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16 de abril de 2015

É triste ser bipolar é maravilhoso

Penso não exagerar quando digo que este resultado supera as expectativas da maioria dos adeptos mais optimistas. E olhando ao que foi o jogo, a haver mais golos o normal seria que estes fossem para o FC Porto. O Bayern não contava com um adversário tão bom na pressão alta e tão solidário a defender e acabou por sofrer dois golos nos minutos iniciais na sequência dessa tal pressão alta. Talvez os alemães se tivessem deixado enganar pela classificação na liga portuguesa, mas por cá todos sabem que isso é uma história muito mal contada e o FC Porto tem aproveitado a Liga dos Campeões para o gritar ao mundo.

Quaresma marcou os dois primeiros e, aliando isso à grande exibição conseguida, é justo que receba o prémio de homem do jogo. No entanto, para mim o jogador-chave deste FC Porto é Jackson Martínez. Vindo de uma lesão muscular, o colombiano fez tudo aquilo que já nos habituou: correu, lutou, defendeu, construiu jogo e marcou. O capitão dos Dragões é um verdadeiro one man show e com esta exibição acabou de assegurar a próxima venda milionária para o FC Porto. Se é que ainda restassem dúvidas a alguém, claro.

Aceito com facilidade que Neuer tenha visto apenas o cartão amarelo no lance do penálti, mas custa-me que tenha sido poupado o segundo amarelo a Bernat quando agarrou Quaresma ou o amarelo a Boateng - que falharia o jogo da segunda mão - com a mesma facilidade com que não poupou Danilo. Mais do que influenciar este jogo, o árbitro espanhol já conseguiu influenciar toda a eliminatória. Mas até para isto o FC Porto tem sido bem trabalhado nas competições domésticas e por isso há que agradecer a Cosme Machado e companhia.

E com uma vitória por 3-1 contra o todo poderoso Bayern de Munique voltou a euforia em torno da equipa. Bastou consultar as redes sociais por cinco minutos para perceber que Lopetegui voltou a ser o maior, que afinal os emprestados são mais-valias para a equipa e que quando chove é porque não está sol. Lamento que as pessoas se esqueçam que o FC Porto que segue invicto na Liga dos Campeões é o mesmo que passa por dificuldades a nível interno e que muitas delas não podem ser controladas nem pelo clube, nem pelo treinador, nem pela equipa.

11 de abril de 2015

O parente pobre

As vozes que se levantam contra Tozé são cada vez mais. Ou porque não devia ter feito isto, ou porque devia ter feito aquilo, ou porque não sabe o que é ser Porto, ou porque é uma pessoa de estatura baixa, ou porque não é digno de representar o FC Porto. É um mau portista porque na primeira volta jogo bem contra a equipa onde foi formado e, como tal, é bem que não volte ao Dragão. Grande portista é, por exemplo, o André Simões que partilhou uma foto dele próprio no meio dos portistas no Bessa. Claro que dias antes foi expulso por estupidez e com isso entregou de bandeja uma vitória ao Benfica. Mas isso não interessa, é grande portista e acabou. Esse é que é o exemplo a seguir. Adiante...

Quem acompanhava a equipa B do FC Porto enquanto o Tozé lá jogou sabe muito bem que o então número 70 era com alguma distância o melhor jogador mas que mesmo assim nunca foi muito levado a sério pelo clube. Mesmo na selecção de sub-21, onde joga sempre a bom nível, as preferências do seleccionador vão para outros jogadores, mas quando é chamado a jogar nota-se nele aquela sensação de achar ser o parente pobre que raramente convivia com a família mais abastada. Mesmo sendo formado no FC Porto, joga no modesto Estoril quando vê colegas, alguns deles com bem menos talento, a jogar em clubes da primeira divisão de Espanha ou França, ou até em clubes portugueses como o Sp. Braga ou o Sporting.

Tozé joga neste momento no Estoril com um sentimento de revolta, de querer mostrar a toda a gente que merece mais e melhor. Que melhor oportunidade para o fazer do que contra a equipa que o emprestou? Eu continuo a achar que o FC Porto fez bem em colocá-lo a ganhar ritmo de jogo numa equipa que até disputou a Liga Europa, mas não critico o jogador por achar que tinha lugar numa equipa melhor ou até quem sabe no plantel portista.

Repito o que já afirmei no passado: espero que a SAD não decida queimar este jogador só para agradar aos adeptos. Jogadores com a fibra do Tozé são difíceis de arranjar e, como o próprio já mostrou, movido pelo combustível certo é um jogador que faz a diferença. Desde quando é que os portistas deixaram de apreciar quem deixa tudo em campo?

9 de abril de 2015

O casamento perfeito

A eliminação do FC Porto na Taça da Liga teve o condão de revelar duas coisas: a incompetência da LPFP e o romance vivido há vários anos entre Benfica e Marítimo. Qualquer um dos casos não será novidade para ninguém, mas não deixa de ser curioso que não se desperdice uma oportunidade para o comprovar.

Como é sabido por todos, a Taça da Liga tinha a final marcada para o fim-de-semana onde o FC Porto vai à Luz para defrontar o Benfica em jogo do campeonato. Como já disse aqui, os portistas acabariam por beneficiar com esse afastamento da prova, uma vez que ganhavam vários dias de descanso após o jogos da segunda mão da Liga dos Campeões. Claro que isso não podia ser e toca lá a adiar, de forma inédita, a final para depois de terminado o campeonato. Não sei que "caso fortuito ou de força maior" (é nestes moldes que no regulamento se fala na possibilidade de adiar um jogo na Taça da Liga) foi invocado pelos clubes para pedir a alteração da data, mas o que é certo é que foi prontamente aceite pela LPFP e, em menos de 24 horas após ser conhecido o segundo finalista, era anunciada a alteração do dia da final. Recordo que o dia 25 de Abril estava escolhido desde o inicio e, diga-se o que se disser, toda a gente sabia que nesse fim-se-semana havia o Benfica-FC Porto. Não é difícil de concluir que o motivo de força maior neste caso seria mesmo dar três dias de descanso ao FC Porto e tirar outros tantos ao Benfica.

A posição do Marítimo no meio disto tudo então é mesmo a mais ridícula de todas - porque os encarnados limitam-se a defender os respectivos interesses -, mas vinda de um clube cujo presidente já afirmou no passado que não tinha qualquer intenção de prejudicar o Benfica na luta pelo primeiro lugar nem surpreende. O que é certo é que os madeirenses perderam a oportunidade de defrontar um adversário com a cabeça no jogo do titulo, que teriam daí a uns dias, a troco de nada. De nada digo eu, mas o futuro tratará de comprovar que estou redondamente enganado.

8 de abril de 2015

Regressos importantes


Alguém que já tenha perdido mais do que cinco minutos a tentar assimilar tudo o que tem acontecido esta época certamente terá chegado à conclusão que o mais certo é que todos os acontecimentos estranhos tenham uma justificação paranormal. De que outra forma se pode explicar tantos infortúnios nas decisões da arbitragem que não com o alinhamento dos astros? Há alguma base científica que suporte uma qualquer teoria sobre a permanente ausência por lesão de um dos jogadores fundamentais? Alex Sandro foi o primeiro, depois Casemiro, Óliver já passou pela enfermaria por duas vezes, Danilo levou com o Fabiano em cima e acabou inconsciente no relvado, Jackson lesionou-se (!) sozinho, Maicon anda se entorse em entorse e agora foi Tello. E nem falo do Adrián López ou do Quintero. A verdade é que Lopetegui teve quase sempre alguém indisponível e a sorte nunca protegeu o FC Porto em momentos de desinspiração. Alguém se lembra de uma qualquer vitória portista sem saber ler nem escrever? E de um pontinho que fosse obtido com um erro da equipa de arbitragem? A concorrência certamente que não terá queixa de nenhuma das situações...

O que é certo é que, apesar de tudo isso, o FC Porto ainda está na luta e apareceu novo desafio: é preciso alguém substituir Tello. O espanhol lesionou-se na altura em que assumiu o estatuto de indiscutível e ainda não é sabido o tempo de paragem. Quintero e Adrián eram as hipóteses mais remotas ao lugar, Hernâni e Quaresma as mais prováveis. Frente ao Estoril a escolha de Lopetegui foi precisamente o camisola 7 e os resultados foram esclarecedores: dois golos, duas assistências e o prémio de MVP.

O Harry Potter passou com distinção no primeiro teste e agarrou o titularidade para a fase mais importante da época, provando o treinador, aos adeptos e, acima de tudo, a ele próprio que ainda é capaz de levantar o estádio com uma jogada de mestre ou com um cruzamento milimétrico. A dias de poder voltar a contar com Jackson, quem agradece é Lopetegui e o próprio FC Porto. Veremos se nesta recta final regressa também a pontinha de sorte que em 2014/2015 ainda não deu sinais de vida.

4 de abril de 2015

Imagine

Imagine uma equipa do FC Porto que pudesse contar com a garra e o portismo de jogadores experientes como Vítor Baía, Jorge Costa, Secretário, Rui Barros, Domingos, Capucho e Folha. Imagine que a esses jogadores se acrescentavam jovens oriundos das camadas jovens com vontade de se afirmar, como por exemplo aconteceu com Ricardo Carvalho, Ricardo Costa e Hélder Postiga, assim como jogadores portugueses que muito prometeram em outros clubes, tais como Ricardo Silva, Cândido Costa e Jorge Andrade. Para terminar, imagine que a todos estes se acrescentavam estrangeiros de valor inquestionável como Jardel, Drulovic, Aloísio, Alenitchev e Deco. Quanta mística não estaria presente naquele balneário, o portismo seria vivido por todos no dia-a-dia do clube, toda a gente entraria em campo com vontade de dar o máximo e a falta de atitude nunca seria um problema.

Não precisa de imaginar mais, porque estes jogadores representaram mesmo o FC Porto algures entre 1999/2000 e 2001/2002, tendo conseguido perder os três campeonatos para Sporting, Boavista e novamente Sporting. Pelo meio, ganharam duas Taças de Portugal e uma Supertaça.

Por isso, da próxima vez que o FC Porto não vencer, é desnecessário voltar à cassete da mística e da falta de amor à camisola, porque muitos daqueles que agora são a bandeira dos valores portistas estiveram presentes na maior seca do clube desde que Pinto da Costa assumiu a presidência.

Curiosamente, muitos deles estavam ainda no clube e foram pedras-chave nas conquistas europeias de 2003 e 2004, servindo de prova que por vezes só é preciso dar tempo ao tempo. E este FC Porto precisa de tempo, não precisa de conversas da treta em volta dele.

2 de abril de 2015

Não foi só a Taça da Liga que o FC Porto perdeu na Madeira

A derrota por 2-1 frente ao Marítimo não foi o único acontecimento negativo de hoje. Aliás, fazendo fé na mensagem que o clube faz questão de passar aos adeptos, esta competição é indiferente ao FC Porto, tornando esta eliminação tão grave como uma derrota num qualquer jogo amigável.

Assim sendo, há coisas que deviam ser justificadas e clarificadas por parte do treinador e dos responsáveis e azuis-e-brancos. Se a Taça da Liga não é prioritária, porque motivo alinharam tantos habituais titulares? Se era para passear, porque razão não jogaram os menos utilizados? Que justificação existe para ter rodado a equipa completamente em Braga e apenas parcialmente na Madeira? Será o Marítimo assim tão mais forte que o Sp.Braga? O que aconteceu ao FC Porto no pós-Basileia? A equipa só pensa agora na Liga dos Campeões?

Este jogo, assim como esta competição, devia ter servido para utilizar os mais jovens e os menos utilizados. "A Taça da Liga será na próxima época uma competição de enquadramento de formação e experimentação, associando a formação ao futebol profissional. Para o ano não será objectivo a nível de conquista", disse André Villas-Boas em 2011 antes de sair do clube. E é assim, de forma planeada e organizada, que o FC Porto deve agir. Andar a alterar os planos todas as épocas, ao sabor do vento ou da vontade de quem calhar, às vezes já com a temporada a meio, não tem sido definitivamente a melhor solução.

Prestes a iniciar um ciclo de exigência máxima, esta derrota, além de ter oferecido de mão beijada mais um troféu ao Benfica, serviu ainda para desmotivar o plantel e começar já o desgaste de jogadores importantes. Maicon, Marcano, Casemiro, Óliver e Aboubakar foram à Madeira "perder" 90 minutos. Não tão grave foi a utilização de Tello e Brahimi, que se ficaram pelos 33 e 24 minutos respectivamente.

Continuam os problemas nas bolas paradas defensivas e, uma vez mais, ficaram expostas a debilidades da marcação homem-a-homem. Lopetegui tem de repensar estas situações o quanto antes.

Para terminar, fica um aviso. Com a Taça da Liga marcada para dia 25 de Abril desde o início da competição, data que a LPFP sabia coincidir com a da 30.ª jornada do campeonato, o FC Porto ficou agora com o fim-de-semana livre após a eliminatória com o Bayern de Munique. Até agora ninguém ouviu falar da possibilidade de adiar a final e que, caso os Dragões tivessem eliminado o Marítimo, haveria um Benfica-FC Porto a 25 de Abril a contar para a Taça da Liga, seguido de novo Benfica-FC Porto para o campeonato no dia 29 do mesmo mês. Agora que o FC Porto tem a clara possibilidade de tirar proveito desta situação, uma vez que ganha vários dias de descanso antes do clássico que pode decidir o campeonato, não demorará muito até que se comece a falar no possível adiamento da final da Taça da Liga. Aguardem.

1 de abril de 2015

A venda de Danilo

O comunicado à CMVM deixou imediatamente de lado qualquer hipótese de se tratar de uma brincadeira tradicional de dia 1 de Abril. Danilo será mesmo jogador do Real Madrid em 2015/2016, uma vez que os espanhóis se chegaram à frente com uma proposta praticamente irrecusável: €31,5 milhões. Mas já aqui voltamos, primeiro gostaria de deixar algumas palavras sobre o ainda número 2 do FC Porto.

Contratado ao Santos em Junho de 2011, Danilo demorou ainda cerca de meio ano até chegar ao Dragão uma vez que o Peixe conseguiu convencer a SAD portista a adiar-lhe a vinda para Portugal até Janeiro de 2012, contando assim com o lateral para o Mundial de Clubes. Uma vez ao serviço do FC Porto, começaram os problemas. Uma lesão frente ao Manchester City obrigou o lateral a uma paragem algo longa e atrasou-lhe a adaptação ao futebol europeu. Regressado à competição, demorou algum tempo até chegar a um nível considerado aceitável pelos portistas que, prontamente e com a ajuda da comunicação social, lhe colocaram o rótulo de "Senhor 18 Milhões".

Nunca antes em Portugal se tinha feito e não mais se voltou a fazer esse exercício com qualquer jogador. Danilo é mesmo o único até à data de hoje que teve a honra de ver os valores absurdos pagos pela intermediação do negócio e o prémio de assinatura somados ao valor do passe. E, fruto dos valores pornográficos para um clube português que a SAD decidiu oferecer por ele, quem sofreu a exigência absurda dos adeptos foi o jogador.

Claro que agora toda a gente fala no Super-Danilo que desde a época passada voa pelo lado direito do FC Porto, mas poucos são aqueles que podem dizer que viram nele um grande jogador desde o início. E duvido que alguém admita já ter afirmado com todas as letras que o valor investido no passe era irrecuperável. Quem o disse - estamos a falar de milhares de pessoas - enganou-se por completo e Danilo não só deu retorno financeiro, como também desportivo e humano. É fácil concluir que foi uma aposta ganha pela SAD.

Dito isto, não há como fugir à questão. Deve o FC Porto voltar a insistir em negócios desta escala? A resposta é óbvia: não. Não é por uma ou outra vez uma situação de risco ter corrido bem que se pode tornar num hábito. A realidade portuguesa não permite que um clube tenha tanto dinheiro em jogo com um único jogador. As hipóteses de correr mal são tantas que aconselham à prudência.

Para terminar deixo um aspecto importantíssimo. Recentemente tive conhecimento através do Tribunal do Dragão que a partir de hoje, dia 1 de Abril, ficaria imposto um tecto máximo de 3% sobre o valor da transferência para o valor a ser recebido pelo(s) intermediário(s). Danilo foi vendido ontem e não me parece que a data do fecho do negócio tenha sido inocente. A confirmar no próximo Relatório & Contas...

30 de março de 2015

Um 11 a precisar de elevar a exigência competitiva

Ainda com a época longe de terminar, por vezes vai sobrando tempo para pensar um pouco no que a próxima trará com ela. Se no início do mês me debrucei sobre os jogadores que o FC Porto tem emprestados, hoje faço o mesmo exercício mas os mais jovens. Não é novidade para ninguém que existem no clube vários valores jovens e com possibilidade de terem uma carreira ao mais alto nível. No entanto, tal só será possível se lhes forem dadas as condições para evoluir. Assim sendo, será contraproducente que estejam sem jogar, eternamente na equipa B, ou ainda emprestados a clubes de pequena dimensão. Os responsáveis da SAD, em conjunto com os treinadores das equipas A e B, têm de planear bem a próxima época de forma a que não se caia no erro de manter na formação secundária jogadores que já têm qualidade suficiente para jogar na Primeira Liga e que ficariam a atrasar a própria evolução ao mesmo tempo que atrasariam também os jovens valores que terminam esta época a formação e que farão em 2015/2016 o primeiro ano como profissionais. Alguns dos casos:

Kadú - Contratado ao Belenenses em 2008, encontra-se agora tapado por um batalhão de guarda-redes que o FC Porto tem sob contrato. Apesar de ter apenas 20 anos, está a demorar a concretizar tudo o que prometia há uns anos e até na equipa B tem dificuldades em ser titular face à ascensão meteórica de Gudiño. Precisa de jogar com regularidade e é isso que o clube tem de procurar que aconteça, nem que para isso tenha de sair por empréstimo.

Víctor García - Embora aparentemente não seja (ainda) jogador do FC Porto não deixa de ser um jovem com enorme valor. A caminho dos 21 anos merece fazer a próxima pré-época na equipa principal para disputar um lugar no plantel. Caso Lopetegui considere que ainda não tem tudo o que é necessário para ser uma opção válida, um empréstimo a um clube da Primeira Liga não seria de descartar.

Reyes - Chegou com rótulo de craque e de grande promessa do futebol mexicano, mas em duas épocas ainda não conseguiu afirmar-se de dragão ao peito. Como o investimento foi grande, o FC Porto não se pode dar ao luxo de o ter como reserva mais uma época. Adivinha-se então uma mudança de clube para o defesa na próxima temporada. A única dúvida parece mesmo ser se será por empréstimo ou em definitivo.

Lichnovsky - Com 21 anos acabados de fazer, viveu o primeiro ano da aventura europeia como jogador da Segunda Liga. Em 2015/2016 o cenário tem de ser diferente, sendo que caberá a Lopetegui decidir entre a integração na equipa A ou o empréstimo.

Kayembe - Não sendo um lateral-esquerdo de origem, o treinador do FC Porto vê nele as características necessárias para a posição e até pediu a Luís Castro que o utilizasse na defesa na primeira metade do campeonato. Em Janeiro foi emprestado ao Arouca e com isso voltou a ser extremo. Se Lopetegui o vê como um futuro defesa, na próxima época o clube deve procurar-lhe colocação numa equipa que tenha intenções de o utilizar como tal.

Mikel - O nigeriano foi traído pelo destino quando nos primeiros treinos da pré-época fracturou uma perna, arruinando assim a temporada por completo. Após uma lesão destas é importante voltar a jogar com regularidade para recuperar o ritmo e a confiança. Assim sendo, a próxima época será de vital importância para Mikel e o FC Porto deve respeitar isso assegurando-se que o jogador terá tempo de jogo seja onde for.

Leandro Silva - Perto de completar 21 anos, o médio portista tem feito uma época de bom nível na equipa B. A qualidade de passe e a forma eficaz com que bate as bolas paradas fazem com que justifique uma oportunidade no escalão máximo do futebol português.

Pavlovski -  Já há quase dois anos a jogar na equipa B do FC Porto, o sérvio tem tido imensas dificuldades em assumir-se como titular, apesar de ter prometido bastante ao serviço da selecção vencedora do Europeu de Sub-19 em 2013. Se for continuar no clube tem de jogar com regularidade, nem que para isso seja necessário sair por empréstimo.

Frédéric - Talvez a maior revelação da época no que à equipa B diz respeito. Frédéric teve em 2013/2014 uma época bastante difícil em virtude de lesões complicadas mas apareceu renovado para 2014/2015, assumindo-se como um dos grandes destaques da Segunda Liga. Neste momento não faltarão na Primeira Liga interessados em contar com ele já a partir do próximo Verão.

Ivo Rodrigues - Completa hoje 20 anos e joga com uma responsabilidade e maturidade táctica de quem anda nisto há anos. Estamos perante uma das enormes promessas do FC Porto e desejo fortemente que seja tratado como tal. Tapado por vários elementos, adivinha-se novo empréstimo em 2015/2016, mas é apenas uma questão de tempo até que se afirme no Dragão.

Gonçalo Paciência - Toda a gente conhece e não há volta a dar: tem de fazer parte do próximo plantel. Provavelmente o próximo grande ponta-de-lança do FC Porto e da selecção. A Segunda Liga já é muito pequena para ele.

28 de março de 2015

No rumo certo

A Assembleia Geral Extraordinária do FC Porto realizada no passado dia 25 com vista à alteração de alguns pontos nos estatutos foi, na minha opinião, um passo seguro para o clube. Acho curioso que o ponto que mais polémica tenha gerado tenha sido o que diz respeito aos equipamentos. Deixou agora de ser obrigatório que as colunas azuis e brancas tenham de ter 8cm cada, o que na prática não altera nada, deixando apenas que as diversas equipas do FC Porto se equipem à vontade sem estarem ano após ano a violar os estatutos como acontecia até agora. No fundo tratou-se apenas de formalizar a liberdade na elaboração das camisolas que já se vivia há uma série de anos.

As grandes e importantes alterações estavam guardadas para o que à Direcção do clube diz respeito. De agora em diante, os mandatos passam a ser de quatro e não de três anos, os candidatos à presidência terão de ser sócios há 10 anos seguidos em vez de cinco, que é exactamente o número de anos necessários para poder pertencer a um órgão social quando até agora bastava apenas um. Para poder votar exige-se agora que o sócio já o seja há 12 meses, quando anteriormente bastavam apenas três.

Estas alterações têm dois propósitos: dar estabilidade ao futuro presidente e excluir pára-quedistas de última hora para a sucessão a Pinto da Costa. Até agora "qualquer um" podia aspirar aos órgãos sociais do FC Porto e para poder votar ainda era mais fácil, mas com as alterações mencionadas o filtro passou a ser mais fino. Como o pós-Pinto da Costa não se adivinha fácil para quem assumir a cadeira de presidente, fica apenas a certeza que o sucessor terá um ano extra para poder mostrar serviço.

Para último ficou outro ponto polémico: a possibilidade de grupos organizado terem uma quota mensal mais baixa em relação aos associados normais. Esta medida tem tudo para dar certo se forem cumpridos alguns requisitos. A começar já na próxima época o clube tem de exigir a quem queira pertencer aos grupos organizados (actualmente Colectivo e Super Dragões) tenha obrigatoriamente de ser sócio do FC Porto. Como toda a gente sabe, hoje em dia isso não é necessário e não é impedimento para que lhes sejam dados privilégios quer a nível de preços como ainda na prioridade no acesso aos bilhetes para as diversas modalidades. A importâncias dos grupos organizados é reconhecida por todos e é justo que o clube lhes atribua certos benefícios, mas nos moldes actuais é mais vantajoso ser sócio de uma das claques do que do próprio clube e é isso que tem de deixar de acontecer.

27 de março de 2015

Quando a realidade difere do que (supostamente) se viu

Sempre que o FC Porto perde ou empata existe imediatamente junto dos portistas uma necessidade extrema de apontar o dedo a alguém. No entanto, o que acontece durante essa procura incessante pelo culpado vai muitas das vezes ao encontro do que cada um quer ver e não do que na realidade aconteceu. O empate obtido na Choupana foi fruto de uma má exibição colectiva, motivada pelo cansaço físico e psicológico presentes em muitos dos jogadores - que estavam ainda sob uma elevada dose de ansiedade fruto da derrota do Benfica que acontecera minutos antes - e também devido a algumas más opções de Lopetegui.

Entre esses erros existem três que são difíceis de aceitar: a substituição prematura de Casemiro, a não utilização de Óliver e a opção por Quintero. Digo aceitar em vez de perceber porque, no fundo, até se percebe qual foi a intenção do treinador basco. Com o Nacional cada vez mais por cima no jogo, Lopetegui tentou com Rúben Neves e Quintero trazer qualidade de passe para tentar manter a posse de bola para o FC Porto, cortando dessa forma qualquer iniciativa de jogo à equipa da casa. Escusado será dizer que a aposta falhou redondamente. Agora é fácil para qualquer um dizer que mais valia ter lançado Indi e adiantar o Marcano para fazer de Casemiro ou que devia ter entrado Quaresma em vez de Quintero, derivando assim o Brahimi para a posição 10 de forma a poupar uma substituição.

Qualquer dessas opções era válida, tão válida como as que Lopetegui escolheu. Por isso aceito pacificamente que o treinador portista tenha pensado diferente de toda a gente, concedendo-lhe assim o direito a errar. A única coisa que me custa a aceitar é ver o Óliver no banco, mais ainda quando a equipa anda completamente à deriva. Basta relembrar que havia ainda a ausência de Jackson, um dos grandes responsáveis pela pressão alta que o FC Porto nos habituou e que divide com o médio espanhol o mérito pela forma inteligente com que os Dragões impedem os adversários de construir jogo à vontade.

Este cocktail de acontecimentos resultou na perda de dois pontos e no mau aproveitamento de uma oportunidade de aproximação ao primeiro lugar. Mas o que fizeram os portistas? Apontaram o dedo ao jogador que estava mais próximo do adversário que marcou o golo do empate, neste caso ao Alex Sandro. Daí até procurarem por outros lances que o brasileiro alegadamente tenha estado mal foi um pequeno passo.

Após leitura de vários espaços de opinião na Internet, estes são os três lances onde, regra geral, as pessoas se queixam da atitude do camisola 26:

Minuto 40 - Após uma sucessão de bolas devolvidas pelo ar de parte a parte, o jogador madeirense ganha a posição a Alex Sandro e inicia o ataque pelo lado esquerdo da defesa do FC Porto. Casemiro faz rapidamente a dobra e obriga a que a jogada continue pelo centro do terreno, enquanto o lateral portista recupera a posição. Enquanto Marcano dividia o lance com o atacante do Nacioanl, o resto da defesa, com Alex Sandro incluído, tentam definir uma linha de fora-de-jogo. O espanhol perde o lance e Herrera, porque pensou primeiro em atacar e não em defender, fica automaticamente fora do lance. Veredicto dos portistas: Alex Sandro começa a dar sinais de cansaço.

Minuto 63 - Com Herrera caído após choque com um adversário, Tello a tentar recuperar à última da hora e Danilo à espera ninguém sabe bem do quê, o jogador da casa tem tempo para levantar a cabeça e cruzar à vontade para a área do FC Porto sem qualquer hipótese para Helton interceptar o cruzamento. Maicon e Marcano falham o corte ao primeiro poste e Alex Sandro, apesar de bem posicionado e de ter acompanhado sempre o lance, não chega a tempo para impedir o remate ao segundo. Estava feito o empate. Veredicto dos portistas: Alex Sandro estava a dormir.

Minuto 71 - Canto para o FC Porto que, inexplicavelmente, é marcado de forma rápida e acaba em contra-ataque para o Nacional. No inicio da jogada podemos ver três atacantes madeirenses para três defensores portistas, mas rápido se percebe que o Herrera não está muito interessado em correr para defender. Alex Sando, que estava bem mais adiantado do que o mexicano, aparece a recuperar em velocidade para tentar equilibrar as contas, mas não consegue ser rápido o suficiente para impedir o remate. Veredicto dos portistas: Alex Sandro demonstra uma atitude displicente e quase consente novo golo ao adversário

Três lances em que muita coisa podia ter sido diferente logo desde o inicio de cada um deles mas que acabaram com as culpas a serem atiradas para cima do mesmo jogador em todos eles. Espanta-me que ainda haja tantos portistas a irem na cantiga dos opinion-makers e comentadores televisivos, sabendo de antemão que a grande maioria deles só quer ver o FC Porto a arder por dentro e que para o conseguir não têm problemas em atacar seja quem for. Desta vez calhou ao Alex Sandro.

24 de março de 2015

A hora da verdade

Imediatamente após a paragem para os jogos da selecções, o FC porto entrará num ritmo de jogos alucinante até ao dia da deslocação à Luz. O que se exige a Lopetegui e à equipa é que chegue ao dia do clássico em condições de, pelo menos, igualar o Benfica no número de pontos. Como existe a eliminatória da Liga dos Campeões pelo meio, o treinador do FC Porto terá de recorrer inevitavelmente à rotatividade de modo a que a falta de força dos jogadores, que foi evidente no empate com o Nacional, se volte a repetir.

O sinal dado pela equipa na segunda parte do jogo na Choupana foi claro: não é possível manter o ritmo que vinham implementando até ao final. Por isso, agora mais que nunca, é importante que Lopetegui defina prioridades e, já agora, que reflicta sobre a possibilidade de gerir os cartões amarelos a Danilo, Casemiro e Alex Sandro para que não haja o risco de falharem os jogos do campeonato de dificuldade mais elevada.

A aventura do mês de Abril começa logo no dia 2 com a visita à Madeira para defrontar o Marítimo. Sendo o jogo a contar para a Taça da Liga e tendo em conta a proximidade (dia 6) da recepção ao Estoril, impõe-se a utilização de uma equipa composta por jogadores de segunda linha. Jogadores como Ricardo, Indi, José Ángel, Rúben Neves, Evandro, Hernâni e Gonçalo Paciência - de qualidade inegável mas com menos oportunidades para a mostrar-, têm de ser titulares e, ao mesmo tempo, ter a capacidade de garantir a passagem à final, permitindo assim um FC Porto mais fresco na recepção ao Estoril.

Na semana seguinte existe a visita a Vila do Conde, actualmente marcada para domingo dia 12 mas que deverá ser antecipada no máximo para dia 11 - o jogo que o Rio Ave tem a meio da semana anterior dificilmente permitirá que joguem com o FC Porto no dia 10 -, e neste jogo, assim como nos dois com o Bayern de Munique, não pode haver grandes truques. É jogar na máxima força possível em todos eles e esperar que os jogadores aguentem a carga física e psicológica.

Entre os jogos da Champions existe a recepção à Académica, sendo este o jogo que poderá ser o mais importante. Aqui Lopetegui terá de ter coragem para apresentar uma equipa muito idêntica à idealizada para defrontar o Marítimo no jogo da Taça da Liga. Jogando em casa e no meio de tantos adversários de valor superior, jogar com uma equipa alternativa não pode ser encarado como um sinal de desrespeito pelo adversário mas sim como de necessidade absoluta. Além disso, seria a oportunidade ideal para Casemiro, Alex Sandro, Danilo e outro(s) que eventualmente entretanto ficasse(m) à bica "limparem" os cartões amarelos.

O objectivo é chegar com as capacidades ao máximo para o embate - ou duplo embate caso se confirme a passagem à final da Taça da Liga - com o Benfica que tem até lá apenas três jogos, precisamente metade dos que o FC Porto terá.

22 de março de 2015

Em defesa de Alex Sandro

Ontem, após o empate entre FC Porto e Nacional, fui, como é habitual, ler o que se dizia pela Bluegosfera em relação ao jogo. As críticas ao Alex Sandro foram uma constante em quase todos os textos que li. É óbvio que o brasileiro baixou um bocado de rendimento na segunda parte, mas durante a primeira foi dos melhores em campo e, à excepção da jogada que deu o 0-1, até foi dos pés dele que saíram as jogadas mais perigosas para a baliza da equipa da casa. A que se terá devido então a quebra de rendimento após o intervalo?

A primeira justificação e a mais óbvia é a quebra de rendimento de toda a equipa. O FC Porto regressou dos balneários incapaz de segurar a bola no ataque o de acertar um passe que fosse no meio-campo. Nestas circunstâncias muito dificilmente pode ser um lateral a fazer a diferença. Muito menos quando se trata do terceiro jogador da equipa em campo com mais minutos, só superado por Danilo que vem de uma "folga" e por Herrera que teve um jogo miserável também, muito provavelmente, devido à fadiga acumulada.

As opções de Lopetegui também não foram as melhores. O meio-campo estava sob pressão e era incapaz de parar eficazmente a equipa do Nacional. O que faz o treinador espanhol? Tira Casemiro, talvez com medo do segundo amarelo, para lançar Rúben Neves que, como sabemos, não faz da agressividade cartão de visita. 10 minutos depois chega o empate. Lance conduzido pela direita da defesa portista onde o jogador da casa, sem que eu consiga perceber como, tem liberdade para quase parar, levantar a cabeça e fazer uma assistência perfeita para o colega ao segundo poste. Como o jogador mais próximo do autor do golo era Alex Sandro é fácil apontar o dedo, mas a jogada não começou dentro da grande-área do FC Porto e os defesas que lá estavam dentro são os menores dos culpados.

Depois a entrada do Quintero matou de vez a capacidade da equipa em ganhar a bola. Um meio campo com Rúben Neves, Quintero e Herrera a passo é mau demais para quem já estava com dificuldades com Casemiro e Evandro, mas torna-se mais grave ainda quando Óliver está e não sai do banco. Daí até ao final do jogo foi uma fartote de jogadores do Nacional a correr metros atrás de metros com a posse de bola e com liberdade para a lançar à vontade para as costas da defesa. Além disso, convém também não esquecer que Brahimi teve uma noite para esquecer e nunca foi grande ajuda, tanto a defender como a atacar.

A paragem para os jogos das selecções chega em boa altura e beneficiará vários jogadores do plantel, sendo que Alex Sandro está entre eles. Tenho o brasileiro como um óptimo profissional, um excelente jogador de equipa e como titular indiscutível. Simplesmente não é de ferro e não tem o dom de fazer milagres.

Será que queremos ser campeões?

Não consigo entender a forma apática com que a equipa do FC Porto entrou em campo na Choupana. Não me cabe na cabeça que se jogue quase 90 minutos a passo sabendo que o Benfica tinha acabado de perder minutos antes e que, finalmente, havia a possibilidade de ficar a apenas um ponto do primeiro lugar. Não percebo onde estava a equipa que jogava com classe e ganhava os jogos já depois de o rival ter ganho nessa jornada e que, ainda que à condição, já estava a sete pontos de distância. Terá este FC Porto medo de ser campeão?

A jogada onde o jogador do Nacional, que penso se Lucas João, falha de baliza aberta o 2-1 é sintomática: contra-ataque da equipa da casa com três jogadores para dois do FC Porto e Herrera a acompanhar a jogada com os olhos. Foi assim um pouco durante os 90 minutos, tendo o mexicano passado completamente ao lado do jogo mas com a agravante de ter acumulado passes para ninguém como já não se via há muito. Mas isto não é de agora, Herrera está em quebra física e/ou psicológica há bastante tempo, Lopetegui tem de fazer qualquer coisa em relação ao assunto. Fica uma pequena nota: ao lado do Óliver qualquer um parece bom jogador. Estando o espanhol apto tem de jogar.

Quem também teve uma noite para esquecer foi Brahimi. Já não é a primeira vez esta época que isso acontece e já chegou mesmo a perder o lugar como titular. Quaresma, que na semana passada fez uma óptima exibição frente ao Arouca, entrou muito bem no jogo. Neste momento justifica muito mais um lugar na equipa do que o argelino. Casemiro estava em noite não e Lopetegui não hesitou em substituí-lo - até porque já tinha visto o cartão amarelo -, talvez devesse ter seguido o mesmo critério com o Herrera e, mais cedo, com o Brahimi.

Percebo que se tente passar uma mensagem positiva, afinal de contas estar a três pontos do primeiro lugar é bem melhor do que estar a quatro, mas a conversa do "já só dependemos de nós" mata-me. E por vários motivos. Em primeiro lugar porque esta época nunca o FC Porto dependeu apenas de si próprio, mesmo quando esteve na frente da classificação. As influências externas foram enormes e a situação que vive agora deve-se muito a isso. Depois, porque não se pode considerar normal ir ao Estádio da Luz com a intenção de ganhar por 0-3 ou 1-3 para ficar em vantagem no confronto directo. O 0-2, que também não é fácil, deixa tudo dependente dos golos marcados nas últimas jornadas. Vai-se andar a brincar às goleadas?

Este jogo tinha de ser ganho, desse por onde desse. Enquanto o FC Porto se prepara para um ciclo infernal, o Benfica vai entrar agora em pré-época para a final da Taça da Liga. Paragem para as selecções, Nacional (casa), Académica (casa) e Belenenses (fora). Esta era a última oportunidade de encurtar distâncias e de entrar verdadeiramente na luta pelo título. Lamento que os jogadores não tivesse percebido isso ou que tenham percebido e acusado a pressão.

Deixo também algumas palavras para o nojento Jorge Jesus. Tentando fazer toda a gente de parva, afirma que o Luisão é mal expulso porque ainda havia o Eliseu com hipótese de disputar o lance. Não querendo exagerar, o Eliseu estava pelo menos a 10 metros do lance e em linha com o defesa-central brasileiro. No jogo com o Arouca, o defesa Hugo Basto foi expulso com colegas bem mais próximos e sem que o Lima estivesse enquadrado com a baliza. E dizer que o jogador do Rio Ave que estava em fora-de-jogo posicional interfere no lance do 2-1 é anedótico. A única equipa que se pode queixar de qualquer coisa é mesmo o Rio Ave. Samaris nem sabe como não foi expulso e ficou ainda novo penálti por assinalar por mão na bola de Salvio ao minuto 78:


Mesmo a realização da Sporttv passou um bocado ao lado deste lance, uma vez que só se dignou a mostrar uma repetição rápida.

Não vou cair no erro em que muitos portistas estão a cair de dizer que esta equipa não merece ser campeã. Merece e em condições normais este teria sido apenas um mau dia que poucas consequências teria. Só que, infelizmente, o FC Porto não pode errar porque já lhe basta as penalizações que sofreu com os erros de terceiros. Agora não adianta ficar a pensar neste empate. Siga então para o 0-3 na Luz. Mas vai ser preciso dar bem mais do que neste jogo.

21 de março de 2015

A última vez contra o Nacional da Madeira foi assim...

Não sendo propriamente um cartão de visita deste FC Porto, o jogo da primeira volta frente ao Nacional ficou marcado por uma entrada forte e com um golo marcado na primeira grande ocasião. Rui Silva, que se revelou nesse jogo bem mais assertivo que na jornada seguinte, negou o 1-0 após um excelente cabeceamento de Jackson, mas nada pode fazer quando Danilo(!) apareceu para a recarga. Os madeirenses ainda tiveram uma ou outra oportunidade para marcar fruto de um desacerto defensivo que os Dragões viviam na altura, mas o 2-0 colocou um ponto final no jogo. Excelente jogada colectiva que terminou com a magia de Brahimi a tirar dois adversários do caminho antes de rematar forte e colocado.

O jogo ficou ainda marcado como sendo o último a contar para o campeonato em que Herrera ficou no banco de suplentes. Desde então tem figurado sempre no onze inicial de Lopetegui e o mesmo se espera para hoje.

20 de março de 2015

Bayern München


Difícil. Duro. Exigente. Complicado. Motivador. Todos estes adjectivos podem caracterizar o adversário do FC Porto nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, bem como toda a prova. O sorteio ditou que seria o Bayern de Munique a próxima equipa no caminho dos Dragões na prova milionária e não há outra maneira de olhar para a eliminatória a não ser com coragem e ambição. O FC Porto não é de virar a cara à luta e, apesar do enorme favoritismo dos alemães, tem a legitima ambição de seguir para as meias-finais.

Tanto como a enorme valia do adversário, importa também o enquadramento em que os jogos serão disputados. O jogo com o Rio Ave, que antecede a primeira mão da eliminatória, na melhor das hipóteses será disputado no dia 11 de Abril, uma vez que os vilacondenses têm jogo com o Braga no dia 7, impossibilitando assim que receba o FC Porto na sexta-feira dia 10. Depois, entre os jogos com o Bayern, existe a recepção à Académica que o FC Porto tem de antecipar para dia 18 para ganhar mais um dia de descanso para a segunda mão. Após concluída a eliminatória existem duas possibilidades para os Dragões: defrontar o Benfica a 25 de Abril na final da Taça da Liga caso eliminem o Marítimo (jogo na Madeira a 2 de Abril) ou então não defrontar ninguém porque o Benfica jogará de qualquer maneira a final nesse dia, adiando assim o Benfica-FC Porto do campeonato. Ninguém sabe explicar porquê, mas segundo o regulamento a Taça da Liga tem prioridade sobre o campeonato.

Um ciclo alucinante que pode terminar com um duplo embate com o Benfica logo na ressaca dos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Se há altura em que a rotatividade imposta por Lopetegui no inicio do campeonato tem de dar frutos, essa altura é a partir da paragem para os jogos das selecções.

19 de março de 2015

Fabiano tem de fazer parte da solução e não do problema

Fabiano tem estado sob fogo depois de, em jogos consecutivos, ter lesionado Danilo e ter sido expulso quando, em ambas as situações, teve de sair da grande área para travar um ataque adversário. Foi notório para toda a gente que assistiu aos últimos jogos que Lopetegui vinha pedindo ao número 12 do FC Porto para actuar como uma espécie de líbero, compensando assim o espaço que a defesa deixa nas costas para que a equipa possa pressionar mais próximo da baliza adversária. Contra o Basileia a primeira saída da baliza acabou com o Danilo inconsciente no relvado e a ir para o hospital de ambulância, mas, durante o resto do jogo, Fabiano foi chamado a intervir dessa forma pelo menos por mais um punhado de vezes e correu tudo bem. Frente ao Arouca, foi expulso à primeira tentativa deixando a equipa em inferioridade numérica durante 80 minutos.

Não será segredo para ninguém que de todos os guarda-redes que o FC Porto tem - e não são tão poucos! - Helton é sem dúvida o que melhor se adapta ao papel de guarda-redes líbero e que ainda acrescenta uma óptima comunicação com a equipa e um jogo de pés de fazer inveja a muitos jogadores de campo. Mesmo sem os recentes erros de Fabiano, Helton já era o guardião ideal para o estilo de jogo de Lopetegui. O técnico basco, acima de tudo, tem tentado ser justo com todos os jogadores do plantel. Entre Tello, Brahimi e Quaresma já todos tiveram o estatuto de suplentes devido aos concorrentes atravessarem melhor momento, e o mesmo se passou com Marcano, Indi e Maicon. Por isso, se o treinador decidir que Fabiano deve regressar à baliza após castigo é porque entende que Helton está menos preparado para ser o titular e não apenas por capricho.

Dito isto, é importante relembrar algumas coisas. Toda a gente se lembra do que era Fabiano quando chegou ao FC Porto: um óptimo shot stopper, franco a jogar com os pés e incapaz de sair da baliza, tanto para agarrar um cruzamento fora da pequena área como para cortar uma bola metida nas costas da defesa. Era o típico guarda-redes de equipa pequena mas que o FC Porto quer transformar num guarda-redes de equipa grande.

Depois de um ano e meio a melhorar na sombra, o camisola 12 aproveitou a grave lesão de Helton para assumir a titularidade que dura até hoje. Desde o primeiro jogo como titular "absoluto" que se nota que Fabiano está diferente. Muito mais fiável e seguro a jogar com os pés e mais corajoso e eficaz a sair aos cruzamentos. Embora não seja ainda um expert em nenhum desses campos, agora a defesa já pode contar com ele de forma relativamente tranquila. Falta agora o último passo para que Fabiano se possa tornar um guarda-redes de topo: dominar o espaço atrás da linha defensiva.

O FC Porto precisa de um guarda-redes que saiba organizar a defesa e seja ele próprio um defesa quando necessário. O que falta a Fabiano para assumir esse papel é uma coisa que faz falta a qualquer jogador: confiança. E a confiança só se pode ganhar a jogar e a melhorar cada vez mais. Com cerca de 2 metros de altura, Fabiano tem de ter a confiança necessária para jogar uns metros mais à frente, para sair a um cruzamento e saber que se o adversário saltar com ele vai aguentar a carga, ou mesmo para ter a convicção que se lhe tentarem fazer um chapéu de longe que tem velocidade suficiente para evitar o golo.

Os dois erros dos dois últimos jogos eram evitados se Fabiano tivesse a coragem suficiente para estar colocado à entrada da grande área enquanto o FC Porto estava no ataque. Se lá estivesse, teria tido mais tempo para decidir se havia necessidade ou não de abandonar a baliza para interceptar o lance, pois já estaria a meio caminho de o fazer. A falta de confiança leva-o a colocar-se muito atrás e é isto que Lopetegui tem de trabalhar com o camisola 12.

O FC Porto não pode desistir de Fabiano por causa de dois erros. Não agora que a evolução do jogador tem sido positiva em todos os aspectos. Falta um pequeno "click" para que estejamos perante um guarda-redes de topo. O caminho é insistir no treino destas situações para que sejam resolvidas cada vez com mais naturalidade. Caso não evolua de forma positiva, então Fabiano nunca poderá ser guarda-redes do FC Porto.

Nova machadada no mito dos 6 milhões

Desde ontem que o FC Porto é o clube português com mais seguidores no facebook. Tal só foi possível porque a empresa de Zuckerberg decidiu remover de todas as páginas os "likes" provenientes de contas inactivas ou de pessoas falecidas. No momento em que escrevia este texto, a vantagem portista rondava os 34 mil seguidores, estando a cerca de 233 mil de atingir os 3 milhões. Não deixa de ser curioso que o apelidado clube regional tenha mais seguidores na mais famosa rede social do que o auto-intitulado maior clube do mundo. Isto só demonstra que a história dos 6 milhões de benfiquistas só em Portugal e mais de 10 milhões por tudo mundo não passa de uma história muito bem vendida. Ou isso, ou o FC Porto domina cada vez mais as preferências junto dos mais jovens, que são quem mais utiliza esta rede social, ou então é o clube português que mais simpatia consegue recolher além-fronteiras. Ou talvez a justificação esteja mesmo algures no meio de todos estes factores. De qualquer das formas, é um excelente indicador do crescimento da marca FC Porto e mais um motivo para olhar para o futuro e ver um país cada vez mais azul e branco.

16 de março de 2015

Tribunal d'O Jogo - Incompetência ou má-fé?


De um grupo de três ex-árbitros, apenas um - Pedro Henriques - considera que o lance em que Quaresma leva uma pontapé na cara seria motivo para penálti. Os outros dois - Jorge Coroado e José Leirós - acham que o lance seria apenas motivo para livre indirecto. Se quisermos alargar a amostra a mais um árbitro, neste caso ao do jogo, concluímos que em quatro juízes 50% acham que um pontapé na cabeça é livre indirecto, 25% acham que é penálti e 25% não há motivo para assinalar qualquer falta. Por coincidência, o que ainda está em actividade - Jorge Tavares - é quem acha que não é nada. Isso diz muito sobre o que se tem passado pelos estádios de Portugal.

O que diz afinal a lei? Após consulta às Leis do Jogo no site da FPF a conclusão não foi muito complicada:


As instruções são claras, entre outras coisas, dar ou tentar dar um pontapé num adversário é motivo para livre directo e, caso seja dentro da área, penálti. Mas o que gera alguma confusão nas pessoas é o seguinte:


Devido ao facto de o jogo perigoso ser sancionado com livre indirecto, há quem ache que as situações semelhantes à deste caso se enquadram neste tipo de punição. Por isso mesmo, o International Board, na secção das Linhas Orientadoras, esclarece:


A partir do momento que existe contacto físico, como por exemplo, sei lá, um pontapé na cabeça, o livre passa a ser directo que, como todos sabem, dentro da área é penálti.

Que o comum dos adeptos não saibam isto é aceitável. Que analistas e ex-árbitros não saibam é vergonhoso. Quem um árbitro nem veja falta nenhuma já entra no campo da palhaçada.

15 de março de 2015

"Mala suerte"

Em primeiro lugar devo dizer que, embora tenha perfeita convicção de que Fabiano devia ter visto apenas o cartão amarelo, aceito que o árbitro, sob pressão, tenha decidido pelo vermelho. Aceito e, face ao histórico deste campeonato, era óbvio que, para um jogador do FC Porto, não havia outra alternativa que não a expulsão. E parece que Jorge Tavares também seguiu a mesma linha de pensamento. São as tais sortes distintas de que o Lopetegui fala mas que se vão confirmando semana após semana. Azar para o Fabiano que errou e viu o erro ser penalizado por uma decisão precipitada (não quero cair na tentação de dizer premeditada) de quem tinha obrigação de ajuizar o lance com calma devido à complexidade do mesmo. Ibrahimovic disse hoje que França não merece uma equipa como o PSG, por cá o FC Porto vive com esse sentimento há anos.

Com várias ausências de peso e mesmo ficando cedo com apenas 10 jogadores, os Dragões massacraram durante toda a primeira parte a equipa do Arouca, chegando a ter 78% de posse de bola, por isso foi com naturalidade que o golo chegou. Aboubakar voltou a marcar ao Arouca, que continua assim a ser a única vítima do camaronês em jogos do campeonato. Quaresma esteve sempre em destaque e foi o jogador do FC Porto que mais puxou a equipa para o ataque, sendo que foi dos pés dele que saiu o cruzamento milimétrico para o único golo da partida. Na segunda parte o Arouca foi atrás do resultado e, em função da superioridade numérica, causou alguns calafrios à baliza defendida por Helton, provando assim que qualquer um se agiganta quando o adversário está com menos jogadores em campo...

Ricardo é provavelmente o jogador mais azarado do mudo e a prova que não basta ter talento e trabalhar bem, também é preciso estar no sitio certo à hora certa. Apesar de ter mostrado competência sempre que foi chamado a jogar, acabou por ser o sacrificado após a expulsão de Fabiano para permitir a entrada de Helton, ficando-se pelos 11 minutos em campo numa das escassas oportunidades que teve de jogar até agora. Tenho verdadeiramente pena do rapaz e espero que no futuro tenha mais sorte.

Helton fez uma defesa fantástica já na segunda parte negando o empate à equipa visitante, num lance que, por acaso, até foi precedido de fora-de-jogo. Com esta exibição aliada à de Braga e a expulsão de Fabiano, será que teremos o camisola 1 como titular para o resto da época?

Foi assim mais um jogo que se calhar o FC Porto não devia ter ganho, num campeonato em que se calhar não seria suposto ter ainda a luta pelo primeiro lugar minimamente em aberto. Que costume feio este do FC Porto em lutar até ao fim... Mala suerte para quem está à espera para festejar. Ainda não foi desta.

P.S.: Até me esqueci do pontapé que o Quaresma levou na cara dentro da grande área do Arouca.

A última vez contra o Arouca foi assim...

Na primeira volta deste campeonato o FC Porto foi a Arouca vencer por 0-5 num jogo sem grande história e que ao intervalo já registava um 0-3 no marcador. Jackson marcou por duas vezes e até foi rendido por Aboubakar que também teve tempo para inscrever o nome na lista dos marcadores, sendo que depois disso ainda não voltou a marcar em jogos do campeonato. Casemiro, que na altura atravessava um fase complicada devido à contestação de muitos adeptos, estreou-se a marcar com a camisola do FC Porto. O outro golo, que até foi o que abriu o caminho para a goleada, foi marcado por Quintero.

Hoje espera-se um FC Porto diferente. Maicon, que na primeira volta foi suplente não utilizado, não foi convocado e a dupla de defesas-centrais deverá ser Indi-Marcano. Danilo encontra-se a recuperar do susto de terça-feira e será rendido no onze por Ricardo, enquanto Tello que, fazendo fé nos rumores, está a passar um mau bocado na vida privada, terá a primeira oportunidade de defrontar o Arouca depois de ter falhado o jogo de Outubro por lesão. Aboubakar terá a responsabilidade de substituir Jackson, uma vez que é o único ponta-de-lança convocado, tendo assim nova oportunidade para fazer uma gracinha ao Mauro Goicoechea.