Mostrar mensagens com a etiqueta SAD. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta SAD. Mostrar todas as mensagens

18 de outubro de 2016

Jogo perigoso


Sei que o título é ambíguo, que muitos vão pensar que me refiro à infracção clara que o árbitro italiano deixou passar e que deu o 1-0 ao Club Brugge, ou que se trata de uma alusão à forma consistente com que a SAD nos brinda com prejuízos avultados no final de cada exercício, ou até, quem sabe, do fantasma que voava sobre as cabeças dos portistas no intervalo do jogo de hoje e que ameaçava com um cenário de um ponto apenas ao fim de três jornadas de Liga dos Campeões. E embora fosse possível qualificar qualquer um destes cenários como "jogo perigoso", nenhuma das resposta é a correcta.

Lembra-se de se queixar - e de certeza que já o fez - que o FC Porto oferecia demasiadas vezes 45 minutos ao adversário? Esqueça isso, agora são 60. O que não aparenta ser uma melhoria, diga-se. Foram dois terços do jogo à espera de uma jogada com pés e cabeça que só chegou com a entrada de Corona e Brahimi e a consequente alteração táctica. Diogo Jota e Herrera não estavam bem na partida e foram substituídos em momento oportuno, assim como igualmente assertivo foi deixar cair o 4-4-2 e apostar no 4-3-3 nesse preciso momento.

Isto está longe de ser uma crítica a Nuno Espírito Santo. Aliás, até é o contrario. É bom que o treinador dos dragões tenha uma ideia e se apresente numa fase inicial com ela - que nos últimos tempos tem sido o tal 4-4-2 -, mas melhor ainda é que tenha a humildade de admitir durante os 90 minutos que se calhar existe outra forma de abordar o problema e decida abdicar da ideia inicial em favor de uma outra que aparenta ser melhor. Se a equipa perdia por 1-0 e sentia dificuldades em criar perigo graças ao sistema escolhido pelo Nuno, também é verdade que foi da mesma pessoa a decisão de alterar o modelo e lançar o 4-3-3 para a última meia-hora permitindo assim a reviravolta. O talento dos jogadores fez o resto.

Um cenário que chegou a ser negro é agora mais azul graças a um passo enorme dado na Bélgica com a vitória por 1-2 que esteve quase a tornar-se uma miragem. O apuramento para a fase a eliminar está nas mãos do FC Porto que depende apenas de si para o conseguir. Segue-se agora o Arouca, no próximo sábado, a contar para o campeonato.

5 de outubro de 2016

Ter razão não chega


Fernando Saul, responsável pela ligação entre o clube e os adeptos, recorreu à página pessoal de facebook para criticar de forma aberta o Sporting pelos preços exigidos aos sportinguistas para assistirem ao vivo aos jogos contra Real Madrid e Borussia Dortmund. Eis o texto na integra:
«Nós adeptos dos grandes que tanto e bem criticámos os preços exorbitantes muitas vezes praticados contra os nossos clubes nos jogos fora, depois assistir a isto acho ridículo e inacreditável.Obviamente na casa deles mandam eles mas isto é síndrome de clube pequeno.Como gosto de futebol e tenho algumas responsabilidades acho que isto não devia existir!É apenas a opinião de alguém que gosta de futebol e que acha que o futebol sem adeptos morre e isto até pode resultar um dia e dar uma grande receita mas no futuro mata o futebol num país pequeno como o nosso onde as pessoas infelizmente fazem muitos sacrifícios para apoiarem os clubes que amam!»
A opinião deste dirigente portista fez-se acompanhar por uma imagem onde era possível ver que o rival lisboeta está a cobrar pelo bilhete mais barato para público €50 para o jogo frente aos alemães e €60 para a partida diante dos espanhóis.

A não ser ter-se tratado de um recado/desabafo para dentro - que sendo o caso não tem razão de existir porque quem o deu tem toda a facilidade em dá-lo directamente a quem decide estas coisas -, Fernando Saul perdeu mais uma enorme oportunidade de estar calado. Tendo em conta o cargo que ocupa, seria de esperar que o autor desta crítica tivesse consciente que o FC Porto na época passada exigiu também €50 como preço mínimo a qualquer simples adepto que quisesse assistir no Dragão ao jogo frente ao Dortmund mas a contar para a Liga Europa e que, já este ano, o preço mínimo exigido a quem não pode ser sócio do clube para o bilhete do FC Porto - AS Roma era de €40.

Se o objectivo era atingir o Sporting lamento dizer mas o tiro saiu para o próprio pé. Se o recado era para dentro - o que, repito, duvido muito porque infelizmente quem está no FC Porto é pago para pouco mais que dizer que sim a tudo, comer e calar - espero que os recados deixem de ser mandados pelas redes sociais. Que se deixe isso para os blogs, assim até se ganha um novo alvo para criticar quando as coisas derem para torto: aqueles que se atrevem a criticar.

Votando ao título: ter razão não chega, é preciso dar o exemplo e fazer melhor.

19 de setembro de 2016

A pré-época mais longa da História no clube mais confuso da actualidade


André Silva, Corona, 4-3-3, Adrián dispensado, André André, Danilo, Herrera, 4-2-3-1, Adrián titular na pré-eliminatória da Champions, Brahimi dispensado, Óliver, Depoitre, Marcano, 4-4-2, Boly, Brahimi titular... Percebeu alguma coisa? Eu não. Ninguém percebeu, principalmente os jogadores, e é aí que está um dos problemas do FC Porto. Seria de esperar que as coisas estivessem mais que consolidadas após uma pré-temporada iniciada ainda o mês de Abril era uma criança. Mas não, já na segunda metade de Setembro temos ainda um treinador a testar tácticas e jogadores. Que sentido faz isto?

Um dos problemas apontados a Lopetegui era o da rotatividade excessiva. O que faz a primeira verdadeira aposta de Pinto da Costa - com todo o respeito para Peseiro - para esquecer o técnico espanhol? Exactamente a mesma coisa e com os mesmos resultados. Não se diz por aí que loucura é repetir os mesmos erros e esperar resultados diferentes?

E o mesmo serve para toda a gente ligada ao clube. Não é só quando não se vence que se apontas as arbitragens habilidosas. As queixas no final dos jogos em Alvalade e Tondela deveriam ter-se ouvido também no final dos jogos no Dragão frente a Estoril e Vitória de Guimarães e na deslocação a Vila do Conde. Não são os três pontos que eliminam os penáltis por assinalar, os golos mal anulados, os fora-de-jogo mal assinalados, as faltas duras que os adversários se dão ao luxo de repetir sem que vejam qualquer cartão e por aí fora. O FC Porto não pode aceitar que os seus jogadores sejam sancionados à primeira oportunidade quando passam os jogos a serem vítimas de faltas piores que escapam com um aviso e quando os rivais Benfica e Sporting têm a liberdade de fazerem em campo quase tudo o que lhes apetece.

Não é agora que chegou a hora de acordar. Esta merda já dura há três épocas e vai a caminho da quarta sem que ninguém faça nada para o impedir. Acordem!

17 de setembro de 2016

Uma atitude louvável


Fazer primeiro, falar depois. Não há coisa que cai pior no universo portista do que quando as acções não batem certo com as palavras, sejam elas de dirigentes, treinadores ou jogadores. Por isso mesmo é que fiquei especialmente agradado por ver a forma empenhada como Brahimi entrou em campo frente ao Copenhaga, mostrando vontade de lutar pela vitória nesse jogo e também por uma lugar numa equipa onde esteve todo o mercado de transferências com um pé fora. No fim do jogos as primeiras declarações da época: "estou no FC Porto a 200%".

Recorde-se que o internacional argelino foi dado como de saída do clube após a chegada de Nuno Espírito Santo. Os motivos eram simples: a atitude demonstrada pelo jogador nem sempre foi a melhor mas a qualidade estava lá, tornando-o numa boa oportunidade de uma SAD a precisar desesperadamente de dinheiro receber algum. O negócio não se realizou e o treinador ficou com um problema em mãos.

Nuno e Brahimi decidiram deixar o passado onde ele pertence e fizeram um pacto que caso seja cumprido todas as partes sairão a ganhar, em especial o FC Porto. O primeiro passo foi dado pelo treinador ao lançar o talento argelino para um jogo de grande importância, o camisola 8 fez o resto ao entrar em campo com uma atitude que há muito não se via nele e com vontade de ajudar os companheiros.

Se as coisas continuarem nestes termos Brahimi ganhará com naturalidade um lugar na equipa que procura desesperadamente alguém com capacidade de fazer sistematicamente a diferença no último terço. Teoricamente trata-se de um casamento perfeito e faço figas para que seja para durar.

12 de setembro de 2016

Titular indiscutível


Se olharmos para a temporada 2015/2016 é difícil destacar jogadores do FC Porto que tenham estado a um nível aceitável para um clube que aspira vencer títulos mas, sem ter de pensar muito, há dois nomes que merecem destaque: Danilo e Layún. E se o português começou a nova época como titular, o mexicano foi aproveitando minutos aqui e ali, o castigo de Alex Telles e mais recentemente a lesão de Maxi para mostrar que quer um lugar na equipa. E para mim não há dúvidas: o FC Porto beneficia com a titularidade de Layún e Nuno Espírito Santo tem nele um dos que merece o rótulo de titular absoluto.

Se há um ano atrás manifestei o meu desagrado com a contratação de Maxi Pereira - que entretanto pouco acrescentou ao clube a não ser a entrega que lhe é reconhecida mas já sem a protecção dos árbitros -, este ano fui apanhado de surpresa com a contratação de Alex Telles. Aqui não está em causa a qualidade do jogador, pois sabia de antemão que se tratava de uma mais-valia, mas sim o investimento que a SAD optou por fazer numa posição que aparentemente estava fechada com a aquisição definitiva de Layún e a promessa de Pinto da Costa em levar Rafa a fazer a pré-época. Com a inclusão de Varela no lote dos laterais começaram a haver opções em demasia e Nuno seguiu o caminho mais fácil: dispensar os jovens Víctor García e Rafa.

Se Varela se torna cada vez mais uma sombra daquilo que foi a cada dia que passa, correndo mesmo o risco de se tornar num peso morto para o clube, Layún não se deixou abater quando viu que a titularidade nas laterais defensivas foi entregue a Maxi e Alex. Muito pelo contrário! O mexicano arregaçou as mangas e começou a lutar com as mesmas armas que têm valido um lugar na equipa ao uruguaio ex-Benfica: atitude competitiva e vontade de dar tudo em campo. Se juntarmos isto à qualidade ofensiva que dá ao jogo da equipa e a capacidade de transformar lances de bola parada em jogadas de golo eminente nas balizas adversárias está explicado o porquê de Nuno Espírito Santo ter de manter o lateral mexicano na equipa.

Com Alex Telles intocável na esquerda, restam duas opções ao treinador portista: manter Layún na lateral direita - deixando Maxi de fora expondo assim ainda mais o mau investimento feito pelo clube - ou adiantar o mexicano no terreno, o que olhando aos sinais dados na pré-época e a este novo 4-4-2 não seria surpreendente. Certo é que o empenho/qualidade de Layún aliada á chegada de Óliver foi o suficiente para ameaçar a titularidade a Maxi, Herrera, Corona e André André e ainda dificultar o regresso de Brahimi. Que Nuno saiba escolher o que é melhor para a equipa.

16 de abril de 2016

Visão 1620 - Finanças

Tem sido um problema recorrente e aparentemente sem fim no FC Porto. Chegar a meio da época e perceber que a SAD terá prejuízo no exercício em questão é já o pão nosso de cada época dos portistas. E quais são os motivos para isso? A resposta é simples: despesas despropositadas e planeamentos arrojados, para não dizer incompetentes.

Na última entrevista que deu ao Porto Canal, Pinto da Costa falou em comissões em entre 5 e 10% nos negócios feitos pelo FC Porto. Uma das maneiras de começar a poupar dinheiro é começar a exigir que seja respeitada a norma da FIFA que impõe nos 3% o valor máximo a pagar em comissões a empresários sobre as transferências entre clubes. Depois outra coisa que me faz imensa confusão: o FC Porto pagar comissões tanto quando compra como quando vende. A SAD tem de marcar uma posição junto dos empresários e deixar de dar, literalmente, dinheiro a um empresário quando compra um jogador, deixando esses encargos sempre para o clube vendedor.

Depois há a situação dos jogadores emprestados. Um clube com equipa B não necessita de ter um batalhão de atletas sob contrato espalhados pelo mundo. O número actual é manifestamente exagerado e tem de ser inevitavelmente reduzido ao máximo, tornando os empréstimos situações pontuais para jogadores que mostram valor inequívoco para aspirar a alguma mais do que a II Liga mas que ainda não têm maturidade suficiente para actuar pela equipa A. Certamente não será o caso de jogadores como Sami, Ghilas ou Bolat.

Isto são apenas exemplos de situações que fazem o clube perder imenso dinheiro, mas que a sua resolução por si só não seria garantia de nada, embora fosse um bom começo. O que a SAD tem de começar a fazer é reverter a situação gradualmente até chegar ao ponto de não ter de contar com o ovo no cu da galinha. Entrar num exercício a prever facturar €30M nas competições europeias, ou €70M em mais-valias com vendas de jogadores e até a entrada directa na próxima edição da Liga dos Campeões, é jogar constantemente na roleta russa e, como temos vindo a notar, todas as situações descritas são passíveis a falhar com relativa facilidade.

Impõe-se para bem do clube que a SAD comece a optimizar os meios que tem ao seu dispor, fazendo um planeamento cuidado e rigoroso de forma a não gastar dinheiro de forma leviana.

8 de abril de 2016

Estará o FC Porto de regresso?


Decidi, no final da vergonha histórica que foi o FC Porto perder com o Tondela, não escrever nada no blog porque fiquei com a certeza que não seria preciso mais uma pessoa a mandar tudo para o órgão genital masculino para que toda a gente percebesse que era preciso agir. E essa acção já vem tão tarde que até pode ser considerada uma reacção e arrisco-me a dizer que não era preciso chegar tão baixo para serem tomadas medidas, a altura certa para isso era aquando da saída de Paulo Fonseca. Mas, como se costuma dizer, mais vale tarde do que nunca e foi com alguma expectativa que aguardei pelas declarações de Pinto da Costa.

No meio de tudo o que foi dito só isto me interessa: o presidente prometeu uma equipa à Porto na próxima época, sendo que para isso haverá uma aposta forte na chamada prata da casa, o departamento de scouting voltará a ter uma palavra a dar na composição do grupo de trabalho e, o mais importante de tudo, acabaram-se os pedidos aos Imbulas desta vida para assinar pelo FC Porto. A partir de agora quem cá chegar vem com o objectivo de servir o clube e não de se servir dele.

Espero que isto signifique os fim das negociatas com fundos/empresários e que seja implementada uma estratégia de mercado diferente, em que o FC Porto assuma de forma independente a prospecção, contratação e desenvolvimento dos jogadores. Para que dessa forma o treinador possa trabalhar e escolher a equipa jogo após jogo sem pressões e que a SAD possa gerir o plantel sem influências de terceiros. Qualquer outro tipo de investimentos, só de forma muito excepcional e em jogadores que valham mesmo a pena.

Pinto da Costa anunciou um regresso em força para 2016/2017 e estou confiante que, com as medidas certas, isso será uma realidade. Quem 2015/2016 fique na memória de todos não só pela conquista da Taça de Portugal mas principalmente pelo regresso do FC Porto ao caminho do sucesso.

31 de março de 2016

Máquina de Rube Goldberg

Sou uma pessoa simples. E como pessoa simples, imagino sempre as coisas com uma certa simplicidade. Por exemplo, a contratação de jogadores por parte de um clube, achava eu, seria algo muito linear: o departamento de scouting identificava um atleta com talento e observava-o o suficiente até elaborar um relatório a recomendar a contratação, relatório esse que seria analisado mais tarde pelo treinador e pela direcção do clube e, havendo interesse de ambas as partes, alguém com poder para isso contactava o empresário do jogador em questão para que este iniciasse as negociações entre os dois emblemas tendo em vista a transferência. Afinal não é nada disto.

Não sei como funciona nos outros clubes - e sinceramente não me importa -, mas no FC Porto, pelo menos olhando às cada vez mais notícias de negociatas entre SAD e empresários e/ou fundos de investimento, a coisa é muito mais elaborada. Primeiro aparece uma empresa qualquer que recomenda um jogador ao clube que, por sua parte, paga prontamente alguns milhares de euros por essa acção. Depois o clube vende uma percentagem do passe a um fundo que entretanto regista o atleta num clube "fantasma". Aí o FC Porto compra o jogador a esse novo clube e com isso gasta um valor infinitamente superior ao que gastaria caso tivesse ido directamente à fonte, mas depois de garantida a transferência há que vender nova percentagem do passe a um grupo de empresários que pode ou não ser o mesmo. Em ambas estas operações são pagos custos de intermediação a uma ou várias empresas sem que se saiba bem qual foi o papel delas no negócio ou quem são ao certo. E quem fica com esses encargos? O FC Porto. Mais tarde, com o jogador já no clube, vão sendo recuperadas pouco a pouco parcelas do passe anteriormente vendido. Parece-lhe complicado? A mim também.

No meio disto tudo, qual é o papel do scouting do clube? Fica difícil de perceber. Quase tão difícil como perceber como foi possível alguém ir cedendo pouco a pouco até chegar a este ponto. Certo é que actualmente é cada vez mais raro ver o FC Porto comprar bom e barato, como acontecia no passado.

Merece a SAD ser fortemente criticada por ter chegado a este ponto? Claro que sim! Toda a gente o sabe, mesmo aqueles que vão apregoando o contrário e tentando defender o indefensável. Há quem. talvez por não ser livre de dizer o que verdadeiramente pensa, diga que se vai afastar porque não se revê nesta forma de estar de quem dirige o clube. Mas aí daquele que ouse levantar uma dúvida que seja, porque se lhe perguntarem o FC Porto é um exemplo a ser seguido por todos no que à gestão desportiva e financeira diz respeito. Uma idiossincrasia muito em voga nesta altura.

Há uns dias perguntei o que mudou em tão pouco tempo, numa alusão à mentalidade ganhadora e inconformada que me habituei a ver na comunidade portista e que se tem perdido pouco a pouco. Nesse dia dei dois exemplos dessa forma de estar, hoje deixo outro. Encontre as diferenças.

26 de março de 2016

Que futuro esperar?

Diz o ditado que em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Se considerarmos que o pão de um clube são os títulos então está explicada a constante troca de galhardetes entre os portistas mais inconformados, que não admitem uma época má que seja, e aqueles defendem cegamente a estrutura muitos deles apoiados na ideia que o clube já viveu momentos piores e que se quem lá está agora foi capaz de ganhar no passado então também será no futuro.

Qualquer uma das facções tem razão em muitos pontos, mas ao fim de três épocas de sportinguizaçao do meu clube vejo-me forçado a pender para o lado dos inconformados. Em causa não está o valor de quem no passado fez o FC Porto chegar ao topo ou se conseguirão ganhar no futuro, o ponto aqui é perceber se o título de campeão voltará à Invicta como regra ou como excepção.

Já tive oportunidade de dizer que a mim não me incomodam que se façam transferências com valores altos, sejam eles o valor do passe, comissões, ou essa treta toda que tomou conta do futebol contemporâneo, desde que sejam contratados jogadores de qualidade e que isso não ponha em causa o futuro do clube. Não me incomodou o valor de Hulk, nem de Danilo, nem de Alex Sandro e por aí fora. Mas nos últimos três anos a conversa tem sido outra: o plantel está cada vez mais fraco mas, ao contrário do que seria de esperar, está cada vez mais caro.

É lógico que quem gasta o que a SAD do FC Porto gastou para (não) ganhar o que o FC Porto (não) ganhou tem de ser contestado. Seja ele quem for. A administração é paga a peso de ouro - basta consultar os documentos enviados à CMVM para ver os valores astronómicos - mas tem feito um trabalho miserável, sendo que na presente temporada roça mesmo o amadorismo.

O rumo tomado desde a saída de André Villas-Boas tem enfraquecido a posição do clube no panorama do futebol nacional e europeu. As parcerias com os fundos e grupos de empresários deixaram de resultar tornando os plantéis cada vez mais dispendiosos e desequilibrados, sendo ainda entregues a treinadores quase sem experiência. Se assim voltaremos a ganhar? Isso de certeza que sim, só não sei dizer é daqui a quanto tempo e com que frequência.

Mas não peço a cabeça de ninguém, só peço que acordem de uma vez por todas.

22 de março de 2016

Usar o clube como escudo


No dia em que se comemorava o primeiro aniversário do último penálti assinalado contra o Benfica, Jonas diz que ninguém tem sido beneficiado e Vítor Baía queixa-se da forma como a SAD tem gerido o FC Porto. E para onde se viraram as atenções do clube? Se disse "para o colinho aos vermelhos" enganou-se redondamente. Na edição de hoje (22/03/2016) do Dragões Diário é dirigido uma parágrafo ao antigo guarda-redes e assumido pretendente ao cargo de presidente do FC Porto. E qual é o motivo por trás disso? Aparentemente o facto de Vítor Baía se ter enganado em alguns factos, mas nem sempre as coisas são tão simples assim.

Os defensores incondicionais de Pinto da Costa têm por costume assumir qualquer critica à administração do clube como um vil ataque ao presidente. Nada mais errado, como aliás provam as constantes declarações do próprio Pinto da Costa sobre o facto de a restante administração ter liberdade e poder para tomar decisões e colocá-las em prática sem que tenham de passar pelo filtro presidencial.

E o problema de Pinto da Costa não é Vítor Baía, porque o ex-guarda-redes não parece interessado em concorrer à presidência do clube contra o actual presidente. Por outras palavras, Vítor Baía não é ameaça à actual direcção da SAD. Mas então qual é o motivo que faz com que quem dirige o clube sinta a necessidade de atacar quem os critica? A resposta é simples: a sucessão.

Neste momento Pinto da Costa está rodeado de aspirantes a presidente por todos os lados, sendo que a cada ano que passa aparecem mais e mais. Uns vão entrando devagarinho no dia-a-dia do clube, enquanto outros são afastados com violência por quem manda neste momento no FC Porto. Um exemplo disso mesmo foi António Oliveira, que se viu ser atacado na comunicação social pela estrutura azul e branca porque reunia os requisitos que Vítor Baía reúne neste momento: era uma voz crítica e era apontado como candidato à sucessão de Pinto da Costa.

Na época passada Vítor Baía foi parvinho o suficiente para negar publicamente os evidentes benefícios da arbitragem ao Benfica - situação que tentou corrigir mais tarde -, mas já este ano teve a a audácia de falar em reuniões secretas, nas costas de Pinto da Costa, de pessoas ligadas ao FCPorto para preparar a sucessão e a lucidez para não se candidatar contra o actual presidente porque, além de não ter a mínima hipótese, seria enxovalhado publicamente por aqueles que olham para um crítico/concorrente a um lugar que ainda está ocupado e vêem um inimigo.

Quem está neste momento no comando do FC Porto usa os meios que o clube lhe põe à disposição para defender a própria pele e, se sobrar tempo, aí sim se defende o clube. Foi assim recentemente com Carlos Abreu Amorim, como foi mais atrás com António Oliveira e como é agora com Vítor Baía. Entretanto, os Jonas deste campeonato continuarão a mergulhar descaradamente e a viciar resultados a favor das respectivas equipas sem que ninguém ligado ao FC Porto faça qualquer coisa.

Para terminar deixo o mesmo pensamento com que finalizei o texto onde falei sobre o processo movido pela administração da SAD ao já mencionado Carlos Abreu Amorim: Uma coisa é certa, enquanto que estiver à frente do clube não o defender com a mesma energia que defende a si próprio será difícil que o FC Porto volte a ser um clube vencedor.

Eu, javardo, rafeiro, escroque da pior espécie, gente desprezível, frustrado, traumatizado da vida, sem coragem e sem carácter me confesso

Faz parte da minha rotina ler a maioria dos blogs portistas que existem e, quando o assunto me chama a atenção, dou também uma vista de olhos nas respectivas caixas de comentários. Assim sendo, foi num misto de espanto e de satisfação que vi alguém dar eco ao post anterior a este em vários outros espaços onde se vive o FC Porto, situação que foi aceite com naturalidade pela maioria dos respectivos autores. Muito provavelmente estará nesta altura a perguntar-se o motivo desta conversa toda, mas já lá chegamos. É claro que no meio de tanto blog houve alguém a sentir-se incomodado e a partir para o insulto que, já agora aproveito para esclarecer, não é a primeira vez que tal sucede .

Isto fez pensar no seguinte: em que momento uma pessoa deixa de ser portista e passa a ser seguidista? Para mim, ser portista é ser alguém que apoia o FC Porto nos bons e nos maus momentos, não é alguém que defende incondicionalmente quem está no clube, seja ele um jogador, um speaker, um treinador ou até mesmo um presidente. Por muito que essas pessoas possam ter feito pelo clube no passado, não são o FC Porto. Apoiar qualquer coisa que nos metem à frente, apenas porque há anos e anos de bom trabalho para trás, é seguidismo puro.

E nos últimos dias parece que decidiram sair todos da toca. Pior! Preferem defender quem não precisa de defesa, porque além de ter o futuro garantido no clube e tem um passado que fala por si, em vez de defenderem aquilo que precisa ser defendido, que é o Futebol Clube do Porto. De um dia para o outro fiquei com a sensação que Pinto da Costa precisa de freteiros ou lambe-cús para continuar como presidente do clube, tal foram as declarações do género "sempre Pinto da Costa na primeira ou na segunda divisão", dor assumida também pelo Dragões Diário que esfregava na cara daqueles que preferiam ver um rosto novo a liderar o clube que o actual presidente tem o apoio das casas e delegações do FC Porto, quase em simultâneo em que no facebook de alguém que tem um cargo com um nome chique no clube se comentava que os 26% que não apoiam a actual administração são 30 ou 40 ranhosos.

Não se enganem. Apesar de estar completamente saturado pelos erros grosseiros da SAD nos últimos anos, considero que Pinto da Costa merece nova oportunidade para sair pela porta grande e que tem todas as capacidades para o fazer. Depois disso é dar oportunidade a gente nova, porque a grande maioria dos actuais dirigentes portistas já conseguiu provar ser incompetente mesmo tendo a supervisão do melhor presidente da história do futebol mundial.

Isto só será possível se toda a gente, ou pelo menos a maioria, perceber que é impossível defender bem o FC Porto quando se apoia alguém, seja ele quem for, incondicionalmente. E podem contar comigo para defender o clube, dentro dos meus meios, entenda eu que o inimigo está dentro ou fora de portas, e nem que para isso tenha de suportar as investidas de meia dúzia de personagens de ideologia duvidosa. Pelo FC Porto vale a pena.

20 de março de 2016

A democratização da estupidez

Se há coisa que a Internet nos trouxe foi a possibilidade de qualquer um, por mais estúpido, desinformado ou mal-intencionado que seja, poder transmitir para todo mundo uma opinião. A prova disso mesmo é você estar a ler isto nesse momento. A estupidez tornou-se acessível a todos, enquanto antigamente era a comunicação social e quem tinha acesso à mesma a ter o monopólio dessa forma de pensar. Hoje em dia não é preciso ir para a televisão para tentar fazer valer uma ideia estúpida, basta criar um blog, ou uma conta em qualquer rede social, e com relativa facilidade se cria uma audiência.

Serve isto para dizer que tenho lido muita merda sobre o que levou o FC Porto a chegar a este ponto e que, apesar de haver muitos pontos de vista válidos, há um que me choca particularmente, que é dizer com desdém que afinal a troca de treinador não resolveu nada e que mais valia Lopetegui não ter saído.

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer duas coisas: que fui a favor da manutenção do basco no comando da equipa para esta segunda época porque acreditei nele quando disse que aprendeu com os erros do ano que na altura havia terminado, mas também cedo percebi que afinal, como diz a música, era só jajão e que com ele como treinador seria mais um ano seco para o clube. Quanto a José Peseiro, foi obviamente uma solução de recurso que pode ou não ficar para a próxima época, mas que está automaticamente ilibado de qualquer culpa na maioria das coisas que possam ainda correr mal. E é isto que passo a explicar.

Uma das coisas que li num outro blog portista - que não vou mencionar mas qualquer um chega lá se reflectir um bocadinho - e me fez rir foi uma comparação entre os recursos disponíveis entre Benfica e FC Porto. Chegando ao ponto de comparar Gudiño, de 18 anos, a Ederson, de 22 e com experiência de primeira liga e Liga Europa, ou então Chidozie, também ele de 18 anos e ainda nem há um ano médio-defensivo, com Lindelöf, jogador com vários anos de segunda liga e já com 21 anos sendo ainda campeão da Europa desse escalão. Depois talvez movidos pela ideia estúpida de que um jogador não se desenvolve a partir de uma certa idade, dizem que como o Jardel tem o FC Porto no plantel, ignorando que o brasileiro é facilmente o melhor defesa-central do Benfica graças à enorme evolução registada nos últimos anos.

Só uma pessoa com muito má-vontade pode comparar o plantel à disposição dos dois treinadores. Enquanto para as laterais Rui Vitória tem Nélson Semedo, André Almeida, Eliseu, Sílvio e ainda foi buscar Grimaldo em Janeiro, José Peseiro tem Maxi, Layún e foi obrigado a recorrer a Ángel, uma das cartas fora do baralho até para Lopetegui. Até se pode argumentar que o André Almeida só defensa e se comporta quase como um defesa-central que actua na linha e é quase verdade, mas que necessidade tem o Benfica de contar com os laterais se tem um ataque tão poderoso por si só? E aqui se encontra a maior lacuna deste FC Porto: o poderio ofensivo.

Se gozar com as opções dos encarnados para a defesa, dizendo por exemplo que o Eliseu é gordo e mais não sei o quê, pode parecer pertinente para alguns, o que dizer das opções azuis e brancas para o ataque? Aboubakar e Corona parecem viver num mundo à parte, Varela está farto de ser jogador de futebol e tanto Suk como Marega parecem condenados ao estigma social de jogador útil, que aos olhos da maioria dos portistas mais não significa do que alguém que só serve para jogar quando não há mais ninguém. Do outro lado - leia-se no Benfica - Há Jonas, Mitroglu, Jiménez, Salvio, Pizzi, Carcela, Gaitán, Talisca e por aí fora. Pode-se alegar o que quiser, afirmar que um só marca golos a equipas pequenas e outro nem no Canelas 2010 tinha lugar, mas ninguém pode negar o óbvio: há opções para o treinador explorar e ninguém pode dormir à sombra da bananeira porque a qualquer momento perde o lugar. E quando lhe falta essa diversidade nas escolhas, as dificuldades para ganhar jogos são evidentes, apesar do sistema montado para bater nos clubes pequenos desde há seis anos para cá.

É aqui que reside o grande problema de José Peseiro e que já se notava em vários antecessores: a falta de pressão sobre os titulares vinda do banco. Aboubakar pode continuar a fazer o favor de jogar pelo FC Porto que acabará sempre por voltar à titularidade porque há muito se tornou óbvio que a SAD pressiona as equipas técnicas para que "protejam" o investimento.

Olhando a todas as condicionantes (falta de opções para a defesa, falta de opções para o ataque, favorecimentos aos rivais e arbitragens habilidosas em momentos chave com prejuízo claro para o FC Porto), só se pode concluir que o trabalho de José Peseiro tem de ser considerado, no mínimo dos mínimos, aceitável. Não só porque a equipa é agora capaz de marcar golos, mas principalmente porque não cede à primeira adversidade.

Não sei se o ribatejano continuará no clube em 2016/2017, mas se isso se verificar merece que a SAD lhe dê um plantel com condições para lutar pelos títulos que o clube ambiciona e que os adeptos parem de procurar incessantemente e em todo lado coisas para implicar. Se ninguém no clube quer ou consegue lutar contra o que se passa fora do campo e que favorece em muito Benfica e Sporting, que pelo menos se dê à equipa condições para lutarem dentro das quatro linhas.

16 de março de 2016

Baader-Meinhof Phenomenon ou Síndrome de Peseiro?


Sabe aquela sensação de ver em todo lado uma coisa que só recentemente descobriu? Se é portista, é provável que neste momento sofra essa perturbação. E não, não falo da palavra nepotismo que passou a ser comum quando se fala da SAD do FC Porto depois de Carlos Abreu Amorim a celebrizar. O acontecimento que desencadeou o Baader-Meinhof Phenomenon na comunidade portista foi a chegada de José Peseiro ao Dragão fazendo-se acompanhar das já centenas de notícias e artigos de opinião que dão conta das dificuldades na transição defensiva visíveis em todas as equipas por onde passou.

O Marcano falou o corte e deu golo do Braga? "Só fica espantado quem quer, tal é a dificuldade que o Peseiro tem em montar uma boa transição defensiva." O plantel não tem defesas-centrais disponíveis, Layún e Chidozie terão de ser opções de recurso. "Tudo bem que havia vários jogadores castigados na defesa e meio-campo, mas aquela transição defensiva deixa muito a desejar!" O Maicon tenta fintar na defesa e oferece um golo a um adversário já depois deste ter marcado um golo na primeira jogada do encontro: "tudo isto era evitável com uma transição defensiva mais forte." E o penálti do Jonas em Paços de Ferreira? "Pouco me importa, enquanto o Porto não conseguir reagir rapidamente à perda de bola, com uma transição defensiva digna desse nome, não adianta pensar nisso." Aboubakar falha um golo de baliza aberta: "com a transição defensiva deficiente que esta equipa apresenta desde a chegada do Peseiro, sorte tivemos nós de o contra-ataque não ter dado golo." Os torniquetes da Porta 12 estão avariados outra vez? "Maldita transição defensiva, vai ser a ruína deste clube."

Transição defensiva. Transição defensiva. Transição defensiva. Parece que é esta a causa de todos os problemas do FC Porto. Pelo menos é uma coisa de aparente fácil resolução, o que indicia que o futuro será risonho mesmo que o sistema continue a favorecer descaradamente os grandes da capital e a SAD continue a fazer plantéis desequilibrados e com lacunas óbvias em alguns sectores. Basta resolver a maldita transição defensiva e tudo vai ao sítio.

14 de março de 2016

É assim tão difícil de perceber?


O recente movimento "volta Lopetegui" tem-me feito alguma confusão. Desde logo porque o basco não fez nada que mereça esse tipo de saudosismo, se ainda fosse "volta Jesualdo" ou "volta Vítor Pereira" ainda percebi, porque esses apesar de mal-amados por grande parte das massa adepta lá conseguiram ganhar qualquer coisita. Chorar por um treinador que desfilou incompetência e teimosia não me parece um caminho muito bom para se seguir.

Assumo desde já que quem diz uma coisa dessas é porque ainda não parou para pensar e se o fez é porque se esforçou para não perceber. Duvido que seja assim tão difícil chegar à conclusão de que o Chidozie foi chamado à titularidade porque não havia mais ninguém, que o Layún só joga como defesa-central porque não há mais ninguém e que a equipa está uma lástima do ponto de vista físico porque foi mal preparada nesse sentido desde o dia um desta época. E de quem é a culpa disto? Até posso dar uma pista: não é de José Peseiro.

A realidade é que o FC Porto está nesta situação por culpa da SAD e de Lopetegui e seus adjuntos. A administração não conseguiu formar um plantel equilibrado - ou permitiu que o anterior treinador o quisesse assim - e a equipa técnica que começou a actual temporada não soube dar aos jogadores o que eles precisavam para um ano desgastante.

Não sei se José Peseiro teria feito melhor, mas criticar duramente alguém que entrou a meio e que tenta juntar os cacos é tudo menos inteligente. Dizer ou escrever "volta Lopetegui" em qualquer lugar, olhando a tudo isto, é digno de uma criança mimada que não sabe o que quer ou de alguém que começou a ver futebol há duas semanas.

11 de março de 2016

Uma convocatória que confirma a necessidade de mudar

Em 18 dos convocados do FC Porto para a recepção ao União da Madeira, cinco começaram a época como jogadores da equipa B. João Graça, Francisco Ramos, Víctor García, Verdasca e Chidozie são chamados a uma luta que não estava destinada para eles. Sem querer tirar o mérito ou o valor a qualquer um deles, até porque o primeiro lugar na segunda liga não é obra do acaso, esta situação só é possível por dois motivos: mau planeamento do plantel e má preparação do mesmo.

É tudo menos normal que um plantel composto por 22 jogadores de campo aquando do fecho do mercado em Agosto chegue a esta altura a precisar de recorrer à formação secundária para mais do que preencher uma ou outra lacuna. Então cinco é quase surreal.

Como disse aqui, falta um director desportivo para planear a base do plantel a médio e longo prazo, assim como um staff para trabalhar na sombra, 365 dias por ano, na preparação física e psicológica de cada jogador para que cada um deles, jogue muito ou pouco tempo, muitas ou poucas vezes, esteja nas melhores condições possíveis para responder a cada chamada do treinador.

Se não é normal um plantel ter apenas três defesas-centrais, o que dizer caso o número desça para dois? E quem dá a cara pelo número anormal de lesões musculares que tem castigado grande parte do plantel? É urgente que o clube tome medidas para acabar com estas situações. Mais do que apurar responsabilidades, importa trabalhar para que situações como estas não se repitam.

10 de março de 2016

Inovar para voltar a reinar


Quando se olha em retrospectiva para esta época e para as duas anteriores, há uma coisa além dos campos inclinados a favorecer as equipas da capital que salta à vista: os jogadores do FC Porto parecem mal preparados física e psicologicamente para enfrentar aquilo que é um ano normal no Dragão. São lesões atrás de lesões, baixas de forma incompreensíveis e a incapacidade de alguns jogadores em fazerem dois jogos por semana. Tudo isto tem implicações directas no desfecho de cada partida e tem prejudicado em larga escala as pretensões azuis e brancas.

O que me leva a perguntar: o FC Porto confia aos treinadores a escolha da equipa médica? Então qual é o motivo para lhes confiarem cegamente a preparação física da equipa? É neste ponto que a administração do clube deve inovar. A tão famosa estrutura portista deixou-se apanhar, ou até mesmo ficar para trás, quando comparada com a dos rivais, mas tem de estar à frente de um clube com condições e argumentos para atrair os melhores profissionais nas mais diversas áreas.

Dito isto, proponho à SAD do FC Porto a criação de um departamento de apoio ao treinador. Além da habitual equipa médica, o clube deve contratar também nutricionistas e psicólogos a tempo inteiro, um preparador físico, um recuperador físico, um treinador de guarda-redes e um director desportivo. Este departamento seria responsável por auxiliar directamente o treinador em tudo o que rodeia a equipa para que este tivesse quase como única preocupação a vertente táctica do jogo.

A parte financeira deste projecto não me parece um problema quando se olha à quantidade de administradores e outros corpos que gravitam em torno da SAD, bem como a quantidade de dinheiro que é esbanjado anualmente em contratações duvidosas e mediação das mesmas. O único entrave seria mesmo o facto de a maioria dos técnicos já terem na equipa pelo menos o responsável pela parte física dos treinos. Mas mesmo este problema seria resolvido com a integração dos elementos da confiança do treinador na equipa técnica residente.

Este departamento facilitaria a integração dos novos treinadores, assim como o período de transição quando por qualquer motivo haja uma substituição no comando técnico da equipa. A preparação e recuperação física e psicológica dos jogadores seria inerente ao clube, deixando assim de ser aleatória tendo apenas em conta a competência ou incompetência do treinador ou a resistência natural de cada jogador. Por último, a presença de um director desportivo serviria os interesses do clube para o planeamento dos plantéis a logo prazo sem que com isso deixassem de ser satisfeitas as necessidades dos treinadores no imediato face à forma como idealizam o jogo. Além disso, serviria como uma voz de defesa do clube nas mais diversas situações, algo que é considerado por muitos uma lacuna no presente e num passado recente onde tal responsabilidade coube quase em exclusivo aos treinadores.

A grandeza do FC Porto não garante vitórias por si só, é preciso juntar-lhe muito trabalho. E se os pilares do clube são a ambição, o rigor, a paixão e a competência, há que lhes fazer manutenção constante porque têm sofrido muita degradação nos últimos anos, sendo que neste momento apenas o da paixão se mantém intacto.

8 de março de 2016

Exemplos práticos

«Andam alguns sportinguistas a dizer que se fala muito nos rivais (indo mais ao detalhe que eu e o treinador falamos demais no rival).
Então vamos tentar perceber se faz sentido falar ou não:
1 Ter um jogador, neste caso Slimani, perseguido e condicionado por algo que deveria ter sido decidido imediatamente com um arquivamento, deve ou não ser relembrado constantemente? Esse condicionamento a que está sujeito desde então não é já um castigo contínuo?
Estamos a tentar enganar quem? Desde a vergonhosa aceitação da queixa do benfica que Slimani está a ser constantemente "suspenso" a nível psicológico.
Mas não vamos falar nisto pois temos é de nos concentrar na nossa casa... O Slimani nem é nosso jogador nem é importante;
2 O Sporting CP tem sido alvo de uma campanha articulada e vergonhosa desde o início da época. Uma teia montada para denegrir, manipular e desestabilizar. Alguma "comunicação social" tem sido totalmente conivente com a mesma. Os mais visados têm sido o treinador e eu. Os autores, na sua grande maioria são assalariados ou simpatizantes do benfica. Já para não dizer que um deles é dirigente do clube.
Mas dizem que eu é que estou sempre a falar do vizinho.
Então vamos contar do outro lado quem está sempre a atacar o Sporting CP (e apenas vou dar alguns exemplos): pedro guerra, carlos janela, rui pedro brás, diamantino, gobern, camilo lourenço, nuno farinha do record, fernando guerra de a bola, mais futebol, gomes da silva, antónio figueiredo, octávio lopes, octavio ribeiro, revista sábado, joão gabriel...)
Mas afinal o benfica ataca ou não ataca? Está a utilizar a táctica do desprezo ou a táctica da guerra "suja" e constante?
Mas mandam as regras da "elevação" e do "não desgaste" não falar.
Eles podem mentir, dizer que não pagamos contas e salários, que temos perdões de dívida, pressionar os árbitros, chamar nomes ao Sporting CP e seus representantes, fingir chatices no balneário ou entre mim e o treinador... Isso não interessa para nada.
Mas a verdade é que o que é dito muitas vezes passa a ser verdade e o que eles querem é que nos calemos para que a sua manipulação e desestabilização funcione;
3 O escandaloso caso dos vouchers é arquivado...;
4 O último árbitro que teve coragem de marcar um penalti contra o benfica desceu de divisão e já foi na época passada... (para não falar das gravíssimas acusações por ele feitas que a CS difundiu mas deixou morrer com uma rapidez supersónica)...;
5 Jogadores de equipas adversárias vêm defender os jogadores do benfica em cada lance polémico. Eles dizem que não foram agredidos, eles dizem que não sofreram penaltis.
Mas o que se passa? Estes jogadores tristes com as injúrias sobre colegas de profissão ligam para a comunicação social, ou é a tal "comunicação social" que liga para eles? E liga porquê? Será que não têm o número do Adrien ou do João Mário para falarem dos socos que levaram? Ou do Gelson para lhes explicar como foi agredido com uma pisadela já no chão?
Como diz a canção "Love is in the air - o amor anda pelo ar".
(E escusa de vir o "lider" do belenenses, como li, falar. Se existe um Líder no belenenses devem primeiro avisar os seus associados, pois eles ainda não o descobriram. Eles merecem mais respeito pelo amor que têm a esse grande clube pelo qual tenho estima. Não me parece que mandar em apanha-bolas seja liderar nada. Quando tiverem um Líder a sério e um rumo independente e condizente com a sua grandeza eu responderei ao mesmo);
6 O benfica ainda não viu um atleta expulso esta época;
7 Neste último jogo renato sanches agrediu Bryan Ruiz podendo ter resultado numa perna partida. A equipa de arbitragem viu perfeitamente o lance e deu-lhe apenas cartão amarelo (ver foto anexa). Então ainda no túnel foi dito "entradas com a sola da bota é vermelho". Mas então o que é a sola da bota?
8 Mitroglou empurrou com o ombro e restante corpo o Adrien atingindo-o na cara. Isso foi na grande área. Então ombro na cara não é falta? No mínimo impedir propositadamente um atleta de prosseguir a sua marcha por obstrução ou carga não é falta?
Ler hoje nos jornais que o Adrien chocou contra o ombro do Mitroglou, é triste mas hilariante. Eu bem avisei num post anterior que quem ousa tocar nos cotovelos de jogadores do benfica arrisca-se a ser expulso, agora levar com um ombro na cara, a agressão é da cara... Outra explicação hilariante que li é que Mitroglou já lá estava para a dobra... Sim, com a pancada que deu na cara do Adrien tentou realmente dobrá-lo ao meio!
Já não têm vergonha nenhuma e tem de existir quem não tenha medo de denunciar toda esta "campanha";
9 Agarrar o Slimani dentro da área não é falta?
10 A constante falta de bom senso na nomeação dos árbitros e a não saída imediata de Vítor Pereira.
Nós sabemos que o mais importante é ganhar os jogos, mas quem não percebe que os dez pontos anteriores muitas vezes os decidem, não percebe de futebol.
O futebol fora das 4 linhas tem muita força e condiciona de facto os intervenientes do jogo.
Pelos superiores interesses do Sporting CP não me irei calar!»
Isto, meus senhores, foi escrito por Bruno de Carvalho. Se neste texto não negasse a evidente cotovelada de Slimani a Samaris no jogo da primeira volta, se admitisse que Adrien e João Mário, entre outros jogadores leoninos, são tão bons a dar pancada como os do Benfica e se assumisse que o Sporting andou meia época ao colo estaríamos perante um relato fiel do que tem sido o futebol português em 2015/2016.

Assim mais não é do que uma tentativa de desestabilização do rival Benfica, mas que, em primeiro lugar, tem o objectivo de defender o Sporting. Mais não seja para voltar a ter a ajudinha de quem apita que marcou a ritmo semanal as primeiras jornadas do campeonato e que após esse período foi aparecendo a espaços, porque esta guerra Benfica - Sporting recheada de acusações de benefícios por parte de arbitragem tem trazido ainda mais benefícios a ambos. Sim, é verdade, ambos têm razão! Bruno de Carvalho e companhia podem afirmar que o Benfica foi ajudado aqui e ali, assim como Luís Felipe Vieria e seus pares podem apontar o dedo às arbitragens em vários jogos do Sporting, mas há uma coisa que nenhum deles pode fazer, que é dizer que os outros não tem razão.

E onde fica o FC Porto no meio disto? Fica impedido de lutar pelo título porque não teve quem defendesse os interesses do clube desde o dia 1 deste campeonato e foi-se deixando ser prejudicado até chegar a este ponto em que só algo semelhante a um milagre lhe poderá valer o título de campeão, mas, curiosamente, são esses os mesmos que prontamente decidiram entregar ao departamento jurídico as declarações de Carlos Abreu Amorim que os acusa de se terem acomodado e de serem milionários que enriqueceram no clube e sem causa. No entanto, é a palavra "nepotismo" que me parece ser o alvo dessa resposta abrupta por parte da SAD, só não percebo é o motivo...

Uma coisa é certa, enquanto que estiver à frente do clube não o defender com a mesma energia que defende a si próprio será difícil que o FC Porto volte a ser um clube vencedor.

26 de fevereiro de 2016

Para relembrar os mais distraídos

Este foi o segundo ano consecutivo em que o FC Porto foi jogar à Alemanha com uma defesa remendada. Se no ano passado em Munique foi absolutamente trágico, desta vez a equipa escapou "só" com um 2-0 devido à menor valia do Borussia Dortmund quando comparada com a do Bayern Munique. Em ambos os jogos houve jogadores castigados porque Lopetegui não geria os cartões, ia varrendo para debaixo do tapete até ser impossível ignorar o assunto. Leia-se, quando os jogadores já estavam impedidos de jogar. E foi com Maxi e Danilo castigados na Europa que Peseiro assumiu o comando da equipa. Se juntarmos isto ao escasso número de opções para a defesa e à saída do Maicon as contas são fáceis de fazer.

É muito fácil vir a público analisar números, dizer que com fulano eram marcados não sei quantos golos em média por jogo, que não sei quem era gajo para ganhar quatro segundas bolas por jogo e que a outra defesa só consentia um golo quando o rei fazia anos. Mas o futebol não é basquetebol. No futebol as equipas não têm os segundos contados para atacar, por exemplo. Assim sendo, mais importante que debitar números que se encontram num qualquer site de estatísticas, é perceber o cenário que levaram a esses números.

Dito isto, é relativamente fácil perceber que José Peseiro não teve a menor responsabilidade pela equipa que escolheu para jogar em Dortmund. Aquilo foi o resultado de vários anos de planteis a serem formados sem olhar às vagas especificas para jogadores nacionais (quatro deles formados no clube e outros quatro formados no país) e de um antecessor no comando técnico que não dava a menor importância aos castigos por acumulação de cartões amarelos. No fundo, foi-lhe dado a escolher entre uma saída em estrondo - como no ano passado frente ao Bayern - ou fazer uma abordagem cautelosa e proteger o grupo de uma nova humilhação.

Só para dar um exemplo do que digo em relação à SAD e às vagas para jogadores formados localmente pego na situação do Gudiño. Um jogador tem de jogar três anos num clube entre os 15 e os 21 para ser considerado pela UEFA como formado nessa equipa. O guarda-redes mexicano chegou ao FC Porto com 18 anos, ou seja, com três anos certos até fazer 21 e dessa forma ser considerado como atleta da formação portista. O que decidiram os responsáveis? Emprestá-lo ao União da Madeira e retirar-lhe definitivamente essa possibilidade. Pior: um jogador passa a ser elegível para a lista B quando tem menos de 21 anos e joga há dois anos consecutivos no mesmo clube. Gudiño perdeu também essa possibilidade com este empréstimo e agora o máximo que pode aspirar é a ser considerado como formado em Portugal. Isto se na próxima época não for emprestado para o estrangeiro.

São pequenos detalhes que não deviam ser esquecidos por uma estrutura considerada altamente profissional e que tem consequências a médio e longo prazo. Não se pode depositar as culpas todas sobre um treinador acabado de chegar e que ainda mal teve tempo entre os jogos para preparar a equipa.

Apesar de José Peseiro ser um treinador com a fama de ser mau a preparar a equipa defensivamente, convém relembrar que se não fossem situações como o golo anulado indevidamente a Brahimi contra o Arouca o FC Porto tinha muito provavelmente vencido esse jogo e estava neste momento dependente apenas de si próprio para ser campeão, com os mesmos pontos do Super Benfica e a três do Super Hiper Mega melhor Sporting das últimas décadas. Isto apesar de condicionado por um plantel com poucas opções defensivas, com várias lesões nesse mesmo sector, e, como tem sido repetido sistematicamente até à exaustão, com um treinador que só olha para o ataque.

Faltam 11 jornadas para acabar o campeonato. Com 33 pontos em disputa tudo é possível, principalmente quando existe ainda um Sporting-Benfica e um FC Porto-Sporting pelo meio. Veremos como se comporta o FC Porto a partir de agora com uma semana para se preparar para cada jogo.

25 de fevereiro de 2016

Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD eliminado da Liga Europa


3-0 a favor do Borussia Dortmund foi o resultado do conjunto das duas mãos, numa eliminatória praticamente decidida antes de se jogar o primeiro jogo. A culpa do 2-0 em território alemão tem de ser atribuída directamente à SAD portista, porque graças à deficiente formação do plantel o FC Porto foi forçado a jogar com um onze que foi talvez o mais fraco da história do clube numa competição europeia. Aqui era preciso algo que para muitos já se encontra na categoria dos milagres, mas o Borussia voltou a vencer. Novo golo à tabela, precedido de fora-de-jogo e que acaba com Casillas a meter a bola para dentro da própria baliza após ter feito uma enorme defesa.

Com Layún no centro da defesa e Danilo como médio - opção que apoiei -, José Peseiro escolheu uma equipa mais responsável tacticamente talvez na tentativa de segurar um primeiro ímpeto alemão, mas uma desatenção do árbitro auxiliar deitou por terra qualquer aspiração portista. Depois de uma arbitragem caseirinha na primeira mão, os alemães voltaram a contar com uma ajudinha neste jogo. Ao FC Porto faltou tudo, desde opções para fazer melhor e acabando numa pontinha de sorte nos dois jogos. Sorte essa, diga-se, nunca deixou de estar do lado do Borussia Dortmund.

Ao FC Porto resta agora vencer todos os jogos que faltam para o campeonato enquanto espera pela final da Taça de Portugal que já não deve fugir após o 0-3 em Barcelos. Até lá, José Peseiro terá finalmente tempo para consolidar uma equipa para poder trabalhar-lhe os defeitos e aprimorar-lhe as virtudes. Em jeito de desabafo, espero que Suk faça parte dessa equipa. Olhando à disponibilidade do coreano, chega a ser vergonhoso ver o que Aboubakar (não) faz como titular.

Que esta eliminatória tenha servido de lição aos responsáveis azuis-e-brancos. O que nela aconteceu chega a roçar o amadorismo. Na próxima época exige-se um plantel mais competitivo e mais rico em opções para que situações como estas não se voltem a repetir.

11 de fevereiro de 2016

Rúben Neves ou Chidozie?

A resposta parece simples mas não deveria ser. Face às lesões de Maicon e Marcano, José Peseiro vê-se agora com um enorme problemas entre mãos: decidir se recua o médio em melhor forma para o centro da defesa ou se lança como titular um jovem sem qualquer jogo na primeira liga e que ainda no ano passado era também ele médio. A tentação de colocar Danilo ao lado de Indi deverá levar a melhor sobre o técnico portista, mas Rúben Neves não aparenta ter a capacidade física do ex-Marítimo para disfarçar as deficiências da equipa na transição defensiva. Pede-se por isso que Herrera acorde definitivamente para a vida ou, pelo menos, para este jogo.

Tudo isto era evitável. Bastava a SAD não andar a brincar com a sorte ao ter despachado dois defesas-centrais em Janeiro sem ter contratado ninguém. Lichnovsky foi emprestado para Espanha e Maurício - que apesar de não ser nada de especial era pelo menos um jogador habituado à posição - foi para o Marítimo. Agora a bomba rebentou nas mãos de Peseiro e logo num jogo em que qualquer resultado que não seja a vitória significa um ponto final (se é que já não foi posto no último fim-de-semana) na luta pelo título de campeão.

Que ninguém se engane: isto não é azar, é incompetência e negligência.