Mostrar mensagens com a etiqueta Augusto Baptista Ferreira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Augusto Baptista Ferreira. Mostrar todas as mensagens

18 de janeiro de 2016

Procura-se!

Visto pela última vez a 11 de Maio de 2013 perto da Alameda do Dragão, trazia vestida a camisola da imagem. Qualquer informação pode ser útil.

Se sabe de alguma coisa, contacte:
Telefone -  +351 225 570 400 ou +351 225 070 500

Fax - +351 225 570 498 ou +351 225 070 550

E-mail - fcporto@fcporto.pt ou geral@fcporto.pt

2 de janeiro de 2016

#tudonossonadadeles

Se me pedissem para criar uma hashtag o mais ridícula possível para servir de mote para a época de uma equipa sem chama liderada por uma treinador e por uma SAD completamente à deriva, muito provavelmente não conseguiria chegar a algo tão ridículo quanto esta. Não sei quem a criou ou como isto chegou aos jogadores da equipa de futebol, mas o #tudonossonadadeles é agora o pão nosso de cada dia nas redes sociais. Atitude e engenho para fazer disso uma realidade? A maioria deles nem sabe o que essas palavras significam.

O clube foi tomado pela incompetência e, neste momento, apontar o dedo apenas ao treinador é bastante redutor. Não é que ver uma equipa sem qualquer evolução em dois anos não me incomode, porque incomoda e muito - por mim o Lopetegui saía imediatamente -, mas pior que isso é ver quem tem de tomar decisões escudar-se por trás da desculpa que nunca o FC Porto foi campeão mudando de treinador a meio de uma época. Será que ninguém se pergunta se as trocas no passado foram feitas em tempo útil?

Falta tudo a esta equipa, desde a indispensável vontade de ganhar até ao ser uma equipa propriamente dita. O FC Porto vive das individualidades e só não vê isso quem não vê os jogos. É difícil culpar este ou aquele jogador porque quando o plano está todo errado é bastante complicado executá-lo. No entanto, é inadmissível a falta de garra - ou até a arrogância - que se viu em alguns jogos. Cabe à SAD arranjar um treinador que saiba motivar e disciplinar um grupo de trabalho, mas também contratar jogadores que estejam dispostos a isso. Se têm o rabo preso num qualquer grupo de empresários ou nos famosos fundos, chegou a hora de saírem de cena e deixarem tomar conta do clube alguém com liberdade para fazer o necessário para o colocar de novo na rota do sucesso.

25 de novembro de 2015

Citius, Altius, Fortius

Não sei porquê mas tenho a sensação que já escrevi isto aqui. E se tenho essa sensação é porque isto já anda na minha cabeça há muito tempo. Falo concretamente da dificuldade que o FC Porto sente quando os próprios jogadores não são claramente superiores aos adversários. Lopetegui é um treinador muito limitado tacticamente e só muito esporadicamente consegue tirar um coelho da cartola.

Pinto da Costa - que de uma assentada denegriu não só o trabalho de Vítor Pereira e André-Villas Boas, que em conjunto ganharam, entre outras coisas, três campeonatos e uma Liga Europa, mas também de todo o actual plantel - disse que com James, Hulk e Falcao qualquer um ganhava, mas por ter a equipa que tem agora é que precisa do Lopetegui. A minha pergunta é simples e directa: para quê?

Para continuar a insistir em ideias absurdas que nunca darão resultados? Para continuar a dizer nas conferências de imprensa que todo e qualquer adversário é de exigência máxima e depois rodar meia equipa? Ou para o FC Porto continuar dependente do que cada jogador consegue fazer individualmente e não como parte de uma equipa?

O nível de exigência no Dragão está a diminuir ano após ano. A continuar assim, não demora muito tempo até se andar a festejar uma Taça da Liga na Avenida dos Aliados. Mas antes disso acontecer proponho o seguinte: mudar o lema actual - Competência, Paixão, Ambição e Rigor - para Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. Sempre se ajusta mais para uma equipa que não ganha nada há mais de dois anos e nem parece muito empenhada em alterar isso.

24 de novembro de 2015

Resultado normal

O treinador do Dínamo de Kiev disse na antevisão do jogo que o FC Porto era uma equipa com fragilidades defensivas visíveis a olho nu. E não se ficou pelas palavras, decidiu explorá-las e ganhou a partida e, muito provavelmente, a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Do outro lado, Lopetegui continua a ignorar todas as dificuldades que a equipa sente jogo após jogos. Desde a dificuldade em sair a jogar porque os jogadores estão todos excessivamente afastados uns dos outros; ou a dificuldade em circular a bola sem recorrer frequentemente a passes longos porque os jogadores estão todos excessivamente afastados uns dos outros; ou a dificuldade em recuperar rapidamente a bola após a perda da mesma porque a equipa não consegue pressionar eficazmente porque os jogadores jogam todos excessivamente afastados uns dos outros; sei lá... Já alguém reparou que os jogadores jogam todos excessivamente afastados uns dos outros?

O FC Porto não funciona como uma equipa e, graças a isso, hoje as individualidades não conseguiram salvar após erros individuais de Imbula e Casillas que deram origem aos dois golos ucranianos. Mas engane-se quem acha que sem estes erros os dragões teriam vencido! O Dínamo foi sempre mais equipa e soube sempre o que queria, enquanto do outro lado estava um conjunto de jogadores completamente à deriva. Salvou-se Danilo e pouco mais e ainda estou a tentar perceber como é que o Tello fez os 90 minutos e porque raio se investiu tanto dinheiro no Imbula.

Agora falta ir a Londres defrontar o Chelsea, mas, sem querer ser pessimista, acho melhor começar já a meter na cabeça que a Liga Europa é uma competição muito bonita e honrosa e com certeza que se lá formos parar será com muchas ganas e mucha illusión de a ganhar.

11 de novembro de 2015

A vantagem de não ter memória curta

Jorge Jesus, em tom de ameaça, diz que sabe coisas do ano passado. O que ele sabe do ano passado todos nós sabemos: o Benfica foi campeão porque foi ajudado pelas arbitragem jornada após jornada. No entanto, mesmo após o ex-árbitro Marco Ferreira - que, dizem as más-línguas, foi despromovido porque o jogo dos encarnados em Vila do Conde não correu como o presidente do Conselho de Arbitragem gostaria - ter denunciado pressões por parte de Vítor Pereira sobre os árbitros nas semanas em que estes iam apitar os jogos do Benfica, toda a gente continua a agir como se ninguém soubesse de nada e tentam a todo o custo guardar um segredo que nunca o foi. As caixas com a camisola do Eusébio que valiam jantares para um sem número de pessoas eram o mínimo que um clube poderia fazer perante um trabalho fundamental na renovação do título de campeão.

Um ano depois tudo está diferente. Não sei porquê - suponho que por medo que Jorge Jesus dê um tiro no próprio pé e afirme com todas as letras que o Benfica só foi campeão devido ao colinho monumental -, parece ser o Sporting a beneficiar do estatuto de equipa a empurrar para o topo da tabela. Em Tondela um lançamento dentro de campo dá origem a uma grande penalidade e o golo da vitória ao cair do pano; em Alvalade, contra o Estoril, o fiscal-de-linha faz vista grossa a um fora-de-jogo evidente que nem dois segundos depois se transformou num penálti e em nova vitória dos leões; no último domingo, em Arouca, Naldo comete uma falta do tamanho do mundo quase dentro da pequena-área do Sporting mas Cosme Machado nada assinala. Três jogos com vitórias pela margem mínima, três jogos com dedo da arbitragem.

É fundamental que o FC Porto esteja atento e que obrigue quem de direito a pedir a Jorge Jesus que diga o que sabe do ano passado para que os árbitros não o vão mantendo calado com estes docinhos. Já bastou perder no ano passado devido à passividade com que se encararam os benefícios sistemáticos ao Benfica, permitir o mesmo esta época seria impensável.

P.S.: Em relação ao lance do Naldo em Arouca...



...só não vê o jogador do Sporting a atirar-se para cima do avançado da equipa da casa quem não quer ou quem é cego. Recomendo que tanto o Cosme Machado como o Jorge Coroado, o José Leirós e o Pedro Henriques vão ao oftalmologista o mais rapidamente possível. Caso esteja tudo normal, serei obrigado a colocar a honestidade de todos eles em causa.

25 de outubro de 2015

Irresponsabilidade

Irresponsável. Não encontro melhor melhor adjectivo para descrever Lopetegui. Poucos foram os treinadores que tiveram oportunidade de começar uma segunda época no clube após não terem ganho nada na primeira, mas o espanhol teve-a. E bem, digo. Isto porque a forma como o Benfica foi empurrado para o título na época passada - e agora confirmada pelo ex-árbitro Marco Ferreira - foi demasiado evidente e dificilmente haveria treinador a conseguir combater isso. Mas, no entanto, seria de esperar que os erros que o próprio FC Porto cometeu tivessem sido assimilados pelo treinador de forma a evitar que se repetissem durante 2015/2016. Estava enganado.

A forma inglória como o os azuis-e-brancos foram eliminados pelo Bayern de Munique deveu-se em muito aos castigos de Danilo e Alex Sandro, mas isso não serviu de lição para Lopetegui que continua a gerir os cartões não gerindo. Maxi Pereira falhou a recepção ao Braga porque não houve engenho para forçar o cartão vermelho por acumulação de amarelos na jornada anterior e, dessa forma, ficar indisponível no jogo da Taça de Portugal frente ao Varzim mas poder ser utilizado nesta jornada contra o Braga. Era uma decisão óbvia tendo em conta a lesão de Maicon durante esse mesmo joga e ainda pelo facto de ser uma jornada importantíssima porque Benfica e Sporting jogavam entre si.

O treinador do FC Porto assim não o entendeu e achou que não haveria grandes problemas em ter duas alterações em simultâneo na linha defensiva contra um dos adversários mais difíceis em Portugal e, sem que eu consiga perceber porque, decidiu acrescentar-lhes, por opção, uma alteração a meio-campo e outra no ataque. Foi assim que Tello jogou em vez de Corona e Rúben Neves ficou no banco para que Danilo regressasse ao onze.

Não seria por uma simples troca de extremos que a equipa se ressentiria, mas decidir deixar o melhor médio no banco é um no mínimo arrojado. Sim, porque o Rúben Neves, neste momento, é o melhor médio do plantel. Lopetegui fartou-se de avisar nas últimas semanas para que o jovem capitão dos dragões não se deixasse levar pelos acontecimentos mais recentes, mas parece que foi o próprio a meter os pés pelas mãos ao não lhe dar o voto de confiança para ver como este respondia perante a enorme responsabilidade que é comandar a equipa do FC Porto.

Que fique bem claro: o plantel portista é o melhor em Portugal e com uma margem confortável. As opções que Benfica e Sporting têm não chegam nem perto das que Lopetegui tem ao dispor. No entanto, é importante que o basco se mentalize que não dá para brincar com a sorte e que tem de ser ele próprio a garantir que o FC Porto chega aos jogos mais importantes nas melhores condições possíveis.

Não foi isso que aconteceu nas últimas semanas e, por coincidência ou não, ficaram dois pontos enterrados em pleno Dragão.

P.S.: As tácticas preparam-se durante a semana nos vários treinos da equipa, não é quando o jogo está parado a meio da primeira parte.

21 de setembro de 2015

Unanimemente cegos

Quase todos os órgãos de comunicação social portuguesa têm um ou vários pseudo-experts em arbitragem para que, semana após semana, possam analisar os lances mais polémicos dos mais variados jogos. Muitos não merecem qualquer comentário porque, apesar de fazerem análises de carácter duvidoso, fazê-no tendo como base a própria preferência clubística e não as Leis do Jogo, que muitas vezes até desconhecem. Naturalmente, não é isso que se espera de um ex-árbitro, muito menos de três. Só que Jorge Coroado, Pedro Henriques e José Leirós, actual painel do Tribunal O Jogo teimam em não seguir essa ideia. Já perdi a conta às vezes em que aqui denunciei as incoerências que estes analistas vão apresentando quando chamados a comentar jogadas semelhantes mas de clubes diferentes e continuarei a fazê-lo sempre que achar necessário.

Desta vez, apesar de a tripla ter ignorado completamente uma falta de Luisão sobre Aboubakar dentro da grande-área do Benfica, ficar-me-ei pela análise por eles feita ao seguinte lance:


Todos eles avaliaram o lance como sendo uma jogada de cartão amarelo para Maxi Pereira. Mas o que diz a Lei?
"Um jogador deve ser advertido e exibido o cartão amarelo quando cometa uma das sete infrações seguintes:
• tomar-se culpado de comportamento antidesportivo

• manifestar desacordo por palavras ou por atos

• infringir com persistência as Leis do Jogo
• retardar o recomeço do jogo
• não respeitar a distância exigida aquando da execução de um pontapé de
canto, de um pontapé-livre ou de um lançamento lateral
• entrar ou reentrar no terreno de jogo sem autorização do árbitro

• abandonar deliberadamente o terreno de jogo sem autorização do árbitro"
Nesta lista inicial não há nenhum ponto em que a falta cometida pelo jogador do FC Porto se enquadre como merecedora de cartão amarelo. Por isso, vejamos o que diz no capítulo "Interpretação das Leis do Jogo e Linhas Orientadoras para árbitros":
"Negligência, imprudência, força excessiva

“Negligência” significa que o jogador mostra falta de atenção ou consideração ao entrar sobre um adversário, ou que atua sem precaução.
• Uma falta cometida por negligência não implica nenhuma sanção disciplinar.


“Imprudência” significa que o jogador atua sem ter em conta o perigo ou as consequências do seu ato para o seu adversário.
• O jogador que atue com imprudência deve ser advertido.


“Força excessiva” significa que o jogador faz um uso excessivo da força, correndo o risco de lesionar o seu adversário.
• O jogador que atue com força excessiva deve ser expulso."
Basta ver a repetição por uma vez para perceber que Maxi Pereira, de olhos postos apenas na bola, tenta jogar a mesma sem considerar a hipótese de ter um adversário por perto. Um caso claro de negligência que qualquer pessoa que não faça do anti-portismo a base das análises percebe. Rui Vitória chorou e as carpideiras foram atrás, mesmo que para isso seja preciso mentir de forma descarada e deliberada, chorando de forma disparatada por um segundo cartão amarelo para um jogador que até viu o primeiro injustamente.

18 de setembro de 2015

Um regulamento para o FC Porto e outro para os outros

O empate que o FC Porto conseguiu/consentiu na Ucrânia frente ao Dínamo de Kiev acaba por ser justo face ao que ambas as equipas jogara. Claro que depois de ter o pássaro na mão - e a possibilidade de conseguir uma reviravolta pela primeira vez com Lopetegui ao comando - é doloroso sofrer um golo, muito mais na altura em que foi. Apesar de ter existido a possibilidade de vencer, o empate é um resultado que em nada belisca a ambição portista de seguir em frente na prova.

Quando a equipa da casa chegou ao 2-2 da forma que chegou pensei, na minha inocência, que faria correr muita tinta em Portugal. Após ver as dores que a comunicação social sente a casa mau resultado de Benfica e Sporting, vendo penáltis por marcar a favor das equipas da capital em todo o lado e foras-de-jogo por assinalar aos ataques dos adversários em metade dos golo, assumi que o golo do Dínamo de Kiev ia dar, no mínimo, direito a algum debate. Obviamente que estava enganado, uma vez que pouco ou nada se falou sobre o jogador que, em posição irregular, influencia a acção da defesa do FC Porto.

Pedro Henriques, ex-árbitro, entende que o golo é legal apenas e só porque o jogador não toca na bola, acrescentando que mesmo que se tivesse tentado jogá-la que continuaria a ser legal desde que não conseguisse fazê-lo. No entanto não é nada disso que diz nas regras do jogo disponibilizadas no site da FIFA. Vejamos:
"Um jogador na posição de fora de jogo só deve ser penalizado se, no momento em que a bola toca ou é jogada por um colega de equipa, o jogador, na opinião do árbitro, toma parte ativa do jogo:• interferindo no jogo ou• influenciando um adversário ou• tirando vantagem dessa posição"
Bastava isto para que uma pessoa com conhecimentos mínimos da língua portuguesa e alguns de futebol perceber que o golo é irregular. Mas a FIFA até se dá ao trabalho de explicar alguns lances com recurso a imagens, para convencer os mais cépticos:

Um atacante que está em posição de fora de jogo (A) obstrui o campo de
visão do guarda-redes. O atacante deve ser sancionado porque impede
o adversário de jogar ou poder jogar a bola.
"No contexto da Lei 11 – fora de jogo, aplicam-se as seguintes definições:
(...)
- “influenciar um adversário” significa impedir um adversário de jogar ou de poder jogar a bola, obstruindo claramente a linha de visão do adversário ou, disputando a bola com o adversário.
(...)"
Se após isto tudo há ainda analistas empenhados em afirmar que o golo é legal, paciência. É só mais um acaso em que são usados dois pesos e duas medidas, sendo que o prejudicado nas avaliações é sempre o FC Porto.

P.S.: Por achar que o golo é irregular não significa que ache que a equipa não o podia ter evitado. O jogo só pára quando se ouve o apito, até lá ninguém pode desistir do lance. Fica a lição.

16 de setembro de 2015

Dia de Porto... a quadruplicar!

A chuva que cai em Portugal aconselha a que quem não tenha obrigatoriamente de sair de casa que se mantenha dentro da mesma. Assim sendo, nada melhor que a companhia do FC Porto para ajudar a passar o dia. Futebol (sub-19, equipa B e equipa A) e andebol dos dragões garantem uma quarta-feira bem passada a quem tiver oportunidade de os acompanhar. Aqui fica a agenda completa:

Futebol sub-19 - A equipa de júniores do FC Porto começa a participação na UEFA Youth League com uma visita à Ucrânia para defrontar o Dínamo de Kiev. O jogo tem início às 12h de Portugal continental e transmissão televisiva na Sporttv.

Futebol equipa B - A sétima jornada da II Liga joga-se hoje e a formação secundária dos dragões, actual segunda classificada, defronta o Penafiel. O jogo, que será transmitido em directo no Porto Canal, terá o pontapé de saída às 16h.

Andebol - Com dois jogos disputados no campeonato e outras tantas vitórias, o FC Porto defronta às 18h, no Dragão Caixa, o Madeira SAD. O Porto Canal também fará as honras da transmissão em directo.

Futebol equipa A - A cereja no topo do bolo será o Dínamo de Kiev - FC Porto a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Tal como o jogo versão sub-19, também os graúdos terão transmissão televisiva na Sporttv sendo que o início está marcado para as tradicionais 19h45.

14 de setembro de 2015

Quem não tem cão caça com gato

Quatro jogos, quatro defesas-esquerdos. É esse o destaque que a comunicação social tem dado quando avalia as escolhas de Lopetegui. No entanto há uma coisa que, na minha opinião, é muito mais importante do que quem está a defender no lado esquerdo da defesa: o meio-campo. E aqui o cenário tem sido bem mais instável que na defesa - que apesar de ter trocado um elemento em todos os quatro jogos os outros três mantiveram-se inalterados -, uma vez que o treinador basco já usou três combinações diferentes e com uma troca de sistema de jogo pelo meio. Em 4-3-3 frente a Vitória de Guimarães e Marítimo (Danilo, Imbula e Herrera), passando ao 4-2-3-1 contra Estoril (Danilo, Imbula e Brahimi) e Arouca (Rúben Neves, Imbula e André André).

Durante a pré-época foi noticiado quase diariamente o interesse que o FC Porto tinha em adicionar um 10 ao plantel para colmatar a falta de criatividade que a equipa vem demonstrando. Até bem perto do fecho do mercado foi a Herrera que Lopetegui atribui o papel de apoiar o ataque, mas, com o aproximar do dia 31 de Agosto e sem a chegada do tal jogador, decidiu procurar no plantel alternativas. A primeira foi Brahimi na posição 10 que, apesar de ter resultado numa fase inicial, acabou por obrigar o treinador espanhol a fazer uma substituição para corrigir o meio-campo ainda na primeira parte. Nesta última jornada, em Arouca, assistimos à segunda tentativa de remediar a ausência de um médio criativo: dar a titularidade a Rúben Neves e André André.

Os novos número 6 e 20 dos dragões deram à equipa mais qualidade e segurança na posse de bola quando se compara com os habituais titulares Danilo Pereira e Herrera, disfarçando assim a incapacidade em criar jogo que a equipa vinha demonstrando. O maior prejudicado disto tudo foi o ex-Marítimo, porque tem tido exibições positivas desde que chegou ao Dragão e viu-se de um momento para o outro na condição de suplente. Por outro lado, André André acabou por ver premiadas as exibições que conseguiu quando chamado ao jogo nas três primeiras jornadas.

E aqui chegamos ao grande problema: o que fazer com Imbula? Ainda é cedo para rotular um jogador, mas as exibições do francês estão muito longe do nível que fizeram o FC Porto pagar €20 milhões por ele. Será boa ideia continuar a dar-lhe a titularidade apesar de haver elementos em melhor forma? Ou seria mais prudente e producente escolher outro jogador para o onze e dar ao número 25 a possibilidade de entrar na equipa aos poucos até atingir a condição física ideal? Um assunto muito delicado para Lopetegui tratar, uma vez que lhe cabe fazer o melhor pela equipa, mas, ao mesmo tempo, tem às costas a pressão de uma estrutura que não gosta de ver activos caros fora de campo.

30 de agosto de 2015

Doce ironia

Não há como fugir ao problema: o FC Porto fez uma péssima exibição frente ao Estoril. O 2-0 não denuncia as dificuldades que a equipa visitante causou aos dragões, que continuam ainda à procura da melhor forma de abordar a época. Lopetegui optou por abdicar do 4-3-3 para dar uma oportunidade a um 4-2-3-1 com Brahimi como maestro, entregando as tarefas defensivas do meio-campo apenas a Danilo e Imbula. Esta alteração aliada às exibições miseráveis de Varela e Tello foram motivos mais do que suficientes para que o Estoril conseguisse dividir o jogo por largos períodos, mas, ironicamente, foi o novo posicionamento e a capacidade de desequilíbrio do argelino que permitiram ao FC Porto marcar o 1-0 e desbloquear um jogo que prometia e provou ser complicado.

Com a vantagem no marcador o treinador espanhol não hesitou e, ainda antes do intervalo, trocou Varela por André André e reestruturou a equipa num 4-3-3. Como o próprio disse, cada equipa tem direito a três alterações e estas podem ser feitas em qualquer altura, no entanto não deixa de ser estranho que seja tão lesto a recompor a equipa para defender um resultado, mas que lhe faltem as ideias quando tem de correr atrás do resultado. O facto de nunca ter comandado a equipa numa reviravolta é preocupante.

Brahimi pareceu motivadíssimo com o regresso a uma posição que considera ser a que lhe dá oportunidade de oferecer à equipa tudo o que tem e acabou por ser o melhor jogador em campo. Este novo esquema, após este fim-de-semana, merece continuar a ser ponderada por Lopetegui quase exclusivamente por este motivo, porque grande parte dos indicadores foram muito maus...

23 de agosto de 2015

Optimistas vs. Pessimistas

FC Porto traz um ponto da Madeira

A entrada a perder (Edgar Costa marcou aos 5 minutos) deixou o FC Porto em maus lençóis sabendo que o Marítimo é uma equipa forte a jogar em contra-ataque. No entanto, isso não foi suficiente para demover os comandados por Lopetegui a irem à procura da vitória que até podia ter chegado no último segundo: Maxi Pereira aparece na grande-área da equipa da casa e cabeceia a bola que vai direitinha à trave da baliza defendida por Salin. O empate, que chegou ainda antes do intervalo por Herrera após passe de Imbula, acaba por ser um mal menor tendo em conta a dificuldade e as circunstâncias que o jogo apresentou e ainda o facto de a formação dos dragões ter perdido mais de metade dos titulares em relação à última época.

Jogo cinzento custa dois pontos aos dragões

Brahimi e Cissokho foram as novidades em relação ao onze que bateu o Vitória de Guimarães por 3-0, mas quem viu ambos os jogos fica com dificuldades em acreditar que houve tão poucas mexidas em relação à semana passada de tão apagada que foi a exibição portista. Valeu ao FC Porto as exibições individuais de Brahimi, Danilo Pereira e Marcano - todos os outros estiveram entre o medíocre e o mau - caso contrário o resultado poderia ser bem pior. Segunda época de Lopetegui e, à segunda jornada, a falta de consistência exibicional da equipa que marcou a última temporada já se faz notar. Sinais preocupantes para uma equipa que quer recuperar o título de campeão.

----------------------------------------------------------------------------------

A verdade andará algures pelo meio. A única coisa que merece unanimidade é que quando tudo falha há uma coisa que não pode faltar: a atitude. E atitude foi coisa que pouco se viu na equipa portista.

18 de agosto de 2015

Uma análise inédita

Quem acompanha minimamente este blog sabe que um dos meus alvos preferido é o Tribunal O Jogo. Não pela ideia em si, que boa, mas forma como foi concretizada e pela oscilação de critérios dos ex-árbitros na análise aos vários lances que vão apresentando. Este domingo o ridículo voltou a ser redefinido por quem escolhe as situações para o painel analisar.


Fui contra a vinda do Maxi Pereira para o FC Porto e vou continuar a sê-lo. Não só por tudo o que ele representou como jogador do Benfica nos últimos oito anos, mas também pelo contrato absurdo que recebeu para se mudar para o Dragão. Acho que esse dinheiro podia ser canalizado para coisas mais importantes, como por exemplo a renovação do Alex Sandro. O clube abriu um precedente grave e que pode ter consequências desagradáveis cada vez que quiser contratar ou renovar contrato com alguém.

No entanto, tudo isso não me impede de comentar esta palhaçada. O uruguaio já é um velho conhecido do futebol português, mas foi preciso vestir de azul e branco para que a vocação que tem para cometer faltas seja analisada a pente fino. Os analistas, depois de anos e anos a arranjar desculpas para as dezenas de vezes em que os árbitros perdoaram expulsões ao Maxi, vieram agora, logo no primeiro jogo pelo FC Porto, reclamar a existência de uma falta anterior à que lhe rendeu um cartão amarelo também ela merecedora dessa sanção e, como tal, ficou um cartão vermelho por mostrar ao agora jogador portista.

Toda esta situação tem tanto de ridícula como de inédita. Esperemos para ver se o critério será alargado a todos os jogadores de todas as equipas ou se será exclusivo ao camisola 2 do FC Porto.

17 de agosto de 2015

Um filme já visto

Há pelo menos duas coisas em que a Televisão portuguesa é rica: filmes repetidos e intervalos gigantes. Este fim-de-semana foi mais do mesmo.

Com o primeiro terço da obra cinematográfica que conta a história de uma qualquer jornada de um campeonato de futebol a ser exibido logo na noite de sexta-feira, foi-nos possível ver um jogo de futebol carregado de incertezas até ao último segundo e que acaba por ficar decidido num lance em que um jogador efectua um lançamento de linha lateral dentro de campo mesmo nas barbas do fiscal-de-linha e, por ironia do destino, essa irregularidade dá origem ao golo que oferece a vitória por 1-2 a um dos - embora auto-denominado - candidatos ao titulo de campeão. Depois disto, intervalo de quase 24 horas.

Na noite de sábado o filme continua mas pouco de relevante acontece. Outro dos candidatos, talvez o maior de todos, vence por 3-0 um jogo que dominou por completo. O adversário pouco conseguiu fazer tal foi a forma como foi dominado. Depois disso foi preciso esperar novamente perto de 24 horas para saber como seria o desfecho deste enredo.

Eis que chega a noite de domingo. Novo jogo e novos desenvolvimentos. A equipa da casa começa de forma tremida e logo à passagem do minuto 15 devia ter visto o árbitro assinalar-lhe uma grande penalidade contra, mas, como seria fácil de prever para quem seguiu a história com atenção, nada foi marcado e a partida continuou. Perto do intervalo de jogo mais do mesmo: um jogador dos anfitriões comete falta para penálti mas que escapou aos olhos de toda a equipa de arbitragem. A segunda parte da partida foi muito rápida. Novo castigo máximo por assinalar contra os visitados que, pouco depois chegam ao 1-0, seguindo-se o 2-0 através da conversão de uma grande penalidade mal assinalada contra os visitantes e num fôlego chegam os terceiro e quarto golos. Fim do jogo; goleada.

Para quem não se recorda, este filme foi repetido vezes sem conta nos últimos 12 meses. Por isso desengane-se que acha que a vergonha que foi o último campeonato faz parte do passado porque não faz. A época 2015/2016 começou tal e qual como a 2014/2015, onde foi possível ver o Benfica ser fortemente ajudado pela N.ª Sr.ª do Amparo. O aviso foi feito há um ano mas vale a pena repetir: não basta ao FC Porto ter a melhor equipa porque o Benfica com um bocadinho de ajuda transforma com facilidade uma exibição cinzenta numa vitória por números expressivos.

Que desta vez a estrutura portista não acorde tarde demais.

15 de agosto de 2015

Bom jogo, bons golos e... Herrera

Primeiro jogo, primeira vitória. O FC Porto recebeu o Vitória de Guimarães no jogo de estreia no campeonato 2015/2016 e não deu qualquer hipótese ao adversário de discutir o resultado. Foram três, mas podiam ter sido bem mais. Aboubakar foi o homem da noite - não só pelos dois golos que marcou, mas também pelo que jogou e fez jogar - e Varela voltou a marcar de dragão ao peito.

Apesar da entrada de várias unidades novas na equipa em relação à época passada (Casillas, Maxi, Danilo, Imbula e Varela), os jogadores do FC Porto mostraram já um elevado entendimento e provaram ser possível jogar como equipa desde o primeiro jogo oficial.

Quem teve (mais uma) noite para esquecer foi Herrera. O mexicano falhou em quase todos os aspectos de jogo e foi, sem surpresa, o primeiro a ser substituído. André André, que foi o escolhido para render o camisola 16, entrou muito bem na partida e, a continuar assim, promete lutar por um lugar no onze a curto prazo. Numa altura em que se fazem contas ao excesso de jogadores para o meio-campo no plantel e se vai noticiando a possibilidade de chegar mais um médio criativo, não deixa de ser irónico que aquele que mais debilidades apresenta continue como titular. Neste momento Lopetegui tem ao dispor um lote de médios de enorme qualidade, mas, lamentavelmente, Herrera não é um deles.

O arranque foi promissor e não há dúvidas que o FC Porto tem tudo para ser campeão. Cabe agora a Lopetegui convencer a SAD que para ganhar campeonatos não pode estar sempre a fazer a equipa a olhar para a carteira. A valorização de jogadores faz-se, entre muitos outros factores, através dos títulos conquistados e não de titularidades por decreto. E neste momento fica toda a sensação de ser o caso do Herrera.

3 de agosto de 2015

Osvaldo e Lucas Lima

Um é ponta-de-lança e o outro médio-criativo. Embora não sejam posições extremamente carenciadas, é notório que se for possível acrescentar alguma qualidade a estes sectores o FC Porto não vai dizer que não. Mas às vezes é preciso saber dizê-lo porque há situações que em nada favorecem o clube, sendo que qualquer uma das duas em que os jogadores se encontram, embora diferentes, são um aviso de problemas futuros.

Osvaldo é um jogador que teve problemas por todos os clubes que passou, sendo conhecidas algumas histórias de agressões a colegas de equipa. Sendo neste momento um jogador livre de assinar porque quiser, decidiu assinar por um clube-empresa uruguaio de segunda linha para poupar uns trocos em impostos quando assinar pelo clube que irá efectivamente representar em 2015/2016. Tendo em conta a bagagem que trás, até que ponto não seria prudente o FC Porto afastar-se do negócio?

Lucas Lima é um caso diferente: 80% do passe pertence à Doyen e talvez seja maior o interesse deste fundo em colocar o jogador no FC Porto do que a vontade dos dragões em contar com ele. Apesar de tudo foi feita uma proposta ao Santos e ao jogador, sendo que o este último não se coibiu de vir a publico classificar a proposta portista como muito má. Apesar disso, o FC Porto parece continuar interessado. O interesse no jogador é real ou é preciso pagar no imediato um favor à Doyen?

O que está em causa não é a qualidade dos jogadores, mas sim as atitudes gananciosas que ambos estão a revelar e os contornos absurdos que os negócios estão a assumir. O FC Porto tem de saber defender os interesses próprios e definir previamente uma linha até onde ir. Permitir todo o tipo de exigências a jogadores e clubes/fundos que detêm os passes é um péssimo caminho a seguir. Osvaldo e Lucas Lima são apenas dois jogadores em milhares com qualidade para jogar ao mais alto nível, por isso não há justificação para que o clube ceda aos caprichos de quem quer que seja.

15 de julho de 2015

Um pesadelo tornado realidade


Maxi Pereira é daqueles jogadores que deixa uma marca por onde passa, principalmente nas pernas -mas não só! - dos adversários. Saber que vai jogar no FC Porto e ainda por cima com um contrato milionário com a duração de três anos deixa-me bastante decepcionado com o clube.

É óbvio que a saída do uruguaio enfraquece, pelo menos para já, o Benfica. Assim como é também evidente que sem Danilo, há muito vendido ao Real Madrid, o FC Porto teria de reforçar a posição de defesa-direito. A pergunta que se impões é a seguinte: conseguirá Maxi Pereira manter a liberdade por parte dos árbitros para continuar a fazer o que melhor sabe? Ou seja, poderá o ex-Benfica fazer de conta que ainda joga de vermelho e continuar a bater em tudo que mexe?

O FC Porto acaba de passar de um lateral que fazia a posição de forma limpa e eficaz, para uma que tem como principal movimento defensivo correr atrás dos adversários e varrê-los. A cereja no topo do bolo é o facto de ficar com a camisola 2, um número cheio de mística que fica agora entregue a um mercenário que trocou uma história de oito anos por uma reforma dourada no maior rival. Depois de algumas facadas com sucesso no Benfica, hoje o FC Porto deu uma facada na própria história.

Não dou as boas-vindas a um jogador maldoso e o meu maior desejo é que chegue alguém com capacidade de lhe roubar o lugar de forma a que jogue o menor tempo possível e tenha uma passagem curtinha pelo Dragão.

P.S.: O vídeo presente neste post está alojado na conta oficial do FC Porto no youtube. Veremos por quanto tempo...

7 de julho de 2015

Um FC Porto à espanhola

Acabado de chegar ao FC Porto e com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões no horizonte, Lopetegui montou uma equipa diferente ao que estávamos habituados: em vez dos tradicionais extremos, foram chamados dois jogadores habituados a jogar pelo centro para jogar nas alas. Foi assim, com Óliver e Brahimi como flanqueadores, que o Lille foi vencido nas duas mãos. Casemiro e Rúben Neves - na altura com apenas 17 anos - funcionavam como médios mais recuados, enquanto Herrera era o médio com mais liberdade. Este modelo de jogo, que facilmente varia para 4-3-3 ou 4-4-2, é muito comum entre as equipas espanholas, sendo Lopetegui espanhol é natural que queira o FC Porto a jogar assim. Foi assim durante algum tempo na última época e, mesmo depois de alterar para 4-3-3, nos jogos teoricamente mais difíceis lá surgia um FC Porto à espanhola: Óliver passava para a ala e o Rúben aparecia no onze em vez do extremo. Quando Casemiro começava a sentir dificuldades durante os jogos era só lançar outro médio - normalmente era Rúben Neves, mas também podia ser o Evandro - e a situação estabilizava.

O que levou Lopetegui a abdicar de jogar claramente do 4-2-3-1 para dar preferência ao 4-3-3? A resposta, embora possa parecer complicada, até é bastante simples: as características dos jogadores. Casemiro, Rúben Neves e Evandro não apresentaram capacidade para cobrir uma área maior do que lhes é pedido normalmente, enquanto o Herrera está longe de ser o médio criativo que o FC Porto precisa. Adrán López e Quintero ainda foram testados no apoio ao Jackson, mas ambos falharam redondamente. O único que parecia capaz de desempenhar qualquer papel que lhe era pedido era Óliver, mas mesmo este tinha um defeito enorme e que não podia ser ultrapassado: apenas pode estar num sítio de cada vez. A solução encontrada, como já disse, foi alterar um pouco a forma de jogar e dispor os jogadores em campo num sistema mais próximo ao 4-3-3.

Um ano depois, parece que o 4-2-3-1 não foi esquecido. Reforços como Alberto Bueno - que tanto joga como avançado mais móvel como atrás no próprio avançado - e  Danilo Pereira, Imbula, André André e Sérgio Oliveira - portadores de uma capacidade física e de condução de bola acima da média -, dão a entender que Lopetegui quer voltar ao sistema que mais confiança lhe dá.

Com a pré-época já em andamento, não falta muito para que a equipa realize os primeiros jogos de preparação e se desfaça por completo esta dúvida. Até lá, vão valendo as teorias em volta de um plantel (aparentemente) sobrecarregado de médios.

23 de maio de 2015

A história repete-se

sensivelmente um ano, após o FC Porto perder tudo o que havia para perder, muitos portistas acharam por bem humilhar os jogadores do plantel, como se bater em que já está no chão ajudasse em alguma coisa. Ontem, no último jogo da época, ambos os grupos de apoio ao FC Porto decidiram dar extensão ao protesto que ocorreu a meio da semana às portas do Olival aproveitando para deixar algumas mensagens que não servem para mais nada além de dar aos rivais mais qualquer coisinha com o que gozar. Ainda bem que o ridículo não mata, porque se o fizesse por estes dias o FC Porto teria perdido milhares de adeptos prematuramente.

Os portistas estão para o plantel como aqueles pais que passam o ano todo a dar palmadinhas nas costas dos filhos quando estes voltam da escola com teste negativo atrás de teste negativo, permitindo-lhe ainda que usem todo tempo livre todo para brincar negligenciando dessa forma o estudo, mas que no fim do ano lectivo, ao verem que os filhos terão de repetir o ano, decidem castigá-los durante todas as férias do Verão.

 Não sou contra os protestos e há mensagens que têm de ser passadas de fora para dentro, embora seja apregoado aos sete ventos que o clube é comandado de dentro para fora. O problema aqui é que o tempo útil destas mensagens passou há imenso tempo, tendo sido o empate na Madeira contra o Nacional a última oportunidade para a deixar.

Durante toda a época os grupos de apoio organizados, assim como muitos outros adeptos, preferiram andar aqui e ali em manifestações de apoio, fazendo juras de amor e de apoio incondicional, tornando o gesto ineficaz devido à utilização em excesso. De todas elas, só a realizada espontaneamente após o roubo colossal em Braga se justificou em pleno. Todas as outras tiveram o seu pedaço de exagero.

No entanto, não deixa de ser positivo que, após vários anos em que pareciam domesticadas pela SAD, as claques voltem a ser uma voz de protesto. Só lamento que o alvo escolhido não tenha sido o mais correcto, mas também não se pode exigir tudo de uma vez. Que 2014/2015 tenha servido de lição para todos, uma vez que, aparentemente, não foi o caso de 2013/2014.

20 de maio de 2015

Mitos contemporâneos

Boavista 0-2 FC Porto
Quando uma equipa como o FC Porto não vence o campeonato existem, praticamente, apenas duas opções para o justificar: ou foi porque falhou redondamente, como foi o caso de 2013/2014 com Paulo Fonseca; ou então porque falhou num qualquer momento que, a posteriori, vai-se a ver era um momento-chave. Embora seja uma conclusão básica, não deixa de ser engraçado que haja pessoas a serem pagas para dizer isto semanalmente um pouco por todos os meios de comunicação. E fazem-no com o orgulho próprio de quem acabou de descobrir a roda ou mesmo o fogo.

FC Porto 3-0 Sporting
Como o FC Porto perdeu o campeonato a uns abismais três pontos do melhor Benfica de todos os tempo torna-se difícil incluir o campeonato na categoria dos catastróficos, há que vender a ideia de que os comandados por Lopetegui falharam em todos os momentos-chave da época. Não foi em um nem em dois, foi em todos. Quem o diz são os especialistas e grande parte dos portistas vão na onda, alinhando muitas vezes chorrilho de críticas à equipa que tem tanto de injusto como de injustificado.

SC Braga 0-1 FC Porto
Desde a derrota na Madeira frente ao Marítimo que para o FC Porto todos os momentos passaram a ser momentos-chave. Nessa jornada o Benfica ficou com a possibilidade de aumentar a diferença pontual para nove pontos em caso de vitória mas, curiosamente, os comandados por Jorge Jesus, aqueles que não vacilaram nos momentos-chave, acabaram por sair derrotados de Paços de Ferreira. Depois disso, o FC Porto venceu nas oito jornadas seguintes, mas tratavam-se apenas de momentos banais, presumo.

FC Porto 1-0 Arouca
Se o FC Porto tivesse sido campeão, vitórias como o 0-2 no Bessa mesmo sem Casemiro, Alex Sandro e Danilo convenientemente castigados em simultâneo; o 3-0 ao Sporting com um exibição de encher o olho; o 0-1 em Braga - campo onde a equipa que não vacila em momentos-chave perdeu - mesmo tendo perdido Jackson por lesão com o jogo em 0-0; ou até o suado 1-0 na recepção ao Arouca tendo de jogar 80 minutos em inferioridade numérica tendo jogado a meio dessa semana para a Liga dos Campeões, todos eles levariam o rótulo de momento-chave.

É fácil comprovar que é uma absoluta mentira dizer que o FC Porto não venceu nenhum dos jogos que não podia admitir outro resultado que não fosse a vitória. Por isso é que, para tentar justificar algumas posições, existe a tendência de reanimar velhas tretas como a falta de mística, a teoria que certos jogadores só correm para a Liga dos Campeões, ou dizer que é inadmissível uma equipa que quer ganhar o campeonato ter já empatado por sete vezes.

A diferença entre FC Porto e Benfica desta época reside precisamente aqui. Enquanto que os agora bicampeões viram as equipas de arbitragem ajudar a transformar empates em vitórias (por exemplo na Madeira frente ao Nacional ao anular um golo por fora-de-jogo à equipa da casa quando Marco Matias estava um metro em linha, ou na deslocação ao Estoril em que Enzo Pérez transformou uma simulação grosseira, que deveria ter valido o segundo amarelo ao próprio, numa expulsão para a equipa anfitriã), o FC Porto foi impedido de chegar à vitória pelos mesmos protagonistas (como por exemplo em Alvalade ou em Guimarães).

Não me revejo nas manifestações contra a equipa que, pelo segundo ano consecutivo, alguns adeptos tiveram a infeliz ideia de fazer contra a equipa depois de estar consumada a perda do campeonato. Primeiro, porque o tempo útil de qualquer tipo de pressão psicológica já havia ido há muito tempo, depois porque não partilho da ideia de que houve falta de empenho por parte dos jogadores. O que aconteceu após o empate a zero na Luz deixou a equipa abalada psicologicamente porque toda a gente ficou com a noção de que o campeonato estava perdido. E mesmo o 0-0 frente ao Benfica se deve em grande parte ao desgaste físico e psicológico que antecedeu o clássico. Acreditam que o resultado teria sido o mesmo naquele período de maior fulgor portistas, antes das lesões de Tello e Jackson? Por aqui se percebe a urgência que o Benfica sentiu em adiar a final da Taça da Liga contra o Marítimo para que o FC Porto não tivesse tempo para se recompor.

Em relação ao campeonato em geral, o segundo lugar deve-se em grande parte à inexperiência do treinador e do plantel. Por isso mesmo é fundamental manter o maior número de elementos do grupo actual, treinador incluído, para que não seja preciso recomeçar uma vez mais o processo de maturação. Principalmente porque, apesar da inexperiência, não havia muito o que fazer perante um cenário tão inclinado como foi esta Liga NOS. Bastava tirar as arbitragens da equação que o resultado tinha sido outro e de forma bastante clara. Toda a gente sabe isto, por isso não entendo a tendência de apontar noutras direcções.