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18 de outubro de 2016

Jogo perigoso


Sei que o título é ambíguo, que muitos vão pensar que me refiro à infracção clara que o árbitro italiano deixou passar e que deu o 1-0 ao Club Brugge, ou que se trata de uma alusão à forma consistente com que a SAD nos brinda com prejuízos avultados no final de cada exercício, ou até, quem sabe, do fantasma que voava sobre as cabeças dos portistas no intervalo do jogo de hoje e que ameaçava com um cenário de um ponto apenas ao fim de três jornadas de Liga dos Campeões. E embora fosse possível qualificar qualquer um destes cenários como "jogo perigoso", nenhuma das resposta é a correcta.

Lembra-se de se queixar - e de certeza que já o fez - que o FC Porto oferecia demasiadas vezes 45 minutos ao adversário? Esqueça isso, agora são 60. O que não aparenta ser uma melhoria, diga-se. Foram dois terços do jogo à espera de uma jogada com pés e cabeça que só chegou com a entrada de Corona e Brahimi e a consequente alteração táctica. Diogo Jota e Herrera não estavam bem na partida e foram substituídos em momento oportuno, assim como igualmente assertivo foi deixar cair o 4-4-2 e apostar no 4-3-3 nesse preciso momento.

Isto está longe de ser uma crítica a Nuno Espírito Santo. Aliás, até é o contrario. É bom que o treinador dos dragões tenha uma ideia e se apresente numa fase inicial com ela - que nos últimos tempos tem sido o tal 4-4-2 -, mas melhor ainda é que tenha a humildade de admitir durante os 90 minutos que se calhar existe outra forma de abordar o problema e decida abdicar da ideia inicial em favor de uma outra que aparenta ser melhor. Se a equipa perdia por 1-0 e sentia dificuldades em criar perigo graças ao sistema escolhido pelo Nuno, também é verdade que foi da mesma pessoa a decisão de alterar o modelo e lançar o 4-3-3 para a última meia-hora permitindo assim a reviravolta. O talento dos jogadores fez o resto.

Um cenário que chegou a ser negro é agora mais azul graças a um passo enorme dado na Bélgica com a vitória por 1-2 que esteve quase a tornar-se uma miragem. O apuramento para a fase a eliminar está nas mãos do FC Porto que depende apenas de si para o conseguir. Segue-se agora o Arouca, no próximo sábado, a contar para o campeonato.

27 de setembro de 2016

A importância de sofrer cedo


Tenho Nuno como sendo uma pessoa inteligente. E como pessoa inteligente que é, estou certo que já percebeu que esta equipa tem potencial. Prova disso mesma é a forma como acabou o jogo de hoje a sufocar por completo o campeão inglês. A minha primeira pergunta é esta: qual é o motivo para não se ter visto essa vontade mais cedo ou em alguns momentos de outros jogos?

O resultado. Penso que é essa a resposta correcta. Foi hoje contra o Leicester, foi em Alvalade, foi no Dragão frente ao Boavista, foi em Vila do Conde, a visita a Roma não foi excepção e muito menos a recepção ao Copenhaga. A única equipa que não ameaçou minimamente os azuis e brancos foi o Estoril porque teve a infelicidade de sofrer o golo tarde. O FC Porto de Nuno Espírito Santo é competente quando precisa de marcar golos mas é medíocre quando decide que tem de defender o resultado.

Neste momento o maior adversário dos Dragões é a mentalidade com que abordam os jogos. O jogo não começa apenas quando o adversário marca nem termina quando é o FC Porto a colocar-se em vantagem. Isto é algo que todos, jogadores e treinador, deviam escrever mil vezes num caderno para trabalho de casa. Mais importante que discutir opções duvidosas por parte de Nuno é que ele perceba que enquanto não jogar para ganhar, do primeiro ao último minuto ininterruptamente, não o vai fazer tantas vezes como queria e precisa. Bem pode trocar de sistema táctico e/ou meia equipa de um jogo para o outro que de pouco ou nada valerá.

Quando esta questão estiver esclarecida, aí discutiremos quais os motivos para que jogadores como Brahimi e Adrián vão alternando entre a titularidade e a bancada ou a teoria para que Diogo Jota seja lançado num jogo da Champions quando a equipa gritava "Depoitre" para quem estava a ver o jogo.

17 de setembro de 2016

Uma atitude louvável


Fazer primeiro, falar depois. Não há coisa que cai pior no universo portista do que quando as acções não batem certo com as palavras, sejam elas de dirigentes, treinadores ou jogadores. Por isso mesmo é que fiquei especialmente agradado por ver a forma empenhada como Brahimi entrou em campo frente ao Copenhaga, mostrando vontade de lutar pela vitória nesse jogo e também por uma lugar numa equipa onde esteve todo o mercado de transferências com um pé fora. No fim do jogos as primeiras declarações da época: "estou no FC Porto a 200%".

Recorde-se que o internacional argelino foi dado como de saída do clube após a chegada de Nuno Espírito Santo. Os motivos eram simples: a atitude demonstrada pelo jogador nem sempre foi a melhor mas a qualidade estava lá, tornando-o numa boa oportunidade de uma SAD a precisar desesperadamente de dinheiro receber algum. O negócio não se realizou e o treinador ficou com um problema em mãos.

Nuno e Brahimi decidiram deixar o passado onde ele pertence e fizeram um pacto que caso seja cumprido todas as partes sairão a ganhar, em especial o FC Porto. O primeiro passo foi dado pelo treinador ao lançar o talento argelino para um jogo de grande importância, o camisola 8 fez o resto ao entrar em campo com uma atitude que há muito não se via nele e com vontade de ajudar os companheiros.

Se as coisas continuarem nestes termos Brahimi ganhará com naturalidade um lugar na equipa que procura desesperadamente alguém com capacidade de fazer sistematicamente a diferença no último terço. Teoricamente trata-se de um casamento perfeito e faço figas para que seja para durar.

11 de abril de 2016

Já percebeu a diferença?


Já toda a gente sabe que o plantel do FC Porto tem lacunas. Já nem é notícia o facto de o campeonato estar definitivamente afastado da Invicta. Dito isto, impõe-se uma pergunta: porque raio continuam a não deixar o FC Porto ganhar?

O jogo dos dragões em Paços de Ferreira esteve longe de ser brilhante, mas foi mais do que suficiente para ganhar. Nada de extraordinário, mas aceitável por parte de uma equipa sem qualquer motivação e que, apenas para servir como comparação, fez um jogo tão ou mais conseguido do que o actual líder do campeonato havia feito no mesmo terreno. Então por que venceu o Benfica e perdeu o FC Porto?

A resposta é simples: para uns basta cair para ser penálti, para outros não os há de maneira alguma. Jorge Ferreira facilitou a vida aos de vermelho, Fábio Veríssimo aos de amarelo. E, para não ir muito atrás, num curto espaço de tempo o FC Porto foi afastado da vitória pelos árbitros em Braga, no Dragão contra o Tondela e agora na capital do móvel.

Até aceito que se argumente que contra o Tondela havia na mesma a obrigação de ganhar, mas isso não apaga os erros de Bruno Esteves. Já nos outros dois jogos, arrisco a dizer que Xistra e Veríssimo deixaram bem claro que só uma equipa podia chegar à vitória e que não era o FC Porto.

E assim se foi também o segundo lugar. Parece que a Meo terá se se contentar com último lugar do pódio da Liga NOS, o FC Porto com a ideia de ir ao playoff da Liga dos Campeões e à ginástica financeira, enquanto que Benfica e Sporting têm já garantidos os milhões da prova milionária e com eles a garantia que a época 2016/2017 começara já viciada por antecipação.

24 de novembro de 2015

Resultado normal

O treinador do Dínamo de Kiev disse na antevisão do jogo que o FC Porto era uma equipa com fragilidades defensivas visíveis a olho nu. E não se ficou pelas palavras, decidiu explorá-las e ganhou a partida e, muito provavelmente, a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Do outro lado, Lopetegui continua a ignorar todas as dificuldades que a equipa sente jogo após jogos. Desde a dificuldade em sair a jogar porque os jogadores estão todos excessivamente afastados uns dos outros; ou a dificuldade em circular a bola sem recorrer frequentemente a passes longos porque os jogadores estão todos excessivamente afastados uns dos outros; ou a dificuldade em recuperar rapidamente a bola após a perda da mesma porque a equipa não consegue pressionar eficazmente porque os jogadores jogam todos excessivamente afastados uns dos outros; sei lá... Já alguém reparou que os jogadores jogam todos excessivamente afastados uns dos outros?

O FC Porto não funciona como uma equipa e, graças a isso, hoje as individualidades não conseguiram salvar após erros individuais de Imbula e Casillas que deram origem aos dois golos ucranianos. Mas engane-se quem acha que sem estes erros os dragões teriam vencido! O Dínamo foi sempre mais equipa e soube sempre o que queria, enquanto do outro lado estava um conjunto de jogadores completamente à deriva. Salvou-se Danilo e pouco mais e ainda estou a tentar perceber como é que o Tello fez os 90 minutos e porque raio se investiu tanto dinheiro no Imbula.

Agora falta ir a Londres defrontar o Chelsea, mas, sem querer ser pessimista, acho melhor começar já a meter na cabeça que a Liga Europa é uma competição muito bonita e honrosa e com certeza que se lá formos parar será com muchas ganas e mucha illusión de a ganhar.

18 de setembro de 2015

Um regulamento para o FC Porto e outro para os outros

O empate que o FC Porto conseguiu/consentiu na Ucrânia frente ao Dínamo de Kiev acaba por ser justo face ao que ambas as equipas jogara. Claro que depois de ter o pássaro na mão - e a possibilidade de conseguir uma reviravolta pela primeira vez com Lopetegui ao comando - é doloroso sofrer um golo, muito mais na altura em que foi. Apesar de ter existido a possibilidade de vencer, o empate é um resultado que em nada belisca a ambição portista de seguir em frente na prova.

Quando a equipa da casa chegou ao 2-2 da forma que chegou pensei, na minha inocência, que faria correr muita tinta em Portugal. Após ver as dores que a comunicação social sente a casa mau resultado de Benfica e Sporting, vendo penáltis por marcar a favor das equipas da capital em todo o lado e foras-de-jogo por assinalar aos ataques dos adversários em metade dos golo, assumi que o golo do Dínamo de Kiev ia dar, no mínimo, direito a algum debate. Obviamente que estava enganado, uma vez que pouco ou nada se falou sobre o jogador que, em posição irregular, influencia a acção da defesa do FC Porto.

Pedro Henriques, ex-árbitro, entende que o golo é legal apenas e só porque o jogador não toca na bola, acrescentando que mesmo que se tivesse tentado jogá-la que continuaria a ser legal desde que não conseguisse fazê-lo. No entanto não é nada disso que diz nas regras do jogo disponibilizadas no site da FIFA. Vejamos:
"Um jogador na posição de fora de jogo só deve ser penalizado se, no momento em que a bola toca ou é jogada por um colega de equipa, o jogador, na opinião do árbitro, toma parte ativa do jogo:• interferindo no jogo ou• influenciando um adversário ou• tirando vantagem dessa posição"
Bastava isto para que uma pessoa com conhecimentos mínimos da língua portuguesa e alguns de futebol perceber que o golo é irregular. Mas a FIFA até se dá ao trabalho de explicar alguns lances com recurso a imagens, para convencer os mais cépticos:

Um atacante que está em posição de fora de jogo (A) obstrui o campo de
visão do guarda-redes. O atacante deve ser sancionado porque impede
o adversário de jogar ou poder jogar a bola.
"No contexto da Lei 11 – fora de jogo, aplicam-se as seguintes definições:
(...)
- “influenciar um adversário” significa impedir um adversário de jogar ou de poder jogar a bola, obstruindo claramente a linha de visão do adversário ou, disputando a bola com o adversário.
(...)"
Se após isto tudo há ainda analistas empenhados em afirmar que o golo é legal, paciência. É só mais um acaso em que são usados dois pesos e duas medidas, sendo que o prejudicado nas avaliações é sempre o FC Porto.

P.S.: Por achar que o golo é irregular não significa que ache que a equipa não o podia ter evitado. O jogo só pára quando se ouve o apito, até lá ninguém pode desistir do lance. Fica a lição.

16 de setembro de 2015

Dia de Porto... a quadruplicar!

A chuva que cai em Portugal aconselha a que quem não tenha obrigatoriamente de sair de casa que se mantenha dentro da mesma. Assim sendo, nada melhor que a companhia do FC Porto para ajudar a passar o dia. Futebol (sub-19, equipa B e equipa A) e andebol dos dragões garantem uma quarta-feira bem passada a quem tiver oportunidade de os acompanhar. Aqui fica a agenda completa:

Futebol sub-19 - A equipa de júniores do FC Porto começa a participação na UEFA Youth League com uma visita à Ucrânia para defrontar o Dínamo de Kiev. O jogo tem início às 12h de Portugal continental e transmissão televisiva na Sporttv.

Futebol equipa B - A sétima jornada da II Liga joga-se hoje e a formação secundária dos dragões, actual segunda classificada, defronta o Penafiel. O jogo, que será transmitido em directo no Porto Canal, terá o pontapé de saída às 16h.

Andebol - Com dois jogos disputados no campeonato e outras tantas vitórias, o FC Porto defronta às 18h, no Dragão Caixa, o Madeira SAD. O Porto Canal também fará as honras da transmissão em directo.

Futebol equipa A - A cereja no topo do bolo será o Dínamo de Kiev - FC Porto a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Tal como o jogo versão sub-19, também os graúdos terão transmissão televisiva na Sporttv sendo que o início está marcado para as tradicionais 19h45.

22 de abril de 2015

Eutanásia

Competência, Paixão, Ambição e Rigor. Segundo Pinto da Costa são estes os pilares que suportam o sucesso do FC Porto. Apenas estando os quatro bem fortes é possível contrariar quando outros factores fundamentais falham. Esses factores são a sorte e a experiência. O facto de o Bayern de Munique ter passado a eliminatória com um total de 7-4 quando no final do primeiro jogo perdia por 1-3 deve-se em grande parte a sortes distintas para as duas equipas e numa falta gritante de experiência no grupo portista, mas primeiro quero focar-me nos factores que o FC Porto pode controlar.

A ausência de Alex Sandro e de Danilo em simultâneo eram evitáveis e não há como contornar essa questão. Neste caso faltou rigor a Lopetegui que, como tive oportunidade de aqui alertar no passado 19 de Novembro, não geriu a questão disciplinar do plantel e, como tal, teve que se sujeitar ao factor sorte que, como já sabemos, não quis nada com o FC Porto neste caso. O que me deixa frustrado não é o facto da situação ter sido mal gerida, mas sim o facto de não ter sido gerida de todo. O assunto foi sendo varrido para debaixo do tapete e terminou com Reyes, que nem inscrito foi na fase de grupos tal é a confiança que o treinador deposita nele, a jogar como lateral direito no jogo mais difícil de toda a época. Talvez aqui tenha havido alguma falta de competência, porque com dois jogadores rotinados na linha como estão Maicon e Ricardo, não havia necessidade de inventar um lateral em quatro ou cinco treinos. As bolas paradas defensivas sempre foram um ponto fraco deste FC Porto e um golo em cada mão na sequência de um canto em muito ajudaram neste desfecho.

A ambição, bem presente durante a primeira mão, parece que não foi incluída na bagagem para a Alemanha. Uma entrada a medo e com pouca personalidade por parte dos Dragões permitiu ao Bayern de Munique dominar por completo e marcar golo atrás de golo. E aqui é que fazia falta muita paixão mas também muita calma e experiência. Após o 2-0 era fundamental que os jogadores do FC Porto percebessem que, de forma a poder continuar a lutar pela eliminatória, tinham de conseguir cortar o ritmo ao jogo para chegarem vivos ao intervalo. Não foi o que aconteceu e com 5-0 no marcador só um milagre tirava o Bayern das meias-finais. Olhando friamente a tudo o que não foi apresentado pelo treinador e pela equipa, quase se pode dizer que o FC Porto se entregou voluntariamente para morrer.

O factor Sorte

Mesmo dentro da sorte há várias variantes. Por exemplo, o golo de Müller que bate no defesa portista e trai Fabiano em contraste com o remate de Boateng para a própria baliza ainda na primeira mão que acabou com uma enorme defesa de Neuer. Mas não foi só por aqui que o FC Porto teve azar. Faltou um árbitro que tivesse tomates para expulsar o guarda-redes do campeão alemão ainda no primeiro minuto de jogo, ou que tivesse tomates para expulsar o lateral-esquerdo da mesma entidade logo no arranque do segundo tempo do jogo no Dragão, ou que mais tarde fizesse o que a lei manda e mostrasse o amarelo a Boateng que o impediria de jogar na segunda mão. Não é o caso de qualquer uma destas decisões não poder ser aceite de forma isolada, mas quando se comparam com os lances que tiraram Danilo e Alex Sandro do jogo na Alemanha percebe-se aqui um padrão. Padrão esse que foi mantido pelo árbitro inglês em Munique. Jackson vê cartão amarelo por alegada simulação quando sofre falta clara, mas Götze passou o jogo a mergulhar sem consequências e Badstuber foi o único jogador da casa a ver cartão amarelo e para isso teve de fazer uma falta para vermelho directo. Mas o melhor ainda estava para vir. Bastou o FC Porto marcar um golo, o 6-4 na eliminatória naquele momento, e logo depois ameaçar o 6-5 para que o árbitro assumisse o papel de defensor da equipa da casa para no espaço de 10 minutos perdoar nova expulsão a Badstuber, inventar duas faltas ofensivas ao ataque portista e à primeira oportunidade expulsar um jogador do FC Porto.

O FC Porto não morreu aqui, longe disso. Mas o meu maior lamento vai para o facto de a experiência acumulada nesta eliminatória por treinador e jogadores em pouco ou nada vá ser aproveitada pelo FC Porto. Isto porque na próxima época voltaremos a ter meia equipa nova e aqueles que muito cresceram nestes jogos estarão a jogar por aqueles que têm todos os anos €500 milhões para gastar e que quando confrontados com a perda de jogadores fundamentais têm um qualquer Carballo ou Atkinson a repor a ordem natural das coisas. E quando assim é nem toda a competência, toda a paixão, toda a ambição e todo o rigor do mundo são suficientes. Quanto mais sem nada disto.

20 de abril de 2015

Que defesa esperar em Munique?

"Logicamente que temos de fazer alterações, amanhã verei", foi assim que Lopetegui respondeu à pergunta sobre os substitutos dos castigados Alex Sandro e Danilo. Embora não queira abrir o jogo, é fácil prever que o treinador espanhol fará alinhar Indi como defesa-esquerdo, ficando apenas a questão de quem, juntamente com Maicon e Marcano, completará a defesa azul-e-branca - Reyes ou Ricardo? A resposta não é fácil e neste momento apenas Lopetegui a poderá dar. Certo será apenas que, seja qual for o escolhido, o FC Porto terá uma linha defensiva inédita frente ao Bayern de Munique.

Caso não queira desfazer a dupla que mais garantias tem dado - Maicon/Marcano -, o treinador portista deverá apostar em Ricardo como lateral-direito. Essa possibilidade é mesmo a mais provável segundo os especialistas, mas o jogo frente à Académica trouxe um dado novo: Lopetegui levou Marcano para o banco e decidiu dar-lhe cerca de meia hora de jogo ao lado de Reyes. Poderá significar isso que poderá ser essa a dupla de centrais para a segunda mão dos quartos-de-final? Se for esse o caso, Maicon será deslocado para a direita da defesa. Embora o brasileiro já tenha desempenhado a tarefa por várias vezes com Vítor Pereira no comando, seria a primeira vez sob as ordens de Lopetegui. E não foi por falta de oportunidades para o fazer, uma vez que contra o Basileia e o Sporting Maicon estava em campo quando Danilo foi substituído por lesão e as escolhas para fechar à direita recaíram sobre Alex Sandro e Indi, respectivamente.

A hipótese Herrera

Embora menos provável, há quem avance com a hipótese de ser o médio mexicano a fazer de Danilo. Não sendo um cenário descartar por completo, este afigura-se como uma solução mais remota. A derivação de Herrera para a defesa implicaria mexer num segundo sector da equipa, o meio-campo, que teve um papel fundamental na vitória por 3-1 no jogo da primeira mão. Lopetegui não deverá querer desfazer o trio que o camisola 16 forma habitualmente com Casemiro e Óliver, mas caso decida fazê-lo surgirá nova dúvida: quem jogará a meio-campo? Rúben Neves? Evandro?

Todas estas perguntas serão respondidas apenas quando faltar cerca de uma hora para o início do jogo, até lá todos os cenários serão possíveis. Casemiro no centro da defesa passando Maicon para a direita, Indi à direita com Reyes à esquerda ou vice-versa, uma defesa com três centrais reforçando o meio-campo com mais um elemento, ou até jogar com apenas dois avançados para colocar mais um médio no auxilio a Ricardo caso este jogue como titular na lateral direita. São estes alguns dos cenários avançados até ao momento por portistas e/ou opinadores. Haja imaginação!

16 de abril de 2015

É triste ser bipolar é maravilhoso

Penso não exagerar quando digo que este resultado supera as expectativas da maioria dos adeptos mais optimistas. E olhando ao que foi o jogo, a haver mais golos o normal seria que estes fossem para o FC Porto. O Bayern não contava com um adversário tão bom na pressão alta e tão solidário a defender e acabou por sofrer dois golos nos minutos iniciais na sequência dessa tal pressão alta. Talvez os alemães se tivessem deixado enganar pela classificação na liga portuguesa, mas por cá todos sabem que isso é uma história muito mal contada e o FC Porto tem aproveitado a Liga dos Campeões para o gritar ao mundo.

Quaresma marcou os dois primeiros e, aliando isso à grande exibição conseguida, é justo que receba o prémio de homem do jogo. No entanto, para mim o jogador-chave deste FC Porto é Jackson Martínez. Vindo de uma lesão muscular, o colombiano fez tudo aquilo que já nos habituou: correu, lutou, defendeu, construiu jogo e marcou. O capitão dos Dragões é um verdadeiro one man show e com esta exibição acabou de assegurar a próxima venda milionária para o FC Porto. Se é que ainda restassem dúvidas a alguém, claro.

Aceito com facilidade que Neuer tenha visto apenas o cartão amarelo no lance do penálti, mas custa-me que tenha sido poupado o segundo amarelo a Bernat quando agarrou Quaresma ou o amarelo a Boateng - que falharia o jogo da segunda mão - com a mesma facilidade com que não poupou Danilo. Mais do que influenciar este jogo, o árbitro espanhol já conseguiu influenciar toda a eliminatória. Mas até para isto o FC Porto tem sido bem trabalhado nas competições domésticas e por isso há que agradecer a Cosme Machado e companhia.

E com uma vitória por 3-1 contra o todo poderoso Bayern de Munique voltou a euforia em torno da equipa. Bastou consultar as redes sociais por cinco minutos para perceber que Lopetegui voltou a ser o maior, que afinal os emprestados são mais-valias para a equipa e que quando chove é porque não está sol. Lamento que as pessoas se esqueçam que o FC Porto que segue invicto na Liga dos Campeões é o mesmo que passa por dificuldades a nível interno e que muitas delas não podem ser controladas nem pelo clube, nem pelo treinador, nem pela equipa.

24 de março de 2015

A hora da verdade

Imediatamente após a paragem para os jogos da selecções, o FC porto entrará num ritmo de jogos alucinante até ao dia da deslocação à Luz. O que se exige a Lopetegui e à equipa é que chegue ao dia do clássico em condições de, pelo menos, igualar o Benfica no número de pontos. Como existe a eliminatória da Liga dos Campeões pelo meio, o treinador do FC Porto terá de recorrer inevitavelmente à rotatividade de modo a que a falta de força dos jogadores, que foi evidente no empate com o Nacional, se volte a repetir.

O sinal dado pela equipa na segunda parte do jogo na Choupana foi claro: não é possível manter o ritmo que vinham implementando até ao final. Por isso, agora mais que nunca, é importante que Lopetegui defina prioridades e, já agora, que reflicta sobre a possibilidade de gerir os cartões amarelos a Danilo, Casemiro e Alex Sandro para que não haja o risco de falharem os jogos do campeonato de dificuldade mais elevada.

A aventura do mês de Abril começa logo no dia 2 com a visita à Madeira para defrontar o Marítimo. Sendo o jogo a contar para a Taça da Liga e tendo em conta a proximidade (dia 6) da recepção ao Estoril, impõe-se a utilização de uma equipa composta por jogadores de segunda linha. Jogadores como Ricardo, Indi, José Ángel, Rúben Neves, Evandro, Hernâni e Gonçalo Paciência - de qualidade inegável mas com menos oportunidades para a mostrar-, têm de ser titulares e, ao mesmo tempo, ter a capacidade de garantir a passagem à final, permitindo assim um FC Porto mais fresco na recepção ao Estoril.

Na semana seguinte existe a visita a Vila do Conde, actualmente marcada para domingo dia 12 mas que deverá ser antecipada no máximo para dia 11 - o jogo que o Rio Ave tem a meio da semana anterior dificilmente permitirá que joguem com o FC Porto no dia 10 -, e neste jogo, assim como nos dois com o Bayern de Munique, não pode haver grandes truques. É jogar na máxima força possível em todos eles e esperar que os jogadores aguentem a carga física e psicológica.

Entre os jogos da Champions existe a recepção à Académica, sendo este o jogo que poderá ser o mais importante. Aqui Lopetegui terá de ter coragem para apresentar uma equipa muito idêntica à idealizada para defrontar o Marítimo no jogo da Taça da Liga. Jogando em casa e no meio de tantos adversários de valor superior, jogar com uma equipa alternativa não pode ser encarado como um sinal de desrespeito pelo adversário mas sim como de necessidade absoluta. Além disso, seria a oportunidade ideal para Casemiro, Alex Sandro, Danilo e outro(s) que eventualmente entretanto ficasse(m) à bica "limparem" os cartões amarelos.

O objectivo é chegar com as capacidades ao máximo para o embate - ou duplo embate caso se confirme a passagem à final da Taça da Liga - com o Benfica que tem até lá apenas três jogos, precisamente metade dos que o FC Porto terá.

20 de março de 2015

Bayern München


Difícil. Duro. Exigente. Complicado. Motivador. Todos estes adjectivos podem caracterizar o adversário do FC Porto nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, bem como toda a prova. O sorteio ditou que seria o Bayern de Munique a próxima equipa no caminho dos Dragões na prova milionária e não há outra maneira de olhar para a eliminatória a não ser com coragem e ambição. O FC Porto não é de virar a cara à luta e, apesar do enorme favoritismo dos alemães, tem a legitima ambição de seguir para as meias-finais.

Tanto como a enorme valia do adversário, importa também o enquadramento em que os jogos serão disputados. O jogo com o Rio Ave, que antecede a primeira mão da eliminatória, na melhor das hipóteses será disputado no dia 11 de Abril, uma vez que os vilacondenses têm jogo com o Braga no dia 7, impossibilitando assim que receba o FC Porto na sexta-feira dia 10. Depois, entre os jogos com o Bayern, existe a recepção à Académica que o FC Porto tem de antecipar para dia 18 para ganhar mais um dia de descanso para a segunda mão. Após concluída a eliminatória existem duas possibilidades para os Dragões: defrontar o Benfica a 25 de Abril na final da Taça da Liga caso eliminem o Marítimo (jogo na Madeira a 2 de Abril) ou então não defrontar ninguém porque o Benfica jogará de qualquer maneira a final nesse dia, adiando assim o Benfica-FC Porto do campeonato. Ninguém sabe explicar porquê, mas segundo o regulamento a Taça da Liga tem prioridade sobre o campeonato.

Um ciclo alucinante que pode terminar com um duplo embate com o Benfica logo na ressaca dos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Se há altura em que a rotatividade imposta por Lopetegui no inicio do campeonato tem de dar frutos, essa altura é a partir da paragem para os jogos das selecções.

13 de março de 2015

Por vezes não é preciso estar em campo para ser um verdadeiro capitão

Esta situação pode ter passado despercebida a muita gente, mas isso não significa que seja menos importante do que muitas outras ou que não mereça ser partilhada. Tudo se passou após o choque entre Fabiano e Danilo que acabou com o lateral a sair de campo numa ambulância directamente para o hospital. Enquanto o camisola 2 era assistido pelos bombeiro e equipa médica após perder os sentidos, Fabiano não conseguia sair do local e notava-se a milhas o sentimento de culpa e de preocupação na cara do guarda-redes. Helton, que estava a a muitos metros de distância no banco de suplentes, gritou até conseguir a atenção de Fabiano para depois o mandar abandonar o local. O capitão do FC Porto foi fundamental para acalmar o colega de equipa para que este pudesse continuar calmo e concentrado no jogo, uma vez que, nesta partida em especial, o camisola 12 teria de estar absolutamente concentrado, pronto e, principalmente, sem medo de fazer o trabalho de um líbero. No final da primeira parte, o camisola 1 voltou a ser o primeiro a falar com o Fabiano e no final do jogo fez questão de ir celebrar a vitória com ele. Na noite de terça-feira, Helton foi um grande amigo e um enorme capitão de equipa.

As imagens falam por si.

12 de março de 2015

Subestimar para desesperar

Não tenho por costume ver os programas de análise futebolística. Mesmo sabendo que cada vez aparecem mais - até a CMTV tem um cheio de classe com o nome Apitadelas, onde o debate é feito por mulheres -, não faz sentido para mim estar a assistir a um programa que tem como público alvo pessoas de outras cores clubísticas. O padrão é sempre o mesmo: um representante do FC Porto, um representante do Benfica, um representante do Sporting e um "moderador" claramente tendencioso, preferencialmente benfiquista, mas também pode acontecer de ser sportinguista ou simplesmente anti-Porto. Nem é preciso ver muitas vezes para perceber isto, basta até ver os vídeos que vão sendo partilhados nas redes sociais ou na Bluegosfera. Como em campo, parece que também na TV se sentem mais confortáveis em superioridade numérica. Não se deixem enganar: estes programas servem apenas para denegrir o FC Porto e empoleirar os feitos do Benfica. O sportinguista está ali como figura decorativa e vai servindo apenas para desviar atenções quando interessa. É um pouco como no campeonato, diga-se.

Todos eles têm uma coisa em comum: menosprezam os feitos e a capacidade de luta do FC Porto. Talvez por nunca terem conseguido aguentar-se firmes até ao fim a pressionar o líder FC Porto num dos muitos campeonatos que venceu com vantagens de dois dígitos - por vezes de duas dezenas! -, acham que no Dragão se pensa da mesma maneira e que seria esta sequência de jogos (Vitória de Guimarães, Basel, Boavista, Sporting, Braga e novamente Basel) que deixaria o Benfica definitivamente na rota do título. Nada mais errado. Tudo que esta sequência fez foi tornar o FC Porto mais forte.

Os Dragões, aliciados pelo desafio, consolidaram a defesa e quase não consentem golos, dinamizaram o ataque e, mesmo sem os três jogadores mais importantes em campo (Danilo, Óliver e Jackson), golearam por 4-0 nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O FC Porto é agora mais equipa do que era há um mês atrás e isso deixa algumas pessoas impacientes.

Aqueles que subestimaram as capacidades do FC Porto, seja nesses programas para benfiquista ver, seja nos jornais para benfiquista ler, sejam eles simples adeptos ou representantes oficiais do Benfica, estão agora cada vez mais desesperados por assistir a uma queda do FC Porto enquanto vão prevendo a própria.

10 de março de 2015

Um Porto de classe mundial

O FC Porto goleou por 4-0 o campeão suiço e carimbou com classe a passagem aos quartos-de-final da Champions. Se a tendência for seguida, iremos ler e ouvir nos próximos dias que o Basileia foi uma adversário pouco aguerrido, sem chama, com pouca agressividade e que não fez tudo o que tinha ao alcance para derrotar os Dragões. Uns autênticos meninos de coro estes suiços, que nos fizeram perder a conta às entradas por trás que, com um árbitro mais rigoroso, teriam valido um ou outro cartão vermelho.

Era importante para o FC Porto que a equipa respondesse bem à ausência de Jackson e a resposta foi esclarecedora. Logo aos 14 minutos, Brahimi marcou na conversão de um livre directo após falta de Walter Samuel - que escapou sem qualquer cartão, mas que se fosse em Portugal num qualquer jogo do actual líder teria visto o vermelho - sobre Tello. Herrera abriu a segunda parte com um belo golo à entrada da área e, pouco depois, Casemiro marcou na marcação de um livre de longa distância, colocando uma pedra sobre a eliminatória. Aboubakar fechou a contagem com o quarto golaço da noite.

Mencionei aqui que, mais que nunca, a equipa precisaria de Herrera e Brahimi de volta às boas exibições. Ambos responderam de forma positiva e até foram quem abriu o caminho para a goleada. A dupla Maicon-Marcano continuam de pedra e cal, mas sem esquecer o contributo de Casemiro que fez um jogo monstruoso. Evandro, com mais uma exibição bastante positiva, cimentou o lugar de substituto natural de Óliver.

Mas nem tudo foi positivo. Ao minuto 22 Danilo embateu com Fabiano e caiu inconsciente no relvado, sendo retirado do relvado de ambulância e substituído por Martins Indi. Quem acabou por jogar como lateral-direito no resto do jogo foi Alex Sandro e fê-lo com a classe que lhe é inata, mesmo sendo esquerdino. Felizmente, as notícias sobre Danilo são positivas e apontam para que tudo não tenha passado de um susto. Nota positiva para Helton que mesmo estando fora foi um verdadeiro capitão, aconselhando Fabiano a sair da zona onde Danilo estava a receber assistência para depois acalmar o camisola 12 para que este pudesse manter-se concentrado no jogo.

Quando nada o fazia prever, Marcano viu o cartão amarelo de forma infantil, completando um ciclo de três cartões e ficará assim de fora do primeiro jogo dos quartos-de-final. O espanhol, assim como outros jogadores do FC Porto, envolveu-se desnecessariamente numa confusão promovida pelos jogadores do Basileia e irá agora pagar caro por isso. Lopetegui esteve mal a gerir o grupo nas duas jornadas da fase de grupos disputadas já com o apuramento garantido e começam agora as contrariedades causadas por essa deficiente gestão. Marcano está castigado por um jogo, obrigando assim a desmontar a dupla actual, enquanto que Óliver, Maicon, Danilo e Alex Sandro continuam em risco. Quase todos eles podiam estar em situação melhor caso tivesse sido implementada uma estratégia preventiva.

O FC Porto regressa assim, com todo o mérito e invicto, aos quarto-de-final da maior prova de clubes da Europa. Desde 2008/2009 que não o fazia e na altura até esteve perto de fazer sensação ao empatar 2-2 em Old Trafford, mas acabou eliminado pelo Manchester United com um resultado acumulado de 2-3. O sorteio está marcado para 20 de Março e a primeira mão será disputada a 14 ou 15 de Abril.

A última vez contra o Basileia foi assim...

Danilo foi quem acabou por remediar uma daquelas noites em que a bola parecia não querer entrar. O FC Porto foi dono e senhor de todo o jogo, mas o Basileia teve a felicidade de marcar na primeira e única ocasião que dispôs. Depois de estar em vantagem, a equipa da casa não teve problemas em jogar duro e feio para a tentar segurar. O 1-0 prolongou-se quase até ao minuto 80, altura em que Danilo vê um cruzamento ser cortado com a mão dentro da grande área suiça. O árbitro assinalou a respectiva grande penalidade que o próprio Danilo se encarregou de converter, colocando assim alguma justiça no marcador. Mas não toda, porque o FC Porto fez mais do que suficiente para sair vencedor e só não o fez por manifesta infelicidade.

O momento insólito da noite aconteceu logo no arranque da segunda parte. O FC Porto voltou do intervalo empenhado em anular a desvantagem no marcador e Casemiro chegou mesmo a introduzir a bola na baliza do Basileia. Golo prontamente validado pelo árbitro que só dois minutos depois decidiu voltar atrás e assinalar fora-de-jogo a Marcano. A decisão acaba por ser correcta uma vez que o espanhol beneficiou da posição irregular para limitar a acção do guarda-redes adversário, mas não deixou de gerar  alguma confusão um pouco em toda a gente devido à natureza especial da decisão. Os jogadores da casa chegaram a ter a bola no meio-campo pronta para reiniciar o jogo.

Hoje, três semanas depois, os comandados por Lopetegui têm uma boa oportunidade de seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Óliver regressa às convocatórias após recuperar de uma lesão contraída no jogo da primeira mão, enquanto que Jackson faz o caminho oposto também fruto de lesão. Será o primeiro grande teste sem o goleador e habitual capitão de equipa. Não são esperadas facilidades e a única certeza é que o FC Porto começara o jogo em vantagem na eliminatória. No entanto, estou certo que "basta" jogar como em Saint Jakob Park para carimbar a passagem à próxima eliminatória.

19 de fevereiro de 2015

Um dia triste para todos

O FC Porto tem uma característica própria: não sabe jogar para o empate. Há quem ache isso bom e há que ache mau, mas penso que digo a verdade quando afirmo que os portistas ficam satisfeitos com um empate apenas em condições muito adversas, como por exemplo no jogo frente ao Sp.Braga para a Taça da Liga. Ontem, na Suiça, o empate acabou por ser um mal menor tendo em conta todos os factores, mas quem fez o que o FC Porto fez tem de ter a noção que sem esses factores estranhos não seria de esperar nada mais que a vitória. Qualquer pessoa que tenha visto o jogo facilmente percebe isso. Pensava eu e também Lopetegui, mas a realidade foi diferente.

Foram vários os jornalistas e colonistas a insurgirem-se contra o lamento do treinador basco pelo facto de apenas os media portugueses não terem valorizado o jogo que o FC Porto fez. muitos deles devia ainda estar bastante incomodado com o facto da equipa do coração não ter jogo a meio da semana ou então só jogar hoje, ou até pelo facto de não ser o jogo do Real Madrid a ser transmitido em sinal aberto. Acusaram Lopetegui de recorrer à arbitragem como desculpa para esconder os próprios erros, traçando ainda um paralelo absurdo com o que aconteceu em Portugal. Ok, o treinador portista falhou em algumas opções no inicio da época, abusando da rotatividade no plantel, e a equipa acusou isso. Mas em que é que isso afecta os ficais de linha ao ponto de assinalar foras-de-jogo aos adversários do Benfica quando o jogador se encontra um metro em jogo? Em que é que o facto de Tello e Quaresma irem alternando na titularidade faz com que uma entrada do Samaris para vermelho directo se transforme num simples cartão amarelo? E podia ter escrito Talisca, Maxi, Enzo ou Luisão que a frase continuaria verdadeira. Terá pesado a titularidade de José Ángel em Guimarães nos diversos foras-de-jogo mal assinalados ao ataque do FC Porto?

Ontem foi um dia triste para todos. Para os portistas porque o FC porto não ganhou e para os outros porque o FC Porto não perdeu. Hoje foi um dia triste apenas para aqueles que tentando atacar Lopetegui acabaram por lhe dar razão.

18 de fevereiro de 2015

Bom treino para o Bessa

O empate na Suiça foi um mal menor para um FC Porto que dominou por completo durante os 90 minutos e que viu o adversário marcar no primeiro e único remate feito à baliza de Fabiano. Por momentos cheguei mesmo a pensar que estava perante um jogo a contar para o campeonato, tal foi a atitude do Basileia e a má qualidade da arbitragem. Penálti por marcar sobre Jackson; segundo amarelo por mostrar a Walter Samuel; passividade perante as faltas no limite entre o duro e o violento da equipa da casa; e uma eternidade para decidir se o golo do Casemiro era válido ou não. Aliás, ainda estou à espera que o árbitro decida definitivamente que o golo do Danilo é válido, não vá ele mudar de ideias em relação ao penálti já com o jogo terminado...

Do jogo só não gostei da tendência excessiva que o FC Porto tem para jogar pelos flancos, da lesão do Óliver e do facto de Alex Sandro se ter juntado a Marcano e Maicon na lista de jogadores a um cartão amarelo de ficarem um jogo de castigo. Se a forma de jogar é uma opção do treinador e as lesões imprevisíveis, não há muito a comentar, mas em relação aos cartões amarelos a situação podia e devia estar muito mais controlada como tive oportunidade de aqui escrever há alguns meses atrás.

Seguem-se agora Boavista, Sporting e Sp.Braga em jogos a contar para o campeonato. É fundamental vencer estes jogos para continuar a pressionar o Benfica e para descolar definitivamente do Sporting. Depois sim será tempo para pensar no jogo da segunda mão frente ao Basileia.

12 de dezembro de 2014

Preocupações

As bolas paradas defensivas


Lopetegui parece ser adeptos das marcações homem-a-homem nas bolas paradas, ao ponto de ter feito o FC Porto retroceder a esse tipo de marcações (verbo escolhido propositadamente, pois para mim trata-se de um retrocesso). Não digo isto pelo golo sofrido frente ao Shakhtar, mas serve de exemplo ao que pode acontecer: nem é preciso um jogador erra,basta ter um adversário directo mais forte pelo ar para que toda a equipa seja penalizada. Com a marcação à zona os jogadores são distribuídos estrategicamente na grande-área para que os mais fortes no jogo aéreo fiquem nas zonas mais perigosas e os mais fracos nas zonas que oferecem menos perigo à própria baliza. Não vejo em que é que a marcação individual possa ajudar e nem vejo que volte a ser a preferida pelos treinadores a curto prazo, mais ainda que os árbitros estão cada vez mais rigorosos em relação aos puxões. A minha preocupação sobe de nível quando sabemos de antemão que o Benfica de Jorge Jesus é um especialista nos já famosos bloqueios. Será preciso alguma sorte para não sofrer um golo num destes lances. Depois não adianta deitar a culpa ao árbitro.

Adrián López


Não sou dos que se preocupa excessivamente em relação ao preço de um jogador, nem sou dos que exige que um jogador chegue e comece imediatamente a brilhar. No entanto, não posso deixar de mostrar preocupação com o facto de Adrián López estar a passar completamente ao lado de todas as oportunidades que lhe são dadas. Neste momento, os salários do espanhol são um peso para o clube porque o próprio jogador, quando está em campo, é um peso para a equipa. Vamos dar tempo ao tempo, mas, sinceramente, não vejo como Adrián possa aspirar a ser titular no FC Porto enquanto Brahimi, Tello e Jackson estiverem por cá. Mesmo Quaresma e Aboubakar partem na frente do espanhol na luta pela titularidade. Talvez durante a CAN tenha mais oportunidades de jogar, uma vez que dois destes cinco estarão ao serviço das respectivas selecções.

Marcano, Maicon e os cartões amarelos


Informação incorrecta.
Maicon continua "à bica" e a ele junta-se Marcano.
Recentemente disse aqui que Lopetegui devia usar o jogo frente ao BATE Borisov para fazer Maicon ver o terceiro cartão amarelo e, dessa forma, cumprir castigo frente ao Shakthar, garantindo que a equipa estaria na máxima força nas duas mãos dos oitavos-de-final. Tal não aconteceu e incompreensivelmente o treinador espanhol poupou o central brasileiro frente à equipa bielorrussa e colocou-o em campo frente aos ucranianos, sujeitando-o a ver o cartão amarelo que lhe falta para ficar um jogo de fora por castigo. Maicon conseguiu escapar, mas ao contrário do que dizia ontem no jornal O Jogo, os cartões amarelos não recomeçam agora do zero. Retirado do site da UEFA: "Single yellow cards and pending suspensions are always carried forward either to the next stage of the competition or to another club competition in the current season. Exceptionally, all yellow cards and pending yellow-card suspensions expire on completion of the play-offs. They are not carried forward to the group stage. In addition, all yellow cards expire on completion of the quarter-finals. They are not carried forward to the semi-finals". Assim sendo, o FC Porto terá nos oitavos-de-final dois dos três defensas centrais em risco de exclusão por acumulação de cartões amarelos, uma vez que Marcano foi sancionado tanto frente ao BATE Borisov como frente ao Shakthar. Não consigo perceber como foi possível não acautelar esta situação sabendo que estão tão poucos defesas inscritos. Mesmo a situação de Alex Sandro foi mal gerida, uma vez que tem um cartão amarelo e foi utilizado nos dois jogos "a feijões" mesmo tendo um competentíssimo Ricardo no plantel a gritar e a justificar oportunidades. Estará Lopetegui mal informado em relação às regras? Será que a lista será alterada em Janeiro? Ou será que o FC Porto está tão satisfeito por ter chegado aos oitavos-de-final que nem faz os possíveis para criar as condições para chegar mais longe?

19 de novembro de 2014

A fase de grupos da Liga dos Campeões ainda não terminou


Não é novidade para ninguém que devido ao afastamento precoce na Taça de Portugal o FC Porto apenas voltará à competição na próxima terça-feira. O jogo a contar para a Liga dos Campeões será disputado na Bielorrússia e, importa referir, será às 17h00 e não às 19h45 como é habitual na maioria dos jogos desta competição. O BATE Borisov será assim um bom "jogo-treino" para o regresso à competição após a paragem para os jogos das selecções. Com o apuramento garantido, os Dragões podem agora gerir os dois últimos jogos sem a pressão da obrigatoriedade de ganhar. Seguem-se alguns dos objectivos a que o FC Porto se deve auto-propor para o que falta da fase de grupos.

Amealhar mais 2 milhões de euros - As finanças do clube não vivem os melhores dias e a Liga dos Campeões sempre foi uma excelente fonte de receita. Com o prémio por vitória cifrado em um milhão de euros, o FC Porto tem a possibilidade de juntar mais dois aos €3,5 milhões já acumulados com as três vitórias e o empate alcançados até ao momento.

Garantir que ninguém está suspenso para os oitavos-de-final - Ao contrário dos rivais lisboetas, o FC Porto tem recebido poucos cartões amarelos, quatro no total, distribuídos por Óliver, Alex Sandro e Maicon (2). Lopetegui, mais do que ninguém, deve estar consciente de que inscreveu poucos defesas para a Liga dos Campeões, três centrais e três laterais contando com Ricardo. Sabendo que o terceiro amarelo vale um jogo de suspensão, é importante que o central brasileiro o receba já na próxima jornada e cumpra castigo no último jogo da fase de grupos. Alex Sandro e Óliver também devem ter cuidado extra neste capitulo.

Dar oportunidades aos menos utilizados - No ponto anterior referi a importância de livrar a equipa de ter jogadores suspensos na próxima fase. Para ajudar a cumprir esse objectivo, o plantel conta com jogadores capazes de substituir os habituais titulares sem comprometer a qualidade da equipa. Indi e Marcano podem formar a dupla de centrais na última jornada, enquanto que nos jogos que faltam Evandro e Rúben Neves podem render Óliver e Ricado pode jogar a lateral esquerdo. Pessoalmente apostaria na dupla Maicon-Marcano frente ao BATE Borisov - dando assim a oportunidade a Maicon para forçar o cartão amarelo e evitando expor o Indi a qualquer sobressalto - e poupava um ou outro jogador em cada partida. Nada de extravagante porque ainda há muito dinheiro em disputa, mas sempre com um olho no jogo seguinte a contar para o campeonato, até porque após a recepção ao Shakthar segue-se o FC Porto-Benfica.

Garantir o primeiro lugar - Vencendo nesta jornada, o FC Porto pode garantir imediatamente o primeiro lugar no grupo caso o Shakthar não vença os espanhóis do Athletic de Bilbau. Em caso de vitória ucraniana, tudo ficará decidido na última jornada, quando FC Porto e Shakthar medirem forças no Estádio do Dragão. O primeiro lugar no grupo dá a (possível) vantagem de defrontar um dos segundos classificados nos oitavos-de-final, aumentando assim um pouco a possibilidade de chegar mais longe na prova.

Nenhum dos pontos parece impossível de cumprir com sucesso, mas há que manter a equipa focada e impedir que qualquer um dos jogadores entre em campo com a sensação de que já não há nada em disputa. Estou certo que a direcção e o treinador saberão passar à equipa a mensagem de como ir longe na prova é importante para o clube. Se os quatro objectivos que mencionei forem alcançados, será talvez a melhor prestação de sempre do FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões em todos os aspectos.