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8 de novembro de 2014

Vitória importante para Lopetegui, Quaresma e FC Porto

Não deve haver um único portista que não saiba que Quaresma tem mau perder e que, além disso, não gosta de ser suplente ou de ser substituído. Muitas vezes isso leva a que se façam considerações erradas sobre a personalidade do extremo, chegando ao ponto de, mesmo sem conhecimento de causa, afirmar que se trata de um mau profissional e um mau colega. No entanto, sempre que alguém pergunta a Jesualdo Ferreira - que foi só o treinador que melhor soube aproveitar o talento do Mustang - sobre esse assunto a resposta é que enquanto estiveram ambos no FC Porto ninguém trabalhava melhor do que Quaresma e que nunca precisou de lhe pedir que se esforçasse mais. Já Mangala não teve problemas em afirmar que o camisola 7 é "uma óptima pessoa". Resumindo, quem já privou com o Harry Potter afasta o cenário de bad boy que a comunicação social tenta passar e, pelo contrário, até lhe elogiam a vertente humana. Só assim se explica, por exemplo, que Quaresma tenha chegado a capitão do FC Porto.

Dito isto, chegamos ao incidente de 20 de Agosto no jogo da primeira mão do play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. Quaresma foi lançado por Lopetegui no jogo apenas ao minuto 88. Foi notório que o extremo entrou com cara de poucos amigos e, mais tarde, mal o jogo terminou, foi o primeiro a abandonar o relvado em direcção aos balneários, situação que não foi do agrado de Lopetegui e que terá levado a que este lhe chamasse a atenção. No jogo seguinte Quaresma não foi convocado e surgiu mesmo o rumor que estaria de saída do clube. Durante alguns dias (ou até semanas) só se falava no caso Quaresma, mesmo que Lopetegui, o próprio Quaresma e até Pinto da Costa tenham tentado esconder que houve um problema. Apesar dos desmentidos é óbvio que aconteceu alguma coisa, uma vez que a partir desse dia Quaresma não mais voltou a usar a braçadeira de capitão.

Na altura fiquei com a sensação que a situação foi mal gerida por Lopetegui. Não querendo desculpar Quaresma - que devia ter ido saudar o público no final do jogo, ainda mais sendo na altura o capitão de equipa -, o treinador espanhol devia ter evitado o problema logo na origem. Um jogador como Quaresma, que já estava visivelmente transtornado por ter sido suplente e que nem sequer é bom a defender, não foi acrescentar nada à equipa no tempo de descontos. No banco havia, por exemplo, o jovem Ricardo, um jogador que dá sempre tudo e que mesmo sendo ele extremo é muito forte defensivamente e que talvez fosse a melhor opção para o tempo que faltava. Acredito que a intenção de Lopetegui até fosse mostrar ao Quaresma que contava com ele e não a de marcar uma posição forte perante o jogador e o grupo, mas esta situação acabou por dar asneira e por pouco que toda a gente não ia ficando a perder.

Felizmente a situação parece já totalmente resolvida e ultimamente Quaresma tem sido utilizado com regularidade, tendo sido até titular na semana passada em jogo contra o Nacional da Madeira. Titularidade que se adivinha também nesta jornada, uma vez que Tello se encontra lesionado e não foi convocado para defrontar o Estoril.

Todos sabemos do que Quaresma é capaz de fazer e é por isso que vejo com bons olhos este reaproveitamento de uma grande talento. Trata-se de uma grande vitória para Lopetegui e para Quaresma que os problemas tenham ficado para trás, mas quem mais tem a ganhar com isso é o próprio FC Porto.

26 de maio de 2010

Até à próxima, Professor!

No dia em que o FC Porto anunciou a rescisão do contrato que mantinha com Jesualdo Ferreira, gostaria de deixar aqui algumas breves considerações:

Quando chegou ao FC Porto, o professor trazia consigo um defeito - que para os portistas era inadmissível -, era benfiquista. Era. Porque Dragão por um dia, Dragão para toda a vida!

Desde cedo, Jesualdo Ferreira, percebeu a filosofia do clube e, como tal, foi ganhando a simpatia de cada vez mais adeptos. Acabando por partilhar connosco quatro épocas e seis títulos. Aliás, os únicos títulos da sua carreira.

Não quero entrar em estatísticas, mas é certo que o professor Jesualdo fica para a história do FC Porto como sendo o único que ficou na frente do clube por quatro épocas com Pinto da Costa como presidente. E quando digo na frente é mesmo na frente. Durante este tempo defendeu o clube com unhas e dentes contra quem se metia no seu caminho. Mesmo sendo, por muitas vezes, a única voz do clube que se ouvia no exterior.

Para além de ficar na história do FC Porto, fica também na história do futebol português como o único treinador português tri-campeão de Portugal.

No dia da sua saída ficamos a saber que não ficou como director técnico de todo o futebol do FC Porto porque ainda quer treinar por mais alguns anos. Saiu mas ficou com a porta aberta para voltar a entrar, e mesmo ele fez questão de sublinhar que estará sempre disponível para o FC Porto.

Se entretanto regressar ao Dragão como adversário será recebido com um aplauso de pé. Não tenho dúvidas que será assim.



Obrigado, Professor! És um dos nossos.