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17 de fevereiro de 2016

Os moinhos de vento e os inimigos reais


Ainda o Benfica 1-2 FC Porto se jogava e a imagem acima já rolava pelas redes sociais e era alvo da fúria portista. Dizia-se, entre outras coisas mais ou menos desagradáveis, que os jornalistas da TVI24 não conseguiam disfarçar a costela benfiquista e que este era apenas um dos exemplos. Claro que ir confirmar se o responsável pelo rodapé do já mencionado canal fez algo semelhante nos golos do FC Porto foi coisa que quase ninguém se lembrou fazer.



E não é que fez mesmo? Apesar da pouca pontaria nos nomes - que em poucos segundos foram corrigidos -, a forma como o golo foi transmitido foi a mesma. E é nestas coisas mesquinhas que por vezes se perde energias que deviam ser canalizadas para combater os inimigos reais. Como é o caso do próximo exemplo.

No jogo da primeira volta, também ele apitado por Artur Soares Dias, os especialistas em arbitragem quiseram transformar um lance banal na expulsão de Maxi Pereira.


Toda a análise ao lance pode ser lida aqui no blog, sendo a ideia geral é que o árbitro fez bem ao não dar cartão amarelo ao uruguaio. Aliás, nem falta assinalou sequer, uma vez que o jogo foi reatado com lançamento a favor do Benfica. Mas agora fica o teste para os mais atentos.

Lembram-se desta jogada em que Gaitán acaba por ficar lesionado depois de atingir Maxi e levar com o antigo colega de equipa em cima? O lance é parecido com o da primeira volta, certo? Lembram-se de alguém levar cartão amarelo nesta jogada ou de haver alguém a pedi-lo? E os analistas, o que disseram? A estas duas últimas respondo eu: não, ninguém levou cartão amarelo e não, nenhum dos ex-árbitros incluiu este lance nas respectivas análises. Parece que para essas pessoas a integridade física dos jogadores de algumas equipas valem mais que a de outras. Nada que me espante.

3 de março de 2015

Quando um hat-trick rouba o prémio de MVP, o alegado cansaço do Sporting e Artur Soares Dias

Acho injusto que o prémio de melhor em campo seja atribuído àquele que marcou um golo, embora entenda que um hat-trick num jogo desta importância não deixe grande margem de manobra. Tello foi considerando o MVP do clássico, deixando para trás Jackson Martínez que, não tenho dúvidas, foi o jogador-chave do FC Porto. Tello teve o dom de (finalmente!) aproveitar um trabalho colectivo que lhe permite jogar quase como Wide Receiver ao estilo do futebol americano, sem qualquer preocupação defensiva, deixando o apoio a Danilo entregue a Casemiro e Herrera, com Jackson a ajudar a apagar os fogos a meio-campo resultantes desta peculiar Simbiose. O avançado colombiano tem o dom de se adaptar com facilidade ao companheiros e, ao contrário da moda para a posição, está disposto a ser aquele que serve a equipa em vez de esperar ser servido por ela. A jogar como no passado domingo e em muitos outros jogos, Jackson podia acabar o campeonato sem qualquer golo que não deixaria de ser um enorme destaque na equipa do FC Porto. Acho que não pode haver maior elogio para um ponta-de-lança do que este.

Claro que o trabalho do FC Porto desenvolveu pouco ou nada importaram para os experts. Os verdadeiros motivos foram o desgaste do Sporting e uma má noite de Jonathan Silva. Em primeiro lugar, não posso deixar de dizer que se trata de uma análise um bocadinho primitiva por parte dos opinion-makers ao atribuir a culpa dos três golos ao lateral argentino. "Quem marcou os golos? Foi o extremo-direito? Então a culpa foi do lateral-esquerdo adversário". Não, não é assim que nada disto funciona. O que pode fazer um defesa quando está um para um com um extremo muito mais rápido e quando o resto da defesa está demasiado recuada quer para impedir o Jackson de jogar à vontade, quer para definir uma linha de fora-de-jogo a Tello? Isso então é demasiado evidente no segundo golo, onde Cédric está dois ou três metros atrás dos restantes companheiros de sector. Marco Silva foi traído pela estratégia de pressão alta, com os médios João Mário e Adrien a pressionar bem alto a saída de bola do FC Porto, talvez por não contar com Evandro a tirar William da posição 6 e com Jackson a aproveitar essa "no man's land" para jogar à vontade.

Depois há a questão do desgaste dos jogadores do Sporting. Quem foram os melhores em campo na equipa verde-e-branca? Para a imprensa desportiva foram Paulo Oliveira, William Carvalho, João Mário e Cédric. Curiosamente, todos eles jogaram 90 minutos no empate a zero com o Wolfsburg. Adrien, um dos mais apagados no Dragão, foi substituído aos minuto 64 no jogo europeu já depois de não ter alinhado um único minuto na jornada anterior. No clássico também saiu com o jogo em 60 minutos. Montero, que também não teve uma noite feliz, jogou 12 minutos na passada quinta-feira e também ele não foi utilizado frente ao Gil Vicente. Carrillo fez 30 minutos como suplente utilizado na jornada anterior e actuou cerca de 80 minutos tanto na Liga Europa como frente ao FC Porto. Mesmo em minutos acumulados os jogadores do Sporting estão um bocado atrás dos Dragões. Excluindo os guarda-redes, só William Carvalho (2602 minutos) se aproxima de Jackson e Danilo (2811 e 2749 minutos, respectivamente) na lista dos mais utilizados. Por exemplo, numa comparação directa, Herrera tem sensivelmente os mesmos minutos que Adrien e mais 200 do que João Mário. No entanto, o mexicano acabou o jogo em alta enquanto Adrien, como já referi, foi substituído relativamente cedo na partida e João Mário acabou visivelmente esgotado. Danilo, que esteve em dúvida para o jogo por lesão e que até saiu lesionado, não teve qualquer problema em secar Nani que até tem menos sensivelmente 400 minutos nas pernas. Mesmo Carrillo tem menos 100 do que Alex Sandro. Se o problema fosse mesmo o cansaço, porque é que o Marco Silva deixo o Carlos Mané, que tem estado bem,fora dos convocados? Dito isto, não será simplesmente a equipa do FC Porto superior à do Sporting ou a estratégia de Lopetegui melhor que a de Marco Silva?

No fim do jogo tive oportunidade de escrever o seguinte sobre o trabalho da equipa de arbitragem: "Artur Soares Dias fez uma daquelas arbitragens habilidosas, onde tudo o que era faltinha contra o FC Porto era assinalada enquanto que os jogadores do Sporting iam jogando duro à escala que bem entendessem. O árbitro portuense mandou jogar em três lances duvidosos na área dos leões, perdoou o cartão amarelo a João Mário por falta dura sobre Herrera, enquanto Cédric ainda está a tentar perceber como acabou o jogo. Já Danilo e Alex Sandro levaram cartões amarelos absolutamente ridículos. Há que começara a arrepiar caminho a ver se algum deles chega ao 9.º para o grande dia... Escaparam os árbitros auxiliares, que decidiram bem em todos os lances, ao contrário do que já aconteceu por imensas vezes neste campeonato".

Curiosamente, a arbitragem do clássico foi ao encontro do que Artur Soares Dias já fez no passado, como o exemplo que também descrevi aqui ainda na semana passada: "Mais do que o amolecimento do Estoril (5.º amarelo exibido aos dois defesas-centrais dos estorilistas) para a visita à Luz nesta jornada, importa tentar não lembrar a arbitragem habilidosa no Benfica-FC Porto da época passada onde, talvez para também ele homenagear Eusébio, interrompeu uma jogada em que Jackson seguia isolado para a baliza encarnada para marcar uma falta a meio campo e transformou duas faltas de Garay dentro da grande-área do Benfica sobre jogadores portistas, Quaresma e Danilo, em simulações, sendo que a Danilo lhe valeu o segundo cartão amarelo e o respectivo vermelho. Curiosamente ou não, o primeiro foi mostrado na sequência dos protestos feitos no lance interrompido ao Jackson".

Olhando a estes factos, faz-me um bocado de confusão que Pinto da Costa tenha decidido fazer vista grossa ao trabalho do árbitro no jogo de domingo. Não pode estar tudo bem simplesmente porque o FC Porto ganhou. Erros são erros e num campeonato como este, onde a tendência dos mesmos começou a ser definida desde muito cedo, não se pode estar com paninhos quentes. Artur Soares Dias fartou-se de inventar faltas ao ataque portista dando com isso um empurrãozinho ao Sporting, que ia aproveitando para sacudir a pressão. Num dia mau do FC Porto teria sido o suficiente para inclinar completamente o campo. Entristece-me que se desculpabilize desta forma os tais erros flagrantes que o próprio Pinto da Costa mencionou. Não se pode baixar a guarda desta maneira só porque se ganhou e não percebo o que fez mudar a opinião do Presidente que ainda na época passada afirmou que o árbitro portuense "tem que deixar a arbitragem ou pedir escusa dos jogos do FC Porto".

P.S.: Em Espanha já os toparam...

1 de março de 2015

Três secos e sem espinhas


O Sporting regressa a Lisboa com um 3-0 na mala e com a ideia que até teve sorte. Apesar disso, o jogo não foi fácil para o FC Porto que começou algo nervoso mas que aos 20 minutos de jogo já dominava completamente. O Sporting jogou sempre fechado à procura de um erro que lhe permitisse chegar ao golo, mas esse erro nunca apareceu e o Fabiano acabou por ter uma noite descansada onde não teve de fazer uma única defesa. Mas a Sporttv foi quem mais perdeu esta noite, uma vez que ao minuto 58 viu o share descer em 50%...

Tello teve uma noite de sonho e marcou três golos em outras tantas jogadas em nada diferentes às muitas que já desperdiçou esta época. A velocidade do espanhol foi essencial para desmontar um Sporting apostado em segurar o empate. Jackson continua um monstro cada vez mais difícil de descrever e Casemiro - o jogador com mais recuperações no campeonato segundo os números da Sporttv - continua a ser aquele que tem de dar o corpo à maioria das balas adversárias.

De um momento para o outro, aquilo que aos olhos da generalidade da comunicação social era um Super-Sporting capaz de se bater com qualquer equipa e que andava cheio de peito, voltou a ser o coitadinho que joga com não sei quantos jogadores portugueses e mais uns quantos da formação, que tem gasta um terço no futebol do que gasta o FC Porto e que não está preparado para jogar duas vezes por semana. Só não sei para onde tinham ido estas ideias quando o Benfica foi a Alvalade jogar fechadinho para o empate. O padrão é sempre o mesmo: FC Porto, adversários fracos ou a atravessar um mau momento; Benfica, adversários fortes ou numa excelente forma.

Artur Soares Dias fez uma daquelas arbitragens habilidosas, onde tudo o que era faltinha contra o FC Porto era assinalada enquanto que os jogadores do Sporting iam jogando duro à escala que bem entendessem. O árbitro portuense mandou jogar em três lances duvidosos na área dos leões, perdoou o cartão amarelo a João Mário por falta dura sobre Herrera, enquanto Cédric ainda está a tentar perceber como acabou o jogo. Já Danilo e Alex Sandro levaram cartões amarelos absolutamente ridículos. Há que começara a arrepiar caminho a ver se algum deles chega ao 9.º para o grande dia... Escaparam os árbitros auxiliares, que decidiram bem em todos os lances, ao contrário do que já aconteceu por imensas vezes neste campeonato.

O jogo teve ainda a curiosidade de ter Indi a jogar os últimos minutos como lateral-direito. Imagino como se tenham sentido aqueles que olham de lado a uma dupla de defesas-centrais composta por dois esquerdinos ao verem um defesa-central esquerdino jogar na direita da defesa. Muitos portistas deixam-se levar na cantiga dos comentadores que fazem da dupla Indi-Marcano um problema por ambos usarem preferencialmente o pé esquerdo, quando para jogar no FC Porto nunca deve ser o pé preferido mas sim a competência. Competência que não faltou a Evandro, a grande novidade de Lopetegui no onze. O brasileiro não acusou a pressão de substituir Óliver e teve uma actuação muito positiva.

Para terminar deixo uma pergunta extra-Clássico: o que Pintassilgo, Miguel Oliveira e Rui Sampaio têm em comum com Yohan Tavares e Rúben Fernandes?

P.S.: Notícia Record no rescaldo deste FC Porto 3-0 Sporting: Benfica supera FC Porto nos golos marcados. Parece que foram mesmo os encarnados os grandes vencedores da jornada...

25 de fevereiro de 2015

Prestidigitação


O desvio da atenção é o principio fundamental do Ilusionismo. Normalmente utiliza-se um movimento maior e mais espalhafatoso para ocultar outros mais subtis mas de maior importância. Ontem, Portugal assistiu a um número de ilusionismo protagonizado por José Eduardo Moniz com João Gabriel como assistente.

No dia em que foi dado a conhecer ao público que a Comissão de Instrução de Inquéritos decidiu abrir um inquérito à acusação feita a Luís Filipe Vieira por Bruno de Carvalho (manipulação de resultados, para os mais distraídos) e que João Capela e Artur Soares Dias são os escolhidos para apitar os jogos Benfica-Estoril e FC Porto-Sporting, respectivamente, eis que saem da toca os há muito desaparecidos vice-presidente e director de comunicação do Benfica.

Talvez não seja do interesse do clube que representam que se fale muito sobre o esquema proposto por Luís Filipe Vieira a Bruno de Carvalho, que após recusa do presidente leonino parece mesmo ter sido levado avante a solo pelo presidente das águias. Mesmo a nomeação de Capela, que não sofre golos pelo Benfica há 1080 minutos, não parece ser um tema apetecível para os lados de Carnide, principalmente depois do verdadeiro show protagonizado por este no famoso Benfica-Sporting de 2012/2013. E que dizer de Artur Soares Dias? Mais do que o amolecimento do Estoril (5.º amarelo exibido aos dois defesas-centrais dos estorilistas) para a visita à Luz nesta jornada, importa tentar não lembrar a arbitragem habilidosa no Benfica-FC Porto da época passada onde, talvez para também ele homenagear Eusébio, interrompeu uma jogada em que Jackson seguia isolado para a baliza encarnada para marcar uma falta a meio campo e transformou duas faltas de Garay dentro da grande-área do Benfica sobre jogadores portistas, Quaresma e Danilo, em simulações, sendo que a Danilo lhe valeu o segundo cartão amarelo e o respectivo vermelho. Curiosamente ou não, o primeiro foi mostrado na sequência dos protestos feitos no lance interrompido ao Jackson.

Uma jogada de mestre por parte do Benfica, que nos últimos tempos tem mantido algumas divergências com o Sporting, mas em semana de FC Porto-Sporting vira as atenções para cima do maior rival na luta pelo titulo, o FC Porto. Isto tudo, claro, porque não quer que o público esteja com muita atenção aos truques que se vão fazendo no Estádio da Luz.