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7 de março de 2016

O campeonato acabou na véspera

"Calma, eu estou aqui" - Xistra ao estilo de Ronaldo
O resultado do dérbi lisboeta foi o pior possível para o FC Porto. O Benfica passou para o primeiro lugar e notou-se desde cedo em Braga um comportamento por parte do árbitro que só com muita sorte permitiria aos dragões sair da pedreira com os três pontos. O FC Porto não fez um jogo brilhante, longe disso, mas Carlos Xistra inclinou sempre o campo a favor da equipa da casa. Djavan deveria ter visto o cartão logo na primeira jogada do encontro, mas depois disso, tanto ele como Baiano, fartaram-se de fazer faltas até verem o amarelo. A mesma sorte não teve André André que à primeira oportunidade ficou condicionado para o resto do jogo. Comparem com Renato Sanches, que no dia anterior só à nona falta foi penalizado com o cartão amarelo e para isso até teve de fazer falta para vermelho. A bola passou por baixo do braço de Suk? Falta contra o Porto. O defesa do Braga corta a bola com a mão dentro da grande área? Casual. O Marafona cai sozinho na pequena área? Falta contra o Porto. O mesmo defesa bracarense coloca os braços sobre Suk, cai e derruba o coreano no interior da grande área da equipa da casa? Pontapé-de-baliza. Foi contra isto que o FC Porto jogou o jogo todo. E perdeu. E ficou com o primeiro lugar bem longe e o segundo pouco mais próximo.

Como já referi, os azuis e brancos não tiveram uma exibição de sonho, mas dominaram por completo a primeira parte, tendo criado várias oportunidades para marcar e consentindo apenas uma ao Braga. Oportunidade essa que nasceu de uma falta clara de Hassan sobre o Danilo que só o árbitro não viu. E o que fez ele depois? Expulsou José Peseiro do banco. A justificação oficiosa é que sem chiclete na boca ninguém pode sair da área técnica e muito menos protestar. Já me esquecia, saber coisas do ano passado também não prejudica nada.

A segunda parte foi diferente, mais dividida, com um Braga mais atrevido que nos primeiros 45 minutos e que viu um golo cair-lhe completamente do céu. Maxi ainda empatou mas o FC Porto continuou a jogar como se ainda estivesse a perder e sofreu dois golos absolutamente evitáveis. Antes disso, José Peseiro cometeu o que, para mim, foi o maior erro da noite: trocou Aboubakar por Suk. E aqui chego aos outros responsáveis por mais uma derrota, que são jogadores e equipa técnica.

O FC Porto não pode continuar a jogar em 4-4-2 - cada um pode dizer o que lhe apetecer e a comunicação social desenhar a equipa em 4-3-3, em 4-2-3-1 ou como lhe apetecer que não faz disso verdade - só com um extremo e com um ponta-de-lança. Não percebo o que um treinador pretende alcançar com o André André como extremo e o Herrera ao lado do ponta-de-lança. basta olhar para a equipa em campo para se ver isso. Eu sei que Corona e Aboubakar estão uma verdadeira miséria, mas começa a ser vergonhoso ter de recorrer a médios para jogar no centro da defesa, nas alas e no ataque. Para que serve a equipa B?

O FC Porto tem bons jogadores na formação secundária, principalmente no ataque. Gleison, Ismael e André Silva têm mais de 30 golos entre eles na segunda liga. Existe um jogador chamado Cláudio, que ainda não percebi se é ponta-de-lança ou extremo e, pelo pouco que vi dele, duvido que venha a ser jogador para a equipa principal. Neste momento preferia vê-lo a ele em campo em vez do Aboubakar ou do Corona, tal é a minha descrença nesta dupla face às exibições do último mês. Não está em causa o valor, o profissionalismo ou até o potencial de ambos, mas neste momento não dá.

José Peseiro tem de melhorar muito se quiser chegar pelo menos até ao fim do contrato. No FC Porto é fulcral agir em vez de reagir e, neste jogo frente ao Braga, desde cedo se percebeu que André André e Rúben Neves estavam a mais. Não era preciso ter sofrido um golo para os substituir. O será que é mais fácil ir atrás da vitória a perder por 1-0? Sim, porque no FC Porto, salvo raras excepções, é obrigatório ir atrás da vitória. 

A partir de hoje faltam 9 jogos para terminar o campeonato e a final da Taça de Portugal e pelo menos uma semana de preparação entre cada um deles. Assim sendo, não admito outro cenário que não seja uma equipa em crescendo exibicional, 27 pontos e a vitória no Jamor. Não foi José Peseiro que construiu este plantel e por isso está livre de culpas em muitas das coisas que têm acontecido, mas esta equipa tem mais do que obrigação de ganhar a qualquer um dos restantes adversários. No final fazem-se as contas.

3 de março de 2016

Dêem-me 11 Maregas

Se há coisa que me tem feito uma bocado de confusão - ou metido nojo, caso prefiram - é o gozo constante em volta de Marega. Porque é tosco, porque não sabe correr, porque tem outra coisa qualquer em vez de pés e por aí fora. A mim não me faz confusão que um jogador tenha uma ou outra lacuna caso esta seja compensada com algum esforço e com o aproveitamento de outras vertentes em que possa ser forte. O maliano, não sendo um poço de talento, vai levando a água ao seu moinho através da força e velocidade que lhe são naturais e da responsabilidade táctica que foi trabalhando; vejo-o como uma espécie de Varela mas com vontade e capacidade para correr. E foi assim que Marega chegou ao Marítimo na época passada e em meia época marcou, para o campeonato, sete golos em 14 jogos. Esta época levava já 5 golos em 15 jogos da primeira liga antes de despertar o interesse dos três grandes e acabar de dragão ao peito.

A cantiga de que o FC Porto enfraqueceu o plantel em Janeiro para mim não passa de uma treta, porque uma equipa de futebol não vive só de artistas de de fintas bonitas, é preciso haver carácter e nisso entre saídas e chegadas o balanço foi bastante positivo. Porque entre ter um Imbula, um Tello ou um Aboubakar a fazerem o favor de aparecer aos jogos, prefiro ter Suk e/ou Marega em campo a dar tudo pela equipa, a fazerem o que sabem e o que não sabem para garantir o melhor para o clube. E foi assim que ontem, por exemplo, o novo camisola 11, fez um sprint desde o meio-campo defensivo para finalizar uma jogada na segunda parte da segunda mão de uma eliminatória que ficou decidida na primeira e que nem a 5000 pessoas interessou.

O que cada um deve perguntar a si próprio é: com o campeonato a ganhar emoção à medida que se aproxima do final, prefiro ver o Corona arrastar-se em campo ou o Marega a fazer das tripas coração para disputar cada jogada como se a vitória estivesse dependente disso? É assim tão provável um jogador qualquer, por muito limitado que seja tecnicamente, fazer pior do que Brahimi nos 10 jogos anteriores ao Belenenses - FC Porto em que marcou apenas um golo e fez só uma assistência? Não tenho nada contra o argelino nem contra o mexicano, até sou um grande defensor de ambos e acho que terão oportunidade para se redimirem nos jogos que faltam, mas neste momento a resposta a ambas as questões é óbvia.

Não foi por jogadores como o Marega que o FC Porto chegou onde está, mas é com a ajuda deles que se tem levantado. Foram os falsos craques que com uma ou outra "ajuda" arrastaram o clube para este vazio. Por isso há que pensar duas vezes antes de ridicularizar jogadores empenhados, porque muitos dos males desta equipa podem ser curados com uma dose forte de sacrifico e isso têm eles para dar e para vender. "Não queremos vedetas e mimados mas sim campeões empenhados".

28 de fevereiro de 2016

Já estamos a ganhar... E agora!?

Depois de ver a equipa do FC Porto entrar com uma jogada ensaiada, como já não me lembrava de ver, e ganhar um canto logo nos primeiros segundos fiquei convencido que os jogadores estavam empenhados em tornar o jogo fácil. Os minutos seguintes confirmaram isso e cedo apareceu o 0-1 e ainda com muito para jogar na primeira parte o 0-2. Depois disso, nada.

Deu a sensação de que, depois de vários jogos a entrar a perder, o FC Porto se esqueceu de como segurar uma vantagem de forma segura. Como é possível uma equipa que ainda até há bem pouco tempo perdia minutos a trocar a bola sem grande objectivo não conseguir agora fazer quatro passes seguidos, não sei, mas aconteceu. Felizmente a entrada de Evandro trouxe alguma serenidade e capacidade de circulação, porque as coisas estavam a encaminhar-se a bom ritmo para este texto ser sobre um empate.

Suk não esteve brilhante, mas a forma como pressiona o adversário e luta por cada bola é um exemplo prático do que deve ser um jogador à Porto. Embora tivesse ficado em branco, foi fundamental a entrega que colocou no lance que dá o 0-1. Tem conquistado o lugar a pulso com as oportunidades que lhe foram sendo dadas para poupar Aboubakar. O camaronês tem agora que trabalhar muito mais se quiser recuperar o lugar. Quem fica a ganhar com isso é o FC Porto.

A entrada de Evandro mostrou a principal razão pela qual Herrera não pode ser o 10 nesta equipa. A entrega com que o mexicano joga merece louvor e deve ser aproveitada pelo treinador, mas a incapacidade de decidir rápido fazem dele um mau criador de jogo quando o adversário é mais pressionante. A solução? Jogar mais recuado, próximo de Danilo, como fez nos minutos finais. Aí ganha preponderância na recuperação de bola e espaço para usar a mobilidade que lhe é reconhecida.

Já todos sabemos que Marega não faz da técnica livro de visita e que tem muito por onde evoluir nesse aspecto. No entanto, consegue criar mais oportunidades com todas essas limitações do que Corona com dois pés capazes de fazer a diferença. Desde a troca de treinador que o camisola 17 tem estado irreconhecível. O FC Porto precisa de todos os jogadores a jogar de forma consistente se ainda quiser ter uma palavra a dizer na luta pelo título, sendo Corona um dos mais talentosos era importantíssimo que colocasse uma pedra sobre as exibições cinzentas. Ainda mais agora com a eventual lesão de Brahimi.

A eliminação das competições europeias foi dolorosa mas também trouxe vantagens. O jogo da próxima quarta-feira frente ao Gil Vicente será o último realizado a meio da semana. Depois disso, até ao fim do campeonato José Peseiro terá finalmente tempo entre os encontros para recuperar a equipa fisicamente e trabalhar de forma mais eficaz a vertente táctica. O que olhando aos últimos jogos só pode ser encarado como uma óptima notícia.