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5 de junho de 2016

"Não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação"

Tal como o próprio FC Porto, o Portistas Anónimos vive um período de hibernação, estando num estado de serviços mínimos. Apesar disso, há sempre espaço para partilhar uma ou outra ideia que, à primeira vista, mereça interromper este período de silêncio.

Neste caso iremos para recuar a 21 de Outubro de 2013, quando Antero Henrique em entrevista ao jornal O Jogo disse, entre outras coisas, "não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação". Desde esse dia até ao presente o FC Porto venceu três competições minimamente relevantes em futebol: o campeonato nacional de sub-19 por duas vezes e a II Liga por uma. Enquanto isso, a equipa principal continua em branco. Era interessante que alguém conseguisse explicar o que aconteceu entretanto para que em pouco tempo acontecesse precisamente o oposto do que foi prometido.

A expressão "pela boca morre o peixe" foi, durante alguns minutos, uma forte possibilidade para dar título a este texto.

16 de setembro de 2015

Dia de Porto... a quadruplicar!

A chuva que cai em Portugal aconselha a que quem não tenha obrigatoriamente de sair de casa que se mantenha dentro da mesma. Assim sendo, nada melhor que a companhia do FC Porto para ajudar a passar o dia. Futebol (sub-19, equipa B e equipa A) e andebol dos dragões garantem uma quarta-feira bem passada a quem tiver oportunidade de os acompanhar. Aqui fica a agenda completa:

Futebol sub-19 - A equipa de júniores do FC Porto começa a participação na UEFA Youth League com uma visita à Ucrânia para defrontar o Dínamo de Kiev. O jogo tem início às 12h de Portugal continental e transmissão televisiva na Sporttv.

Futebol equipa B - A sétima jornada da II Liga joga-se hoje e a formação secundária dos dragões, actual segunda classificada, defronta o Penafiel. O jogo, que será transmitido em directo no Porto Canal, terá o pontapé de saída às 16h.

Andebol - Com dois jogos disputados no campeonato e outras tantas vitórias, o FC Porto defronta às 18h, no Dragão Caixa, o Madeira SAD. O Porto Canal também fará as honras da transmissão em directo.

Futebol equipa A - A cereja no topo do bolo será o Dínamo de Kiev - FC Porto a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Tal como o jogo versão sub-19, também os graúdos terão transmissão televisiva na Sporttv sendo que o início está marcado para as tradicionais 19h45.

18 de maio de 2015

A base está construída

Pinto da Costa trouxe Lopetegui para o FC Porto e deu-lhe um contrato de três épocas, tendo ainda o clube a opção de acrescentar outras duas. Significa isto que o plano passa por da estabilidade ao treinador e ao clube, para que haja tempo de alicerçar um projecto sólido. Obviamente que a época que agora termina não é indiferente e que se perdeu uma boa oportunidade de ganhar o campeonato, mas a sensação que deu desde o inicio foi que por muito que o FC Porto fizesse, na hora H aparecia sempre algo a fazer a balança pesar para o outro lado. O empate frente ao Belenenses acaba por ser normal tendo em conta que o campeonato ficou perdido no empate na Luz, embora o treinador e muita gente se recusassem a admiti-lo. O FC Porto perdeu a última oportunidade de ser campeão a trocar a bola na defesa no tempo de descontos desse jogo, quase como se houvesse um qualquer pacto de não-agressão. Depois disto, esperar que fossem os dois últimos classificados ou os amigos madeirenses a ajudar o Vitória de Guimarães a roubar pontos a uma equipa de trintões, programada para bater em mortos e jogar para o pontinho contra os adversários com capacidade para fazer cinco passes seguidos, é inconcebível. Pior ainda quando olhamos para os factos e percebemos que o Benfica jogou sempre com o vento a favor, beneficiando de todo o tipo de ajudas. Mesmo que o cabeceamento do Jackson aos 90'+3' tivesse entrado, o Benfica teria ainda imenso tempo para forçar a vitória - com o sem ajudas - uma vez que o jogo do FC Porto terminou e em Guimarães entrava-se no minuto 88, sendo ainda acrescentados 6 de descontos pelo árbitro. Depois de tanto alarido porque um jogo do FC Porto começou um minuto e alguns segundos atrasado na fase de grupos da Taça da Liga, não deixa de ser curioso que ninguém se dê ao trabalho de mencionar isto. Ou, imagine-se, a LPFP resolver o problema.

O que fica para a História é que o Benfica ganhou dois campeonatos seguidos e, fazendo fé na comunicação social, honra lhes seja feita: acabaram com a hegemonia do FC Porto dos últimos 34 anos. Só mesmo ao alcance dos predestinados, porque nem Sporting e Boavista, responsáveis pelo maior período de seca do FC Porto tendo Pinto da Costa como presidente - 3 épocas -, conseguiram em conjunto alcançar tal feito. Os outros iam ganhando mas a hegemonia portista continuava, só mesmo o Benfica, qual D. Sebastião, para lhe por termo. A que custo ainda vamos ver.

Dito isto, importa não esquecer o seguinte: FC Porto e Benfica, mais próximos do que nunca no que a competitividade diz respeito, cruzaram-se esta época vindo de trajectórias bem diferentes. Enquanto os lisboetas vão espremendo o último sumo de um plantel cada vez mais envelhecido e perdendo a cada janela de transferências opções importantes, deixando ficar apenas os mais velhos, o FC Porto começou o trajecto inverso após ter andado a fazer algo semelhante no pós-Villas-Boas.

Muito se fala no fim de ciclo no Dragão, quando o mesmo fechou com a saída de Vítor Pereira. Neste momento quem se encontra em fim de ciclo é o plantel liderando por Jorge Jesus que, se for/fosse inteligente aproveitava para sair pela porta grande. O clube não se pode dar ao luxo de continuar a fazer uma forcinha para garantir o terceiro lugar na fase de grupos da Champions para tentar vencer a Liga Europa ou, à imagem do que aconteceu este ano, cair mesmo nas provas europeias em Janeiro para se dedicar apenas ao campeonato. As finanças começam a apertar e os anéis já foram quase todos, os adeptos vão começar a exigir mais levados pela euforia de um feito do qual já não havia memória no clube, e os jogadores vão começar a querer novos voos. O FC Porto, fruto do sucesso das últimas décadas, passa por isso quase todas as épocas, veremos como o Benfica se aguentará.

Lopetegui tem agora uma missão diferente da que lhe foi dada na época que agora termina. Este ano chegou com o objectivo de colocar o FC Porto na Liga dos Campeões e preparar a equipa para dominar o futebol português nos próximos anos, no próximo terá de começar a colher os frutos. Para isso será preciso reconstruir o plantel. Entre emprestados, equipa B, quem sabe sub-19 e contratações pontuais, será preciso colmatar as saídas de alguns jogadores que até agora foram fundamentais, como é o caso de Danilo e, muito provavelmente, Jackson Martínez e/ou Alex Sandro.

Apesar disso, existirá sempre a vantagem de manter uma base para começar a nova época sem apressar a integração no onze dos reforços. Isso não foi possível em 2014/2015 fruto dos absurdos 17 novos jogadores no grupo, sendo isso uma das possíveis causas da instabilidade promovida pelo treinador no onze numa fase inicial. Em 2015/2016 Lopetegui já saberá com quem contar, mas, principalmente, com o que contar em muitos dos jogos do campeonato.

O título de sub-19 promete uma nova fornada de jovens talentos nos próximos anos, equanto que na equipa B já há muito o que aproveitar. A classificação não reflecte a qualidade da formação secundária do FC Porto, que em janeiro viu jogadores com Ivo, Kayembe e Otávio partirem por empréstimo e Gonçalo Paciência mudar-se para a equipa principal. Com a chegada da fase final do campeonato de sub-19, tornou-se mais dificil ainda porque foram vários os jogadores que deixaram de poder ajudar os comandados por Luís Castro, ficando assim a equipa B com um grupo muito limitado e a competir na longa II Liga e na Premier League International, tendo mesmo chegado à final da prova.

Estou certo que a próxima época começará com um FC Porto detentor de um plantel forte e competitivo, capaz de dominar no campeonato e fazer uma boa campanha na Liga dos Campeões. A única coisa que poderá impedir o título de voltar ao Dragão será uma combinação de erros próprios com o colinho para os do costume e com a passividade dos responsáveis portistas. No fundo, a mesma formúla que roubou este campeonato ao museu do FC Porto.

18 de fevereiro de 2015

Geração de Ouro?

A últimas épocas têm sido de mudança no que à formação do FC Porto diz respeito. Com o reaparecimento da equipa B ficou mais simplificada a integração dos jovens oriundos das camadas jovens no futebol sénior sem que para isso tenham necessariamente de andar de empréstimo em empréstimo, num processo que por vezes envolve mais sorte com o clube e treinador de destino do que outra coisa. Até então houve o projecto Visão 611 - considerado um fracasso por muitos - que, segundo Antero Henrique, se revelou fundamental para reorganizar a estrutura e para perceber que ter uma equipa B é indispensável.

Graças à aquisição do Porto Canal, hoje em dia a maioria dos portistas está familiarizada com nomes como Gonçalo Paciência, Ivo Rodrigues, ou mesmo André Silva. A estes três podemos juntar Tomás Podstawski, Tozé, Leandro, Rafa, Sérgio Oliveira, Frédéric Maciel e Francisco Ramos que estão ou passaram pela formação secundária do FC Porto e caminham a passos largos para se afirmarem como jogadores de primeira liga e, em alguns casos, no próprio FC Porto e na Selecção de Portugal. Enquanto isso começam a surgir nomes, como Rui Pedro (16 anos) e Rúben Macedo (18 anos), prontos a liderar a próxima geração de Dragões a tentar seguir os passos de Rúben Neves.

Até agora mencionei propositadamente apenas jogadores portugueses para desmitificar um pouco a ideia de que o FC Porto não valoriza os jogadores nacionais mas, no entanto, há também uma lista de jogadores de outros países que têm boas hipóteses de se afirmar de azul e branco. Mikel foi traído por uma grave lesão que o impediu de jogar até agora naquela que deveria ser a época de estreia na equipa principal; Kayembe chegou por empréstimo e entretanto foi adquirido em definitivo e emprestado ao Arouca; Victor Garcia demonstra um potencial enorme e, no meu entender, deve receber o mesmo tratamento de Kayembe: aquisição e empréstimo de uma época na primeira liga; e até Gudiño, que ainda com idade de júnior tem brilhado na equipa B e parece já ter forçado a SAD a decidir exercer a cláusula de aquisição definitiva do passe prevista no actual contrato de empréstimo. Aqui o padrão tem sido esse: um empréstimo inicial com opção de compra que pode ou não ser exercida. Anderson e Sebá, que alinharam pela equipa B no ano de estreia da mesma na II Liga, não tiveram a sorte de serem adquiridos em definitivo, por exemplo. Assim como Pavlovski que está agora no segundo empréstimo e, apesar do talento demonstrado, continua a ter a continuidade no clube em causa.

Todos os mencionados até agora e muitos outros começaram a ter níveis de competição mais altos bastante mais cedo do que muitos que passaram pelo clube no período em que a equipa B estava inactiva. A competição na segunda liga ajuda na adaptação ao futebol sénior, mas há muito mais a explorar para que a evolução dos jovens jogadores seja feita rápida e eficazmente. Falo da UEFA Youth League (a Liga dos Campeões em sub-19) e da Premier League International (competição de reservas organizada pela FA e que decorre em Inglaterra), que oferecem aos jogadores a possibilidade de defrontar equipas mais competitivas e de realidades diferentes, mas também de competições como a Taça de Portugal ou a Taça da Liga que podem e devem ser utilizadas sempre que possível para dar minutos aos mais jovens na equipa principal.

As dificuldades económicas têm sido notadas em todos os sectores, não sendo excepções o futebol em geral e o FC Porto em particular. Não aproveitar todo o trabalho desenvolvido nos últimos anos seria um acto de estupidez sem precedentes. Com todas as ferramentas adquiridas no último par de anos, o FC Porto está agora em posição de começar a colher os frutos que vem cultivando. Haverá coragem para isso?