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18 de dezembro de 2014

Brahimi


Yacine Brahimi precisou de pouco tempo para começar a maravilhar os portistas. A maneira como serpenteava pelos adversários com uma velocidade e técnicas deliciosas levavam muitos a pensar como seria possível que o argelino andasse meio desconhecido em terras andaluzas. Para ajudar à festa, sabe bater livres directos, coisa que há muito não se via por aqui.

Com o sucesso, veio o reconhecimento, as nomeações e os prémios, os elogios, as manchetes, as entrevistas. E Brahimi acusou isso. Não só porque não é fácil lidar com uma mediatização tão grande e tão rápida, mas também porque, naturalmente, os adversários começaram a cair-lhe em cima com muito mais cuidado. Com desgaste à mistura, o argelino tem perdido muito fulgor nos últimos jogos. Está mais complicativo, perde cada vez mais bolas sem que os lances que ganha consigam trazer algo de útil para a equipa.

Para mim, não acho anormal. É difícil para qualquer jogador manter um nível alto durante toda a época e Brahimi subiu imenso a fasquia a si próprio. Nem o extremo era a oitava maravilha do mundo quando estava no topo de forma, nem agora é um cepo. Não espero que Yacine seja transcendente em todos os jogos, nem isso é possível, mas o ex-Granada tem de voltar a encontrar-se e tirar o peso de cima dos ombros ou a obrigação de ser decisivo em todos as partidas para que possa voltar a ajudar a equipa. Brahimi tem de perceber que se tem três ou quatro jogadores em cima dele, algum colega deve andar sem marcação nas redondezas, aguentar a bola e soltá-la para um colega no momento certo pode ser tão importante como um drible que deixa dois adversários para trás.

A CAN aproxima-se e, dependendo do que do que faça a Argélia na Guiné Equatorial, podemos ter Brahimi de volta apenas no final da primeira semana de Fevereiro. Espero que o camisola oito volte rejuvenescido. Por cá, Ricardo Pereira e Kelvin farão pela vida.

15 de dezembro de 2014

Como encarar o resto do campeonato


Para começar, com uma enorme paciência. De forma muito estúpida, à 13ª jornada, estamos a seis pontos da liderança. Vão-se disputar 63 e, dito assim, parece precipitado antecipar o adeus ao título.

Na prática, sabemos que é diferente. No nosso campeonato, são poucas as equipas capazes de tirar pontos ao benfica, mesmo que este benfica esteja longe do virtuosismo de épocas anteriores, não precisam de muito para vencer, como se pode comprovar ontem. É mais ou menos consensual entre os portistas que a exibição do FC Porto justificava o resultado oposto e que em 10 jogos como o de ontem, o Porto perderia um. No entanto, a eficácia é fulcral no futebol, particularmente nos clássicos e a equipa de Lopetegui só se pode queixar de si própria, já para não falar dos erros patéticos nos golos sofridos - há muito que não aconteciam...

Só que o jogo de ontem não explica tudo. Perder um clássico dói de caraças, mas nunca pode ser entendido como um resultado anormal. Aqueles 90 minutos são um mundo diferente, onde o momento de forma das equipas ou as exibições pouco importam. O Porto não devia ter chegado ao clássico com três pontos de atraso, começa logo por aqui. Sem as perdas de pontos absurdas com Boavista e Estoril - por exemplo - a diferença para o benfica seria muito menor e o acidente de ontem não teria consequências tão graves.

Isto não sou eu a desvalorizar ou banalizar uma derrota num jogo grande, atenção que não é isso,apenas relembro que não facilitar naqueles encontros que não nos põem nervosos 24 horas são meio caminho andado para não perder o campeonato. Eu ainda acho que são aqueles jogos de 1-0 sem história que muito contam no fim. São essas vitórias que permitem chegar às partidas mais complicadas com margem de erro suficiente para não sofrer em demasia com estas partidas surreais do futebol.

À boa moda do Porto, isto está fodido. Mas agora só há um caminho: ganhar! Não adianta massacrar a cabeça com o que não podemos controlar, temos que fazer o nosso trabalho como se cada jornada fosse a última. Infelizmente, nos últimos anos, temos corrido atrás do prejuízo, nem sempre o corrigimos, mas não seria a primeira vez que o fazemos.

11 de novembro de 2014

Adrián López e o sistema alternativo


Adrián López não está com vida fácil no Dragão. Estamos quase a meio de Novembro e o avançado espanhol ainda mostrou muito pouco para merecer elogios. Para lá de parecer uma peça a tentar encaixar no puzzle errado, o ex-colchonero dá a ideia de parecer em baixo, desconfiado de si próprio, sem aquela garra e vontade que é tão característica das equipas de Diego Simeone.

Não sei o que vai sair do camisola 18 até ao fim da época, que ainda está bem longe, mas vou continuar a acreditar que Adrián ainda será útil à equipa. Fazendo fé no Tribunal do Dragão o clube salvaguardou minimamente os seus interesses aquando da aquisição do jogador.

O que, para já, me parece certo, é que Adrián não justifica a presença nas convocatórias, não só por aquilo que (não) tem feito, mas também porque há outros jogadores que já merecem oportunidades, com Ricardo Pereira à cabeça. Por outro lado, o espanhol não me parece que tenha na força mental uma virtude e um jogo no Dragão mal conseguido facilmente destruiria a pouca confiança que Adrián ainda terá.

O sistema alternativo



Ao contrário do que muitos disseram, não creio de maneira nenhuma que Lopetegui tenha invertido o sistema para o 4-2-4 só para encaixar Adrián. Um treinador que põe no banco quem tem de pôr e valoriza tanto o colectivo, não faz uma coisas dessas. Além disso, o ex-Atlético de Madrid já jogou em 4-3-3, nomeadamente frente a Paços de Ferreira e Moreirense.

Gosto que um treinador tenha um sistema alternativo. Aliás, é fundamental que haja um plano B e temos um plantel com condições para vários planos alternativos, felizmente. E o problema não está no sistema em si, mas antes no contexto em que é utilizado. Frente ao BATE Borisov resultou em cheio, frente ao Sporting e Estoril deu asneira e não é muito complicado perceber porquê, ainda que no jogo da Taça tenham jogado dois falsos extremos, mas que nem ocupavam o meio-campo da forma mais necessária, nem apoiavam eficazmente o ataque. Pelo menos, longe do melhor que poderíamos fazer.

É mais ou menos consensual que o meio-campo é o cérebro de qualquer equipa, o sector mais importante. Sem um meio-campo coeso e organizado, a defesa fica mais vulnerável e o ataque perde fluidez, por mais jogadores que estejam no último terço. Portanto, a meu ver, o 4-2-4 tem de ser utilizado quando o adversário está encostado às cordas e precisamos desesperadamente de um golo. Utilizar esta estratégia de início é aumentar o risco e compreende-se apenas se a valia do adversário o permitir.

Se isto for à melhor de três, Lopetegui terá definitivamente compreendido que o 4-2-4 só pode ser aplicado em situações muito específicas e que o sistema principal com intervenientes diferentes dos habituais é talvez preferível à mudança de táctica.

Se acredito que Lopetegui aprende com os erros? Não duvido. A rotatividade exagerada parou e o treinador fixou um núcleo e um sistema que se teria repetido no domingo se Quintero não tivesse passado mal a noite. A insistência na saída de bola em toque curto desde a nossa área terminou e, quando não há hipótese de sair a jogar dessa forma, não se sai, sendo que também o posicionamento dos jogadores nesse momento do jogo faz agora mais sentido. Em consequência de tudo isto, as perdas de bola infantis que tanto nos atormentaram diminuíram drasticamente. São exemplos dos maiores erros que eram apontados à equipa e que deixaram de acontecer. Lopetegui tem é de corrigir as falhas mais rapidamente.

9 de novembro de 2014

Emendar o que está certo só pode dar asneira


* Se não está avariado, não corrijas.

Porquê, Lopetegui? Porquê? Porquê este retrocesso? Porquê voltar atrás e mexer no que estava bem e cada vez melhor? A equipa estava em claro crescendo, sustentado por vitórias importantes que eram resultado da estabilidade e consistência que ia ganhando forma. Porquê optar novamente por este sistema alternativo e logo num dos campos mais complicados do campeonato? Ou não sabias? A responsabilidade por este resultado é tua e, infelizmente, já não é a primeira vez que se diz isto. Espero sinceramente que tenhas aprendido outra lição nesta noite e que não sejam precisas mais.

Destaques:

Adrián López: Um corpo estranho na equipa, continua a não justificar 1/3 do investimento, nem sequer as presenças no banco de suplentes e muito menos a titularidade.

Fabiano: À semelhança de Alvalade, saída da baliza completamente disparatada e escusada que valeu um golo.

Meio-campo? O que é isso?: Quando se aniquila a zona cerebral de qualquer equipa, torna-se difícil que as coisas corram bem. Não havia ninguém a pensar o jogo da equipa e a distribuir, fazer a bola circular, Casemiro e Herrera viram-se nas tarefas que cabem a três jogadores diferentes enquanto Óliver e Quintero estavam...no banco.

Substituições: Nem isso se salvou Lopetegui, nem isso. Desta vez não houve salvação a partir do banco. Quintero não conseguiu pegar no jogo e poucas vezes teve a bola nos pés, Aboubakar foi mais esforçado que Adrián e pouco mais, Óliver Torres, que deveria ter sido titular, foi o último a entrar, já com a equipa a perder.

Brahimi: O Deus do futebol deve ser argelino, mas sozinho não consegue fazer tudo.

Herrera: Das exibições mais competentes que a equipa teve. O melhor em campo da nossa parte.

O momento do jogo foi, sem dúvida o penalty convertido por Tozé a castigar a tremenda burrice de Fabiano. Ainda assim, depois do empate de Óliver, Jackson teve o golo da vitória nos pés, no último suspiro.

E assim se volta atrás depois de quatro pequenos grandes passos. O que deixa qualquer portista verdadeiramente frustrado é a certeza de que não falta qualidade neste plantel, que há equipa para fazer muito mais, mas não podemos continuar tão imprevisíveis. Três pontos de desvantagem para o primeiro lugar não são problemáticos em Novembro, mas irrita saber que deveríamos estar bem mais acima e preocupa o colinho confortável que tem atuado na grande maioria dos jogos de uma determinada equipa.

5 de novembro de 2014

Cada vez mais Porto


O FC Porto fez um jogo frio, tão frio que o San Mamés gelou. Os bascos não souberam chegar perto de Fabiano, excepção feita a um lance em que Guillermo ia marcando sem saber como. Do outro lado, estava uma equipa muito bem organizada e coesa, que abordou a partida de forma irrepreensível e até podia ter marcado mais golos, ou chegado à vantagem mais cedo.

Destaques:

- Centrais seguros: Maicon e Indi limparam tudo o que lhes foi aparecendo pela frente, com ou sem bola para o mato, mas sempre a afastar o perigo.

- Casemiro: Das melhores exibições do brasileiro desde que chegou ao Dragão, numa altura em que tem sido muito criticado e, não raras vezes, de forma injusta. Hoje, não deu hipótese para isso.

- Brahimi: Estou aqui a olhar para o cursor a piscar e nem sei o que escrever, os adjectivos começam a escassear para descrever tamanho talento e habilidade com a bola nos pés. Ele faz muitas vezes a jogada que originou o golo de Jackson, certo, e tirar-lhe a bola? Um, dois, três, vão caindo todos.

- Jackson: Retira-te da lista de marcadores de penaltys ou alguém que te retire. Dado o cachaço no pescoço vamos aos merecidos elogios: Top. Incansável, solidário no processo defensivo, com uma classe no controlo de bola ao nível de poucos. Se queremos em Jackson um simples ponta-de-lança que esteja lá para ler e encostar, ele corresponde, se queremos no colombiano um pivot ofensivo que jogue e faça jogar, o cafetero cumpre na mesma.

- Tello: Jogo fraco do espanhol, que não encontrou espaço para explorar a velocidade e decidiu mal quase sempre.

- Adeptos: Vénia aos milhares que se fizeram ouvir do primeiro ao último minuto. A equipa sentiu mais apoio hoje do que no jogo do Dragão.

Momento do Jogo:
73 minutos, 2-0 pelos pés de Brahimi


O jogo estava controlado, mas 1-0 é sempre perigoso. O golo que acabou com as dúvidas e foi um prémio merecido para o argelino. Oferta da defesa? Temos pena, não pode cair sempre para o mesmo lado!

Brahimi foi o melhor em campo, (na nossa opinião e na da UEFA também) pela assistência soberba e pelo golo, mas também por toda a classe que espalhou em campo.

Quarta jornada, dez pontos e oitavos de final carimbados num estádio onde muitos querem, mas poucos podem. Este Porto continua a crescer, mostra-se mais organizado, equilibrado e fiável. As vitórias (quarta consecutiva) cimentam uma evolução sustentável que ainda tem muito por onde se desenvolver.

1 de novembro de 2014

Mais um passo seguro do Dragão


Antes do jogo com o Bilbao, afirmei que não seria de um jogo para o outro que a equipa iria carburar. A evolução será gradual e só poderá acontecer assente em vitórias. Vamos no terceiro triunfo consecutivo pós eliminação da Taça e as melhorias fazem-se notar. Aqueles primeiros 25-30 minutos da primeira parte foram uma amostra do que esta equipa será capaz de fazer quando atingir o ponto rebuçado. Há que continuar a trabalhar para que essas fases se perpetuem.

O FC Porto entrou com tudo e Danilo terminou uma semana de sonho da melhor maneira possível. Que bem te ficam as palavras do presidente, o Dragão de Ouro e o número 2. És dos nossos e espero que o sejas por muito mais tempo.

O segundo golo poderia ter aparecido, não faltaram oportunidades para isso, mas o facto de ter demorado tanto a acontecer acabou por não deixar a equipa dominar o jogo como queria. Não que o Nacional tenha assustado muito Fabiano, mas, principalmente no início da segunda parte, faltou clarividência e controlo à equipa, num problema de certa forma resolvido ainda antes dos 60' com a entrada de Herrera.

A 15 minutos do fim, momento mágico de Brahimi, que fez valer a espera pelo golo da tranquilidade. Só a partir daí é que a equipa entrou em estágio para San Mamés, sendo que a tão badalada rotatividade ficou-se apenas pelas trocas de Herrera e Tello por Óliver e Quaresma, enquanto Maicon e Marcano vão lutando pela titularidade. Mexidas compreensíveis que deram resultado e provam que Lopetegui está a mudar a forma de aplicar a "Teoria da Rotatividade".

Que bonito é quando o público decide ir ao Dragão apoiar a equipa. Custou muito? Todos juntos somos mais fortes contra as "linhas tortas" deste campeonato. Jackson parecia proibido de disputar os lances e as faltas sobre ele proibidas de serem assinaladas. Um filme habitual para o colombiano que hoje fez de tudo para marcar mas Rui Silva não deixou.

Despeço-me com o apontamento humorístico da noite:

26 de outubro de 2014

O menino Quintero


Assim que Quintero chegou ao FC Porto, percebeu-se logo que aquele pé esquerdo tinha uma relação com a bola bastante especial. No entanto, a preponderância do colombiano na equipa nem sempre foi consensual. Uns diziam que um jogador com o talento do Juan teria de jogar sempre, outros apontavam deficiências tácticas - principalmente no capítulo defensivo - para justificar as poucas chamadas ao onze titular.

De facto, em 2013/14, Quintero nunca alinhou de início duas vezes seguidas. Com Lopetegui, já vai em três. O médio até começou esta época de forma bastante discreta, mas a pouco e pouco foi conquistando o seu espaço e capitalizou participações positivas a partir do banco da melhor forma. Recorde-se: um golo frente ao Braga, uma assistência diante de Sporting e Bilbao, um golo ao Arouca.

Mas as diferenças não se resumem à influência directa nos resultados. O camisola 10 está um jogador mais maduro e constante ao longo da partida - em vez de jogar 20 minutos e começar a arrastar-se - e de jogo para jogo. Claro que ainda tem várias coisas a melhorar, como o jogo sem bola ou a intensidade, mas as melhorias são evidentes e há que dar o mérito a Julen Lopetegui na gestão desta pérola que Paulo Fonseca e Luís Castro não souberam lapidar. Que a evolução de Quintero prossiga, porque há poucos jogadores com olhos nos pés.

5 Euros o golo


Deste ponto de vista até nem está caro, mas não deixa de ser vergonhoso que as equipas ditas pequenas se aproveitem desta maneira. 25€ é um preço abusivo para um jogo de futebol entre duas equipas tão desniveladas e num estádio e relvado com tantas deficiências. De recordar que outros só pagaram 13€ para ver a equipa que apoiam jogar contra este mesmo Arouca no... Municipal de Aveiro. Mas tudo bem, é a crise...

Golos. É quase que só isso que interessa. São eles que criam e reinventam a história do jogo, quantos mais melhor. A eficácia não tem sido propriamente o nosso melhor atributo, mas ontem fomos certeiros e com um timing inicial que acabou por arrumar a discussão do encontro. Tranquilo, como já estávamos a precisar e bastante importante para estabilizar e motivar as tropas. Antes do jogo com o Bilbao, disse que a equipa tinha de exercer o seu direito de resposta e acumular vitórias, uma vez que só assim é possível evoluir da melhor forma. É continuar assim, passo a passo.

 Algumas notas:

- Apenas uma alteração no onze - justificada, quanto a mim. Terá Lopetegui encontrado uma fórmula para repetir muitas mais vezes?

- Trinco mais recuado no apoio aos centrais na saída da bola - algo comum no futebol mas raramente visto neste Porto - e mais jogo interior por força de um bloco médio mais coeso. Ainda há várias coisas a melhorar, mas é a jogo a jogo que se crescer.

- Bolas despachadas na nossa área e redondezas sem cerimónias.

- Quintero está cada vez mais crescido...e resistente. Quem o viu e quem o vê. 

 - Banco a render. Aboubakar - que tractor, que força...e nada tosco, pelo contrário! - entrou bem e fez golo, onde responde bem a um excelente passe de Quaresma, também ele suplente neste jogo. O camaronês a mostrar que pode ser aposta mais vezes.

- Folha limpa cinco jogos depois, muito graças a Fabiano que juntou defesas atentas e um pouco complicadas. Guarda-redes forte faz forte a sua defesa.

Com uma semana a separar este jogo do próximo, é tempo de recarregar baterias e trabalhar de forma a dar continuidade a estes dois bons resultados. O Nacional da Madeira é o adversário que se segue.

22 de outubro de 2014

Vocês são uma vergonha


Os adeptos do Bilbao merecem todo o meu respeito. Coloriram a cidade de forma animada e respeitadora. Vi imensos bascos com cachecóis e outros adereços do FC Porto, sendo que também foram trocando cânticos com a malta da casa. Ok, deve ter havido alguma excepção, facilitada pela Super Bock, mas estas coisas também fazem parte do espírito da Champions. O Atlético de Bilbao está a fazer uma época miserável na Liga Espanhola: oito jogos, uma vitória, dois empates e cinco derrotas. Mas invadiram a cidade invicta para apoiar o clube que amam. Também podia dar o exemplo dos adeptos do Dortmund, mas nem vale a pena, já são mentalidades completamente diferentes, formas muito distintas de interpretar esse conceito de "adepto".

Vocês, que vão ao Dragão assobiar, são uma vergonha. Não merecem o clube que têm, não merecem alapar esse cu no Estádio do Dragão. Não são impacientes, são ridículos. Muitos de vocês já deviam estar a subir a Alameda ou a carregar o Andante quando o Kelvin marcou. E sabem que mais? Fantástico, muito, muito, muitíssimo bem feito! Adorava que isso vos acontecesse sempre. Deliro com o facto de, por nem se terem dado ao trabalho de ficar até ao fim para aplaudir a equipa, terem perdido ao vivo um dos mais momentos mais emocionantes e eufóricos da história do clube. Havia milhares de pessoas que teriam bebido água do mar às refeições durante um mês só para ter um lugar naquele estádio, enquanto outros tiraram bilhete mais cedo.

Ontem, também não faltava quem quisesse ver o jogo ao vivo. Mas uns vivem a quilómetros de distância, outros não têm condições económicas para serem sócios do clube, como eu por exemplo. Nota: bilhetes exclusivos para sócios, mais uma vez, porquê? É que havia imensos bascos espalhados pelas outras bancadas na mesma e havia...

O tema já é um clássico no debate entre portistas. Assobiar ou não assobiar, eis a questão. Não, foda-se, não!! A equipa é nova, jovem, está em construção. Precisa de apoio e de sentir empurrada pelo SEU público, não puxada para trás à mínima coisa. O Maicon está hesitante com a bola nos pés porque não tem linhas de passe. Sabem o que fazem os assobios? Põem três jogadores adversários em cima dele. E estou a ser metafórica, para o caso de não perceberem. Temos cometido muitos erros e isso faz a equipa entrar numa espiral de nervos quando as coisas não correm bem, mas isso resolve-se. No entanto, não se vai resolver de um jogo para o outro.

Metam nessas cabecinhas, e estou segura que não deve faltar espaço, que assobiar a equipa não ajuda em rigorosamente nada. Nada. Só faz com que os jogadores se sintam mais pressionados, mais nervosos, mais ansiosos e isso só potencia mais asneiras. É assim TÃO difícil de entender que se as coisas estão más os assobios só as põem piores? Vão ao Dragão para ver a equipa perder? É que se vão, aí tudo bem, os assobios aproximam-vos desse objectivo, sem dúvida.

Ontem foi mais um exemplo brilhante. Algures na primeira parte, uma troca de bola mais pausada a meio-campo foi suficiente para soltar o assobio. Um jogador demora dois segundos a mais a fazer um passe, assobio. Defesa troca a bola, assobio. Um jogador erra um passe, assobio. Fabiano faz uma excelente defesa a negar o golo. Aplaude-se a acção do brasileiro, damos-lhe força? Nããõoo, vamos assobiar mas é. Mas o crème de la crème da noite de ontem foi a substituição de Casemiro. Simplesmente vergonhoso. A exibição do Casemiro poderia ter sido a pior dos últimos dez anos que não há desculpa ou justificação possível para aquilo. A não ser que, claro, o médio fizesse asneira de propósito.

Os jogadores não são burrinhos, não precisam que uma pessoa produza um som agudo com a boca para perceberem que fizeram alguma coisa de errado. E, definitivamente, não param de fazer asneiras por ouvirem assobios.

"Eu pago bilhete, se quiser assobiar assobio, estou no meu direito." Repito: Vais ao Dragão para a ver a equipa perder?
"Oh pah, mas aqueles gajos não jogam nada!" Tudo bem, também me enervo com os golos oferecidos. Mas quero que os erros parem, não quero aumentá-los.
"Pff...ganham milhões e não podem com assobios, as meninas?" Insisto, vais ficar mais feliz se a tua equipa de milhões perder? O dinheiro não faz deles menos humanos. Gostavas de ter um gajo a melgar-te de forma insuportável enquanto fazes o teu trabalhinho?

Se querem mostrar desagrado com a equipa, façam-no. Assobiem, tragam apitos, tragam aqueles dos cães também, berrem, esperneiem, insultem... mas façam isso no fim do jogo. Os jogadores ficam com as orelhas quentes na mesma.

O Futebol Clube do Porto não precisa desse tipo de "apoio" para nada. Fiquem em casa. "Ando aqui a poupar dinheiro para vir ao estádio e é isto?". Olha, pega no dinheiro e vai à ópera, ao cinema, ao teatro, mas fica a milhas do Dragão. Quando o nosso presidente foi insultado na sua própria casa já não sabiam usar o filho da puta do assobio.

21 de outubro de 2014

Uma rica vitória


A vitória, só a vitória e nada menos do que a vitória interessava. Não que um empate, por exemplo, complicasse o apuramento, mas era a única resposta possível à eliminação prematura e dolorosa da Taça de Portugal. Com Casemiro, Herrera e Quintero a repetirem a titularidade, foi dos pés do colombiano que saiu a assistência para o número 16, mesmo no fim da primeira parte. Grande jogada, sublinhe-se!

Os bascos assustaram com uma bola ao poste, mas a equipa de Lopetegui, sem ser deslumbrante, trocava bem a bola e looonge da baliza de Fabiano. Notou-se que os jogadores quiserem descomplicar a primeira fase de construção e não hesitaram em aliviar sem cerimónias quando necessário. No segundo tempo, houve uma pequena regressão. O Bilbao foi mais afoito e chegou ao golo da maneira mais previsível: aproveitamento de uma oferta. A gentiliza coube a Herrera, desta feita e três jogadores não foram capazes de impedir o remate de Fernandéz.

 O meio-campo tinha dificuldades em pegar no jogo e empurrar a equipa, assim como em cobrir defensivamente. Aliás, tem sido uma constante e um problema por resolver. Óliver Torres, o médio com mais capacidade em receber e distribuir a partir de trás, começou no banco.

Lopetegui mexeu na equipa, com as entradas de Rúben - exibição agradável - e de Ricardo Quaresma que deu um grito de raiva e revolta. Remate certeiro que contou com a ajuda do "portero", mas não podemos sempre ser nós a sofrer golpes destes. O festejo do Harry Potter encarnou a voz de todos nós.

Até ao fim do jogo, o Bilbao ainda pregou um susto num livre, a castigar uma falta completamente desnecessária de Alex Sandro, mas a vitória não fugiu ao Dragão, que também cheirou o terceiro golo por intermédio de Jackson. O colombiano esteve bem em tudo menos na finalização, há dias assim.

Três pontos fundamentais que dão confiança à equipa e projectam a passagem aos oitavos. Vamos em frente!

Sobre aqueles que vão ao Dragão equipados à Porto e apoiam a equipa adversária, falaremos noutro post.

20 de outubro de 2014

Direito de resposta


Por esta altura, todos os problemas da equipa portista estão já mais do que analisados e discutidos. Desde os pequenos detalhes até a evidências que não passam despercebidas a ninguém, até àqueles que pouco percebem de futebol. Para os jogadores e Lopetegui, a pressão aumentou, num caminho inverso ao da margem de erro e paciência, porque o descontentamento não se reduz apenas ao que se passou no último sábado. Está difícil o motor arrancar, por mais que se dê à chave, acontece sempre qualquer coisa.

O momento da derrota define muito o carácter e mentalidade duma equipa. Agora, é hora de responder, de mostrar se são meninos ansiosos ou homens com frieza. É o momento de perceber se existe convicção ou simples teimosia, se os erros ensinam ou apenas baralham mais as contas. O FC Porto tem de exercer o seu direito de resposta já amanhã, não apenas frente ao Bilbao, mas a partir desse jogo. Há imensa qualidade neste plantel, não há desculpas.

A equipa tem, de uma vez por todas, de estabilizar para evoluir e as vitórias são fundamentais nesse processo. Mesmo não jogando sempre bem - não exijo óperas, contento-me com triunfos sem grande margem para dúvida - tem de acumular vitórias e resultados. Há muito trabalho pela frente, mais do que seria suposto nesta altura, mas também é certo que as dificuldades não vão ser ultrapassadas todas de uma vez.

No meio de tanta teoria e debate,o futebol decide-se, muitas vezes, em detalhes. Pequenos, mas importantes. Um corte mal feito, uma desatenção, uma hesitação, um passo a mais num drible são suficientes para mudar todo um jogo, destruindo qualquer estratégia bem delineada e agravando preparações defeituosas. Nós temos percebido isso como ninguém, mas da forma mais dura. O nosso principal adversário, neste momento, chama-se Futebol Clube do Porto. Quando conseguirmos parar de dar tiros na cabeça - já não são nos pés - vamos ter muitas mais condições de derrubar quem nos apareça pela frente, em vez de os ajudarmos.

11 de outubro de 2014

Circo a bombar


O circo vem à "aldeia" e há semanas que a publicidade ao grande evento não pára, com constantes anúncios do palhaço mor*. Tipo aqueles carros com um megafone que andam pelas ruas durante as campanhas eleitorais.

A estratégia é simples: incendiar ao máximo o ambiente do jogo para depois, ao mínimo sinal de hostilidade, se fazer de vítima e santinho, como o palhaço gosta tanto de fazer. É o truque preferido. Não tenham dúvidas, o artista está desejoso que lhe espetem mesmo um murro no focinho, para ele seria o sucesso total. De nada serve antigos presidentes do Sporting constatarem o óbvio, este é o mundo do palhaço.

Não me admiraria nada se acontecesse ao palhaço o que aconteceu ao Tarzan da Silva, "violentamente agredido" à porta do restaurante Xis, na Foz, "curiosamente" na mesma altura em que André Villas-Boas almoçava no referido estabelecimento. A agressão foi de tal maneira violenta que a criatura não teve nenhuma mazela no rosto, nem apresentou queixa às autoridades. Bárbaro.

Ao FC Porto, em particular ao presidente, louvo a estratégia de desprezo e a recusa em alinhar no número do palhaço por duas razões:
  •  "Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te até ao nível dele e depois vence-te em experiência".
  • De todas as coisas que lhe podemos fazer, ignorá-lo é. de longe, a pior. É desesperado por atenção, não vive sem ela e, quando não lha dão, fica cego, como tem sido possível perceber desde há muito tempo.

No meio de tantas palhaçadas, insultos, provocações e figuras tristes, temos de dar o devido mérito ao palhaço: tem piada. Muita. A maior potência desportiva nacional e o único clube que representa Portugal é o sporting lisbon, ahm, o sporting gijón, oh foda-se (lá estão os palavrões dos arruaceiros), o sporting clube de portugal. Os outros, representam as províncias e os bairros. Isto, por si só, vale a piada, restando a dúvida se ele atira isto só mesmo para provocar, ou se é parvo ao ponto de acreditar no que diz. Inclino-me para a segunda.

Os apontamentos mais relevantes do baluarte de Portugal no estrangeiro remontam à conquista da Taça das Taças, nos anos 60, a final da Taça Uefa perdida em casa, em 2005 e a eliminatória com maior diferença de golos da história da Champions: 12-1 diante do Bayern de Munique, em 2009**. Brilhante e sem paralelo no nosso país. Aqui os labregos competem com duas Champions, duas Ligas Europa, duas Intercontinentais e uma Supertaça Europeia. Ainda por cima, além de ser um registo risível, foi tudo comprado com fruta.
Ao querer insultar com a alusão à província, acaba por fazer pior e envergonhar-se, mas que continue o circo!

* As minhas sinceras desculpas aos artistas de circo, nomeadamente aos palhaços, é a eles que eu insulto ao compará-los com esta diva.
** Vitória do Bayern de Munique, claro.

30 de setembro de 2014

Empate moralizador


Mesmo depois de dois empates consecutivos, a divisão de pontos não seria, à partida, um resultado negativo para o FC Porto, que jogava em casa de um dos concorrentes directos depois da vitória na jornada inaugural.

Depois do jogo, o empate sabe ainda melhor, mais do que seria de esperar mas, no entanto, não deixa de ficar um amargo de boca porque o FC Porto foi, a todos os níveis, superior ao Shakhtar na Arena de Lviv. Empatar um jogo depois de sofrer o 2-0 aos 85' é tremendo. A equipa revelou um enorme carácter e determinação pela forma como nunca desistiu de lutar pelo golo e, pelo menos, pelo empate. À PORTO!

Por outro lado, ficou a certeza de que poderíamos perfeitamente ter vencido este jogo, mas decidimos ligar o complicómetro. Primeiro, Brahimi, decidiu adicionar um capítulo à saga dos penaltys falhados. Depois, oferecemos de bandeja dois golos ao adversário que, principalmente na segunda parte, pouco ou nada fez para assustar Fabiano. Insistimos em sair a jogar desde a baliza, tudo bem, mas há que entender quando não há, simplesmente, condições para isso acontecer. Não sei até que ponto Lopetegui quer que a equipa resista ao pontapés para a frente, ou para fora, mas temos de ter atenção a este capítulo, pois todas as equipas - sem ajuda do Tactical Porto - já perceberam há muito como complicar esse momento de jogo aos azuis e brancos.

Não há golos sem erros, mas há erros evitáveis e temos cometido alguns nos últimos jogos que nos têm custado pontos. Hoje doeu menos porque fomos capazes de corrigir as coisas.

Bem Lopetegui a mexer na equipa. Jackson - já não há palavras - e Quintero entraram bem, Ádrian nem tanto, que rendeu um não tão inspirado Brahimi. Marcano fez uma excelente exibição - depois de Reyes em Alvaldade, parece que afinal não é assim tão complicado preencher aquela posição com eficácia - assim como Aboubakar: um portento físico e veloz que jogou um pouco desapoiado na primeira parte, mas mostrou excelentes indicadores.

Mais um empate, é certo, mas, sem dúvida, o mais saboroso deles todos pela forma como foi conseguido e primeiro lugar no grupo, enquanto os "coitadinhos" do BATE Borisov venceram o Bilbau. A vitória teria-nos ficado bem, mas quem comete erros como aqueles que nós cometemos dificilmente não é castigado.

3 de março de 2014

A insustentável leveza do FC Porto 13/14


Não vou falar de duplos pivot, de tácticas, da desorganização defensiva, da confusão a meio-campo, da falta de dinâmica no último terço.

Não vou falar das substituições estranhas, tardias ou escassas, da dança do 11 titular.

Não vou falar de uma defesa que, de um ano para o outro, passou de segura e consistente para anedótica.

Não vou falar de um treinador sem carisma, teimoso e de discurso vazio, amorfo e redutor.

Não vou falar dos constantes amuos e queixas escarrapachados nos jornais e redes sociais do jogador A, B e C.

Não vou falar das pobres assistências no Estádio do Dragão.

Não vou falar de uma equipa perdida, desconfiada de si própria, instável e triste.

Não vou falar de nada disto porque nós, doutorados (porque não?) bloggers temos explorado todos e cada um destes tópicos há meses, já tudo se disse sobre isto.

Que falta então dizer? Porque motivo Paulo Fonseca - um penoso erro de casting - continua a ser treinador do FC Porto contra a sua vontade?

O que ainda se poderá retirar de positivo de uma época que está a ser das piores deste século, apenas equiparável à de 2001/2002?

Será tudo isto suficiente para se arrumar a casa de uma ponta à outra? Daremos um passo atrás para dar dois à frente, como é habitual? Vamos corrigir o que não se corrigiu a bem, isto é, enquanto ganhávamos?

Vamos construir um plantel equilibrado, com alternativas suficientes e viáveis para todas as posições em vez de, por exemplo, termos centrais a atropelarem-se e Alex e Danilo obrigados a serem quase totalistas? Vamos comprar o jogador X porque é aquele de que a equipa precisa em vez de comprar o jogador Z porque é aquele que dá mais comissões?

Vamos apostar nos valores que temos na formação e na equipa B?

Vamos voltar a SER PORTO?

10 de novembro de 2013

Uma equipa pequena com jogadores de equipa grande


Tenho cada vez menos paciência para isto e mais tristeza ao ver esta equipa jogar. Sim, continuo a acreditar que podemos fazer uma boa época - mesmo com a Champions presa por um fio - mas no momento actual olho para aqueles rapazes de camisola azul e branca e não vejo o verdadeiro Porto.

Também me cansa estar sempre a dizer a mesma coisa jogo após jogo. Joga-se com uma mentalidade muito mais próxima à de uma equipa pequena do que "à Porto". Aliás, jogos "à Porto" foi coisa que raramente vi esta época, quanto muito vi em certas fases de alguns jogos.

Não se dá primazia à posse bola? Ok, tudo bem, mas acertem os poucos passes que querem fazer. Baixam-se as linhas depois de chegar à vantagem? Aceito, mas não deixem o adversário rematar uma, duas, três, quatro (etc...) vezes, não se ponham tanto a jeito. Porque se os executantes do Vitória são de baixa qualidade, aqueles que jogam connosco a meio da semana não são. Não é preciso nenhum milagre para sofrer um golo e olhando às palhaçadas que têm feito na defesa já deviam ter percebido isso.

Por variadíssimas vezes, acabamos por ser superiores aos adversários não por aquilo que fazemos como equipa, não pela coesão que demonstramos a todos os níveis, não pela forma como não deixamos o opositor chegar perto da área. Vencemos porque temos melhores jogadores, de melhor qualidade.

As fases do jogo com bom futebol colectivo têm de ser a regra, não a excepção. Oxalá a paragem para os compromissos internacionais sirvam para a equipa fazer um "reset" e regressar mais próxima àquilo que é esperado. Já sabemos que houve erros na construção plantel, mas continuamos a ter qualidade mais do que suficiente para jogar bom futebol.

6 de novembro de 2013

Ainda dá para admirar?


A bola entra na área portista e Helton avança...e hesita o suficiente para que Hulk ultrapasse o guardião e Alex Sandro (também ele incapaz de recuperar a bola) empatando o jogo. No segundo tempo, adivinhou que Hulk não ia rematar para onde remata sempre a partir dos 11 metros e segura o empate. Ainda ficou o registo de outra excelente defesa, minutos mais tarde.

Varela. Puxa para o pé esquerdo e atira com selo de golo para uma grande defesa de Lodygin. No último suspiro do jogo, com vários jogadores à espera do cruzamento, Silvestre escorrega e perde a bola.

Estes são dois exemplos que servem para fazer a analogia perfeita à equipa. Não só neste jogo como noutros tantos esta época.

Entrada forte, com atitude, vontade e determinação. O domínio de jogo também era, em parte, consentido pelo "italiano" Zenit que apostava no contra-ataque para chegar à área portista. Mas isso não era problema do Porto, que aproveitava para jogar com relativa dinâmica no ataque e chegar ao golo numa jogada rara nesta equipa: cruzamento e cabeceamento certeiro.

Iria o Porto perder o controlo do jogo? Não deu para perceber porque decidimos dar nova prenda de Natal antecipada. O Hulk até merece as prendas, mas não uma destas.

A primeira parte acabou com Jackson perto do golo mas na segunda vimos um filme, naturalmente, diferente. Spalleti corrigiu o que era necessário e o Zenit jogou mais subido.

Voltamos aos "Classic Porto 2013/14". O jogo era muito disputado, sempre em alto ritmo e os Dragões iam perdendo gás e intensidade.

O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
Spalleti mexeu primeiro.
Josué e Lucho estavam cada vez mais desgastados.
O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
O equipa continua com a máxima entrega, mas já não tinha pernas para segurar a bola e o jogo.
O tempo passava e Paulo Fonseca não mexia.
Até ao minuto 75. Licá rendeu Josué.
E o Ghilas? Que pergunta essa, é óbvio que entrou aos 86', deve ser uma cláusula no contrato.

Neste período de letargia, Helton evitou o golo dos russos por duas vezes, enquanto do outro lado só os remates de fora da área de Jackson e Varela criaram perigo.

Este Porto é capaz do melhor e do pior. De dominar o meio-campo e de o perder totalmente. De anular as armas do adversário e de se expor de forma absurda. De ser competente e maduro como um colectivo e de oferecer golos de mão beijada aos adversários com uma paragem cerebral de algum jogador. De fazer tudo para ganhar um jogo, ou jogar sem a mínima garra.

Se a Champions passar à história, é inteiramente por culpa própria. Falhas clamorosas nos golos do Atlético, ficar com 10 a partir dos 6' frente ao Zenit e oferecer o empate na "segunda mão". Um empate que não seria mau de todo, não fossem as duas derrotas anteriores.
Muitos erros demasiadamente infantis e inadmissíveis para qualquer equipa a jogar ao mais alto nível e ainda mais para uma equipa com a experiência do FC Porto.

Posto isto, não resisto em lançar a pergunta: uma equipa que colecciona tantos erros amadores merece mesmo continuar na mais exigente prova de futebol?

28 de outubro de 2013

Garra, força, determinação e outras coisas mais


Raça, entrega e atitude. Mais uma vez, nada disso faltou ao FC Porto frente à malta da civilização, que deu uma bela demonstração da sua...hum...vá, categoria na Alameda do Dragão. Bravo!

Quanto ao jogo em si, podemos dizer que vimos um pouco mais do mesmo. Entrada forte - vantagem no marcador - recuo das linhas.

Este Porto não quer ter sempre a bola, não a quer ter sempre a rodar de pé para pé, quer passe mais directo e vertical. Deixa o adversário subir com o intuito de disparar para o contra-ataque assim que a recuperar e espetar a faca por aí. Foi o que aconteceu na jogada - brilhante - do 3º golo conduzida por Varela e Jackson e finalizada pelo incansável Comandante. O problema é que essa clarividência e inteligência raramente é usada nas transições ofensivas. Por vezes, a equipa precipita-se, falha passes e decide mal.

Cá atrás, embora se notem algumas melhorias, acabamos por nos expor em demasia, deixámos o adversário com a bola por tempo a mais.

A questão é que, a meu ver, não temos de jogar assim. Esta equipa dá muitas vezes a ideia de que precisa de sofrer alguns sustos ou até um golo para sacudir a pressão e passar a jogar mais próximo da área contrária, mesmo sem correrias ou pressões loucas. Ou equilibramos e, de facto, ao recuarmos as linhas formamos um muro intransponível, ou voltamos a ganhar um pouco mais de carinho pela posse de bola e acima de tudo a perceber quando é que temos de a recuperar e guardar, esfriando o jogo.

Ainda não desisti de acreditar que esta filosofia pode perfeitamente funcionar. Jesualdo tinha uma ideal semelhante em 2008/2009 e bem sabemos o quanto custo entrar nos eixos, mas Jesualdo tinha Meireles, Hulk, Lisandro e até Rodriguez - muito rápidos com a bola, principalmente quando vão embalados.

Gostava, ainda assim, que Paulo Fonseca, à semelhança de outras ideias que foi perdendo, não se esquecesse de uma coisa: isto é o Porto. E o primeiro objectivo do Porto depois de marcar o primeiro tem de ser estar mais próximo de chegar ao segundo do que segurar a vantagem. Não defendo nenhum desses extremos, mas o Porto tem toda a capacidade para ser um pouco mais mandão e controlar o jogo de uma maneira bem menos questionável.

Como não estámos aqui só para bater, há que referir, com a toda a justiça, que o treinador dos Dragões mexeu bem na equipa e foi activo e não reactivo. Era preciso Ricardo ou Licá para preencher o corredor de uma forma que Josué não faz - mas grande exibição, contudo! - e Defour veio dar mais posse de bola e serenidade no lugar de Herrera. O mexicano foi excelente a pressionar e recuperar, mas nervoso a distribuir. Depois de dois jogos complicados para Hector, penso que está agora em condições de partir com mais tranquilidade e confiança.

Vamos ver como se comporta agora a equipa depois de uma semana de grande esforço e tensão.

12 de outubro de 2013

O elogio a quem tanto o merece - Andebol do FC Porto


Terceiro jogo da Liga dos Campeões, o primeiro no Dragão Caixa e a terceira partida sem vencer. Foi a derrota menos pesada (27-31) mas conseguida frente ao, "apenas" Tri Campeão Europeu da modalidade e, obviamente, uma das melhores equipas do mundo.

Neste clube a ambição aponta sempre à vitória, é sempre com esse pensamento que todos os atletas do FC Porto entram em qualquer campo, em qualquer desporto e foi por isso que a equipa comandada por Obradovic lutou praticamente até ao fim da partida com o THW Kiel.

Para quem não está bem a ver a coisa, este jogo seria a mesma coisa que um confronto em futebol entre o Braga e o Bayern Munique. O andebol português está longe da elite europeia, mas o FC Porto tem-se exibido a bom nível.

Num Dragão Caixa repleto e com um grande ambiente, o pentacampeão português entrou bem no jogo, aguentando-se bem ao altíssimo ritmo de jogo. Laurentino brilhava na baliza e Gilberto Duarte furava as redes na baliza contrária. O FC Porto chegou a ter, por mais que uma vez, três golos de vantagem e foi para o intervalo a vencer por um.

No segundo tempo, os alemães entraram com mais garra e frieza e aproveitaram da melhor maneira alguns erros dos azuis brancos que jogavam com menos um. Recuperaram a liderança do marcador e de lá não saíram até ao fim da partida. O Kiel foi controlando o jogo, mas sem nunca poder descansar verdadeiramente.

Culpa da boa exibição de Quintana - que alinhou na segunda parte - e do carácter e atitude de uma equipa que nunca quis desistir, nunca se deu por vencida e deu sempre tudo o que tinha. Só nos últimos dois minutos de jogo é que os alemães puseram um ponto final na discussão do resultado.

Os adeptos do FC Porto só podem ficar orgulhosos pelo esforço, determinação e carácter que esta equipa demonstra. Não é impossível fazer uma gracinha nos jogos que restam, até porque a ambição dos jogadores e o ADN do Dragão está bem patente:

Tiago Rocha: "Não há vitórias morais, só quando vencemos"
Gilberto Duarte: "Poderíamos ter feito melhor"

De notar ainda que já há muito tempo que Obradovic não pode contar com os lesionados Pedro Spínola e Alvaro Ferrer. E já que falo em lesionados, um abraço especial a Hugo Rosário que saiu do campo em lágrimas na sequência de uma lesão no ombro.

6 de outubro de 2013

Quase tudo na mesma


Entrar bem no jogo - Check

Entrar em coma depois de estar em vantagem - Check

Exagerar nas faltas cometidas - Check

Sofrer golos de bola parada - Check

Piorar o jogo com as substituições - Not check

Desta vez, Paulo Fonseca soube mexer na equipa e as substituições foram, gradualmente, devolvendo o controlo do jogo à equipa e dando-lhe mais profundidade. Ao contrário do que se passou com o Atlético, a saída de Lucho não prejudicou a equipa. E quanto à entrada de Quintero...bem, parecia que o treinador estava a adivinhar que o colombiano iria ter aquele livre para marcar, uma vez que mexidas aos 90 minutos dificilmente surtem efeitos.

Herrera estreou-se a titular e, sem fazer um jogo brilhante, esteve a bom nível e não se escondeu do jogo. Pelo contrário, Varela nunca pareceu sair do balneário, sequer.

Segue-se uma paragem para as selecções e vamos ver se fará bem ou mal à equipa. Continuamos a ter aversão à circulação de bola e acumular faltas junto à nossa área, como que a pedir o que Pintassilgo ofereceu. Menos mal que, quase um ano depois, voltámos a marcar de livre directo em jogos oficiais, Quintero sempre pareceu ter jeito para a coisa e hoje confirmou-o.

Se baixar as linhas e deixar o adversário ter iniciativa depois de estar em vantagem é uma opção, tem urgentemente que mudar, Paulo.

2 de outubro de 2013

FC Porto - "Dr. Jekyll and Mr Hyde" em potência


Para quem não conhece, e de forma muito genérica sem entrar em grandes pormenores, "O Estranho Caso de Dr.Jekyll and Mr. Hyde" retrata a história de um médico com um "caso" severo de dupla personalidade.

Quando o jogo terminou estava conformada. E estar conformada com derrotas é tudo menos normal em mim, não é bom sinal. Estar conformada com uma derrota onde os dois golos sofridos nascem de paragens cerebrais começa a ser caso para alarme.

Não estava confiante, confesso. E acabou por se confirmar tudo aquilo que temia. Calculava que íamos entrar com força e garra mas temia que a equipa não soubesse gerir uma eventual vantagem e tivesse problemas nas bolas paradas dos "Colchoneros" - o ponto mais forte desta equipa, a meu ver. O que me espantou aqui foi também nós termos marcado de bola parada, já que não tem sido muito habitual esta época.

O FC Porto de Paulo Fonseca começa a denotar sérios traços de dupla personalidade. Tem duas caras, duas formas de pensar e ver o jogo em função do golo marcado. Se, no passado, houve alturas em que a equipa só acordava quando sofria um golo, actualmente adormecemos quando marcamos.

Há um Porto com sede de ter a bola, ágil nas movimentações, concentrado a defender, inteligente na pressão e antecipação. Foi este o Porto que tivemos na 1.ª parte do jogo, pelo menos durante os primeiros 30/35 minutos.

Depois, temos um Porto que parece, desculpem-me a expressão, burro que nem uma porta. Não sabe quando pressionar, não sabe segurar a bola, acumula paragens cerebrais e erros infantis. Usa e abusa do passe longo e complica o que é simples. Foi este o Porto que jogou nos segundos 45 minutos, principalmente depois do empate.

Dá-me a sensação que, infelizmente, está incutida uma certa mentalidade de equipa pequena. "Estamos em vantagem? É melhor gerir". E não é de agora. A diferença é que desta vez enfrentámos uma equipa que soube bater realmente o pé, à semelhança do Estoril. Eu não gosto dessa atitude, mas conformava-me se soubéssemos, de facto, gerir o jogo. Quando se quer gerir o jogo, gere-se a bola, não a despachamos sem critério.

Com certeza que não poderíamos jogar todo ao jogo ao ritmo em que começamos, daí que seja tão importante saber segurar a bola e circulá-la. Não sabemos fazer isso. Pelo menos quando o adversário sobe as linhas e aperta um bocadinho, entramos em curto circuito e começa o carrossel de disparates.

Disparates que começaram em Helton, passaram por Josué e Mangala nas faltas ridículas que fizeram e acabaram em Paulo Fonseca quando decidiu tirar Lucho do campo e manter aquele rapaz com a camisola do Varela em campo.

Toda a gente que acompanhava minimamente a equipa espanhola sabia que era muito perigosa nas bolas paradas. Pois o Atlético de Madrid conseguiu cheirar o perigo em todos estes lances e, pior do que isso, fazer dois golos. Nós não sabíamos ou foi mesmo inépcia?

Obviamente que não é a mesma coisa jogar uma equipa recuada e com uma que quer chegar à baliza, mas é inadmissível que o Porto perca completamente o controlo do jogo e acumule erros atrás de erros. Vai ser sempre assim? Se sim, um golo marcado vai-se transformar num motivo de preocupação. É melhor fazê-lo só lá para os descontos, então.