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14 de setembro de 2015

Quem não tem cão caça com gato

Quatro jogos, quatro defesas-esquerdos. É esse o destaque que a comunicação social tem dado quando avalia as escolhas de Lopetegui. No entanto há uma coisa que, na minha opinião, é muito mais importante do que quem está a defender no lado esquerdo da defesa: o meio-campo. E aqui o cenário tem sido bem mais instável que na defesa - que apesar de ter trocado um elemento em todos os quatro jogos os outros três mantiveram-se inalterados -, uma vez que o treinador basco já usou três combinações diferentes e com uma troca de sistema de jogo pelo meio. Em 4-3-3 frente a Vitória de Guimarães e Marítimo (Danilo, Imbula e Herrera), passando ao 4-2-3-1 contra Estoril (Danilo, Imbula e Brahimi) e Arouca (Rúben Neves, Imbula e André André).

Durante a pré-época foi noticiado quase diariamente o interesse que o FC Porto tinha em adicionar um 10 ao plantel para colmatar a falta de criatividade que a equipa vem demonstrando. Até bem perto do fecho do mercado foi a Herrera que Lopetegui atribui o papel de apoiar o ataque, mas, com o aproximar do dia 31 de Agosto e sem a chegada do tal jogador, decidiu procurar no plantel alternativas. A primeira foi Brahimi na posição 10 que, apesar de ter resultado numa fase inicial, acabou por obrigar o treinador espanhol a fazer uma substituição para corrigir o meio-campo ainda na primeira parte. Nesta última jornada, em Arouca, assistimos à segunda tentativa de remediar a ausência de um médio criativo: dar a titularidade a Rúben Neves e André André.

Os novos número 6 e 20 dos dragões deram à equipa mais qualidade e segurança na posse de bola quando se compara com os habituais titulares Danilo Pereira e Herrera, disfarçando assim a incapacidade em criar jogo que a equipa vinha demonstrando. O maior prejudicado disto tudo foi o ex-Marítimo, porque tem tido exibições positivas desde que chegou ao Dragão e viu-se de um momento para o outro na condição de suplente. Por outro lado, André André acabou por ver premiadas as exibições que conseguiu quando chamado ao jogo nas três primeiras jornadas.

E aqui chegamos ao grande problema: o que fazer com Imbula? Ainda é cedo para rotular um jogador, mas as exibições do francês estão muito longe do nível que fizeram o FC Porto pagar €20 milhões por ele. Será boa ideia continuar a dar-lhe a titularidade apesar de haver elementos em melhor forma? Ou seria mais prudente e producente escolher outro jogador para o onze e dar ao número 25 a possibilidade de entrar na equipa aos poucos até atingir a condição física ideal? Um assunto muito delicado para Lopetegui tratar, uma vez que lhe cabe fazer o melhor pela equipa, mas, ao mesmo tempo, tem às costas a pressão de uma estrutura que não gosta de ver activos caros fora de campo.

7 de julho de 2015

Um FC Porto à espanhola

Acabado de chegar ao FC Porto e com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões no horizonte, Lopetegui montou uma equipa diferente ao que estávamos habituados: em vez dos tradicionais extremos, foram chamados dois jogadores habituados a jogar pelo centro para jogar nas alas. Foi assim, com Óliver e Brahimi como flanqueadores, que o Lille foi vencido nas duas mãos. Casemiro e Rúben Neves - na altura com apenas 17 anos - funcionavam como médios mais recuados, enquanto Herrera era o médio com mais liberdade. Este modelo de jogo, que facilmente varia para 4-3-3 ou 4-4-2, é muito comum entre as equipas espanholas, sendo Lopetegui espanhol é natural que queira o FC Porto a jogar assim. Foi assim durante algum tempo na última época e, mesmo depois de alterar para 4-3-3, nos jogos teoricamente mais difíceis lá surgia um FC Porto à espanhola: Óliver passava para a ala e o Rúben aparecia no onze em vez do extremo. Quando Casemiro começava a sentir dificuldades durante os jogos era só lançar outro médio - normalmente era Rúben Neves, mas também podia ser o Evandro - e a situação estabilizava.

O que levou Lopetegui a abdicar de jogar claramente do 4-2-3-1 para dar preferência ao 4-3-3? A resposta, embora possa parecer complicada, até é bastante simples: as características dos jogadores. Casemiro, Rúben Neves e Evandro não apresentaram capacidade para cobrir uma área maior do que lhes é pedido normalmente, enquanto o Herrera está longe de ser o médio criativo que o FC Porto precisa. Adrán López e Quintero ainda foram testados no apoio ao Jackson, mas ambos falharam redondamente. O único que parecia capaz de desempenhar qualquer papel que lhe era pedido era Óliver, mas mesmo este tinha um defeito enorme e que não podia ser ultrapassado: apenas pode estar num sítio de cada vez. A solução encontrada, como já disse, foi alterar um pouco a forma de jogar e dispor os jogadores em campo num sistema mais próximo ao 4-3-3.

Um ano depois, parece que o 4-2-3-1 não foi esquecido. Reforços como Alberto Bueno - que tanto joga como avançado mais móvel como atrás no próprio avançado - e  Danilo Pereira, Imbula, André André e Sérgio Oliveira - portadores de uma capacidade física e de condução de bola acima da média -, dão a entender que Lopetegui quer voltar ao sistema que mais confiança lhe dá.

Com a pré-época já em andamento, não falta muito para que a equipa realize os primeiros jogos de preparação e se desfaça por completo esta dúvida. Até lá, vão valendo as teorias em volta de um plantel (aparentemente) sobrecarregado de médios.