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11 de abril de 2016

Já percebeu a diferença?


Já toda a gente sabe que o plantel do FC Porto tem lacunas. Já nem é notícia o facto de o campeonato estar definitivamente afastado da Invicta. Dito isto, impõe-se uma pergunta: porque raio continuam a não deixar o FC Porto ganhar?

O jogo dos dragões em Paços de Ferreira esteve longe de ser brilhante, mas foi mais do que suficiente para ganhar. Nada de extraordinário, mas aceitável por parte de uma equipa sem qualquer motivação e que, apenas para servir como comparação, fez um jogo tão ou mais conseguido do que o actual líder do campeonato havia feito no mesmo terreno. Então por que venceu o Benfica e perdeu o FC Porto?

A resposta é simples: para uns basta cair para ser penálti, para outros não os há de maneira alguma. Jorge Ferreira facilitou a vida aos de vermelho, Fábio Veríssimo aos de amarelo. E, para não ir muito atrás, num curto espaço de tempo o FC Porto foi afastado da vitória pelos árbitros em Braga, no Dragão contra o Tondela e agora na capital do móvel.

Até aceito que se argumente que contra o Tondela havia na mesma a obrigação de ganhar, mas isso não apaga os erros de Bruno Esteves. Já nos outros dois jogos, arrisco a dizer que Xistra e Veríssimo deixaram bem claro que só uma equipa podia chegar à vitória e que não era o FC Porto.

E assim se foi também o segundo lugar. Parece que a Meo terá se se contentar com último lugar do pódio da Liga NOS, o FC Porto com a ideia de ir ao playoff da Liga dos Campeões e à ginástica financeira, enquanto que Benfica e Sporting têm já garantidos os milhões da prova milionária e com eles a garantia que a época 2016/2017 começara já viciada por antecipação.

2 de abril de 2016

O lado errado da barricada


Ainda não há muito tempo jogava-se o Zenit-Benfica e o tema principal dos comentadores da Sporttv era o facto de a Gazprom patrocinar o adversário da equipa portuguesa ao mesmo tempo que era também um dos patrocinadores da UEFA. Isto porque, nesse jogo, os russos chegaram ao golo num lance precedido de falta sobre um defesa do Benfica. O que me leva a deixar a pergunta: a partir de que ano começaram os campos a inclinar sistematicamente a favor de quem veste de vermelho e tem como emblema um pássaro em cima de uma roda de bicicleta? Vamos fazer um breve resumo.

2008/2009 - Primeiro ano em que a Sagres dá nome ao campeonato; FC Porto campeão.
2009/2010 - No Verão de 2009 Benfica e Sagres assinam um contrato de 12 anos, nessa mesma época o campeonato acaba a ser disputado entre as águias e o Braga, também ele patrocinado pela marca de cerveja. Pelo meio fica a história do túnel da Luz, que teve o dom de suspender injustamente por vários meses Hulk, que era só o melhor jogador do campeonato.
2010/2011 - A maior prova de que o campeonato anterior tinha sido uma mentira. FC Porto sagra-se campeão sem derrotas e ainda junta a isso a Liga Europa, Taça de Portugal e Supertaça. Foi o Último ano da Liga Sagres.
2011/2012 - Começa a era Zon Sagres. Um campeonato decidido nos detalhes. O Benfica queixou-se imenso da arbitragem, embora segundo os analistas tenha acabado com mais pontos do que aqueles que merecida e o FC Porto tenha perdido apenas um jogo onde foi fortemente prejudicado pelo, imagine-se, Bruno Paixão.
2012/2013 - Limpinho, limpinho. Este campeonato ficou marcado pelos constantes benefícios da arbitragem ao Benfica, pelo escândalo que foi a arbitragem de Capela no Benfica-Sporting e por Jorge Jesus ajoelhado no relvado do Dragão. Foi assim o segundo ano da parceria Zon/Sagres.
2013/2014 - Aqui o FC Porto chegou a ter cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado. No entanto, a incompetência de Paulo Fonseca e um grupo de decisões de quem apita os jogos menos felizes para uns e extremamente felizes para outros cedo atiraram os azuis e brancos ao tapete. A Sagres volta a ver o Benfica campeão.
2014/2015 - A Sagres deixa de dar nome ao campeonato. que passa a denominar-se Liga NOS, que mais não é do que a fusão entre a Optimus e a Zon. FC Porto e Benfica discutem o campeonato até à última jornada, mas a balança acabou por cair para o lado da equipa que mais "sorte" teve durante o ano.
2015/2016 - O ano dos contratos milionários para os direitos televisivos. FC Porto assina com a PT, Benfica e Sporting assinam com a NOS. Neste momento os dois grandes de Lisboa seguem nos dois primeiros lugares do campeonato e vão discutindo entre eles qual dos dois tem sido mais ajudado. Assim vai a Liga NOS...

Certamente são meras coincidências, ou não fosse tudo gente séria... O FC Porto é que teima em ter os parceiros errados.

13 de março de 2016

Benfica controla as arbitragens e a comunicação social

Que grande parte dos árbitros têm um fraquinho pelo Benfica não é novidade para ninguém. Que os media portugueses dão preferência aos clubes lisboetas, em especial ao que joga de vermelho, já toda a gente sabe. A única coisa a acrescentar nisto tudo é que quem o confirma é o actual treinador do Sporting e que nas seis épocas anteriores esteve no comando do rival Benfica.

Quem não se lembra de Jorge Jesus chorar junto do quarto árbitro por um empurrãozinho da equipa de arbitragem em beneficio do Sporting sob a ameaça "eu sei coisas do ano passado"? O que pouca gente se lembra - ou faz por não se lembrar - é um pouco mais complexo. Sporting - Estoril foi o jogo em questão e a equipa da casa venceu por 1-0 com um golo alcançado através da marcação de uma grande penalidade conseguida em fora-de-jogo mais do que evidente. E o árbitro da partida, de quem Jorge Jesus sabia coisas do ano passado, que era? A pergunta só não dá prémio porque a resposta é demasiado fácil. Isso mesmo, Jorge Ferreira que, entre outras coisas, tem no palmarés, recheado de benefícios sempre em prol dos mesmos, a expulsão de um jogador da equipa da casa no, até esse momento complicado para a equipa lisboeta, Moreirense - Benfica.

Episódios como este, com origem no passado e consequências na época actual, existem vários. E o facto de ninguém pegar neles é simples de explicar: o controlo que os grandes de Lisboa têm sobre a comunicação social. O histórico de favores é enorme e cada vez mais desenvergonhado, por isso não deveria ter espantado ninguém quando o actual treinador da equipa de Alvalade insinuou que sabe muito bem como se planta contrainformação porque o aprendeu no tempo que passou no vizinho da Luz.

Da época passada só uma coisa mudou: além do Benfica, também o Sporting tem andado à boleia de quem apita. Muito pelo facto de Jorge Jesus estar a par de várias coisas do passado e que, como o próprio tem vindo a provar pouco a pouco, não terá problemas em descredibilizar o trabalho que desenvolveu no Seixal só para demonstrar que Luís Filipe Vieira e companhia há muito tempo controlam os apitos em Portugal. Até agora, graças a uma rede de favores bem montada, a generalidade da comunicação social tem conseguido assobiar para o lado como fez quando o ex~´arbitro Marco Ferreira disse em público e com todas as letras que era pressionado pelo Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, para facilitar a vida ao Benfica. Veremos o que acontecerá quando Jorge Jesus perceber que o primeiro lugar está fora do alcance do Sporting e seja ele próprio a afirmar o mesmo.

Entretanto estas forças vão trabalhando na sombra para manter o actual líder, que segue sem qualquer penálti marcado contra, e o FC Porto, única equipa do campeonato sem qualquer adversário expulso, atrás do Sporting. O problema é que os leões não parecem muito satisfeitos com a ideia de ficar em segundo lugar e toda a gente sabe o que acontece quando se zangam as comadres...

12 de março de 2016

Legalização das drogas leves pode trazer momentos hilariantes ao futebol

Jornal Sporting
Recentemente Duarte Gomes lançava a questão - porque não podem os árbitros ser adeptos de um clube? Como todos sabem, o próprio havia admitido num tempo não muito distante ser benfiquista colocando assim o ponto final na especulação criada pelas arbitragens em prol do clube do coração. A resposta é simples: é complicado ser juiz em causa própria.

Compreendo que é natural que qualquer pessoa já seja adepta de um clube muito antes de imaginar sequer a profissão que irá seguir um dia, mas, idealmente, também a classe jornalística também deveria ser isenta e, se possível, não ter qualquer preferência clubistica. Quando o mesmo não se verifica - o que parece ser tradição em Portugal -, o inesperado, e muitas vezes hilariante, acontece.

Se disparates como o que se encontra visível na imagem à direita são se esperar num jornal de um clube como é o caso, o que dizer da mesma mentira quando é reproduzida por um órgão alegadamente isento como é o jornal Record?

Record
Habituei-me com o tempo a deixar de dar importância a esta suposta liga da verdade que o jornal mais sensacionalista do grupo Cofina - seguido de muito perto pelo CM - gosta de fazer, mas tudo tem um limite.

Numa época como esta, em que Sporting e Benfica foram sendo alternada e sistematicamente empurrados para a frente, vir dizer que o FC Porto é, a par com o Paços de Ferreira, a equipa mais beneficiada da liga é das coisas mais absurdas que alguém poderia afirmar. Mais! Não fossem os recentes assaltos de que o FC Porto foi vítima, concretamente em casa com o Arouca e fora contra o Braga, estaria muito próximo do primeiro lugar ou até o ocuparia se o mergulho de Jonas tivesse sido punido como sendo isso mesmo, um mergulho.

Se este tipo de brincadeira tivesse uma origem inocente e não fosse não baixa e suja, até daria para rir, mas assim é só triste. Se esta gente é capaz de escrever estas alucinações quando supostamente estão lúcidas, imagino o que nos esperará caso algum dia as drogas leves venham a ser legalizadas. 

8 de março de 2016

Exemplos práticos

«Andam alguns sportinguistas a dizer que se fala muito nos rivais (indo mais ao detalhe que eu e o treinador falamos demais no rival).
Então vamos tentar perceber se faz sentido falar ou não:
1 Ter um jogador, neste caso Slimani, perseguido e condicionado por algo que deveria ter sido decidido imediatamente com um arquivamento, deve ou não ser relembrado constantemente? Esse condicionamento a que está sujeito desde então não é já um castigo contínuo?
Estamos a tentar enganar quem? Desde a vergonhosa aceitação da queixa do benfica que Slimani está a ser constantemente "suspenso" a nível psicológico.
Mas não vamos falar nisto pois temos é de nos concentrar na nossa casa... O Slimani nem é nosso jogador nem é importante;
2 O Sporting CP tem sido alvo de uma campanha articulada e vergonhosa desde o início da época. Uma teia montada para denegrir, manipular e desestabilizar. Alguma "comunicação social" tem sido totalmente conivente com a mesma. Os mais visados têm sido o treinador e eu. Os autores, na sua grande maioria são assalariados ou simpatizantes do benfica. Já para não dizer que um deles é dirigente do clube.
Mas dizem que eu é que estou sempre a falar do vizinho.
Então vamos contar do outro lado quem está sempre a atacar o Sporting CP (e apenas vou dar alguns exemplos): pedro guerra, carlos janela, rui pedro brás, diamantino, gobern, camilo lourenço, nuno farinha do record, fernando guerra de a bola, mais futebol, gomes da silva, antónio figueiredo, octávio lopes, octavio ribeiro, revista sábado, joão gabriel...)
Mas afinal o benfica ataca ou não ataca? Está a utilizar a táctica do desprezo ou a táctica da guerra "suja" e constante?
Mas mandam as regras da "elevação" e do "não desgaste" não falar.
Eles podem mentir, dizer que não pagamos contas e salários, que temos perdões de dívida, pressionar os árbitros, chamar nomes ao Sporting CP e seus representantes, fingir chatices no balneário ou entre mim e o treinador... Isso não interessa para nada.
Mas a verdade é que o que é dito muitas vezes passa a ser verdade e o que eles querem é que nos calemos para que a sua manipulação e desestabilização funcione;
3 O escandaloso caso dos vouchers é arquivado...;
4 O último árbitro que teve coragem de marcar um penalti contra o benfica desceu de divisão e já foi na época passada... (para não falar das gravíssimas acusações por ele feitas que a CS difundiu mas deixou morrer com uma rapidez supersónica)...;
5 Jogadores de equipas adversárias vêm defender os jogadores do benfica em cada lance polémico. Eles dizem que não foram agredidos, eles dizem que não sofreram penaltis.
Mas o que se passa? Estes jogadores tristes com as injúrias sobre colegas de profissão ligam para a comunicação social, ou é a tal "comunicação social" que liga para eles? E liga porquê? Será que não têm o número do Adrien ou do João Mário para falarem dos socos que levaram? Ou do Gelson para lhes explicar como foi agredido com uma pisadela já no chão?
Como diz a canção "Love is in the air - o amor anda pelo ar".
(E escusa de vir o "lider" do belenenses, como li, falar. Se existe um Líder no belenenses devem primeiro avisar os seus associados, pois eles ainda não o descobriram. Eles merecem mais respeito pelo amor que têm a esse grande clube pelo qual tenho estima. Não me parece que mandar em apanha-bolas seja liderar nada. Quando tiverem um Líder a sério e um rumo independente e condizente com a sua grandeza eu responderei ao mesmo);
6 O benfica ainda não viu um atleta expulso esta época;
7 Neste último jogo renato sanches agrediu Bryan Ruiz podendo ter resultado numa perna partida. A equipa de arbitragem viu perfeitamente o lance e deu-lhe apenas cartão amarelo (ver foto anexa). Então ainda no túnel foi dito "entradas com a sola da bota é vermelho". Mas então o que é a sola da bota?
8 Mitroglou empurrou com o ombro e restante corpo o Adrien atingindo-o na cara. Isso foi na grande área. Então ombro na cara não é falta? No mínimo impedir propositadamente um atleta de prosseguir a sua marcha por obstrução ou carga não é falta?
Ler hoje nos jornais que o Adrien chocou contra o ombro do Mitroglou, é triste mas hilariante. Eu bem avisei num post anterior que quem ousa tocar nos cotovelos de jogadores do benfica arrisca-se a ser expulso, agora levar com um ombro na cara, a agressão é da cara... Outra explicação hilariante que li é que Mitroglou já lá estava para a dobra... Sim, com a pancada que deu na cara do Adrien tentou realmente dobrá-lo ao meio!
Já não têm vergonha nenhuma e tem de existir quem não tenha medo de denunciar toda esta "campanha";
9 Agarrar o Slimani dentro da área não é falta?
10 A constante falta de bom senso na nomeação dos árbitros e a não saída imediata de Vítor Pereira.
Nós sabemos que o mais importante é ganhar os jogos, mas quem não percebe que os dez pontos anteriores muitas vezes os decidem, não percebe de futebol.
O futebol fora das 4 linhas tem muita força e condiciona de facto os intervenientes do jogo.
Pelos superiores interesses do Sporting CP não me irei calar!»
Isto, meus senhores, foi escrito por Bruno de Carvalho. Se neste texto não negasse a evidente cotovelada de Slimani a Samaris no jogo da primeira volta, se admitisse que Adrien e João Mário, entre outros jogadores leoninos, são tão bons a dar pancada como os do Benfica e se assumisse que o Sporting andou meia época ao colo estaríamos perante um relato fiel do que tem sido o futebol português em 2015/2016.

Assim mais não é do que uma tentativa de desestabilização do rival Benfica, mas que, em primeiro lugar, tem o objectivo de defender o Sporting. Mais não seja para voltar a ter a ajudinha de quem apita que marcou a ritmo semanal as primeiras jornadas do campeonato e que após esse período foi aparecendo a espaços, porque esta guerra Benfica - Sporting recheada de acusações de benefícios por parte de arbitragem tem trazido ainda mais benefícios a ambos. Sim, é verdade, ambos têm razão! Bruno de Carvalho e companhia podem afirmar que o Benfica foi ajudado aqui e ali, assim como Luís Felipe Vieria e seus pares podem apontar o dedo às arbitragens em vários jogos do Sporting, mas há uma coisa que nenhum deles pode fazer, que é dizer que os outros não tem razão.

E onde fica o FC Porto no meio disto? Fica impedido de lutar pelo título porque não teve quem defendesse os interesses do clube desde o dia 1 deste campeonato e foi-se deixando ser prejudicado até chegar a este ponto em que só algo semelhante a um milagre lhe poderá valer o título de campeão, mas, curiosamente, são esses os mesmos que prontamente decidiram entregar ao departamento jurídico as declarações de Carlos Abreu Amorim que os acusa de se terem acomodado e de serem milionários que enriqueceram no clube e sem causa. No entanto, é a palavra "nepotismo" que me parece ser o alvo dessa resposta abrupta por parte da SAD, só não percebo é o motivo...

Uma coisa é certa, enquanto que estiver à frente do clube não o defender com a mesma energia que defende a si próprio será difícil que o FC Porto volte a ser um clube vencedor.

21 de fevereiro de 2016

Não é que seja da minha conta, mas...

...em jogo a contar para a Liga Europa, o Sporting recebeu e foi derrotado pelo Bayer Leverkusen. À hora de jogo, e com os alemães a vencer por 0-1 desde os 26 minutos, Jorge Jesus substitui Teo Gutiérrez que decide sair a passo. O público reagiu e brindou o colombiano com uma assobiadela. Quem não gostou foi o treinador português que no final disse que não queria patinhos feios em Alvalade... quase ao mesmo tempo que, talvez para sacudir a água do capote, atirava as culpas da derrota para Semedo, que foi expulso quando faltavam 15 minutos para os 90. Será que Jesus se guia pelo lema "olha para o que eu digo e não para o que eu faço" ou a pressão começa a ser sentida no país das maravilhas?

...o Benfica venceu em Paços de Ferreira por 1-3. Um resultado normal, dirá qualquer um. Mas não, este jogo foi mais um daqueles "anormais" que têm tido forte incidência nas equipas da capital e com alguns nomes em comum. Começando pelo mais recente, no tempo de compensação da primeira parte, Jonas mergulha no meio de dois defesas da equipa da casa e Jorge Ferreira assinala penálti a favor da equipa visitante. O próprio Jonas converte a grande penalidade que inventou a meias com o árbitro de Braga. Na segunda parte, é o árbitro auxiliar que vê uma falta sobre André Almeida idêntica à que o chefe de equipa não viu (e bem) de Samaris sobre o atacante pacense ainda na primeira parte. 1-3, o Benfica volta às vitórias. Um mau jogo toda a gente tem, mas esta equipa de arbitragem não começou a apitar hoje, também foram eles que deixaram passar um fora-de-jogo evidente que deu o penálti e a vitória por 1-0 ao Sporting frente ao Estoril, ou que na estreia de José Peseiro como treinador do FC Porto ignoraram três cargas sobre Maxi Pereira na área do Marítimo, ou que não viram uma falta evidente de Lisandro na área benfiquista no lance em que, por acaso, deu na altura o 2-2 ao Moreirense num jogo que o Benfica acabaria por vencer por 3-2. Diz-se que quando se perde um sentido os outros ficam mais apurados e Jorge Ferreira pode estar próximo de ser a prova disso mesmo, ou não fosse ele o árbitro que puniu um jogador da equipa da casa com vermelho directo por palavras no célebre Moreirense 1-3 Benfica de 2014/2015. Digamos que este trio tem sido um verdadeiro amuleto para os ditos grandes da capital.

Há quem diga que faltou sorte ao Benfica contra o FC Porto. Outros dizem que faltou uma pontinha de eficácia ou uma noite menos inspirada a Casillas. Olhando a isto tudo, eu digo apenas que faltou um Jorge Ferreira qualquer para salvar mais uma noite como já aconteceu esta época em tantas outras.

Uma palavra também sobre Jorge Simão, treinador do Paços de Ferreira. Apesar de não ter motivo nenhum, não teve problemas em chorar depois de ter perdido no Dragão. Achava ele (e mal) que houve falta de Herrera sobre Marafona no lance que deu o único penálti do campeonato a favor do FC Porto. Neste jogo contra o Benfica, que tinha vários motivos para se queixar da arbitragem, preferiu "não ir por aí", palavras do próprio. Já vi máscaras demorarem mais tempo a cair.

11 de novembro de 2015

A vantagem de não ter memória curta

Jorge Jesus, em tom de ameaça, diz que sabe coisas do ano passado. O que ele sabe do ano passado todos nós sabemos: o Benfica foi campeão porque foi ajudado pelas arbitragem jornada após jornada. No entanto, mesmo após o ex-árbitro Marco Ferreira - que, dizem as más-línguas, foi despromovido porque o jogo dos encarnados em Vila do Conde não correu como o presidente do Conselho de Arbitragem gostaria - ter denunciado pressões por parte de Vítor Pereira sobre os árbitros nas semanas em que estes iam apitar os jogos do Benfica, toda a gente continua a agir como se ninguém soubesse de nada e tentam a todo o custo guardar um segredo que nunca o foi. As caixas com a camisola do Eusébio que valiam jantares para um sem número de pessoas eram o mínimo que um clube poderia fazer perante um trabalho fundamental na renovação do título de campeão.

Um ano depois tudo está diferente. Não sei porquê - suponho que por medo que Jorge Jesus dê um tiro no próprio pé e afirme com todas as letras que o Benfica só foi campeão devido ao colinho monumental -, parece ser o Sporting a beneficiar do estatuto de equipa a empurrar para o topo da tabela. Em Tondela um lançamento dentro de campo dá origem a uma grande penalidade e o golo da vitória ao cair do pano; em Alvalade, contra o Estoril, o fiscal-de-linha faz vista grossa a um fora-de-jogo evidente que nem dois segundos depois se transformou num penálti e em nova vitória dos leões; no último domingo, em Arouca, Naldo comete uma falta do tamanho do mundo quase dentro da pequena-área do Sporting mas Cosme Machado nada assinala. Três jogos com vitórias pela margem mínima, três jogos com dedo da arbitragem.

É fundamental que o FC Porto esteja atento e que obrigue quem de direito a pedir a Jorge Jesus que diga o que sabe do ano passado para que os árbitros não o vão mantendo calado com estes docinhos. Já bastou perder no ano passado devido à passividade com que se encararam os benefícios sistemáticos ao Benfica, permitir o mesmo esta época seria impensável.

P.S.: Em relação ao lance do Naldo em Arouca...



...só não vê o jogador do Sporting a atirar-se para cima do avançado da equipa da casa quem não quer ou quem é cego. Recomendo que tanto o Cosme Machado como o Jorge Coroado, o José Leirós e o Pedro Henriques vão ao oftalmologista o mais rapidamente possível. Caso esteja tudo normal, serei obrigado a colocar a honestidade de todos eles em causa.

17 de agosto de 2015

Um filme já visto

Há pelo menos duas coisas em que a Televisão portuguesa é rica: filmes repetidos e intervalos gigantes. Este fim-de-semana foi mais do mesmo.

Com o primeiro terço da obra cinematográfica que conta a história de uma qualquer jornada de um campeonato de futebol a ser exibido logo na noite de sexta-feira, foi-nos possível ver um jogo de futebol carregado de incertezas até ao último segundo e que acaba por ficar decidido num lance em que um jogador efectua um lançamento de linha lateral dentro de campo mesmo nas barbas do fiscal-de-linha e, por ironia do destino, essa irregularidade dá origem ao golo que oferece a vitória por 1-2 a um dos - embora auto-denominado - candidatos ao titulo de campeão. Depois disto, intervalo de quase 24 horas.

Na noite de sábado o filme continua mas pouco de relevante acontece. Outro dos candidatos, talvez o maior de todos, vence por 3-0 um jogo que dominou por completo. O adversário pouco conseguiu fazer tal foi a forma como foi dominado. Depois disso foi preciso esperar novamente perto de 24 horas para saber como seria o desfecho deste enredo.

Eis que chega a noite de domingo. Novo jogo e novos desenvolvimentos. A equipa da casa começa de forma tremida e logo à passagem do minuto 15 devia ter visto o árbitro assinalar-lhe uma grande penalidade contra, mas, como seria fácil de prever para quem seguiu a história com atenção, nada foi marcado e a partida continuou. Perto do intervalo de jogo mais do mesmo: um jogador dos anfitriões comete falta para penálti mas que escapou aos olhos de toda a equipa de arbitragem. A segunda parte da partida foi muito rápida. Novo castigo máximo por assinalar contra os visitados que, pouco depois chegam ao 1-0, seguindo-se o 2-0 através da conversão de uma grande penalidade mal assinalada contra os visitantes e num fôlego chegam os terceiro e quarto golos. Fim do jogo; goleada.

Para quem não se recorda, este filme foi repetido vezes sem conta nos últimos 12 meses. Por isso desengane-se que acha que a vergonha que foi o último campeonato faz parte do passado porque não faz. A época 2015/2016 começou tal e qual como a 2014/2015, onde foi possível ver o Benfica ser fortemente ajudado pela N.ª Sr.ª do Amparo. O aviso foi feito há um ano mas vale a pena repetir: não basta ao FC Porto ter a melhor equipa porque o Benfica com um bocadinho de ajuda transforma com facilidade uma exibição cinzenta numa vitória por números expressivos.

Que desta vez a estrutura portista não acorde tarde demais.

4 de março de 2015

Rivalidades

O futebol é feito de rivalidades e, historicamente, os adeptos de FC Porto, Benfica e Sporting têm obrigações uns perante os outros. Portista que nunca elogiou perante um amigo benfiquista a venda de Garay por €6M ou mencionou o facto de o Sporting já não perder há duas semanas mesmo sabendo que não houve jogos nesse período, está a falhar perante elas. Claro que temos de estar mentalizados para ouvir algumas coisas que não vamos gostar, mas as rivalidades a isso o obrigam.

Felizmente que a rivalidade com o Benfica tem estado sempre presente e vai dando para manter o pessoal concentrado. Ainda me lembro de há uns anos, nas primeiras jornadas de um campeonato que começou mal para os lados da Luz, me perguntarem se sabia a diferença entre o Benfica e uma joaninha. A resposta era simples e deliciosa: a joaninha tem pontos. E a vontade de ver o Benfica perder está sempre presente, mesmo na pré-época quando jogam contra uma equipa qualquer da terceira divisão da Suiça.

Com o Sporting já não era bem assim há uns tempos. E acho que se percebe que um clube bateu no fundo quando os adeptos rivais começam a ficar indiferentes ou até mesmo a desejar-lhe vitórias. Foi isto que aconteceu com o Sporting nos últimos tempo. Nunca cheguei ao ponto de estar a torcer por eles, mas quando ganhavam não me incomodava minimamente. Se calhar percebi tudo mal e nos últimos anos o Sporting não esteve fraco - se repararmos tem o dobro dos campeonatos do Boavista nos últimos 30 anos -, simplesmente decidiu alargar o leque de rivais ao Rio Ave, Académica, Vitória de Guimarães, etc. Por isso, temos muito a agradecer a Bruno de Carvalho. É com satisfação que vejo os portistas a deixarem novamente a olhar para o Sporting como se fosse um animal de estimação e que o voltem a respeitar como um rival: desejando-lhe a derrota. Sempre.

Esta falta de noção da rivalidade entre FC Porto e Sporting é um dos factores que levam a que os Dragões não vençam em Alvalade desde 2008 mesmo tendo equipas por vezes muito superiores. Enquanto o FC Porto ia encarando esses jogos como mais um, o Sporting faz questão de o tratar como deve ser tratado. Vejo essa indiferença portista a mudar nos últimos tempos e acredito que o clube só tem a ganhar com isso.

É que eles, sportinguistas, vão-se agarrando ao que podem para tentar gozar connosco. Vejamos:

 

Os pobres desgraçados acreditam genuinamente que os portistas lhe copiam os cânticos e até os meios oficiais do clube tentam passar essa ideia. O que me espanta é eles não acharem estranho que as claques portistas só cantem o "Só eu sei" precisamente em jogos contra o Sporting. Mas vamos dar-lhes esse prazer e continuar a fazer de conta que foram plagiados. Porque, além disso, pouco mais lhes resta.

3 de março de 2015

Quando um hat-trick rouba o prémio de MVP, o alegado cansaço do Sporting e Artur Soares Dias

Acho injusto que o prémio de melhor em campo seja atribuído àquele que marcou um golo, embora entenda que um hat-trick num jogo desta importância não deixe grande margem de manobra. Tello foi considerando o MVP do clássico, deixando para trás Jackson Martínez que, não tenho dúvidas, foi o jogador-chave do FC Porto. Tello teve o dom de (finalmente!) aproveitar um trabalho colectivo que lhe permite jogar quase como Wide Receiver ao estilo do futebol americano, sem qualquer preocupação defensiva, deixando o apoio a Danilo entregue a Casemiro e Herrera, com Jackson a ajudar a apagar os fogos a meio-campo resultantes desta peculiar Simbiose. O avançado colombiano tem o dom de se adaptar com facilidade ao companheiros e, ao contrário da moda para a posição, está disposto a ser aquele que serve a equipa em vez de esperar ser servido por ela. A jogar como no passado domingo e em muitos outros jogos, Jackson podia acabar o campeonato sem qualquer golo que não deixaria de ser um enorme destaque na equipa do FC Porto. Acho que não pode haver maior elogio para um ponta-de-lança do que este.

Claro que o trabalho do FC Porto desenvolveu pouco ou nada importaram para os experts. Os verdadeiros motivos foram o desgaste do Sporting e uma má noite de Jonathan Silva. Em primeiro lugar, não posso deixar de dizer que se trata de uma análise um bocadinho primitiva por parte dos opinion-makers ao atribuir a culpa dos três golos ao lateral argentino. "Quem marcou os golos? Foi o extremo-direito? Então a culpa foi do lateral-esquerdo adversário". Não, não é assim que nada disto funciona. O que pode fazer um defesa quando está um para um com um extremo muito mais rápido e quando o resto da defesa está demasiado recuada quer para impedir o Jackson de jogar à vontade, quer para definir uma linha de fora-de-jogo a Tello? Isso então é demasiado evidente no segundo golo, onde Cédric está dois ou três metros atrás dos restantes companheiros de sector. Marco Silva foi traído pela estratégia de pressão alta, com os médios João Mário e Adrien a pressionar bem alto a saída de bola do FC Porto, talvez por não contar com Evandro a tirar William da posição 6 e com Jackson a aproveitar essa "no man's land" para jogar à vontade.

Depois há a questão do desgaste dos jogadores do Sporting. Quem foram os melhores em campo na equipa verde-e-branca? Para a imprensa desportiva foram Paulo Oliveira, William Carvalho, João Mário e Cédric. Curiosamente, todos eles jogaram 90 minutos no empate a zero com o Wolfsburg. Adrien, um dos mais apagados no Dragão, foi substituído aos minuto 64 no jogo europeu já depois de não ter alinhado um único minuto na jornada anterior. No clássico também saiu com o jogo em 60 minutos. Montero, que também não teve uma noite feliz, jogou 12 minutos na passada quinta-feira e também ele não foi utilizado frente ao Gil Vicente. Carrillo fez 30 minutos como suplente utilizado na jornada anterior e actuou cerca de 80 minutos tanto na Liga Europa como frente ao FC Porto. Mesmo em minutos acumulados os jogadores do Sporting estão um bocado atrás dos Dragões. Excluindo os guarda-redes, só William Carvalho (2602 minutos) se aproxima de Jackson e Danilo (2811 e 2749 minutos, respectivamente) na lista dos mais utilizados. Por exemplo, numa comparação directa, Herrera tem sensivelmente os mesmos minutos que Adrien e mais 200 do que João Mário. No entanto, o mexicano acabou o jogo em alta enquanto Adrien, como já referi, foi substituído relativamente cedo na partida e João Mário acabou visivelmente esgotado. Danilo, que esteve em dúvida para o jogo por lesão e que até saiu lesionado, não teve qualquer problema em secar Nani que até tem menos sensivelmente 400 minutos nas pernas. Mesmo Carrillo tem menos 100 do que Alex Sandro. Se o problema fosse mesmo o cansaço, porque é que o Marco Silva deixo o Carlos Mané, que tem estado bem,fora dos convocados? Dito isto, não será simplesmente a equipa do FC Porto superior à do Sporting ou a estratégia de Lopetegui melhor que a de Marco Silva?

No fim do jogo tive oportunidade de escrever o seguinte sobre o trabalho da equipa de arbitragem: "Artur Soares Dias fez uma daquelas arbitragens habilidosas, onde tudo o que era faltinha contra o FC Porto era assinalada enquanto que os jogadores do Sporting iam jogando duro à escala que bem entendessem. O árbitro portuense mandou jogar em três lances duvidosos na área dos leões, perdoou o cartão amarelo a João Mário por falta dura sobre Herrera, enquanto Cédric ainda está a tentar perceber como acabou o jogo. Já Danilo e Alex Sandro levaram cartões amarelos absolutamente ridículos. Há que começara a arrepiar caminho a ver se algum deles chega ao 9.º para o grande dia... Escaparam os árbitros auxiliares, que decidiram bem em todos os lances, ao contrário do que já aconteceu por imensas vezes neste campeonato".

Curiosamente, a arbitragem do clássico foi ao encontro do que Artur Soares Dias já fez no passado, como o exemplo que também descrevi aqui ainda na semana passada: "Mais do que o amolecimento do Estoril (5.º amarelo exibido aos dois defesas-centrais dos estorilistas) para a visita à Luz nesta jornada, importa tentar não lembrar a arbitragem habilidosa no Benfica-FC Porto da época passada onde, talvez para também ele homenagear Eusébio, interrompeu uma jogada em que Jackson seguia isolado para a baliza encarnada para marcar uma falta a meio campo e transformou duas faltas de Garay dentro da grande-área do Benfica sobre jogadores portistas, Quaresma e Danilo, em simulações, sendo que a Danilo lhe valeu o segundo cartão amarelo e o respectivo vermelho. Curiosamente ou não, o primeiro foi mostrado na sequência dos protestos feitos no lance interrompido ao Jackson".

Olhando a estes factos, faz-me um bocado de confusão que Pinto da Costa tenha decidido fazer vista grossa ao trabalho do árbitro no jogo de domingo. Não pode estar tudo bem simplesmente porque o FC Porto ganhou. Erros são erros e num campeonato como este, onde a tendência dos mesmos começou a ser definida desde muito cedo, não se pode estar com paninhos quentes. Artur Soares Dias fartou-se de inventar faltas ao ataque portista dando com isso um empurrãozinho ao Sporting, que ia aproveitando para sacudir a pressão. Num dia mau do FC Porto teria sido o suficiente para inclinar completamente o campo. Entristece-me que se desculpabilize desta forma os tais erros flagrantes que o próprio Pinto da Costa mencionou. Não se pode baixar a guarda desta maneira só porque se ganhou e não percebo o que fez mudar a opinião do Presidente que ainda na época passada afirmou que o árbitro portuense "tem que deixar a arbitragem ou pedir escusa dos jogos do FC Porto".

P.S.: Em Espanha já os toparam...

1 de março de 2015

Três secos e sem espinhas


O Sporting regressa a Lisboa com um 3-0 na mala e com a ideia que até teve sorte. Apesar disso, o jogo não foi fácil para o FC Porto que começou algo nervoso mas que aos 20 minutos de jogo já dominava completamente. O Sporting jogou sempre fechado à procura de um erro que lhe permitisse chegar ao golo, mas esse erro nunca apareceu e o Fabiano acabou por ter uma noite descansada onde não teve de fazer uma única defesa. Mas a Sporttv foi quem mais perdeu esta noite, uma vez que ao minuto 58 viu o share descer em 50%...

Tello teve uma noite de sonho e marcou três golos em outras tantas jogadas em nada diferentes às muitas que já desperdiçou esta época. A velocidade do espanhol foi essencial para desmontar um Sporting apostado em segurar o empate. Jackson continua um monstro cada vez mais difícil de descrever e Casemiro - o jogador com mais recuperações no campeonato segundo os números da Sporttv - continua a ser aquele que tem de dar o corpo à maioria das balas adversárias.

De um momento para o outro, aquilo que aos olhos da generalidade da comunicação social era um Super-Sporting capaz de se bater com qualquer equipa e que andava cheio de peito, voltou a ser o coitadinho que joga com não sei quantos jogadores portugueses e mais uns quantos da formação, que tem gasta um terço no futebol do que gasta o FC Porto e que não está preparado para jogar duas vezes por semana. Só não sei para onde tinham ido estas ideias quando o Benfica foi a Alvalade jogar fechadinho para o empate. O padrão é sempre o mesmo: FC Porto, adversários fracos ou a atravessar um mau momento; Benfica, adversários fortes ou numa excelente forma.

Artur Soares Dias fez uma daquelas arbitragens habilidosas, onde tudo o que era faltinha contra o FC Porto era assinalada enquanto que os jogadores do Sporting iam jogando duro à escala que bem entendessem. O árbitro portuense mandou jogar em três lances duvidosos na área dos leões, perdoou o cartão amarelo a João Mário por falta dura sobre Herrera, enquanto Cédric ainda está a tentar perceber como acabou o jogo. Já Danilo e Alex Sandro levaram cartões amarelos absolutamente ridículos. Há que começara a arrepiar caminho a ver se algum deles chega ao 9.º para o grande dia... Escaparam os árbitros auxiliares, que decidiram bem em todos os lances, ao contrário do que já aconteceu por imensas vezes neste campeonato.

O jogo teve ainda a curiosidade de ter Indi a jogar os últimos minutos como lateral-direito. Imagino como se tenham sentido aqueles que olham de lado a uma dupla de defesas-centrais composta por dois esquerdinos ao verem um defesa-central esquerdino jogar na direita da defesa. Muitos portistas deixam-se levar na cantiga dos comentadores que fazem da dupla Indi-Marcano um problema por ambos usarem preferencialmente o pé esquerdo, quando para jogar no FC Porto nunca deve ser o pé preferido mas sim a competência. Competência que não faltou a Evandro, a grande novidade de Lopetegui no onze. O brasileiro não acusou a pressão de substituir Óliver e teve uma actuação muito positiva.

Para terminar deixo uma pergunta extra-Clássico: o que Pintassilgo, Miguel Oliveira e Rui Sampaio têm em comum com Yohan Tavares e Rúben Fernandes?

P.S.: Notícia Record no rescaldo deste FC Porto 3-0 Sporting: Benfica supera FC Porto nos golos marcados. Parece que foram mesmo os encarnados os grandes vencedores da jornada...

27 de fevereiro de 2015

Um FC Porto diferente no Clássico?

A lesão de Óliver Torres veio baralhar por completo as contas no meio-campo portista. Até aí, o espanhol formava com Herrera e Casemiro a tripla preferida de Lopetegui, sendo que Rúben Neves era quem estava mais próximo de poder agarrar a titularidade. Óliver era indiscutível para o técnico espanhol, que também não abdica do poder de choque e do bom jogo aéreo de Casemiro e tem em Herrera o responsável por procurar espaços vazios em zonas adiantadas. No entanto, é de notar que o mexicano vem perdendo fulgor há uns jogos a esta parte e que a equipa tem melhorado bastante sempre que Rúben Neves é chamado a jogar perto de Casemiro.

Olhando a estes factos, será de esperar que o jovem português esteja na equipa titular frente ao Sporting no próximo domingo. Com Casemiro de pedra e cal resta apenas uma vaga para o centro do terreno. Em condições normais seria Herrera a manter a titularidade, mas o facto de ter vindo a dar sinais de cansaço - aliado às exibições sofríveis que a tripla Casemiro-Rúben-Herrera fez nos primeiros jogos da época - pode mudar as ideias de Lopetegui. Poderá a lesão de Óliver custar a titularidade ao médio mexicano? É provável e as notícias dos últimos dias apontam nesse sentido. Na segunda-feira o Record dizia que "Evandro agrada a Lopetegui", enquanto que ontem foi O Jogo a adiantar que Brahimi tem sido testado a médio. Aliás, o argelino entrou mesmo para a posição 10 no jogo frente ao Boavista e foi fundamental para desmontar a muralha idealizada por Petit. Com um Sporting mais desgastado em virtude do jogo de ontem, será de esperar um FC Porto mais pressionante e mais virado para o ataque do que o que seria normal?

Neste momento nem o próprio Lopetegui terá decidido ainda a equipa que fará alinhar no domingo, embora as dúvidas se centrem praticamente nas alas do ataque e no terceiro elemento do meio-campo. Evandro nunca foi aposta regular como titular, Herrera vem decréscimo na qualidade das exibições, Quaresma tem estado bem e Tello foi quem deu os dois golos que valeram a vitória no Estádio do Bessa. Tudo dependerá agora de Brahimi, que tem até ao último treino antes do jogo para convencer o treinador que merece ser titular, seja como extremo ou atrás de Jackson.

25 de fevereiro de 2015

Prestidigitação


O desvio da atenção é o principio fundamental do Ilusionismo. Normalmente utiliza-se um movimento maior e mais espalhafatoso para ocultar outros mais subtis mas de maior importância. Ontem, Portugal assistiu a um número de ilusionismo protagonizado por José Eduardo Moniz com João Gabriel como assistente.

No dia em que foi dado a conhecer ao público que a Comissão de Instrução de Inquéritos decidiu abrir um inquérito à acusação feita a Luís Filipe Vieira por Bruno de Carvalho (manipulação de resultados, para os mais distraídos) e que João Capela e Artur Soares Dias são os escolhidos para apitar os jogos Benfica-Estoril e FC Porto-Sporting, respectivamente, eis que saem da toca os há muito desaparecidos vice-presidente e director de comunicação do Benfica.

Talvez não seja do interesse do clube que representam que se fale muito sobre o esquema proposto por Luís Filipe Vieira a Bruno de Carvalho, que após recusa do presidente leonino parece mesmo ter sido levado avante a solo pelo presidente das águias. Mesmo a nomeação de Capela, que não sofre golos pelo Benfica há 1080 minutos, não parece ser um tema apetecível para os lados de Carnide, principalmente depois do verdadeiro show protagonizado por este no famoso Benfica-Sporting de 2012/2013. E que dizer de Artur Soares Dias? Mais do que o amolecimento do Estoril (5.º amarelo exibido aos dois defesas-centrais dos estorilistas) para a visita à Luz nesta jornada, importa tentar não lembrar a arbitragem habilidosa no Benfica-FC Porto da época passada onde, talvez para também ele homenagear Eusébio, interrompeu uma jogada em que Jackson seguia isolado para a baliza encarnada para marcar uma falta a meio campo e transformou duas faltas de Garay dentro da grande-área do Benfica sobre jogadores portistas, Quaresma e Danilo, em simulações, sendo que a Danilo lhe valeu o segundo cartão amarelo e o respectivo vermelho. Curiosamente ou não, o primeiro foi mostrado na sequência dos protestos feitos no lance interrompido ao Jackson.

Uma jogada de mestre por parte do Benfica, que nos últimos tempos tem mantido algumas divergências com o Sporting, mas em semana de FC Porto-Sporting vira as atenções para cima do maior rival na luta pelo titulo, o FC Porto. Isto tudo, claro, porque não quer que o público esteja com muita atenção aos truques que se vão fazendo no Estádio da Luz.

30 de outubro de 2014

As principais diferenças entre FC Porto, Benfica e Sporting

Este ano a luta pelo titulo de Campeão de Portugal promete ser quente. Decorridas que estão oito jornadas, os três grandes, como tantas vezes já aconteceu no passado, encontram-se em boa posição para conquistar o campeonato e certo é apenas que só um o poderá fazer. O que pretendo neste post é analisar a equipa-base e o plantel de FC Porto, Benfica e Sporting sem entrar em grandes comparações de qualidade. O objectivo é tentar perceber o que cada um pode dar à respectiva equipa e não se, por exemplo, o Eliseu é melhor que o Jonathan ou vice-versa.

Lopetegui, Jorge Jesus e Marco Silva têm formas muito diferentes de pensar o jogo, mas, curiosamente, todos montam a equipa tendo por base jogadores com características ou princípios de jogo semelhantes. Uma defesa a quatro com laterais capazes de apoiar o ataque; um médio-defensivo forte fisicamente, com capacidade para ser o quinto defesa mas também com técnica suficiente para iniciar a construção de jogo; dois médios mais adiantados em que um deles tenta ser o cérebro da equipa enquanto o outro funciona como uma espécie de quarto avançado sempre que tem oportunidade; um extremo rapidíssimo; um avançado capaz de marcar golos e de servir de ligação entre o meio-campo e o ataque; e um extremo capaz de jogar também pelo centro e que quando tudo falha ser ele a decidir o jogo numa jogada de inspiração. Na baliza e no centro da defesa não há nada de relevante a apontar, quase todas as equipas do mundo procuram o mesmo tipo de jogadores: certinhos e que não comprometam muito.


As principais diferenças prendem-se ao que cada treinador pede aos jogadores. Marco Silva, talvez motivado por uma defesa algo débil, é aquele que aborda o jogo de forma mais cautelosa. Não tem problemas em recuar as linhas e jogar de forma mais feia para o espetáculo, privilegiando o contra-ataque e recorrendo à falta frequentemente para parar as iniciativas adversárias. Jorge Jesus, por sua vez, é dos três o que pensa de forma mais atacante - a notícia Record é a prova disso mesmo. Combinações rápidas e muita gente próxima à área adversária é a forma como o treinador encarnado idealizada o futebol. Quando a equipa perde a bola tem ordem (e impunidade) para recorrer à falta e reagrupar em zonas recuadas. No entanto, é também Jorge Jesus aquele que mais se acobarda quando tem de defrontar adversários de valia igual ou superior, tendo já recebido por diversas vezes criticas dos próprios benfiquistas em virtude disso mesmo. Lopetegui é, talvez, o mais equilibrado. O espanhol já mostrou que pretende que a equipa assuma o jogo e procuro ter a bola sempre que possível sem que sinta uma necessidade irracional de procurar a baliza.

A forma como se comportam os laterais e o meio-campo é onde se nota mais as disparidades entre as equipas. Olhando aos habituais titulares, tanto como no FC Porto como em Benfica e Sporting, os laterais costuma ter liberdade para explorarem os corredores. Apesar disso, a forma como o fazem é um reflexo do já falado em cada treinador: mais cautelosos os do Sporting, mais ousados os do Benfica e mais equilibrados os FC Porto. Na minha opinião, quem apresenta mais dificuldades em desempenhar o papel que a estratégia exige é Cédric do Sporting, o que pode significar que perca o lugar para Miguel Lopes - ou para o próprio Esgaio que esteve muito bem no Clássico no Estádio da Luz - a médio prazo, à imagem do que aconteceu com Jefferson e Jonathan. No meio-campo uma pequena curiosidade: enquanto no Benfica e no Sporting são Adrien e Enzo, respectivamente, os chamados box-to-box deixando mais soltos João Mário e Talisca para distribuírem jogo ou funcionarem como segundo ponta-de-lança, no FC Porto é Herrera quem joga mais adiantado deixando Quintero a construir é zonas mais recuadas. As três equipas têm definidos um 6, um 8 e um 10, variando apenas os papeis que lhes são atribuídos.

Chegando ao ataque encontramos os jogadores-chave de cada equipa. Toda a gente sabe da valia que Jackson tem para o FC Porto, assim como Slimani para o Sporting e menos um bocado Lima para o Benfica (veremos o que pode trazer Jonas), assim como as dificuldades que a velocidade de Tello, Carrillo e Salvio trazem para as defesas contrárias, mas é em Brahimi, Nani e Gaitán que habita a capacidade de fazer verdadeiramente a diferença. A qualidade individual destes três pode ser confundida com a dos companheiros de equipa que jogam no flanco oposto, mas as soluções que cada um deles oferece são muito diferentes. O jogo de Tello, Carrillo e Salvio torna-se previsível e mais fácil de anular quando encontram adversários tão bem preparados fisicamente como eles, uma vez que procuram quase sempre o mesmo tipo de jogada. Brahimi, Nani e Gaitán são diferentes, são jogadores capazes de levantar a cabeça e decidir. O sucesso de cada equipa passa muito por eles e é natural que num dia menos bom de um deles a equipa acuse isso.

A forma como os planteis são formados é também muito semelhante (uma vez mais sublinho que não estou a comparar a qualidade mas sim o tipo de jogador que cada equipa procura), até no detalhe de contar com um jogador capaz de desempenhar várias posições de forma competente. Os Dragões têm Ricardo, os Leões contam com Esgaio e as Águias com André Almeida. Assim sendo, onde poderá ser feita a diferença?

Na minha opinião será campeã a equipa que conseguir manter em forma o seu melhor onze durante mais tempo. O FC Porto parece ser a equipa que tem mais profundidade de plantel e maior equilíbrio entre titulares e suplentes. Lopetegui tem tentado fazer uma utilização ampla dos recursos que tem ao seu dispor, talvez até um pouco cedo demais. No entanto, poderá colher frutos na segunda metade da época pois contará com um maior número de jogadores em boa forma e familiarizados com os processos da equipa. Ainda mais importância ganha se um ou ambos os adversários directos forem eliminados das provas europeias (não apenas da Liga dos Campeões) como parece estar destinado a acontecer. Marco Silva conta com boas alternativas para o ataque mas estas parecem escassear na defesa e no meio-campo. Veremos como a equipa responde quando lhe faltar dois ou três dos habituais titulares. A não ser, claro, que o Sporting consiga um par de boas contratações em Janeiro que dêem mais alternativas ao treinador. O mesmo quase que poderia ser dito sobre o Benfica. Tanto que tem sido notícia que Jorge Jesus não confia no Banco fruto de ter feito apenas uma substituição nos jogos frente ao Sporting e ao Sporting de Braga onde, curiosamente, não venceu nenhum deles. Além disso, tem sido comum o Benfica de Jorge Jesus quebrar fisicamente no último terço do campeonato.

Veremos como cada equipa reage aos imponderáveis - alguns deles, como por exemplo a arbitragem, não têm sido assim tão difíceis de prever - e a forma como respondem às adversidades. Todos os pontos contam e cada um que seja perdido é um passo atrás na corrida pelo primeiro lugar.

29 de outubro de 2014

O clube mais representativo de Portugal

Sejamos sinceros: o Sporting nem sempre foi o melhor e maior clube em Portugal. Bruno de Carvalho disse recentemente que "nós (Sporting) representamos Portugal, os outros representam províncias ou bairros". Os outros são FC Porto e Benfica, sendo que este último foi quem dominou o futebol português até à década de 80, antes do grande boom verde e branco. O propósito deste post é contar a história que levou o Sporting ao topo do futebol em Portugal, na Europa e no Mundo.

Até 1987 o Benfica era o único clube português que havia vencido a Taça dos Campeões Europeus, feito que havia logrado por duas vezes. Nesse ano, fruto de uma equipa de sonho, o Sporting consegue chegar à final da prova e vencer por 2-1 os alemães do Bayern de Munique. Para isso muito contribui um golo de calcanhar - que deu o empate a um - e que ainda hoje está presente na memória de todos os sportinguistas e de todos os amantes do desporto rei. Com esta primeira conquista internacional, o Sporting começava a construir as bases para chegar ao lugar que ainda hoje ocupa, o de clube com mais títulos do futebol português. Mas engane-se quem acha que o Leões ficaram por aqui. Na época seguinte o clube da capital portuguesa venceu a Supertaça Europeia após vencer o Ajax por 1-0 em cada uma das duas mãos (actualmente a prova é disputada apenas em um jogo realizado em campo neutro) e chega ao topo do mundo com a vitória na Taça Intercontinental. Num jogo épico devido ao frio extremo que cobriu o campo de neve, o Sporting consegui vencer o Peñarol por 2-1 já no prolongamento após o empate a um no tempo regulamentar. Em Portugal, até à data de hoje, só o Sporting venceu estes dois troféus (Supertaça Europeia e Taça Intercontinental).

16 anos depois o Sporting volta às finais europeias. Pelo meio, entre outras vitórias, ficaram duas dobradinhas e um pentacampeonato, fazendo a supremacia dos Leões ser demasiado evidente. Desta vez coube aos escoceses do Celtic, curiosamente conhecidos como "Leões de Lisboa", serem derrotados por 3-2 no prolongamento de uma final emocionante da Taça UEFA que dava empate a dois golos no final dos noventa minutos. Uma vez mais, trata-se se um feito inédito pois até ao presente ainda mais nenhuma equipa portuguesa conseguiu vencer o troféu. Mesmo tendo já um dos rivais do Sporting, em 2004/2005, ter chegado à final que foi realizada no próprio estádio. Imagino como terá sido hilariante para os sportinguistas assistir à derrota de um rival que tinha a vantagem de jogar no próprio reduto.

Com a vitória na Taça UEFA chegou a possibilidade de disputar a Supertaça Europeia e com ela chegou o primeiro dissabor internacional. O Sporting perde por 0-1 com o campeão europeu em titulo, o AC Milan. Apesar disso, a equipa mostrou de que fibra era feita e acabou a época com um dos maiores feitos do futebol mundial: vencendo a Liga dos Campeões. 2003/2004 foi o época que trouxe o Sporting de volta ao topo do futebol europeu, feito inacreditável tendo em conta a realidade económica em Portugal quando comparada com países como Alemanha ou França, ou a qualidade do campeonato quando comparada com o inglês, o espanhol ou o italiano. 3-0 foi o resultado na final frente aos "franceses" do Mónaco. Na época seguinte, nova derrota na Supertaça Europeia (1-2 frente ao Valência) e nova vitória na Taça Intercontinental. Neste jogo o Sporting foi bastante prejudicado pela arbitragem pois teve dois golos mal invalidados e também se pode queixar da sorte pois viu vários remates bater no poste. Apesar disso, a equipa conseguiu manter a cabeça fria e vencer nos penáltis após o empate a zero nos 90 minutos e no prolongamento.

No passado mais recente, destaque para a vitória na Liga Europa em 2010/2011. A final foi disputada contra o Sporting de Braga que havia eliminado nas meias-finais o Benfica. 1-0 foi o resultado final, sendo o golo marcado pelo melhor marcador da prova com 17 golos e que fazem dele o maior goleador de sempre em provas europeias. Depois disso, já o Benfica conseguiu acumular duas finais e outras tantas derrotas na prova.

O Sporting é actualmente o clube português mais bem sucedido internacionalmente, tendo mais do dobro dos troféus internacionais que as outras equipas portuguesas todas juntas. Além disso, tem dominado internamente, apesar da recém aproximação do Benfica. Quem achou que Bruno de Carvalho disse o que disse apenas pelo facto do clube se chamar Sporting Clube de Portugal está muito bem enganado, como provam os títulos oficiais ganhos pelo emblema de Alvalade nas últimas cinco temporadas. Hoje o Sporting é um clube conhecido (basta ver pelas as imagens presentes no post) e, principalmente, temido na Europa e no Mundo.

Quem não parece aceitar isso é a própria UEFA que, talvez ignorando a grandeza do Sporting, considerou inadmissível o protesto dos Leões, que surgiu porque estes entenderam ter sidos fortemente prejudicados frente ao Schalke 04 e que tinha por objectivo dar a oportunidade ao organismo que tutela o futebol na Europa de mandar repetir o jogo ou comprar o silêncio leonino por €500mil, valor monetário atribuído pela própria UEFA a cada equipa por um empate na Liga dos Campeões.

Uma coisa é certa: quem fica a perder é a UEFA, pois acabou de fazer um inimigo muito poderoso. Além disso, a própria Liga dos Campeões está a um passo de ficar mais pobre, porque o Sporting tem as contas muito complicadas para aspirar ao apuramento aos oitavos de final. O espetáculo ficará mais pobre, ou não fosse a equipa leonina uma das duas que fizeram uma das eliminatórias com mais golos (13) da história da prova.

27 de outubro de 2014

«Lopetegui chora muito»

A afirmação é de Jorge Jesus que, à boa maneira portuguesa, guia-se pelo ditado que diz "olha para o que eu digo e não para o que eu faço". Vejamos:





Mas o "chorão" é Lopetegui, que tem visto o FC Porto ser prejudicado jogo sim, jogo sim e não consegue deixar de apontar o dedos às equipas de arbitragem. Acredito que para Jorge Jesus (e não só) seria mais agradável que ninguém falasse no assunto, mas o treinador portista não parece pensar da mesma forma. E ainda bem, diga-se. O que aconteceu em Guimarães, Alvalade e mesmo no passado sábado em Arouca - para não falar no que se passa em outros campos ou no que aconteceu no jogo da Taça - não pode ser esquecido. Muito menos enquanto a história do "limpinho, limpinho" continuar presente nas nossas memórias.

O FC Porto não pode continuar em silêncio e deixar Lopetegui a batalhar sozinho como aconteceu no passado com Jesualdo Ferreira. Os maiores rivais além de terem os meios de comunicação próprios e sempre com o Dragão na mira, têm ainda o apoio e benevolência constantes da restante comunicação social. Urge mudar a forma do clube comunicar com os adeptos e ao mesmo tempo aproveitar as diferentes plataformas de comunicação que tem seu dispor para passar mensagens a terceiros quando necessário. Longe vai o tempo em que se respondia apenas em campo.

23 de outubro de 2014

A importância da comunicação

"Vivemos na Era da Informação", é uma das frases que mais se ouve e lê por aí. Vivemos na Era da Contra-Informação, acrescento eu. Nós, portistas, estamos habituados a ler no inicio de todas as épocas que alguém ligado ao FC Porto afirma que o clube é candidato a vencer tudo, Liga dos Campeões incluída. No fundo, a grande maioria sabe que isto são palavras de ocasião e que poucos são aqueles que se podem dar ao luxo de assumir uma candidatura à mais difícil prova de clubes do mundo. Internamente, é normal que uma equipa como o FC Porto seja candidata a vencer todas as provas, mas de candidato a vencedor há um longo caminho a percorrer. Não podemos esquecer nunca que também Benfica e Sporting têm as mesmas ambições e que, fruto de anos e anos de seca, têm agora adeptos muito mais compreensivos e fáceis de agradar. Além disso, têm o apoio da esmagadora maioria da comunicação social, algo que o FC Porto nem sonha.

Nas últimas semanas não faltaram exemplos que comprovam tudo aquilo que escrevi. Jorge Jesus, em entrevista ao Record, afirmou não acreditar que uma vitória do Benfica numa final da Liga dos Campeões levasse tantos benfiquistas ao Marquês como quando os encarnados vencem o campeonato; antes da viagem à Covilhã para o jogo da Taça de Portugal, Jonas junta-se a Jorge jesus na campanha de desvalorização e de desculpabilização de uma possível eliminação em outras competições dizendo que "importante é o campeonato"; o Sporting vence no Dragão com a ajuda da equipa de arbitragem e nenhum meio de comunicação social falou no assunto, dando destaque apenas ao mau jogo do FC Porto; o mesmo Sporting perde frente ao Shalke 04 e culpa a arbitragem, atitude seguida por todos os meios de comunicação; o Benfica visita o Mónaco e empata a zero, Jorge Jesus junta-se ao choro de Marco Silva e ataca a UEFA.

Enquanto que o FC Porto usa os meios de comunicação para se auto-pressionar, Benfica e Sporting usam-nos para se desculparem. Enquanto que os adeptos do Benfica ficam felizes por vencer uma campeonato de longe a longe, os adeptos do FC Porto anseiam pelo dia de ver um treinador bicampeão pelas costas e os do Sporting nem sabem o que isso é e festejam segundos lugares ou eliminatórias da Taça como se de títulos se tratassem. Enquanto que para Benfica e Sporting os níveis de exigência estão em baixo, para o FC Porto estão estupidamente altos.

Não acho que o discurso adoptado pelo Benfica seja o correcto, uma equipa com aqueles recursos tem de aspirar a mais do que apenas à vitória do campeonato, mas também não acho justo que os portistas achem que o FC Porto tem obrigação de vencer tudo. A virtude anda ali pelo meio, e é assim que o Sporting, com um orçamento e plantem bem inferiores aos rivais, vai lutando. No ano passado não foi suficiente para que vencessem qualquer coisa, mas este ano estão mais fortes e não há ninguém que possa garantir que a história terminará da mesma forma.

A comunicação social, os dirigentes e os treinadores de ambos os clubes, Benfica e Sporting, vão passando a mesma mensagem em uníssono para que a equipa tenha a paz necessária para ir trabalhando. Uma vez que falta ao FC Porto o apoio dos media, cabe à direcção e aos meios de comunicação do clube ajudar Lopetegui a passar a mensagem aos adeptos. Porque situações como as vividas no Dragão nos jogos frente a Sporting e Bilbau são fruto da ignorância dos adeptos.

O FC Porto tem de começar a combater a contra-informação com informação, ou continuará a ficar mais isolado a cada dia que passa. Chega de tentar vender ilusões e passar frases feitas, os adeptos têm de ouvir a verdade e adaptar-se a ela.

20 de outubro de 2014

Tribunal d'O Jogo volta à carga

Recentemente mencionei aqui que José Leirós, Jorge Coroado e Pedro Henriques usam critérios distintos na análise aos jogos do FC Porto aos usados nos demais. Isto a propósito do jogo do último sábado, onde o Sporting venceu por 1-3 no Dragão e houve vários lances polémicos para análise do Tribunal d'O Jogo.

Confesso que fiquei estupefacto quando vejo que todos os especialistas discordam da marcação do penálti assinalado pela falta de Mauricio sobre Jackson.



No fundo, o que os três ex-árbitros nos estão a dizer é que o atacante é que tem a obrigação de evitar o defesa que tem liberdade de fazer o que bem entender. O toque de Maurício é evidente e inegável, assim como o facto de o Jackson se encontrar em pé quando é tocado. Penálti claro e bem assinalado.

Ao ver este lance lembrei-me do mergulho de Enzo Pérez no último Estoril-Benfica e que valeu o segundo amarelo ao jogador estorilisa:


 

A enorme diferença entre os dois lances é que não existe qualquer toque no jogador do Benfica que arriscou a própria expulsão ao simular de forma tão grosseira, uma vez que já tinha cartão amarelo. Fascina-me que José Leirós tenha visto um contacto entre o jogador do Estoril e Enzo Pérez.
Mas a cereja no topo do bolo ainda estava para vir. Nenhum dos analista considera faltosa a patada que Paulo Oliveira dá quando Herrera cabeceia a bola na tentativa de recarga após defesa de RuíPatricio:



Recordo que todos eles são os mesmos que há semanas atrás, curiosamente, não hesitaram em considerar bem assinalado o penálti que deu o empate ao Vitória de Guimarães frente ao FC Porto.



Estes são apenas pequenos grandes exemplos da dualidade de critérios com que os jogos do FC Porto são arbitrados e analisados. Como portistas, mesmo estando a equipa a jogar mal, não podemos deixar passar estas situações em claro. Temos a obrigação de denunciar quem tenta prejudicar o FC Porto, seja quem for e de que maneira for.

19 de outubro de 2014

Os erros que valeram uma derrota

Marco Silva diz que o Sporting foi muito superior ao FC Porto, eu discordo quase em absoluto. O FC Porto dominou em todos os campos estatísticos excepto no que mais importa, os golos. A verdade nua e crua é que os visitantes marcam por três vezes e nós só o fizemos por uma. No final das contas, pouco importa ter mais bola, mais ataques, mais remates, etc., se são oferecidos golos de bandeja ao adversário e desperdiçadas todas as oportunidades flagrantes de que se dispõe. O Porto de Lopetegui tem sido isto jogo após jogo.


Após duas semanas em que muitos jogadores estiveram ao serviço das respectivas selecções, o treinador do FC porto decidiu fazer uma gestão do plantel um pouco estranha. Jackson, Quintero e Danilo que fizeram milhares de quilómetros jogaram os 90 minutos (acabando até todos eles em dificuldades físicas), enquanto que jogadores como Evandro e Alex Sandro nem convocados foram. Tello que não esteve ao serviço da selecção e, por isso mesmo, também participou em todos os treinos de preparação para o jogo ficou no banco. Não consigo dizer ao certo quantas alterações foram feitas tendo em conta conta o onze-base porque nem isso consigo especificar. Isso diz muito sobre a estabilidade que Lopetegui tem dado à equipa. A única coisa que se pode dizer é que este está longe de ser a melhor equipa possível.

Do outro lado, tivemos um Sporting quase na máxima força. Montero jogou no lugar de Slimani, Mauricio voltou à titularidade para o lugar de Sarr e Capel rendeu Carrillo. A maior novidade foi a alteração na dinâmica ofensiva da equipa que essas mudanças trouxeram. No jogo em Alvalade para o campeonato, Nani começou o jogo como falso extremo esquerdo, uma vez que tem liberdade total para jogar por dentro, deixando o outro flanco a ser explorado por Carrillo que contava sempre com a ajuda de João Mário e Cédric para sobrecarregar o desamparado Alex Sandro. Foi assim que chegaram ao golo logo no primeiro minuto. Desta vez, Marco Silva inverteu as dinâmicas pelos flancos e coube a Danilo lidar praticamente sozinho durante os 90 minutos com Capel e Jonathan. O que fez Lopetegui para contrariar isto? Deixa Casemiro e Herrera a lutar contra William, Adrien, João Mário e, por muitas vezes, Nani. José Ángel raramente tinha um extremo para marcar e limitava-se a esperar pelas subidas de Cédric. Casemiro, rodeado de adversários por todo lado tanto a atacar como a defender, teve sempre imensas dificuldades quer a distribuir jogo quer a recuperar a bola, uma vez que só tinha a ajuda de Herrera. Enquanto isto, Óliver continuava como médio-esquerdo a fazer nem sei bem o quê.

Graças ao talento individual de jogadores como Quintero, Danilo e Jackson é que o FC Porto conseguiu criar perigo e até podia ter chegado ao golo vezes suficientes para ganhar. Mas quando o treinador prepara um jogo desta importância com tanta leviandade, onde além de vários jogadores trocou também o sistema de jogo, é com naturalidade que os erros apareçam e com eles a derrota. Ao intervalo tentou remediar as coisas com duas substituições (está a tornar-se hábito) e a equipa melhorou um pouco e dispôs de várias opções para empatar. Não o fez e sofreu o terceiro. Embora não tivesse sido superior, o Sporting foi mais eficaz e, acima de tudo, mais prático a defender. Os Leões fizeram mais dez faltas que os Dragões (16-26) e com isso foram parando as iniciativas atacantes do adversário. Do outro lado, até uma passadeira vermelha se estendia se fosse preciso.

A equipa de arbitragem também teve peso no desfecho da partida. Ao minuto 26 Paulo Oliveira pontapeia Herrera dentro da grande área do Sporting e Jorge Sousa nada assinala. Quatro minutos depois é a vez do árbitro auxiliar assinalar um fora de jogo inexistente a Adrián quando este ficou apenas com Rui Patrício pela frente. Já na segunda parte, ao minuto 72, Jonathan corta a bola como braço dentro da área leonina e uma vez mais o árbitro entende que não há motivo para a marcação de penálti. Foram três lances que poderiam ter mudado a história do jogo e todos eles foram decididos em prejuízo da equipa do FC Porto.




Assim se perde uma vez mais a oportunidade de vencer a Taça de Portugal. É imperial que Lopetegui arranje uma solução para acabar com os erros rapidamente, porque que eles têm de terminar já toda a gente percebeu. E não foi ontem.

32869 inúteis

Já é um debate antigo um pouco por toda a Internet e um tópico recorrente entre portistas. Assobiar ou não assobiar? Há opiniões para todos os gostos mas, no fim, a maior parte das pessoas admite ter a noção que o facto de se assobiar um jogador em particular ou toda a equipa em nada ajuda e que, quase sempre, até atrapalha. O que se assistiu ontem no Estádio do Dragão foi, uma vez mais, exemplo disso mesmo.

O FC Porto iniciou o jogo com todo o apoio do mundo, mas a situação inverteu-se quando a equipa se viu a perder por 1-2. Já na segunda parte, após Jackson ter permitido a Rui Patrício defender o penálti que devia ter dado o 2-2, os portistas presentes no estádio decidem que a melhor solução para apoiar a equipa que até entrou bem na segunda parte é recorrer ao assobio. Enquanto que os sportinguistas cantavam alegremente "Pinto da Costa vai p'ó caralho", os dragões (assim mesmo, com letra minúscula) ouviam em silêncio e só o interrompiam para assobiar a saída de bola da equipa ou um atraso para o guarda-redes. Prioridades.

Nota: A assistência oficial do jogo foi de 36869, aos quais subtraí os 4000 adeptos visitantes (que duvido seriamente que seja real) para chegar ao número presente no título. Além disso, estou consciente que nem todos os portistas presentes assobiaram a equipa. A esses, um bem-haja.