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5 de junho de 2016

"Não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação"

Tal como o próprio FC Porto, o Portistas Anónimos vive um período de hibernação, estando num estado de serviços mínimos. Apesar disso, há sempre espaço para partilhar uma ou outra ideia que, à primeira vista, mereça interromper este período de silêncio.

Neste caso iremos para recuar a 21 de Outubro de 2013, quando Antero Henrique em entrevista ao jornal O Jogo disse, entre outras coisas, "não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação". Desde esse dia até ao presente o FC Porto venceu três competições minimamente relevantes em futebol: o campeonato nacional de sub-19 por duas vezes e a II Liga por uma. Enquanto isso, a equipa principal continua em branco. Era interessante que alguém conseguisse explicar o que aconteceu entretanto para que em pouco tempo acontecesse precisamente o oposto do que foi prometido.

A expressão "pela boca morre o peixe" foi, durante alguns minutos, uma forte possibilidade para dar título a este texto.

11 de março de 2016

Uma convocatória que confirma a necessidade de mudar

Em 18 dos convocados do FC Porto para a recepção ao União da Madeira, cinco começaram a época como jogadores da equipa B. João Graça, Francisco Ramos, Víctor García, Verdasca e Chidozie são chamados a uma luta que não estava destinada para eles. Sem querer tirar o mérito ou o valor a qualquer um deles, até porque o primeiro lugar na segunda liga não é obra do acaso, esta situação só é possível por dois motivos: mau planeamento do plantel e má preparação do mesmo.

É tudo menos normal que um plantel composto por 22 jogadores de campo aquando do fecho do mercado em Agosto chegue a esta altura a precisar de recorrer à formação secundária para mais do que preencher uma ou outra lacuna. Então cinco é quase surreal.

Como disse aqui, falta um director desportivo para planear a base do plantel a médio e longo prazo, assim como um staff para trabalhar na sombra, 365 dias por ano, na preparação física e psicológica de cada jogador para que cada um deles, jogue muito ou pouco tempo, muitas ou poucas vezes, esteja nas melhores condições possíveis para responder a cada chamada do treinador.

Se não é normal um plantel ter apenas três defesas-centrais, o que dizer caso o número desça para dois? E quem dá a cara pelo número anormal de lesões musculares que tem castigado grande parte do plantel? É urgente que o clube tome medidas para acabar com estas situações. Mais do que apurar responsabilidades, importa trabalhar para que situações como estas não se repitam.

7 de março de 2016

O campeonato acabou na véspera

"Calma, eu estou aqui" - Xistra ao estilo de Ronaldo
O resultado do dérbi lisboeta foi o pior possível para o FC Porto. O Benfica passou para o primeiro lugar e notou-se desde cedo em Braga um comportamento por parte do árbitro que só com muita sorte permitiria aos dragões sair da pedreira com os três pontos. O FC Porto não fez um jogo brilhante, longe disso, mas Carlos Xistra inclinou sempre o campo a favor da equipa da casa. Djavan deveria ter visto o cartão logo na primeira jogada do encontro, mas depois disso, tanto ele como Baiano, fartaram-se de fazer faltas até verem o amarelo. A mesma sorte não teve André André que à primeira oportunidade ficou condicionado para o resto do jogo. Comparem com Renato Sanches, que no dia anterior só à nona falta foi penalizado com o cartão amarelo e para isso até teve de fazer falta para vermelho. A bola passou por baixo do braço de Suk? Falta contra o Porto. O defesa do Braga corta a bola com a mão dentro da grande área? Casual. O Marafona cai sozinho na pequena área? Falta contra o Porto. O mesmo defesa bracarense coloca os braços sobre Suk, cai e derruba o coreano no interior da grande área da equipa da casa? Pontapé-de-baliza. Foi contra isto que o FC Porto jogou o jogo todo. E perdeu. E ficou com o primeiro lugar bem longe e o segundo pouco mais próximo.

Como já referi, os azuis e brancos não tiveram uma exibição de sonho, mas dominaram por completo a primeira parte, tendo criado várias oportunidades para marcar e consentindo apenas uma ao Braga. Oportunidade essa que nasceu de uma falta clara de Hassan sobre o Danilo que só o árbitro não viu. E o que fez ele depois? Expulsou José Peseiro do banco. A justificação oficiosa é que sem chiclete na boca ninguém pode sair da área técnica e muito menos protestar. Já me esquecia, saber coisas do ano passado também não prejudica nada.

A segunda parte foi diferente, mais dividida, com um Braga mais atrevido que nos primeiros 45 minutos e que viu um golo cair-lhe completamente do céu. Maxi ainda empatou mas o FC Porto continuou a jogar como se ainda estivesse a perder e sofreu dois golos absolutamente evitáveis. Antes disso, José Peseiro cometeu o que, para mim, foi o maior erro da noite: trocou Aboubakar por Suk. E aqui chego aos outros responsáveis por mais uma derrota, que são jogadores e equipa técnica.

O FC Porto não pode continuar a jogar em 4-4-2 - cada um pode dizer o que lhe apetecer e a comunicação social desenhar a equipa em 4-3-3, em 4-2-3-1 ou como lhe apetecer que não faz disso verdade - só com um extremo e com um ponta-de-lança. Não percebo o que um treinador pretende alcançar com o André André como extremo e o Herrera ao lado do ponta-de-lança. basta olhar para a equipa em campo para se ver isso. Eu sei que Corona e Aboubakar estão uma verdadeira miséria, mas começa a ser vergonhoso ter de recorrer a médios para jogar no centro da defesa, nas alas e no ataque. Para que serve a equipa B?

O FC Porto tem bons jogadores na formação secundária, principalmente no ataque. Gleison, Ismael e André Silva têm mais de 30 golos entre eles na segunda liga. Existe um jogador chamado Cláudio, que ainda não percebi se é ponta-de-lança ou extremo e, pelo pouco que vi dele, duvido que venha a ser jogador para a equipa principal. Neste momento preferia vê-lo a ele em campo em vez do Aboubakar ou do Corona, tal é a minha descrença nesta dupla face às exibições do último mês. Não está em causa o valor, o profissionalismo ou até o potencial de ambos, mas neste momento não dá.

José Peseiro tem de melhorar muito se quiser chegar pelo menos até ao fim do contrato. No FC Porto é fulcral agir em vez de reagir e, neste jogo frente ao Braga, desde cedo se percebeu que André André e Rúben Neves estavam a mais. Não era preciso ter sofrido um golo para os substituir. O será que é mais fácil ir atrás da vitória a perder por 1-0? Sim, porque no FC Porto, salvo raras excepções, é obrigatório ir atrás da vitória. 

A partir de hoje faltam 9 jogos para terminar o campeonato e a final da Taça de Portugal e pelo menos uma semana de preparação entre cada um deles. Assim sendo, não admito outro cenário que não seja uma equipa em crescendo exibicional, 27 pontos e a vitória no Jamor. Não foi José Peseiro que construiu este plantel e por isso está livre de culpas em muitas das coisas que têm acontecido, mas esta equipa tem mais do que obrigação de ganhar a qualquer um dos restantes adversários. No final fazem-se as contas.

16 de setembro de 2015

Dia de Porto... a quadruplicar!

A chuva que cai em Portugal aconselha a que quem não tenha obrigatoriamente de sair de casa que se mantenha dentro da mesma. Assim sendo, nada melhor que a companhia do FC Porto para ajudar a passar o dia. Futebol (sub-19, equipa B e equipa A) e andebol dos dragões garantem uma quarta-feira bem passada a quem tiver oportunidade de os acompanhar. Aqui fica a agenda completa:

Futebol sub-19 - A equipa de júniores do FC Porto começa a participação na UEFA Youth League com uma visita à Ucrânia para defrontar o Dínamo de Kiev. O jogo tem início às 12h de Portugal continental e transmissão televisiva na Sporttv.

Futebol equipa B - A sétima jornada da II Liga joga-se hoje e a formação secundária dos dragões, actual segunda classificada, defronta o Penafiel. O jogo, que será transmitido em directo no Porto Canal, terá o pontapé de saída às 16h.

Andebol - Com dois jogos disputados no campeonato e outras tantas vitórias, o FC Porto defronta às 18h, no Dragão Caixa, o Madeira SAD. O Porto Canal também fará as honras da transmissão em directo.

Futebol equipa A - A cereja no topo do bolo será o Dínamo de Kiev - FC Porto a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Tal como o jogo versão sub-19, também os graúdos terão transmissão televisiva na Sporttv sendo que o início está marcado para as tradicionais 19h45.

18 de maio de 2015

A base está construída

Pinto da Costa trouxe Lopetegui para o FC Porto e deu-lhe um contrato de três épocas, tendo ainda o clube a opção de acrescentar outras duas. Significa isto que o plano passa por da estabilidade ao treinador e ao clube, para que haja tempo de alicerçar um projecto sólido. Obviamente que a época que agora termina não é indiferente e que se perdeu uma boa oportunidade de ganhar o campeonato, mas a sensação que deu desde o inicio foi que por muito que o FC Porto fizesse, na hora H aparecia sempre algo a fazer a balança pesar para o outro lado. O empate frente ao Belenenses acaba por ser normal tendo em conta que o campeonato ficou perdido no empate na Luz, embora o treinador e muita gente se recusassem a admiti-lo. O FC Porto perdeu a última oportunidade de ser campeão a trocar a bola na defesa no tempo de descontos desse jogo, quase como se houvesse um qualquer pacto de não-agressão. Depois disto, esperar que fossem os dois últimos classificados ou os amigos madeirenses a ajudar o Vitória de Guimarães a roubar pontos a uma equipa de trintões, programada para bater em mortos e jogar para o pontinho contra os adversários com capacidade para fazer cinco passes seguidos, é inconcebível. Pior ainda quando olhamos para os factos e percebemos que o Benfica jogou sempre com o vento a favor, beneficiando de todo o tipo de ajudas. Mesmo que o cabeceamento do Jackson aos 90'+3' tivesse entrado, o Benfica teria ainda imenso tempo para forçar a vitória - com o sem ajudas - uma vez que o jogo do FC Porto terminou e em Guimarães entrava-se no minuto 88, sendo ainda acrescentados 6 de descontos pelo árbitro. Depois de tanto alarido porque um jogo do FC Porto começou um minuto e alguns segundos atrasado na fase de grupos da Taça da Liga, não deixa de ser curioso que ninguém se dê ao trabalho de mencionar isto. Ou, imagine-se, a LPFP resolver o problema.

O que fica para a História é que o Benfica ganhou dois campeonatos seguidos e, fazendo fé na comunicação social, honra lhes seja feita: acabaram com a hegemonia do FC Porto dos últimos 34 anos. Só mesmo ao alcance dos predestinados, porque nem Sporting e Boavista, responsáveis pelo maior período de seca do FC Porto tendo Pinto da Costa como presidente - 3 épocas -, conseguiram em conjunto alcançar tal feito. Os outros iam ganhando mas a hegemonia portista continuava, só mesmo o Benfica, qual D. Sebastião, para lhe por termo. A que custo ainda vamos ver.

Dito isto, importa não esquecer o seguinte: FC Porto e Benfica, mais próximos do que nunca no que a competitividade diz respeito, cruzaram-se esta época vindo de trajectórias bem diferentes. Enquanto os lisboetas vão espremendo o último sumo de um plantel cada vez mais envelhecido e perdendo a cada janela de transferências opções importantes, deixando ficar apenas os mais velhos, o FC Porto começou o trajecto inverso após ter andado a fazer algo semelhante no pós-Villas-Boas.

Muito se fala no fim de ciclo no Dragão, quando o mesmo fechou com a saída de Vítor Pereira. Neste momento quem se encontra em fim de ciclo é o plantel liderando por Jorge Jesus que, se for/fosse inteligente aproveitava para sair pela porta grande. O clube não se pode dar ao luxo de continuar a fazer uma forcinha para garantir o terceiro lugar na fase de grupos da Champions para tentar vencer a Liga Europa ou, à imagem do que aconteceu este ano, cair mesmo nas provas europeias em Janeiro para se dedicar apenas ao campeonato. As finanças começam a apertar e os anéis já foram quase todos, os adeptos vão começar a exigir mais levados pela euforia de um feito do qual já não havia memória no clube, e os jogadores vão começar a querer novos voos. O FC Porto, fruto do sucesso das últimas décadas, passa por isso quase todas as épocas, veremos como o Benfica se aguentará.

Lopetegui tem agora uma missão diferente da que lhe foi dada na época que agora termina. Este ano chegou com o objectivo de colocar o FC Porto na Liga dos Campeões e preparar a equipa para dominar o futebol português nos próximos anos, no próximo terá de começar a colher os frutos. Para isso será preciso reconstruir o plantel. Entre emprestados, equipa B, quem sabe sub-19 e contratações pontuais, será preciso colmatar as saídas de alguns jogadores que até agora foram fundamentais, como é o caso de Danilo e, muito provavelmente, Jackson Martínez e/ou Alex Sandro.

Apesar disso, existirá sempre a vantagem de manter uma base para começar a nova época sem apressar a integração no onze dos reforços. Isso não foi possível em 2014/2015 fruto dos absurdos 17 novos jogadores no grupo, sendo isso uma das possíveis causas da instabilidade promovida pelo treinador no onze numa fase inicial. Em 2015/2016 Lopetegui já saberá com quem contar, mas, principalmente, com o que contar em muitos dos jogos do campeonato.

O título de sub-19 promete uma nova fornada de jovens talentos nos próximos anos, equanto que na equipa B já há muito o que aproveitar. A classificação não reflecte a qualidade da formação secundária do FC Porto, que em janeiro viu jogadores com Ivo, Kayembe e Otávio partirem por empréstimo e Gonçalo Paciência mudar-se para a equipa principal. Com a chegada da fase final do campeonato de sub-19, tornou-se mais dificil ainda porque foram vários os jogadores que deixaram de poder ajudar os comandados por Luís Castro, ficando assim a equipa B com um grupo muito limitado e a competir na longa II Liga e na Premier League International, tendo mesmo chegado à final da prova.

Estou certo que a próxima época começará com um FC Porto detentor de um plantel forte e competitivo, capaz de dominar no campeonato e fazer uma boa campanha na Liga dos Campeões. A única coisa que poderá impedir o título de voltar ao Dragão será uma combinação de erros próprios com o colinho para os do costume e com a passividade dos responsáveis portistas. No fundo, a mesma formúla que roubou este campeonato ao museu do FC Porto.

18 de fevereiro de 2015

Geração de Ouro?

A últimas épocas têm sido de mudança no que à formação do FC Porto diz respeito. Com o reaparecimento da equipa B ficou mais simplificada a integração dos jovens oriundos das camadas jovens no futebol sénior sem que para isso tenham necessariamente de andar de empréstimo em empréstimo, num processo que por vezes envolve mais sorte com o clube e treinador de destino do que outra coisa. Até então houve o projecto Visão 611 - considerado um fracasso por muitos - que, segundo Antero Henrique, se revelou fundamental para reorganizar a estrutura e para perceber que ter uma equipa B é indispensável.

Graças à aquisição do Porto Canal, hoje em dia a maioria dos portistas está familiarizada com nomes como Gonçalo Paciência, Ivo Rodrigues, ou mesmo André Silva. A estes três podemos juntar Tomás Podstawski, Tozé, Leandro, Rafa, Sérgio Oliveira, Frédéric Maciel e Francisco Ramos que estão ou passaram pela formação secundária do FC Porto e caminham a passos largos para se afirmarem como jogadores de primeira liga e, em alguns casos, no próprio FC Porto e na Selecção de Portugal. Enquanto isso começam a surgir nomes, como Rui Pedro (16 anos) e Rúben Macedo (18 anos), prontos a liderar a próxima geração de Dragões a tentar seguir os passos de Rúben Neves.

Até agora mencionei propositadamente apenas jogadores portugueses para desmitificar um pouco a ideia de que o FC Porto não valoriza os jogadores nacionais mas, no entanto, há também uma lista de jogadores de outros países que têm boas hipóteses de se afirmar de azul e branco. Mikel foi traído por uma grave lesão que o impediu de jogar até agora naquela que deveria ser a época de estreia na equipa principal; Kayembe chegou por empréstimo e entretanto foi adquirido em definitivo e emprestado ao Arouca; Victor Garcia demonstra um potencial enorme e, no meu entender, deve receber o mesmo tratamento de Kayembe: aquisição e empréstimo de uma época na primeira liga; e até Gudiño, que ainda com idade de júnior tem brilhado na equipa B e parece já ter forçado a SAD a decidir exercer a cláusula de aquisição definitiva do passe prevista no actual contrato de empréstimo. Aqui o padrão tem sido esse: um empréstimo inicial com opção de compra que pode ou não ser exercida. Anderson e Sebá, que alinharam pela equipa B no ano de estreia da mesma na II Liga, não tiveram a sorte de serem adquiridos em definitivo, por exemplo. Assim como Pavlovski que está agora no segundo empréstimo e, apesar do talento demonstrado, continua a ter a continuidade no clube em causa.

Todos os mencionados até agora e muitos outros começaram a ter níveis de competição mais altos bastante mais cedo do que muitos que passaram pelo clube no período em que a equipa B estava inactiva. A competição na segunda liga ajuda na adaptação ao futebol sénior, mas há muito mais a explorar para que a evolução dos jovens jogadores seja feita rápida e eficazmente. Falo da UEFA Youth League (a Liga dos Campeões em sub-19) e da Premier League International (competição de reservas organizada pela FA e que decorre em Inglaterra), que oferecem aos jogadores a possibilidade de defrontar equipas mais competitivas e de realidades diferentes, mas também de competições como a Taça de Portugal ou a Taça da Liga que podem e devem ser utilizadas sempre que possível para dar minutos aos mais jovens na equipa principal.

As dificuldades económicas têm sido notadas em todos os sectores, não sendo excepções o futebol em geral e o FC Porto em particular. Não aproveitar todo o trabalho desenvolvido nos últimos anos seria um acto de estupidez sem precedentes. Com todas as ferramentas adquiridas no último par de anos, o FC Porto está agora em posição de começar a colher os frutos que vem cultivando. Haverá coragem para isso?

10 de novembro de 2014

O profissional Tozé


Há certas coisas que me tiram do sério e a perseguição que muitos portistas estão a fazer neste momento a Tozé é uma delas. Tudo isto, imagine-se, porque o rapaz teve o descaramento de ser derrubado por Fabiano na área do FC Porto e, não bastando, ainda se deu ao luxo de converter com sucesso o penálti que daí resultou. Por isso, porque se ficou a queixar no chão após um choque com Indi e porque saiu a passo quando foi substituído, há neste momento um grupo de génios que tratam Tozé por benfiquista de Esposende.

"O Porto é o clube do meu coração", disse o próprio na flash interview no final do encontro, palavras das quais não encontro motivo nenhum para duvidar. Admiro-lhe a coragem e espero que continue a jogar e evoluir no Estoril para que um dia possa regressar ao FC Porto. Espero que os dirigentes portistas não sejam estúpidos ao ponto de lhe fecharem as portas só porque ontem fez o que sabe, que é jogar bem. O Tozé é um jogador de equipa grande e com um enorme talento, que se não for aproveitado aqui será aproveitado noutro lado. Que não haja enganos: Tozé é um jogador à Porto.

Desde que a equipa B regressou que têm surgido bons valores oriundos da formação. Recentemente falei de André Silva, Gonçalo e Ivo como sendo o futuro do FC Porto, mas também Tozé tem obrigatoriamente de ser levado em conta. A situação que o jovem médio viveu ontem é extremamente injusta e foi-lhe colocada uma pressão e uma responsabilidade enormes sobre os ombros. Tozé conseguiu manter a calma, fez um bom jogo e ainda marcou de penálti. Certamente que amadureceu psicologicamente neste jogo mais do que nos dois anos que passou na formação secundária do FC Porto.

O papel da Liga no meio disto tudo


Ontem o Tozé não devia ter jogado. Não digo isto por causa da grande exibição que fez ou pelo golo que marcou, mas sim pelo simples facto de se tratar de um jogador do FC Porto que, como outro qualquer, está sujeito a falhar. Alguém consegue imaginar o que se diria caso o penálti saísse à figura de Fabiano? Muito mais do que o fora-de-jogo milimétrico - por um escasso metro que o atacante do Nacional estava em jogo - que valeu a um adversário do Benfica mais um golo (mal) anulado, com certeza.

A Liga devia proibir que um jogador emprestado defrontasse a equipa emprestadora. Isto e não só, o número de jogadores no plantel devia também ser limitado, principalmente a jogadores provenientes do mesmo clube. Assim evitavam-se situações pouco claras como a admitida publicamente na época passada pelo treinador do Belenenses que afirmou que Miguel Rosa não estava lesionado mas que também não ficou de fora para a recepção ao Benfica por opção técnica.

É assim que se defende a verdade desportiva, não com reuniões mais ou menos duvidosas entre o recém-eleito presidente da LPFP e o presidente da equipa que tem sido beneficiada descaradamente e de forma sistemática.

7 de novembro de 2014

O regresso de André Silva


O FC Porto tem neste momento duas das maiores pérolas do futebol português no que a pontas-de-lança diz respeito. Gonçalo Paciência e André Silva prometem ser o futuro não só do FC Porto como da própria selecção de Portugal e, para já, ambos trabalham às ordens de Luís Castro na equipa B portista.

A época começou com Gonçalo Paciência a ser figura de destaque pela equipa B do FC Porto pela qualidade de jogo que apresentava e que dava sequência ao que havia mostrado no ano passado. O filho de Domingos Paciência tem um estilo de jogo muito semelhante ao de Jackson Martínez, onde joga e faz jogar mas sem nunca deixar de procurar o golo. Mas dias depois do jogo da quinta jornada, frente ao Santa Clara a 31 de Agosto, surge a notícia que o jovem avançado iria estar afastado dos relvados por um longo período devido a uma lesão grave. Nesse momento toda a gente que acompanha a equipa B se lembrou imediatamente que seria a oportunidade ideal para André Silva se afirmar.

André Silva foi figura de destaque nos sub-19 do FC Porto na época 2013/2014, mas pelo meio ainda teve tempo para brilhar em alguns jogos que foi chamado a fazer pela equipa B e de acabar a temporada com um Europeu de sub-19 de grande nível e que deixou meia Europa de olho nele. Com um faro pelo golo apurado a que se junta a garra com que disputa cada lance, bem ao estilo de Lisandro López, o número 89 dos Dragões faz com que o mais leigo dos adeptos perceba que está ali um jogador com futuro.

A informação que o clube presta sobre a equipa B oscila entre o miserável e o nulo, daí durante bastante tempo a esmagadora maioria dos adeptos assumir que André Silva não era convocado por estar também ele lesionado, uma vez que mesmo na quinta jornada já não havia sido convocado. Os jogos foram passando e nem uma palavra sobre o assunto, até que surgiu o rumor que o camisola 89 estava afastado das convocatórias porque se encontra no último ano de contrato e se recusava a renovar.

Durante o período em que se encontrou arredado das convocatórias foram noticiados os interesses de Aresenal e Chelsea e surgiu o boato de que também o Sporting estaria atento à situação do jovem Dragão. Enquanto isto, Ivo - outra grande promessa da formação portista - que, apesar de ser um extremo de qualidade indiscutível, era desviado para o centro do ataque. De repente, o FC Porto via três dos maiores talentos que passaram pela formação nos últimos anos impedidos de evoluir convenientemente: Gonçalo  lesionado, André Silva "encostado" e Ivo, por necessidade da equipa, a jogar numa posição em que não consegue mostrar tudo o que vale.

Por isso foi com alegria que vi André Silva regressar aos convocados para o jogo da passada quarta-feira frente ao Tondela e foi com ainda mais alegria que o vi entrar em campo ao minuto 61. Para trás ficaram 68 dias, com 9 jogos pelo meio, de ausência.

Espero que este regresso signifique que a renovação entre André Silva e o FC Porto já esteja preto no branco e que de agora em diante seja ele o ponta-de-lança de serviço na equipa B. Tenho a certeza que Lopetegui vai gostar de o ver jogar e que um dia lhe dará a oportunidade que merece. O FC Porto não se pode dar a luxo de desperdiçar um talento destes, seja porque motivo for.

22 de fevereiro de 2014

As vantagens de um treinador interino

Diz-se nos bastidores que Paulo Fonseca está há alguns jogos a esta parte a uma derrota da demissão. Não consigo entender isto. Será mesmo necessário o FC Porto ficar definitivamente arredado do titulo ou eliminado (em campo) de uma competição a eliminar para demitir o treinador? Paulo Fonseca já não deu provas suficientes da sua incompetência? Se a SAD já não acredita nele tem de o demitir o mais rápido possível, cada dia conta e o FC Porto ainda está em condições de lutar por títulos.

Fazendo fé nestes rumores que fazem de Paulo Fonseca um treinador a prazo, penso que a melhor solução seria a promoção de Luís Castro à equipa principal como treinador interino. Não sendo um génio do futebol, é experiente e tem mostrado competência no comando da equipa B que lidera a Segunda Liga. Existem algumas vantagens a ter em conta:

- Ausência de pressão. Toda a gente percebe que quem entrar nestas circunstâncias não pode fazer milagres. Assim sendo, Luís Castro teria a tranquilidade necessária para melhorar um pouco o futebol da equipa e aguentar o barco até ao fim desta tempestade.

- Tempo para preparar a próxima época. Enquanto esta época for avançando para o final, Pinto da Costa ganharia uma janela de alguns meses para contratar um treinador e com ele preparar a temporada 2014/2015 para, finalmente, o FC Porto ter um plantel sem lacunas.

- Próximo treinador estaria protegido. Há sempre o risco das coisas estarem tão más que seja impossível remediar a situação com a época a decorrer. O perigo de entrar alguém novo e não conseguir ganhar nada é real e poderia perder-se aqui um treinador competente ou, no mínimo, colocá-lo sob uma pressão acrescida para a próxima época.

- Aproveitamento dos talentos da equipa B. A formação secundária do FC Porto não é líder da Segunda Liga por acaso. Claro que em vários jogos contou com a ajuda de jogadores da formação principal, mas por lá também existem vários jogadores a ter em conta. É sabido que Danilo e Alex Sandro não têm concorrentes directos pelo lugar, assim como não existe um jogador com as características do Fernando para o substituir. Com a promoção de Luís Castro e face a estas lacunas, jogadores como Victor Garcia, Quiño ou Mikel teriam aqui uma janela de oportunidade para mostrar o que realmente valem. Mas existem mais a poder sonhar, como por exemplo Tozé e Gonçalo Paciência.

- Conhecimento do que é o FC Porto. Esta parece ser uma das maiores lacunas de Paulo Fonseca. Desde que chegou que dá a entender que não sabe o que é Ser Porto. Há quase uma década ao serviço do clube, Luís Castro conhece os cantos à casa e está bem familiarizado com a filosofia vencedora do FC Porto.

Claro que nem tudo são vantagens. Ninguém sabe como reagiria Luís Castro à pressão de comandar um clube desta dimensão, mas é preferível arriscar em alguém que esteja no clube e o conheça por dentro do que dar outro tiro no escuro. Uma coisa é certa, os portistas estão desligados da equipa e enquanto Paulo Fonseca estiver à frente dela a tendência é piorar. Pinto da Costa saberá melhor do que ninguém o que fazer, assim sendo só nos resta esperar que tenha o bom-sendo de decidir o que fazer antes que seja tarde demais.

4 de julho de 2013

Um ano após o regresso da Equipa B

A época 2012/2013 ficou marcada pelo regresso da Equipa B do FC Porto. Aquele que era o elo perdido entre a formação e a equipa profissional foi recuperado e abre agora novas perspectivas aos jovens dragões.

O balanço desta primeira época não é brilhante, mas é correcto admitir que foi positivo. Houve vários jogadores a mostrarem que têm futuro no futebol e que podem ambicionar um dia chegar à equipa principal, sendo Tozé o expoente máximo entre eles.

A época foi mal preparada, fruto da incerteza em volta do projecto que durou até bem perto do arranque da mesma, e a equipa ressentiu-se dessa má preparação - e de alguma inexperiência também - nas primeiras jornadas. Os resultados demoraram a aparecer mas, depois do choque inicial, a equipa conseguiu estabilizar e fazer uma época tranquila. Zé António, Stefanovic e Pedro Moreira eram os mais experientes num grupo onde a maioria estava a jogar pela primeira vez como profissional e/ou no futebol europeu. Numa liga cheia de veteranos como é a Segunda Liga, essa falta de experiência custou muitos pontos nos últimos minutos aos jovens portistas.

De realçar ainda a evolução em quase todos os elementos. Mais visível em uns do que em outros, a verdade é que todos acabaram a época sendo um melhor jogador do que no inicio da mesma. No entanto é ainda preciso melhorar o sistema de permuta entre jogadores das várias formações para que se possa tirar partido da Equipa B ao máximo. Situações como o caso das 72 horas têm de ser evitadas - ainda que neste caso nos tenha sido dada a razão - e, em caminho contrário, haja mais jogadores a seguir o exemplo do Maicon e a aproveitarem a formação secundária para ganharem ritmo de jogo.

Pouco a pouco é ainda preciso diminuir o número de jogadores presentes no plantel B que não sejam oriundos da formação. Sou a favor da contratação de jovens estrangeiros com margem de progressão, mas desde que sejam situações pontuais e nunca uma regra. No fundo, gostaria que se diminuísse a quantidade e se aumentasse a qualidade dos mesmos.

Há ainda algum caminho a percorrer para chegar ao que seria o ideal para uma equipa B para um clube da dimensão do FC Porto, no entanto estou confiante que a tendência será ano após ano encurtar a distância para esse objectivo. Para já, resta-nos a certeza de que já existem as condições necessárias para que o FC Porto possa colher os frutos da suas camadas jovens.

4 de fevereiro de 2013

O exemplo Maicon



Se há coisa que os adeptos gostam é de ver os jogadores da sua equipa a dar exemplos de profissionalismo e dedicação ao clube. Por vezes, são os pequenos gestos e as mais simples atitudes que fazem a diferença.

No passado fim-de-semana, Maicon, o ex-patinho feio do Dragão, teve uma dessas demonstrações.

Alinhou pela equipa B, assinou um golaço, e no fim ainda reafirmou o orgulho que tem em representar a azul e branca, seja pela A ou pela B. Sem filmes, sem tiques de vedetismo, com toda a humildade. Nos dias de hoje, e infelizmente, já não é tão comum vermos atitudes assim, mas nada que surpreenda vindo de Maicon. Quantas vezes lhe vimos com queixinhas, amuos ou birras? Zero.

Vamos ainda acrescentar outro pormenor a esta história - o pequeno Mateus, filho mais novo do central e com pouco mais de um mês de vida, está internado no hospital. Nem isso demoveu a força e determinação de Maicon - "Ontem fui à luta pela minha família e pelo Futebol Clube do Porto." Isto é que já não é para todos. Um verdadeiro exemplo que deve encher de orgulho todos os adeptos e ao alcance de poucos.

Obrigado, Maicon! E para o pequeno Mateus, toda a força do mundo e rápidas melhoras em nome da equipa do Portistas Anónimos.

29 de janeiro de 2013

O estranho caso das 72 horas

Depois de noticiado em primeira mão na passada sexta-feira pelo jornal A Bola uma suposta utilização irregular de três jogadores - Abdoulaye, Sebá e Fabiano - por parte do FC Porto no jogo frente ao Vitória de Setúbal a contar para a Taça da Liga, a notícia ganhou relevo em toda a comunicação social e a Federação Portuguesa de Futebol decidiu abrir um processo para investigar este caso.

Em causa está o Artigo 13.º do Anexo V do regulamento da Liga Portuguesa de Futebol que diz o seguinte:


O artigo é confuso por si só, mas dá para perceber que um jogador não pode jogar por uma equipa - seja ela a A ou a B - menos de 72 horas depois de ter representado o clube num outro jogo - tenha sido na equipa A ou na B, uma vez mais. Só que o caso começa a ficar mais complicado quando recuámos ao inicio do Anexo V:

  

Ou seja, o famoso artigo 13.º, que para alegria de muitos supostamente trama o FC Porto, diz respeito apenas e só ao regulamento que regula a participação das equipas B no campeonato da II Liga. Por isso mesmo decidi ver o que dizia o Regulamento da Taça da Liga, para verificar se seria nesse mesmo regulamento que se encontrava a proibição dos jogadores anteriormente referidos.


Nem uma palavra sobre o assunto, mas no entanto envia-nos para o tal artigo 48.º e seguintes do Regulamento das Competições. Será desta?


Nada. Nem uma palavra sobre as 72 horas. Nem no 48.º, nem no 49.º, nem em nenhum!

O que eu concluo é que, perante este regulamento, as equipas B não podem utilizar jogadores nos jogos da II Liga menos de 72 horas depois destes terem alinhado por outra equipa do clube, seja ela a principal, a B ou a de juniores. Qualquer outra interpretação ao que está escrito no regulamento é uma interpretação abusiva da lei.

Todos estes dados foram recolhidos por mim no site oficial da Liga Portuguesa de Futebol.

29 de maio de 2012

Uma excelente notícia com o nome de FC Porto B

Acabou a especulação, o FC Porto inscreveu mesmo uma equipa B para a próxima edição da Liga de Honra. Depois do grande fracasso que foi o projecto «Visão 611» - que tinha como objectivo colocar jogadores da formação a jogar pela equipa principal -, surge de novo elo perdido entre a formação e o plantel principal.

As equipas B têm algumas regras diferentes em relação às outras equipas que competem na Liga de Honra. Embora possam ganhar o campeonato estão impedidas de subir, mas em caso de ficarem em zona de despromoção na tabela classificativa descem de divisão. Ainda há o facto de serem despromovidas automaticamente caso a equipa principal desça de divisão, pois equipa A e B não podem disputar o mesmo escalão. Mas para mim a regra mais importante é a do limite de idade, uma vez que as equipas B apenas podem convocar no máximo três jogadores com idade superior a 23 anos para cada jogo. Assim sendo, obriga as equipas a apostar na juventude e ao mesmo tempo não impede que um ou outro jogador da equipa principal jogue pela equipa B para recuperar ou não perder o ritmo competitivo. Dito isto, escusado será dizer que qualquer atleta que esteja inscrito pela equipa A pode jogar pela equipa B e vice-versa.

O FC Porto tem agora uma oportunidade de potenciar os seus talentos sem ter de recorrer a empréstimos sucessivos. Nos últimos anos vimos sair jogadores como Paulo Machado e Vieirinha, que poderiam ter-se afirmado caso a equipa B não tivesse sido extinta em 2006.

Embora seja tarde demais para alguns, neste momento a equipa B pode apressar a inclusão de jogadores como Sérgio Oliveira, Iturbe, Kelvin e Atsu, entre muitos outros, na equipa principal do FC Porto.

Agora só nos resta aguardar por notícias quanto à formação do plantel, equipa técnica e o local onde a equipa trabalhará e realizará os jogos. Isto com a certeza que a equipa B será uma realidade já em 2012/2013.