Mostrar mensagens com a etiqueta Izmaylov. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Izmaylov. Mostrar todas as mensagens

25 de novembro de 2013

O legado de Moutinho


Enquanto esteve no FC Porto, Moutinho foi dono e senhor do meio-campo. Foram três épocas sempre em grande nível que tornaram a sua substituição motivo de preocupação para todos os portistas. Na época passada, quando o internacional português se lesionou, Defour foi o escolhido por Vítor Pereira para ocupar a vaga aberta no meio-campo mas os resultados não foram muito positivos. Embora não houvessem grandes alternativas, a troca de um construtor de jogo por um médio área-a-área trouxe prejuízo à qualidade de jogo praticado pelo FC Porto.

Ao assinar contrato com os Dragões, Paulo Fonseca já sabia que tinha sobre os seus ombros a responsabilidade de arranjar uma solução para um meio-campo que acabara de perder o maestro dos últimos três anos. E aqui começam os problemas do FC Porto 2013/2014. O novo treinador optou passar por cima do trabalho que começou a ser desenvolvido por André Villas-Boas e teve continuidade com Vítor Pereira, alterando o posicionamento e a dinâmica dos médios e, por consequência, de toda a equipa.

Jogar com dois médios-defensivos - embora um tenha liberdade para se envolver no ataque - tem sido um equívoco. Quando a equipa está a defender perde um médio, que em anos anteriores ajudava o ataque a pressionar o a saída de bola do adversário, por este recuar para a linha de Fernando que há vários anos vai mostrando que não precisa do apoio de ninguém a tempo inteiro naquele sector. Mas isto é só uma parte do problema.

No que à substituição directa diz respeito, ao sair Moutinho, quem seria a melhor solução? Defour? Ou o recém-chegado Herrera? Para mim, nenhum dos dois. Como já referi, no passado a troca de um construtor de jogo por um médio área-a-área não trouxe os resultados esperado, Paulo Fonseca devia ter tido isso em conta e testado outras alternativas durante a pré-época. Danilo seria o meu favorito, seguido por Josué, Carlos Eduardo e Izmaylov.

No inicio da época, seria de apostar em Fucile para a direita da defesa - o uruguaio até fez um bom jogo na Supertaça - e adiantado Danilo para o meio-campo. Ricardo ficaria como alternativa, podendo o próprio Defour ser testado na posição. Actualmente, face ao momento de forma de Danilo, seria um pouco arriscado adiantá-lo no terreno e chamar Ricardo ou Víctor García à titularidade, uma vez que Fucile é carta fora do baralho. Assim sendo, a opção mais sensata seria utilizar outro jogador no meio-campo.

Com Izmaylov fora de combate há dois meses e Josué a jogar nas alas para compensar o erro que foi não contratar um extremo, resta apenas Carlos Eduardo. Aqui Paulo Fonseca voltou a dar um tiro nos pés ao não inscrever o ex-Estoril na lista da UEFA - situação que deverá ser corrigida em Janeiro. O brasileiro tem mostrado, quer pela equipa B, quer pela formação principal, que tem valor para se assumir como titular no FC Porto, falta o treinador ganhar coragem e apostar seriamente nele.

Existe ainda a opção de usar Quintero na função que tem sido atribuída a Josué, que é basicamente o que fazia James no passado: jogar como falso extremo e participar no ataque a partir da ala. Assim sendo, o treinador ganha em Josué mais uma opção para um meio-campo que tem sentido enormes dificuldades na saída de bola e que acumula passes errados em zona proibida.

A ausência de alternativas indiscutíveis para as alas ofensivas é indiscutível, mas isso não legitima que Paulo Fonseca destrua todos os sectores da equipa e muito menos o futebol miserável que temos assistido. Desde cedo se percebeu que esta maneira de jogar estava a prejudicar os jogadores e que o treinador não estava a saber tirar partido das alternativas que tem ao seu dispor. Cerca de três meses após o arranque da temporada, exige-se que haja mais audácia do que ir alternando entre Defour e Herrera num modelo que, aliado a uma mentalidade pequenina, já mostrou não servir para o FC Porto.

14 de setembro de 2013

Análise ao Plantel 2013/2014 - O Ataque

Em entrevista ao site MaisFutebol, Vítor Pereira afirmou que caso continuasse como treinador do FC Porto mantendo a mesma estrutura e encontrasse um ou dois jogadores rápidos e desequilibradores, a equipa evoluiria para outro patamar qualitativo. Esta falta de velocidade e de capacidade para desequilibrar foi um problema que saltou à vista em quase todos os jogos. Era quase unânime entre os portistas que era preciso contratar extremos para a presente temporada. A SAD assim o fez.

A Varela, Kelvin e Izmaylov juntaram-se os portugueses Josué, Licá e Ricardo, assim como o colombiano Quintero. Ainda assim, até ao fecho da janela de transferências andou no ar a possibilidade de chegar um extremo que fosse capaz de assumir a titularidade de forma indiscutível e, à imagem do que aconteceu com Bernard, esse extremo nunca chegou.

Comparativamente à temporada anterior, existe agora no plantel uma variedade maior para actuar nas alas. Licá e Ricardo vieram acrescentar a velocidade que faltava, Josué e Quintero - talvez pelo facto de preferirem a posição 10 - vieram trazer capacidade de desequilibrar em espaços curtos.

Outra das lacunas do plantel era não haver uma alternativa a Jackson. Mesmo Liedson, que chegou a meio da época, nunca foi uma verdadeira opção. Paulo Fonseca viu essa lacuna ser preenchida por Ghilas, o possante avançado que brilhou na última época ao serviço do Moreirense. O melhor marcador da edição 2012/2013 da Liga tem agora uma alternativa viável ou, caso o treinador o entenda, um complemento de qualidade.

Na equipa B existem ainda vários jogadores para a linha avançada. Kléber, Caballero, Gonçalo Paciência e André Silva são os pontas-de-lanças de serviço, Ivo e Frédéric Maciel os extremos e ainda Vion e Kayembe que podem jogar em qualquer posição do ataque.

13 de setembro de 2013

Análise ao Plantel 2013/2014 - O Meio-Campo

A época 2013/2014 parece ter neste sector a sua principal novidade. Depois de muitos anos em 4-3-3, com um médio-defensivo e dois mais adiantados, o FC Porto apresenta-se agora em 4-2-3-1 com um 10 a jogar na frente dos outros dois médios.

Há alguma preocupação nos portistas face a esta alteração pois consideram que o Fernando perde influência com um outro jogador ao lado e/ou o Lucho não tem capacidade para desempenhar a posição 10 de forma satisfatória. Embora discorde de ambas as opiniões, confesso que as exibições de ambos nos jogos frente ao Vitória de Setúbal e ao Paços de Ferreira me preocupam. Acredito que o 4-2-3-1 é viável com estes jogadores, no entanto, devido à manutenção do Fernando no plantel, veria com bons olhos o regresso ao 4-3-3 que está mais do que assimilado por todos.

Se na última época as opções escasseavam, este ano isto não se verifica. Para colmatar as saídas de Moutinho e depois de Castro, foram contratados vários jogadores, apesar do meio-campo titular actual ser constituído por três jogadores com alguns anos de Dragão ao peito, o que é bastante positivo. Defour assumiu finalmente o papel de titular e parece que, pelo menos nos próximos tempos, é para manter. Herrera e Carlos Eduardo têm jogado pela equipa B numa tentativa de acelerar a sua adaptação. Se no caso do mexicano se quer proporcionar a oportunidade de lhe dar a conhecer um pouco do futebol europeu, o caso do brasileiro é diferente. Carlos Eduardo tem sido moldado para jogar atrás do 10 - posição que tem por preferencial -  e ao mesmo tempo é-lhe dada a oportunidade de treinar e jogar num clube com a exigência do FC Porto após alguns anos a jogar em Portugal mas em clubes de dimensão menor.

Josué que durante a pré-época foi testado pouco por todo lado (10, médio-centro, extremo e até lateral-esquerdo), foi titular até agora nos três jogos do campeonato como extremo-direito, aproveitando a lesão de Varela. No entanto, e apesar das exibições positivas, tem o lugar ameaçado e prevê-se que o perca a curto prazo para o reforço-sensação: Quintero. O colombiano tem sido aposta de Paulo Fonseca a partir do banco e em três jogos do campeonato foi mesmo ele que fez a diferença. Frente ao Vitória de Setúbal entrou e marcou o 2-1 e, posteriormente, frente ao Paços de Ferreira entrou para assistir Jackson para o golo da vitória. Além disto, tem um toque de bola que não engana e tem trazido qualidade ao jogo dos Dragões. Tem tudo para ser umas das figuras do campeonato.

Izmaylov, à imagem de Josué e Quintero, é uma opção a ter em conta para actuar como 10, no entanto é espectável que tenha mais tempo de jogo numa das alas do que no centro.

Na equipa B, à espera de uma oportunidade, estão Mikel, Tomás Podstawski, Leandro Silva e Pedro Moreira de características mais defensivas, assim como Tozé, Pavlovski e Belinha de características mais ofensivas.

21 de fevereiro de 2013

A segunda vida de Izmaylov

Marat Izmaylov chegou a Portugal, mais concretamente ao Sporting CP, por empréstimo dos russos do Lokomotiv Moskva na época 2007/2008. Depois de uma boa época ao serviço do clube de Alvalade, começaram a surgir os rumores de que o FC Porto estaria interessado em contratar o talentoso médio. Esse rumor não foi confirmado e o russo acabou por ficar em Lisboa, custando ao clube leonino 4,5 milhões de euros.

Ao serviço do Sporting, Izmaylov, entre inúmeras lesões, problemas disciplinares e algumas grandes exibições, venceu apenas três troféus - duas Supertaças e uma Taça de Portugal. Muito pouco para cinco épocas e meia ao serviço de um clube com as aspirações do clube verde-e-branco e para um jogador com o talento do médio russo.

Em Janeiro deste ano, Izmaylov faz o percurso inverso de Miguel Lopes e troca o Sporting pelo FC Porto. A contratação foi recebida com alguma desconfiança pelos portistas, mas em pouco tempo de azul-e-branco já começa a conquistar a confiança dos adeptos.

Chegou ao Dragão numa altura em que, entre lesões e ausências para representar as suas selecções, o ataque do FC Porto encontrava-se quase sem opções e começou a ser utilizado por Vítor Pereira de forma imediata. Pouco a pouco foi aumentando a sua condição física e, embora ainda não seja a ideal, já consegue fazer um jogo completo, cenário impensável há um mês atrás.

A versatilidade e competência táctica do russo, aliadas à sua qualidade técnica, fazem dele um reforço de peso para o plantel portista pois, além de ser uma opção forte para jogar sobre ambas as alas, pode ainda ser uma alternativa válida a Lucho. Numa altura em que o campeonato entra numa fase decisiva, com as eliminatórias da Liga dos Campeões pelo meio, Izmaylov parece ter deixado as lesões para trás e começa a recuperar o nível que mostrou quando chegou a Portugal, estando ainda a tempo de ser uma figura de destaque na equipa do FC Porto já esta época.

Aos 30 anos e com um contrato de duas épocas e meia, Izmaylov parece ter ganho uma nova vida de dragão ao peito.