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19 de dezembro de 2014

Ainda sobre o Clássico

Para enterrar de uma vez por todas o assunto - até porque hoje já há novo jogo -, gostaria de analisar alguns acontecimentos sobre o último FC Porto - Benfica que se passaram durante e após o jogo.

O primeiro golo do Benfica


Há quem diga que Lopetegui não estudou o Benfica. Para mim, isso é totalmente mentira. A forma como Herrera e Óliver entravam no espaço deixado entre os laterais e os centrais dos encarnados demonstra que o técnico espanhol sabia que Jorge Jesus contra o FC Porto usa uma marcação suicida aos extremos e faz os próprios extremos marcar de forma apertada os laterais que vestem de azul e branco. Embora não seja uma movimentação estranha na equipa do FC Porto, é anormal que seja feita com tanta frequência e só não resultou em golo por várias vezes por azar/falta de pontaria. Se Lopetegui estudou o Benfica tão bem ao ponto de conhecer esta forma de jogar quase em exclusivo contra o FC Porto, também sabia que os lançamentos longos iriam estar no menu. Assim sendo, não percebo como foi possível fazer uma avaliação tão má da atitude a adoptar. É para mim inconcebível que o treinador basco tenha pensado que bastava ter um jogador - Brahimi no caso - à frente de Maxi Pereira enquanto este lançava a bola. O resto, o que se passava na área, era resolvido com uma marcação primitiva e em desuso há uma década. Para compor o ramalhete, Marcano nem marcou nem ocupou um espaço onde pudesse ser útil, ficando afastado automaticamente da jogada. Terá sido por isso que saiu do onze directamente para a bancada? Ou será que o Vitória de Setúbal é um adversário para encarar como se encarou o Boavista, que dá para tudo? Um palavra ainda ao árbitro nessa jogada. Fez questão de ir pessoalmente medir os dois metros que Brahimi era obrigado a deixar para a linha, mas fez vista grossa à forma como a bola foi lançada e à forma como foi introduzida na baliza (ainda que neste caso, no meu entender, tenha decidido bem).

O golo anulado ao FC Porto


Felizmente não sou o único a achar que a lei não foi respeitada. Em Portugal existe aquela velha máxima que diz que o árbitro fez bem em marcar falta quando o jogador tira partido do facto de ter jogado a bola com a mão. Não é isso que está escrito nas Leis do Jogo. O que conta é a intencionalidade e não me parece que o Jackson tivesse qualquer intenção de roubar um golo à própria equipa, uma vez que o remate de Casemiro ia em direcção à Baliza do Benfica. O árbitro não hesitou e assinar falta. Curioso foi o facto de ter interpretado (bem) que Lima introduziu a bola na baliza do FC Porto com o braço e optar por validar o golo. Mais tarde, ainda na primeira parte, Maxi Pereira corta um cruzamento com as duas mão, de forma deliberada, e Jorge Sousa nada assinala. Falta e cartão amarelo que ficaram para trás.

A substituição de Luisão


A bola saiu pela linha de fundo, Luisão pediu a a substituição e a equipa médica do Benfica acabou por entrar em campo para avaliar a situação. Depois do jogador ser assistido dentro de campo - situação que desrespeita os regulamentos mas que é comum em todos os jogos-, o médico dá sinal aos presentes no banco de suplentes para que se avance para a substituição. Jorge Sousa manda Luisão abandonar o campo para que se proceda à marcação do canto a favor do FC Porto, adiando assim a substituição para a próxima paragem. O banco do Benfica protesta , o árbitro cede e César entra de imediato. Jorge Sousa preparava-se para cumprir a lei, ou seja, para obrigar o jogador assistido a abandonar as quatro linhas e não o fez porque o Benfica exigiu que a substituição fosse feita naquele momento. Parece que em Portugal o Benfica está acima do International Board. O que fez o banco do FC Porto? Nada. Rigorosamente nada.

"É sempre por dois a zero"


A frase é de Jorge Jesus e foi proferida como se fosse uma tradição o Benfica vencer no Dragão. Esta curiosidade foi revelada pelo técnico encarnado após este ter sido confrontado pelo repórter da Sporttv como facto de ser a terceira vitória do Benfica sobre o FC Porto desde a época 1999/2000, como visitante e em jogos a contar para o campeonato. De facto foi sempre por 0-2, mas não é menos verdade que nesse período houve 25 jogos e que o FC Porto venceu 17 e apenas concedeu 5 empates. No mesmo período, o FC Porto consegui 7 vitórias e 9 empates na Luz. No dia seguinte ao Clássico, talvez levado pela emoção de um acontecimento raro, o jornal Record falava no nascimento de uma lenda, mas no fundo toda a gente sabe que o FC Porto tem larga vantagem neste capitulo.

Deixem jogar o Benfica!


Esta foi a manchete de ontem do jornal A Bola e veio em sequência das declarações ridículas de Jorge Jesus que, de uma assentada, tentou condicionar a actuação do adversário e do árbitro ao afirmar que o Sporting de Braga aquando da derrota benfiquista no jogo a contar para o campeonato se limitou a dar porrada durante os 90 minutos. Confrontado com este facto fui pesquisar e, de facto, foram assinaladas 28 faltas a favor do Benfica e que valeram aos jogadores bracarenses 8 cartões amarelos e 1 vermelho. Curiosamente, foi esse o número de faltas cometidas pelo Benfica frente ao FC Porto e que valeram apenas 4 cartões amarelos a quem equipava de vermelho. Um deles após uma falta grosseira de Samaris sobre Jackson, com o jogo já parado e merecedora de vermelho directo em qualquer parte do mundo. "Olha para o que eu digo e não para o que eu faço" deve ser o provérbio preferido de Jorge Jesus.

16 de dezembro de 2014

O Clássico e o Campeonato

Quem acompanhar minimamente o campeonato já percebeu que o Benfica não é uma equipa que joga com as mesmas cartas que as restantes. Ao bom estilo dos jogos multiplayer online, os encarnados parecem ser os únicos detentores de uma conta premium que, para quem não está familiarizado com o assunto, favorece os detentores da mesma nos mais variados aspectos do jogo. No caso dos encarnados vai desde as famosas arbitragens amigas onde basta a um adversário espirrar para ser sancionado com uma falta; às equipas adversárias que abdicam dos melhores jogadores só porque sim; passando na alínea especial na regra do fora-de-jogo que diz que "em caso de dúvida beneficia-se o utilizador premium. Caso o jogo em disputa não inclua o supracitado, o beneficiado deve ser aquele que menos perigo lhe ofereça"; ou até mesmo num melhor tratamento por parte da comunicação social.

No campeonato tem sido assim, mas no Clássico do último domingo foi atingido todo um novo nível. O FC Porto dominou completamente o jogo e saiu derrotado graças a falhas próprias - tanto a atacar como a defender. Os dois golos consentidos foram isso mesmo, completamente consentidos, e os desperdícios no ataque davam mesmo a sensação de que estávamos perante um qualquer jogo digital em que o servidor estava programado para que fosse determinada equipa a vencer. Afinal, qual são as probabilidades de segundos após um jogador mandar uma bola à trave ver um colega rematar-lhe contra um braço e ser ele a evitar um golo certo a favor da própria equipa? E se a isto se acrescentar outra bola na trave minutos depois? Não esquecendo, claro, os dois golos anormais a favor do adversário e mais dois falhanços clamorosos que dariam a vantagem à própria equipa quando o jogo ainda se encontrava a zeros. O Benfica conseguiu ser beneficiado com isto tudo. Fora isto, mais do mesmo. Jorge Sousa, o árbitro da partida, permitiu que os encarnados fizessem 28 faltas em 90 minutos; fez vista grossa às constantes perdas de tempo; premiou Samaris com um cartão amarelo após este pontapear Jackson na barriga já com o jogo interrompido; fez questão de medir pessoalmente os dois metros que Brahimi era obrigado a guardar para que o Maxi pudesse lançar a bola mas se este o fazia dentro ou fora de campo pouco importava; e por aí fora.

No final disto tudo os opinion makers não tinham dúvidas: Jorge jesus deu uma lição táctica a Lopetegui. Eu que vi o jogo pensei para mim: "o Jorge Jesus também deve ser um utilizador premium". E não o pensei por ele poder bater em policias ou em jogadores da equipa adversária sem que nada lhe aconteça, mas sim pelo facto de ele ter sabido previamente de que marcaria pelo menos um golo oferecido e que o FC Porto falharia todas as oportunidades flagrantes que criou até com alguma facilidade. Ou isto ou teve muita sorte, como o próprio admitiu a Lopetegui. A comunicação social ficou em êxtase como nunca fica mesmo quando o FC Porto ganha um troféu internacional. Talvez seja esse o preço a pagar por ser um free user.

19 de outubro de 2014

Os erros que valeram uma derrota

Marco Silva diz que o Sporting foi muito superior ao FC Porto, eu discordo quase em absoluto. O FC Porto dominou em todos os campos estatísticos excepto no que mais importa, os golos. A verdade nua e crua é que os visitantes marcam por três vezes e nós só o fizemos por uma. No final das contas, pouco importa ter mais bola, mais ataques, mais remates, etc., se são oferecidos golos de bandeja ao adversário e desperdiçadas todas as oportunidades flagrantes de que se dispõe. O Porto de Lopetegui tem sido isto jogo após jogo.


Após duas semanas em que muitos jogadores estiveram ao serviço das respectivas selecções, o treinador do FC porto decidiu fazer uma gestão do plantel um pouco estranha. Jackson, Quintero e Danilo que fizeram milhares de quilómetros jogaram os 90 minutos (acabando até todos eles em dificuldades físicas), enquanto que jogadores como Evandro e Alex Sandro nem convocados foram. Tello que não esteve ao serviço da selecção e, por isso mesmo, também participou em todos os treinos de preparação para o jogo ficou no banco. Não consigo dizer ao certo quantas alterações foram feitas tendo em conta conta o onze-base porque nem isso consigo especificar. Isso diz muito sobre a estabilidade que Lopetegui tem dado à equipa. A única coisa que se pode dizer é que este está longe de ser a melhor equipa possível.

Do outro lado, tivemos um Sporting quase na máxima força. Montero jogou no lugar de Slimani, Mauricio voltou à titularidade para o lugar de Sarr e Capel rendeu Carrillo. A maior novidade foi a alteração na dinâmica ofensiva da equipa que essas mudanças trouxeram. No jogo em Alvalade para o campeonato, Nani começou o jogo como falso extremo esquerdo, uma vez que tem liberdade total para jogar por dentro, deixando o outro flanco a ser explorado por Carrillo que contava sempre com a ajuda de João Mário e Cédric para sobrecarregar o desamparado Alex Sandro. Foi assim que chegaram ao golo logo no primeiro minuto. Desta vez, Marco Silva inverteu as dinâmicas pelos flancos e coube a Danilo lidar praticamente sozinho durante os 90 minutos com Capel e Jonathan. O que fez Lopetegui para contrariar isto? Deixa Casemiro e Herrera a lutar contra William, Adrien, João Mário e, por muitas vezes, Nani. José Ángel raramente tinha um extremo para marcar e limitava-se a esperar pelas subidas de Cédric. Casemiro, rodeado de adversários por todo lado tanto a atacar como a defender, teve sempre imensas dificuldades quer a distribuir jogo quer a recuperar a bola, uma vez que só tinha a ajuda de Herrera. Enquanto isto, Óliver continuava como médio-esquerdo a fazer nem sei bem o quê.

Graças ao talento individual de jogadores como Quintero, Danilo e Jackson é que o FC Porto conseguiu criar perigo e até podia ter chegado ao golo vezes suficientes para ganhar. Mas quando o treinador prepara um jogo desta importância com tanta leviandade, onde além de vários jogadores trocou também o sistema de jogo, é com naturalidade que os erros apareçam e com eles a derrota. Ao intervalo tentou remediar as coisas com duas substituições (está a tornar-se hábito) e a equipa melhorou um pouco e dispôs de várias opções para empatar. Não o fez e sofreu o terceiro. Embora não tivesse sido superior, o Sporting foi mais eficaz e, acima de tudo, mais prático a defender. Os Leões fizeram mais dez faltas que os Dragões (16-26) e com isso foram parando as iniciativas atacantes do adversário. Do outro lado, até uma passadeira vermelha se estendia se fosse preciso.

A equipa de arbitragem também teve peso no desfecho da partida. Ao minuto 26 Paulo Oliveira pontapeia Herrera dentro da grande área do Sporting e Jorge Sousa nada assinala. Quatro minutos depois é a vez do árbitro auxiliar assinalar um fora de jogo inexistente a Adrián quando este ficou apenas com Rui Patrício pela frente. Já na segunda parte, ao minuto 72, Jonathan corta a bola como braço dentro da área leonina e uma vez mais o árbitro entende que não há motivo para a marcação de penálti. Foram três lances que poderiam ter mudado a história do jogo e todos eles foram decididos em prejuízo da equipa do FC Porto.




Assim se perde uma vez mais a oportunidade de vencer a Taça de Portugal. É imperial que Lopetegui arranje uma solução para acabar com os erros rapidamente, porque que eles têm de terminar já toda a gente percebeu. E não foi ontem.