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13 de fevereiro de 2016

Crónica de uma vitória saborosa


O sentimento dos adeptos benfiquistas na semana anterior a clássico, muito por culpa da comunicação social, era de que o FC Porto seria goleado na Luz. Talvez iludidos pelo ditado que reza que "querer é poder", achavam que por terem um avançado capaz de fazer hattricks contra equipas de mortos-vivos e de guarda-redes de seriedade duvidosa também bastava querer vergar os dragões. Nada de mais errado.

O jogo começou a ser ganho por José Peseiro no momento em que escolheu o onze titular. Mostrei aqui a minha preocupação sobre o eventual recuo de Danilo para a defesa e foi com felicidade que verifiquei que isso não iria acontecer quando vi Chidozie na equipa. O jovem nigeriano esteve irrepreensível e em muito ajudou para uma vitória num dos terrenos mais difíceis de campeonato. Além disso, permitiu que Danilo continuasse na posição que mais rende e onde é o melhor a jogar em Portugal.

Com Brahimi nas costas de Aboubakar e André André na esquerda, o FC Porto estava com dificuldades em criar perigo, mas, após o 1-0, o treinador portista reajustou a equipa. André Almeida - antigo médio-defensivo dos fracos, promovido depois a lateral-esquerdo de segunda e actualmente lateral-direito de trazer por casa - raramente subia, o que tornava desnecessária a ajuda extra a Layún; no lado portista Brahimi tinha dificuldades em impedir a saída de bola do Benfica, o que levou José Peseiro a somar um mais um, ou seja, passar o argelino para a esquerda e o ex-Vitória para o centro. Com André André em cima de Sanches o Benfica deixou de conseguir construir com facilidade e com Brahimi em cima de Almeida foi o FC Porto a conseguir criar perigo como até aí só por uma ou outra vez tinha conseguido. Um tiro, dois melros.

Além do já mencionado, as alterações promovidas pelo técnico azul e branco tiveram duas consequências que estão directamente ligadas à derrota benfiquista: deixar Herrera completamente solto e tornar Samaris irrelevante. 1-1; Marega para o lugar do apagado Corona; 1-2; Rúben Neves para fechar o meio-campo; Varela para ajudar Layún a partir do momento em que André Almeida percebeu para que lado o Benfica atacava; fim do jogo. José Peseiro tem nota máxima uma semana depois a ter tido opções de carácter duvidoso na derrota frente ao Arouca. Rui Vitória nunca conseguiu reagir.

Além de José Peseiro e o habitual Danilo, nota máxima para mais três jogadores. Herrera conseguiu recuperar de uma fase em que em poucos minutos colocou três bolas nos atacantes adversários; Chidozie que não tremeu e jogou como se tivesse dezenas de jogos destes disputados; e Casillas por ter feito a diferença.

E foi assim que o FC Porto trouxe três pontos na bagagem que permitem voltar a ver a luz do título ao fundo do túnel. Já Chidozie foi obrigado a tirar Jonas do bolso e deixá-lo em Lisboa para não ser acusado de furto.

11 de fevereiro de 2016

Rúben Neves ou Chidozie?

A resposta parece simples mas não deveria ser. Face às lesões de Maicon e Marcano, José Peseiro vê-se agora com um enorme problemas entre mãos: decidir se recua o médio em melhor forma para o centro da defesa ou se lança como titular um jovem sem qualquer jogo na primeira liga e que ainda no ano passado era também ele médio. A tentação de colocar Danilo ao lado de Indi deverá levar a melhor sobre o técnico portista, mas Rúben Neves não aparenta ter a capacidade física do ex-Marítimo para disfarçar as deficiências da equipa na transição defensiva. Pede-se por isso que Herrera acorde definitivamente para a vida ou, pelo menos, para este jogo.

Tudo isto era evitável. Bastava a SAD não andar a brincar com a sorte ao ter despachado dois defesas-centrais em Janeiro sem ter contratado ninguém. Lichnovsky foi emprestado para Espanha e Maurício - que apesar de não ser nada de especial era pelo menos um jogador habituado à posição - foi para o Marítimo. Agora a bomba rebentou nas mãos de Peseiro e logo num jogo em que qualquer resultado que não seja a vitória significa um ponto final (se é que já não foi posto no último fim-de-semana) na luta pelo título de campeão.

Que ninguém se engane: isto não é azar, é incompetência e negligência.