpabilização de uma possível eliminação em outras competições dizendo que "importante é o campeonato"; o Sporting vence no Dragão com a ajuda da equipa de arbitragem e nenhum meio de comunicação social falou no assunto, dando destaque apenas ao mau jogo do FC Porto; o mesmo Sporting perde frente ao Shalke 04 e culpa a arbitragem, atitude seguida por todos os meios de comunicação; o Benfica visita o Mónaco e empata a zero, Jorge Jesus junta-se ao choro de Marco Silva e ataca a UEFA.

Enquanto que o FC Porto usa os meios de comunicação para se auto-pressionar, Benfica e Sporting usam-nos para se desculparem. Enquanto que os adeptos do Benfica ficam felizes por vencer uma campeonato de longe a longe, os adeptos do FC Porto anseiam pelo dia de ver um treinador bicampeão pelas costas e os do Sporting nem sabem o que isso é e festejam segundos lugares ou eliminatórias da Taça como se de títulos se tratassem. Enquanto que para Benfica e Sporting os níveis de exigência estão em baixo, para o FC Porto estão estupidamente altos.

Não acho que o discurso adoptado pelo Benfica seja o correcto, uma equipa com aqueles recursos tem de aspirar a mais do que apenas à vitória do campeonato, mas também não acho justo que os portistas achem que o FC Porto tem obrigação de vencer tudo. A virtude anda ali pelo meio, e é assim que o Sporting, com um orçamento e plantem bem inferiores aos rivais, vai lutando. No ano passado não foi suficiente para que vencessem qualquer coisa, mas este ano estão mais fortes e não há ninguém que possa garantir que a história terminará da mesma forma.

A comunicação social, os dirigentes e os treinadores de ambos os clubes, Benfica e Sporting, vão passando a mesma mensagem em uníssono para que a equipa tenha a paz necessária para ir trabalhando. Uma vez que falta ao FC Porto o apoio dos media, cabe à direcção e aos meios de comunicação do clube ajudar Lopetegui a passar a mensagem aos adeptos. Porque situações como as vividas no Dragão nos jogos frente a Sporting e Bilbau são fruto da ignorância dos adeptos.

O FC Porto tem de começar a combater a contra-informação com informação, ou continuará a ficar mais isolado a cada dia que passa. Chega de tentar vender ilusões e passar frases feitas, os adeptos têm de ouvir a verdade e adaptar-se a ela.

22 de outubro de 2014

Vocês são uma vergonha


Os adeptos do Bilbao merecem todo o meu respeito. Coloriram a cidade de forma animada e respeitadora. Vi imensos bascos com cachecóis e outros adereços do FC Porto, sendo que também foram trocando cânticos com a malta da casa. Ok, deve ter havido alguma excepção, facilitada pela Super Bock, mas estas coisas também fazem parte do espírito da Champions. O Atlético de Bilbao está a fazer uma época miserável na Liga Espanhola: oito jogos, uma vitória, dois empates e cinco derrotas. Mas invadiram a cidade invicta para apoiar o clube que amam. Também podia dar o exemplo dos adeptos do Dortmund, mas nem vale a pena, já são mentalidades completamente diferentes, formas muito distintas de interpretar esse conceito de "adepto".

Vocês, que vão ao Dragão assobiar, são uma vergonha. Não merecem o clube que têm, não merecem alapar esse cu no Estádio do Dragão. Não são impacientes, são ridículos. Muitos de vocês já deviam estar a subir a Alameda ou a carregar o Andante quando o Kelvin marcou. E sabem que mais? Fantástico, muito, muito, muitíssimo bem feito! Adorava que isso vos acontecesse sempre. Deliro com o facto de, por nem se terem dado ao trabalho de ficar até ao fim para aplaudir a equipa, terem perdido ao vivo um dos mais momentos mais emocionantes e eufóricos da história do clube. Havia milhares de pessoas que teriam bebido água do mar às refeições durante um mês só para ter um lugar naquele estádio, enquanto outros tiraram bilhete mais cedo.

Ontem, também não faltava quem quisesse ver o jogo ao vivo. Mas uns vivem a quilómetros de distância, outros não têm condições económicas para serem sócios do clube, como eu por exemplo. Nota: bilhetes exclusivos para sócios, mais uma vez, porquê? É que havia imensos bascos espalhados pelas outras bancadas na mesma e havia...

O tema já é um clássico no debate entre portistas. Assobiar ou não assobiar, eis a questão. Não, foda-se, não!! A equipa é nova, jovem, está em construção. Precisa de apoio e de sentir empurrada pelo SEU público, não puxada para trás à mínima coisa. O Maicon está hesitante com a bola nos pés porque não tem linhas de passe. Sabem o que fazem os assobios? Põem três jogadores adversários em cima dele. E estou a ser metafórica, para o caso de não perceberem. Temos cometido muitos erros e isso faz a equipa entrar numa espiral de nervos quando as coisas não correm bem, mas isso resolve-se. No entanto, não se vai resolver de um jogo para o outro.

Metam nessas cabecinhas, e estou segura que não deve faltar espaço, que assobiar a equipa não ajuda em rigorosamente nada. Nada. Só faz com que os jogadores se sintam mais pressionados, mais nervosos, mais ansiosos e isso só potencia mais asneiras. É assim TÃO difícil de entender que se as coisas estão más os assobios só as põem piores? Vão ao Dragão para ver a equipa perder? É que se vão, aí tudo bem, os assobios aproximam-vos desse objectivo, sem dúvida.

Ontem foi mais um exemplo brilhante. Algures na primeira parte, uma troca de bola mais pausada a meio-campo foi suficiente para soltar o assobio. Um jogador demora dois segundos a mais a fazer um passe, assobio. Defesa troca a bola, assobio. Um jogador erra um passe, assobio. Fabiano faz uma excelente defesa a negar o golo. Aplaude-se a acção do brasileiro, damos-lhe força? Nããõoo, vamos assobiar mas é. Mas o crème de la crème da noite de ontem foi a substituição de Casemiro. Simplesmente vergonhoso. A exibição do Casemiro poderia ter sido a pior dos últimos dez anos que não há desculpa ou justificação possível para aquilo. A não ser que, claro, o médio fizesse asneira de propósito.

Os jogadores não são burrinhos, não precisam que uma pessoa produza um som agudo com a boca para perceberem que fizeram alguma coisa de errado. E, definitivamente, não param de fazer asneiras por ouvirem assobios.

"Eu pago bilhete, se quiser assobiar assobio, estou no meu direito." Repito: Vais ao Dragão para a ver a equipa perder?
"Oh pah, mas aqueles gajos não jogam nada!" Tudo bem, também me enervo com os golos oferecidos. Mas quero que os erros parem, não quero aumentá-los.
"Pff...ganham milhões e não podem com assobios, as meninas?" Insisto, vais ficar mais feliz se a tua equipa de milhões perder? O dinheiro não faz deles menos humanos. Gostavas de ter um gajo a melgar-te de forma insuportável enquanto fazes o teu trabalhinho?

Se querem mostrar desagrado com a equipa, façam-no. Assobiem, tragam apitos, tragam aqueles dos cães também, berrem, esperneiem, insultem... mas façam isso no fim do jogo. Os jogadores ficam com as orelhas quentes na mesma.

O Futebol Clube do Porto não precisa desse tipo de "apoio" para nada. Fiquem em casa. "Ando aqui a poupar dinheiro para vir ao estádio e é isto?". Olha, pega no dinheiro e vai à ópera, ao cinema, ao teatro, mas fica a milhas do Dragão. Quando o nosso presidente foi insultado na sua própria casa já não sabiam usar o filho da puta do assobio.